Setor sucroenergético

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Rumo troca presidente

O conselho de administração da concessionária de ferrovias e terminais portuários Rumo aprovou o início do processo de transição no qual João Alberto Fernandez de Abreu substituirá Julio Fontana como diretorpresidente a partir de 1º de abril de 2019.

Abreu é vice-presidente executivo de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen Energia e membro dos conselhos das empresas Iogen Energy, WX Energy e CTC - Centro de Tecnologia Canavieira.

Fontana, responsável pela virada operacional da Rumo após a fusão com a ALL, em 2015, continuará a prestar serviços para a Rumo até novembro de 2019.

Adicionalmente, será presidente do comitê operacional da Rumo e membro de seu conselho de administração. (Valor Econômico 07/12/2018)

 

Sem a régua do etanol brasileiro clara para 19/20, açúcar continua sem liquidez e preso ao superávit do USDA

 Da estimativa de maio para a de final de novembro, o USDA cortou praticamente 3 milhões de toneladas do superávit mundial de açúcar da safra 18/19. Ainda assim, ficarão sobrando uma montanha 9 milhões pelas contas. E é esta previsão com a qual o mercado de um modo geral vem trabalhando. Por mais que certas análises brasileiras, da Organização Internacional de Açúcar (OIA) e de algumas tradings forcem previsões que vão de déficits de 2 milhões de toneladas a excedentes bem menores, Nova York não deu atenção.

Pode ser que o faça, quando ficar mais clara a régua do etanol brasileiro para o ano que vem medindo a produção, ou se de fato ocorrer uma produção muito menor da Índia que ainda não se comprova (suspeitas de pragas foi o que motivou o corte feito pela OIA), já que produções mais curtas na Tailândia e Europa são irrelevantes para os superávits globais previstos anteriormente. Por enquanto, o  que movimenta um pouco na ICE Futures essa commodity sem liquidez são as externalidades.

Ontem, foi a corrida de todo mundo para o dólar, com a reabertura da crise entre Estados Unidos e China por conta da prisão da executiva da Huawei que tirou 8 pontos do vencimento de março. Neste sexta (7), foi o aumento do barril do brent  - e um pouco menos o fortalecimento do dólar no mercado internacional -, com o anúncio de redução da produção pela Opep que fez o açúcar ficar mais próximo do teto visto por alguns analistas de 13 c/lp, mas longe do pico de 14 em 24 de outubro (desde então só caiu e transita na faixa atual). Março terminou a semana em mais 23 pontos, fixado em 12.87 c/lp.

Será o petróleo o fiel dessa balança, em combinação com o dólar - mais na paridade com o real do que em relação à cesta de outras moedas fortes.

Sustentado em US$ 60 (ou mais) como alguns prevêem até o início da próxima safra brasileira e o final da 18/19 da dos outros competidores - caso não se consolide uma desaceleração da economia mundial -, possivelmente o Brasil vá manter praticamente os mesmos níveis de etanol para 19/20 (28/29 bilhões de litros), mesmo com câmbio mais favorável às importações do fóssil. A gasolina menos competitiva versus etanol tirará mais açúcar brasileiro do mercado.

O Brasil ainda está no jogo, portanto, mesmo perdendo a liderança nas exportações mundiais do alimento.

Se o mercado estivesse mesmo olhando a tela de março na ICE com olhos na possível falta de 2 milhões de toneladas ou superávit de até 1,7 milhão de tonelada no mundo, haveria potencial para o açúcar já ter rompido o teto dos 13 c/lp - ou 13.5 c/lp.

Porque ainda não haveria certeza de que o País vá soltar o ano que vem de 2 a 4 milhões a mais de toneladas de açúcar, batendo nos 30/31 milhões de toneladas, que tecnicamente compensariam tal déficit ou leve superávit previsto fora da fronteira do USDA (lembrando ainda que o órgão americano ainda dá estoques globais de 53 milhões de toneladas), segundo as análises que apostam na redução do açúcar no mundo.

É a régua brasileira do etanol que vai ditar nas próximas semanas ou começo de 2019 o movimento dos preços - ou realmente um desastre maior na Índia que já está quase chegando no meio da sua safra. (Notícias Agrícolas 07/12/2018)

 

BASF inicia a produção do fungicida Revysol

A BASF iniciou a produção do Revysol®, sua mais recente inovação em fungicida, no site em Hannibal, cidade norte-americana localizada no estado de Missouri. Com novo ingrediente ativo, a BASF proporcionará aos agricultores, em todo o mundo, uma ferramenta que proporcione colheitas saudáveis e livres de doenças por um longo período de tempo, além de fortalecer sua posição de liderança no segmento. Revysol® é o primeiro fungicida produzido neste site e está aguardando aprovação regulamentar. As primeiras apresentações no mercado são esperadas para a temporada 2019/2020. No Brasil, a expectativa é de que o Revysol® esteja disponível a partir de 2023.

