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Movido a petróleo, açúcar dispara em NY

O mercado de açúcar registrou forte valorização na sessão de ontem na bolsa de Nova York, rompendo o marasmo que vinha se estendendo há semanas. A alta refletiu, em grande medida, a valorização do petróleo nas bolsas internacionais e compras especulativas.

Os contratos de segunda posição de entrega (normalmente, os mais negociados), com vencimento em maio, fecharam o pregão com alta de 5,82% (70 pontos) ante o pregão de sexta-feira, para 12,72 centavos de dólar por libra-peso.

Fontes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) afirmaram ontem a agências internacionais que a Arábia Saudita cortaria suas exportações com o objetivo de elevar os preços para US$ 80 o barril. Os futuros do petróleo nos EUA chegaram a ter ganhos expressivos ontem após a notícia, acentuando a valorização acumulada no ano.

Uma alta do petróleo aumenta a pressão por altas nos preços da gasolina ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde o etanol hidratado pode se tornar uma opção economicamente mais atrativa aos motoristas. Se esse cenário se mantiver pelos próximos meses, as usinas brasileiras podem voltar a apostar mais na produção de etanol do que no açúcar, como fizeram durante a moagem da safra 2018/19, que termina oficialmente em março.

Boletins meteorológicas indicando baixo índice de chuvas no Brasil também geraram uma onda de compras especulativas. Após um dezembro com precipitações abaixo da média histórica no Centro-Sul, previsões de chuvas também abaixo da média em janeiro levantaram receios com uma eventual quebra na safra de cana de 2019/20 (que começa em abril).

"As pessoas começaram a ficar mais apreensivas. Mas só vai ter quebra se a seca se prologar até fim do trimestre", afirmou Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow. Ele avalia que os preços podem subir até os 13 centavos de dólar a libra-peso, mas que é mais provável "andarem de lado" no curto prazo. (Valor Econômico 08/01/2018)

 

Um ano difícil para as empresas sucroalcooleiras

Entre as empresas que atuam no segmento sucroalcooleiro listadas na B3, a Cosan, sócia da Shell na Raízen Energia, maior empresa produtora e exportadora de açúcar do mundo, e a São Martinho perderam valor de mercado em 2018. E isso principalmente por causa da queda do açúcar, cujos preços internacionais desceram ao menor patamar em uma década e minou a rentabilidade das exportações.

Em meados do ano, os contratos futuros do açúcar negociados em Nova York chegaram a visitar a casa dos 10 centavos de dólar a libra-peso, em meio a uma produção sem precedentes na Índia. É verdade que os preços do etanol foram, em média, melhores do que em 2017 no Brasil, mas esse ganho foi insuficiente para compensar a deterioração da rentabilidade com as exportações de açúcar, que também poderia ter sido maior não fosse a valorização do dólar.

A Cosan, que também tem negócios nas áreas de logística, lubrificantes e combustíveis, perdeu R$ 3,3 bilhões em valor de mercado na bolsa e terminou o ano com R$ 13,6 bilhões. Embora o grupo tenha aumentado sua receita no acumulado dos três primeiros trimestres de 2018 em relação ao mesmo período de 2017, a rentabilidade foi menor.

A companhia faturou mais com a distribuição de combustíveis e com a venda de gás e lubrificantes, mas sofreu com a redução das margens de distribuição - especialmente após a greve dos caminhoneiros - e com o aperto nas margens da Raízen Energia, negócio que tem forte contribuição para seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Além disso, o mercado interno de combustíveis do ciclo Otto teve um desempenho muito mais fraco que o inicialmente esperado pelos agentes de mercado. As ações do grupo encerraram o ano em queda de 17,1% em relação a 2017, a maior dentre as companhias que atuam na área de cana.

O Grupo São Martinho, por sua vez, perdeu R$ 404 milhões em valor de mercado em 2018 e encerrou o ano avaliada em R$ 7 bilhões. A queda das ações da companhia foi menor, da ordem de 3,3%. Mas o fato é que, até o fim do segundo trimestre desta safra 2018/19, o aumento da aposta da empresa em etanol ainda não compensava a perda de receita com as vendas de açúcar.

Já a Biosev foi um ponto fora da curva entre as empresas do ramo em 2018. Após sua controladora, a Louis Dreyfus Company (LDC), realizar um aporte equivalente a R$ 3,5 bilhões em março (ainda no exercício fiscal anterior) para pagar parte da dívida da sucroalcooleira brasileira e reforçar o caixa, o valor de mercado da companhia aumentou R$ 2,1 bilhões, para R$ 3,1 bilhões.

