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Resultado da Tereos na França entra no vermelho após queda de preços do açúcar

O grupo francês produtor de açúcar Tereos sofreu um prejuízo de quase 100 milhões de euros no primeiro semestre, diante de uma queda acentuada nos preços da commodity, e disse que espera estar no vermelho durante todo o restante do ano fiscal pelo segundo ano consecutivo.

A notícia impulsionou os rendimentos dos títulos da companhia para máximas históricas.

Os preços mundiais do açúcar caíram para o menor patamar em uma década neste ano, em meio a um aumento nos estoques, em parte devido à maior produção da União Europeia, depois que o bloco aboliu as cotas de exportação e produção no ano passado.

A Tereos, que na temporada passada se tornou a segunda maior fabricante de açúcar do mundo, informou que teve uma perda de 96 milhões de euros (109 milhões de dólares) nos seis meses até 30 de setembro, contra uma perda de 10 milhões de euros em igual período do ano passado.

"A queda histórica nos preços do açúcar na Europa terá impacto nos resultados da Tereos, como outros grandes agentes da indústria europeia", disse Olivier Casanova, vice-presidente financeiro, em uma teleconferência com jornalistas.

A Tereos registrou uma perda líquida de 18 milhões de euros no ano encerrado em março. (Reuters 11/12/2018)

 

No MS, chuva dá trégua e usinas aceleram ritmo de moagem na última quinzena de novembro

Com menos chuva registrada na última quinzena de novembro, as usinas recuperaram o ritmo de moagem de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul. No período, a quantidade de cana processada atingiu 2 milhões de toneladas, volume 61% maior comparado à mesma quinzena de 2017.

De acordo com o acompanhamento quinzenal feito pela Biosul, foram registrados 176 milímetros de chuvas na região da Grande Dourados, local que concentra maior quantidade de lavouras no Estado. O volume foi 73% menor que a quantidade de precipitações registradas na quinzena anterior.

“Tivemos um volume de chuva ainda acima da média dos últimos anos [156 mm], contudo foi muito menor com relação a quinzena anterior, o que permitiu as usinas recuperarem o ritmo de moagem”, afirma o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho.

De abril até novembro, a moagem atingiu 43 milhões de toneladas de cana, volume 2,3% acima do registro feito no mesmo período da safra passada.

Segundo Hollanda, as usinas mantiveram uma moagem adiantada nesta safra, o que compensou o tempo de colheita parada nas últimas quinzenas com chuvas. “Ainda temos um bom volume de cana no campo, e se a quantidade de chuva cooperar nossa expectativa é atingir 50 milhões de toneladas. Já em um cenário com muita chuva nas próximas quinzenas, acredito que devemos manter o volume de cana no mesmo patamar da safra passada”, explica.

Ainda reflexo das chuvas, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana teve queda na quinzena com 113,86 kg, percentual 12% menor com relação à quinzena em 2017. Já no acumulado, o ATR por tonelada de cana foi de 135,08 kg, acréscimo de 3% no comparativo com a safra passada.

Etanol

A produção de etanol hidratado alcançou 89 milhões de litros na última quinzena de novembro. A produção do biocombustível foi 42% maior comparada ao mesmo período de 2017. Já o etanol anidro, apresentou um aumento de 52%, com 32 milhões de litros produzidos, enquanto que na mesma quinzena da safra passada foram registrados 21 milhões de litros.

Na produção acumulada da Safra, o etanol hidratado se manteve crescente com relação ao mesmo período do ano anterior. Foram registrados 2,1 bilhões de litros do biocombustível, um aumento de 41%.  Já a produção de anidro, registrou queda de 13%, de abril a outubro, produzindo 709 milhões de litros.

No total, a produção de etanol no Estado atingiu 2,8 bilhões de litros, um aumento de 22% com relação ao ciclo anterior.

Açúcar

De acordo com os dados da Biosul, na última quinzena de novembro a produção do açúcar teve alta de 42%. Foram produzidas 27 mil toneladas, enquanto que no mesmo período do ano passado a produção foi de 19 mil toneladas.

Já no acumulado, o açúcar segue com a produção abaixo da safra passada. Nesse período, foram produzidas 878 mil toneladas, enquanto que no ciclo anterior, a produção atingiu 1,4 milhão de toneladas no mês de novembro, uma queda de 38%.

Mix de Produção

Com relação ao mix de produção, assim como ao longo da safra, mantem perfil mais alcooleiro. Na última quinzena o percentual foi de 88% para etanol e 12% para açúcar. Já no período acumulado, o percentual foi de 84% e 16%, respectivamente. (Biosul 11/12/2018)

 

Camex aprova consulta à OMC para questionar subsídio a açúcar indiano

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou ontem consulta à Organização Mundial do Comércio (OMC) para iniciar a abertura de contencioso contra uma política de subsídios à produção e à exportação de açúcar adotada pelo governo da Índia.

O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que participou ontem da reunião colegiada de ministros da Camex. "Altos subsídios ao açúcar indiano atrapalham as exportações do Brasil", afirmou Maggi.

A ofensiva do governo brasileiro aconteceu depois de pressão do setor sucroalcooleiro, que se queixa de incentivos dados pelo governo indiano, como preço mínimo elevado aos produtores de cana, subsídios para a indústria local exportar e subsídio ao frete para escoamento do açúcar nacional.

"O Itamaraty já está convencido de que há violação das regras da OMC nesse caso, e além do Brasil, outros países já estão sinalizando preocupação com essas práticas dos indianos, como Tailândia, Guatemala, e Austrália", disse ao Valor o diretor-executivo da União da Indústria Brasileira de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão.

Para as usinas brasileiras, a liderança na produção mundial alcançada pela Índia guarda relação direta com a aplicação desses subsídios à cadeia produtiva do país. A Índia produziu na última safra cerca de 35 milhões de toneladas de açúcar, ao passo que o Brasil produziu pouco mais de 25 milhões de toneladas no ciclo atual até novembro, segundo dados da Unica. (Valor Econômico 12/12/2018)

 

China quer triplicar capacidade de produção de etanol até 2020, diz pesquisador

A China deve mais do que triplicar a sua capacidade de produção de etanol até 2020, disse um pesquisador do governo chinês nesta terça-feira, com a demanda devendo aumentar conforme o país migra para o uso de combustíveis limpos.

A China está construindo ou tentando aprovar projetos de novas usinas de etanol, com capacidade para produzir 6,6 milhões de toneladas de biocombustível por ano, disse Dou Kejun, pesquisador do Centro Nacional de Energia Renovável da China, em um evento do setor no sul do país.

A China tinha, em 2017, capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas, segundo Kejun.

No ano passado, a China disse que exigiria que os estoques de gasolina de todo o país fossem misturados com etanol até 2020, uma ação que demandaria quase 15 milhões de toneladas anuais do biocombustível.

A meta está sendo observada pelos mercados internacionais de etanol, já que a China possivelmente não conseguirá suprir sua demanda com a produção doméstica.

"Será uma grande oportunidade para o etanol norte-americano e brasileiro", disse Feng Wensheng, diretor na produtora Henan Tianguan Group, durante o evento. (Reuters 11/12/2018)