“Estamos entusiasmados com o início bem-sucedido da produção em Hannibal. É um marco significativo oferecer este fungicida, altamente eficaz, aos nossos clientes”, disse Markus Heldt, presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF. Com um investimento na faixa de dois dígitos de milhões de euros, a BASF aprimorou um sistema de fabricação existente a fim de produzir o novo ingrediente ativo.

A localização do primeiro site de Revysol® nos Estados Unidos enfatiza a importância estratégica desse fungicida para os mercados da América do Norte. “Temos orgulho de que Hannibal seja o primeiro site a produzir o Revysol®”, disse Anne Berg, vice-presidente de Produção para Américas da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF. “Esta decisão foi baseada no alto nível de tecnologia e experiência do site e é um investimento em seu desenvolvimento futuro que preservará e criará novos empregos”, complementa Anne Berg.

O Revysol® deverá se tornar o novo fungicida de sucesso da BASF. Tem o potencial de atingir pico de vendas acima de € 1 bilhão. A empresa solicitou o registro do Revysol® em 60 países da Europa, Ásia e Américas para mais de 40 cultivos. O composto patenteado foi projetado para atender ao alto nível de padrões regulatórios, ao mesmo tempo em que demonstra um excelente desempenho e seletividade. Os agricultores se beneficiarão de sua ação rápida e duradoura no controle de doenças, resultando em melhor gerenciamento agrícola. O Revysol® estará disponível em formulações personalizadas para agricultores e permitirá que protejam melhor suas lavouras em várias condições de crescimento. (Basf 07/12/2018)

 

Açúcar: Petróleo em alta

A alta do petróleo impulsionou a valorização do açúcar em Nova York na sexta-feira.

Os papéis do açúcar demerara para entrega em maio subiram 23 pontos, a 12,97 centavos de dólar a librapeso.

O petróleo chegou a subir mais de 5% depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados confirmaram que cortarão a produção em 1,2 milhão de barris por dia a partir de 1º de janeiro para sustentar as cotações da commodity.

A valorização do petróleo pode ser um incentivo para as usinas brasileiras produzirem mais etanol na próxima safra, em detrimento do açúcar, já que o biocombustível pode ficar mais competitivo.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 68,46 a saca de 50 quilos, alta de 0,18%. (Valor Econômico 10/12/2018)

 

Preço do açúcar bruto sobe 1,8% na ICE acompanhando mercado de petróleo

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE avançaram nesta sexta-feira, acompanhando a alta do mercado de petróleo.

O contrato março do açúcar bruto ganhou 0,23 centavo de dólar, ou 1,8 por cento, a 12,87 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar 13,07 centavos de dólar.

Na semana, o contrato subiu 0,2 por cento, sua segunda semana consecutiva de alta após cinco declínios semanais.

Os preços receberam suporte do rali do petróleo, que mais cedo chegaram a saltar 5 por cento, após o anúncio do acordo de cortes na oferta da Opep, antes de reduzir os ganhos.

"Se a energia continuar o rali, nós faremos menos açúcar e mais etanol. Isso está por trás do movimento do açúcar", disse um operador.

O açúcar branco para março avançou 4 dólares, ou 1,2 por cento, a 345,60 dólares por tonelada, porém teve queda semanal de 0,6 por cento, sua sexta semana negativa em sete. (Reuters 10/12/2018)

 

Etanol hidratado sobe 2,54% e anidro avança 3,18% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas avançou 2,54% esta semana, de R$ 1,6229 o litro para R$ 1,6641 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O valor do anidro subiu 3,18%, de R$ 1,7700 o litro para R$ 1,8263 o litro, em média. (Reuters 10/12/2018)

 

Cogeração de energia via biomassa de cana pode crescer 57% até 2030 com RenovaBio

A cogeração de energia no Brasil a partir da biomassa de cana-de-açúcar tem potencial para crescer cerca de 57 por cento até 2030, na esteira do RenovaBio, política de biocombustíveis que promete impulsionar o setor sucroenergético do país, disse à Reuters o dirigente de uma associação da indústria.