Mas o aumento de capital da LDC não foi acompanhado pelos demais acionistas. Com isso, a fatia das ações da Biosev negociadas na B3 ("free float"), que já era baixo, passou para 6%, reduzindo de forma considerável a liquidez dos papéis. Ainda assim, sem essa operação, o valor de mercado da Biosev teria caído em 2018, já que as ações da companhia encerraram o ano com desvalorização de 32,2%%. A partir do fim do terceiro trimestre do ano os papéis ainda ganharam algum ímpeto com a venda das duas usinas que a empresa tinha no Nordeste, o que injetou mais R$ 270 milhões no caixa da companhia. Mas não foi suficiente para evitar a forte queda observada. (Valor Econômico 02/01/2019)

 

Açúcar sobe na carona do petróleo, dólar menor no mundo e por compradores atrás da pechincha

Os quase 6% de alta do açúcar na ICE Futures (Nova York) vieram com uma mistura de variáveis nesta segunda-feira (7), mas com praticamente nenhuma colada diretamente aos fatores conjunturais da commodity no mundo. Se fosse só por estes, o açúcar possivelmente teria mais motivos para seguir sua trajetória de baixa do que a boa elevação para 12.65 c/lp (mais 72 pontos) do contrato mais líquido, o março.

Pode até vir a fazer parte da precificação, nos próximos dias, o tempo mais seco e quente nas regiões sucros  brasileiras em janeiro, mas por enquanto petróleo em alta, dólar index em queda, fundos comprados tentando reanimar o derivativo que quase rompeu os 11 c/lp e até algumas indústria aproveitando a baixa deram o tom.

O relativo otimismo que tomou conta dos mercados com as declarações positivos dos líderes chinês e americano sobre as negociações para um acordo comercial, e repercutindo nas altas das principais bolsas mundiais e no recuo do dólar índex, fez o petróleo ganhar mais espaço, como lembrou Ana Cláudia Cordeiro, da Canex Exportação.

O barril do Brent em Londres ganhou mais 1,5%, circulando nos US$ 58, e trouxe o açúcar de carona.

E com o "ano começando" para valer, Eduardo Sia, da trading Sucden, avalia que o movimento de alta também embute a tentativa de tirarem o produto de níveis muito baratos.

Em paralelo, indústrias mundiais teriam também saído às compras para aproveitarem as pechinchas, já na opinião de Maurício Muruci, da Safras & Mercado.

Diante de preços tão deprimidos, quase rompendo a linha divisória dos 12/11 c/lp, tanto especuladores quanto a economia real vão atrás de ganhos e de reforços em seus estoques, acreditam Sia e Muruci.

Clima

As previsões apontam para tempo seco em janeiro, lembra o trader da Sucden.

E se o açúcar manter alguma consistência nos próximos dias, independentemente do petróleo, talvez venha pelo preço climático. Uma massa de ar quente sobre o Centro-Sul, este mês cortará as chuvas e isso daria mais ímpeto a Nova York.

Ainda que o mercado já não estivesse operando tanto de olho no Brasil, tira peso dos vieses de baixa da commodity, diz por sua vez Maurício Muruci.

Índia

Na cesta de notícias ruins do açúcar, além do superávit previsto de aproximadamente 9 milhões de toneladas, pelo lado do USDA, a Índia confirmou mas de 6,5% de alta na produção de açúcar de outubro a dezembro, chegando a 11,05 milhões de toneladas.

"A Tailândia também está adiantada na sua safra", segundo Ana Cláudia, da Canex.

E ainda com a Índia dando notícias sobre o intenso rumo de plantio já visando a próxima safra.

 

Preço do etanol caiu em 16 Estados na primeira semana do ano, diz ANP

Os preços do etanol hidratado recuaram para os motoristas da maior parte dos Estados do país na semana móvel encerrada dia 5, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O biocombustível ficou mais barato nos postos de abastecimento de 16 Estados em relação à semana imediatamente anterior, e mais caro em 10 e no Distrito Federal.

O etanol continuou mais vantajosoque a gasolina em cinco Estados: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Nestes, o preço do etanol ficou abaixo de 70% do preço da gasolina nos postos, patamar de equivalência energética entre etanol e gasolina para a média da frota flex brasileira.

Em São Paulo, maior polo consumidor de combustíveis do país, o preço do etanol caiu apenas 0,04% em uma semana, para R$ 2,643 o litro. Em relação à gasolina, esse valor ficou em 64,3%. Em Minas Gerais, outro importante polo de consumo, a relação entre os dois combustíveis ficou em 64,7%, com o etanol a R$ 2,982 o litro.

O Estado onde o etanol é mais vantajoso continuou sendo Mato Grosso, onde o preço do etanol ficou em R$ 2,726 o litro, 59,7% do preço da gasolina na semana. (Valor Econômico 07/01/2019 às 19h: 22m)