Atualmente, a capacidade instalada em usinas de cogeração movidas com cana é de 11,4 gigawatts, e mais 6,5 gigawatts poderiam ser adicionados nos próximos anos, projetou o presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Newton Duarte.

Segundo ele, tal incremento leva em conta, a partir da estrutura já existente, uma maior disponibilidade de biomassa e a geração via biometano.

No ano passado, das 367 usinas de cana no país, 209 comercializaram eletricidade para a rede, conforme levantamento da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

"O grande potencial reside no RenovaBio", frisou Duarte.

Sancionada no fim de 2017, a Política Nacional de Biocombustíveis ainda passa por regulamentação e se insere na agenda de redução de emissões de carbono assumida pelo Brasil no Acordo do Clima de Paris. Pelas estimativas do próprio governo, o programa pode gerar investimentos de 1,4 trilhão de reais até 2030.

A expectativa, portanto, é de que o RenovaBio reverta anos de crise no setor sucroenergético, contribuindo para um aumento da produção de cana e, consequentemente, da disponibilidade de biomassa.

INVESTIMENTOS INIBIDOS

Mesmo diante desse cenário, no entanto, Duarte avalia que problemas na regulamentação do setor elétrico têm inibido maiores investimentos em geração pelos agentes do setor de cana.

As queixas da Cogen estão relacionadas a uma disputa judicial no mercado de energia, em que operadores de hidrelétricas conseguiram liminares para evitar custos com o chamado risco hidrológico, que surgem quando as usinas geram abaixo do previsto por questões como o nível dos reservatórios.

Essas isenções têm deixado elevados valores em aberto em um acerto de contas mensal do mercado, o que impacta o faturamento de usinas que produziram mais energia do que venderam em contratos.

As centrais movidas à biomassa ficam entre as prejudicadas, uma vez que elas em geral têm capacidade de produzir acima de suas garantias físicas, que é o montante de energia que podem negociar no mercado, segundo Duarte.

Na última liquidação financeira da CCEE, em novembro, as operações contabilizadas envolveram 11,6 bilhões de reais, mas só foram arrecadados 3,8 bilhões de reais para pagar os agentes com créditos a receber no processamento.

"O que precisamos é de previsibilidade", afirmou Duarte.

Para ele, o setor de cogeração poderia ter uma capacidade maior de entregar energia ao sistema elétrico se a garantia física das usinas de biomassa fosse elevada para refletir sua real capacidade de geração, aliviando distorções decorrentes da disputa judicial na CCEE, uma medida em análise no governo.

Maior grupo sucroenergético do mundo e com capacidade instalada de 1 gigawatt de cogeração, a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, também vê empecilhos à expansão do potencial em meio à disputa judicial.

"Que pessoa vai investir sem ter garantia de que vai receber? Não receber por inadimplência de geradores hídricos não faz sentido... Esse imbróglio... faz a biomassa ser duplamente penalizada", afirmou o responsável pela área de Energias Renováveis e Aquisições da Raízen Energia, Marcelo Couto.

POTENCIAL

Apesar do atual imbróglio regulatório, a Raízen se mantém "bastante otimista" com o potencial da cogeração de energia com biomassa de cana-de-açúcar e até com biogás, segundo Couto.

Ele disse que os investidores em usinas de biomassa poderiam dar uma resposta "muito rápida" a incentivos para expansão, enquanto o biogás tem um "tremendo potencial" de crescimento.

Outro caminho para viabilizar a expansão da cogeração, segundo ele, seria uma expansão do mercado livre de eletricidade, na qual geradores podem negociar contratos diretamente com grandes consumidores, como indústrias e centros comerciais.

Em agosto, a Raízen anunciou um joint venture com a Geo Energética para a construção de uma usina de energia a partir do biogás produzido com subprodutos da cana. O empreendimento, que deverá receber investimentos de 153 milhões de reais, será levantado em Guariba (SP), onde a companhia já opera uma usina com capacidade para moer 5 milhões de toneladas.

A Raízen possui 26 usinas no total-- todas são autossuficientes em energia e 13 delas vendem excedentes da produção de eletricidade no mercado.

O gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Zilmar de Souza, disse que as usinas à biomassa em geral ajudaram entre janeiro e novembro deste ano a poupar cerca de 17 por cento da energia armazenada nos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste.

"A geração de energia pela biomassa, não intermitente em época de estiagem, certamente contribuiu para a redução do custo final da operação do sistema para o consumidor", defendeu ele.

As unidades abastecidas com biomassa de cana representam cerca de 80 por cento da capacidade de geração. (Reuters 07/12/2018)