Setor sucroenergético

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Açúcar: No rastro do petróleo

Pelo terceiro pregão consecutivo, os contratos futuros de açúcar demerara subiram na bolsa de Nova York.

Os lotes com entrega para maio encerraram a sessão a 13,01 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 12 pontos.

A alta da commodity ocorreu na esteira do petróleo, que vem subindo nos últimos dias.

De maneira geral, petróleo mais caro pode tornar mais competitivo o etanol brasileiro, desestimulando a produção de açúcar.

Além disso, os dias secos no Brasil podem afetar a próxima safra na região Centro-Sul.

Na Índia, outro grande produtor, a safra pode terminar mais cedo devido à falta de cana para as usinas, conforme a consultoria Zaner Group.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 68,72 por saca, leve queda de 0,09%. (Valor Econômico 10/01/2019)

 

Olam International vai acabar com operação de comércio de açúcar, diz porta-voz

A trading de commodities agrícolas Olam International, com sede em Cingapura, vai fechar sua mesa de comercialização de açúcar, disse a porta-voz Nikki Barber na terça-feira, em mais um sinal de pressão sobre esse segmento.

A decisão vem após os contratos futuros de açúcar bruto e branco na ICE terminarem 2018 em seus níveis mais baixos desde 2008, em meio a um superávit global que levou as cotações a um segundo declínio anual consecutivo.

Na terça-feira, o açúcar branco para março terminou a 345,40 dólares por tonelada, ante 390,90 dólares um ano atrás.

"Não é realmente uma declaração chocante, apenas porque sabemos que as margens são terríveis em açúcar", disse um operador dos Estados Unidos.

A Olam, que possui duas usinas de açúcar na Índia e esmaga mais de 1 milhão de toneladas de cana, é a mais recente trading desse setor a reduzir ou vender negócios.

No final de novembro, a Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus, contratou um banco de investimentos para buscar potenciais compradores para algumas ou todas as suas unidades no Brasil.

A Biosev chamou uma unidade do banco holandês Rabobank para explorar as oportunidades de suas nove unidades de produção na região centro-sul do Brasil, a principal área produtora de açúcar do país, disse uma fonte à Reuters na época.

Semanas antes, a empresa vendeu as duas usinas que possuía no Nordeste brasileiro, uma região produtora de açúcar menos importante, por um total combinado de 273,6 milhões de reais.

A gigante Wilmar International, também de Cingapura, adquiriu o negócio de açúcar da rival Bunge em agosto por uma quantia não revelada.

O fechamento da mesa de açúcar da Olam foi noticiado inicialmente pela Bloomberg. (Reuters 09/01/2019)

 

Cana: Falta de conhecimento no setor influenciou o fechamento de usinas

O Brasil chegou a ter mais de 430 unidades sucroenergéticas em atividade, mas, desde 2008, 86 unidades entraram em recuperação judicial (RJ) e 79 tiveram suas operações paralisadas. Vários são os motivos que geraram esta crise, mas um deles foi fundamental, a entrada de investidores sem expertise no setor sucroenergético.

Acredito que grande parte dos novos players que acessou este mercado na década passada, não obteve o sucesso esperado, por não conhecer a cultura do setor ou por desconhecimento da complexidade da produção canavieira. Agora esses investidores tentam se livrar do negócio, colocando o patrimônio adquirido à venda. Querem recuperar o que investiram, mas certamente contabilizarão pesadas perdas ao sair.

Mas a falta de conhecimento sobre a agroindústria canavieira não se restringiu aos investidores. Pior, também pesou sobre empresas contratadas para realizar a operação de due dilligence, um conjunto de atos investigativos que devem ser realizados antes de uma operação empresarial.

Muitos casos começaram com due dilligences imprecisas e malfeitas, que não levantaram corretamente os problemas e riscos, além de apurar índices de produtividades e rendimentos que apontavam para um faturamento muito acima do seu potencial. Com os seis anos de crise de preços do setor, a situação se agravou quando essas empresas não atingiram os níveis de faturamento desejados. Algumas delas recorreram a chamadas de capital, outras simplesmente já passaram o bastão para credores ou fecharam as portas

Depois de ter realizado 58 avaliações desta natureza, sendo oito apenas no primeiro semestre de 2018, posso afirmar que os principais pontos de riscos encontrados estão ligados a:

contratos mal elaborados,

contratos com elevada concentração de vencimentos e indução à perspectivas de faturamento acima do que o mercado pode proporcionar, 

elevada dependência de fornecedores de cana e de terras,

canaviais com baixa produtividade,

regiões com problemas climáticos,

predominância de solos de menor fertilidade,

relevo improprio para a mecanização,

frota própria velha ou reduzida demais,

elevado índice de terceirização em práticas agrícolas que exigem qualidade,

resultados operacionais ruins nas operações de colheita e transporte,

logística extremamente comprometida com longas distancias das áreas de produção e sem interação com o manejo varietal,

estradas ruins de acesso difícil às propriedades produtivas.

É também, muito importante numa due diligence, avaliar o nível técnico do quadro de gestores em posição estratégica e seu comprometimento com as metas da empresa. Além disso, deve-se apurar os custos de produção das principais etapas do sistema produtivo e compara-los a indicadores de desempenho de fontes críveis. A avaliação da eficiência dos serviços de apoio necessários às operações de campo, a possibilidade de expansão da lavoura e a imagem que a empresa tem junto a produtores de cana, proprietários de terras e prestadores de serviços da região, são também informações significativass no prosseguimento das atividades.

Há regiões onde a concorrência com outras empresas agrícolas e outros negócios são extremamente impactantes a ponto de deixá-las sem condições de recuperação de produtividade ou  redução de custos. Embora o nível de credibilidade seja também medido pelo resultado financeiro, é, da mesma forma, pelo cumprimento de compromissos assumidos com instituições financeiras e fornecedores.

O prestígio que a empresa acumulou na região, pode ter um enorme peso na sua sobrevivência e seu sucesso

O Plano Diretor e o levantamento do CAPEX (investimentos na atividade) necessário para os próximos anos para recuperação da produção ou crescimento da empresa, são igualmente fundamentais para que o investidor fique sabendo qual deve ser o capital a ser aplicado ao longo dos próximos anos. As avaliações dos ativos biológicos darão a idéia do capital armazenado no campo  e do seu potencial para produção de açúcar, etanol e energia elétrica, além de dimensionar quanto a empresa vai precisar investir para garantir a produção de cana, por exemplo. O que interessa aos empresários são projeções realistas de produção, produtividade, área cultivada, gastos provisionados e principalmente o faturamento líquido futuro de onde pode se obter o payback pretendido no negócio.

Os potenciais investidores correm riscos muito grandes, quando a due diligence não é realizada por empresas experientes capacitadas para analisar todos estes fatores, os quais tanto podem alavancar  como até mesmo comprometer o negócio sucroenergético.

Com uma due diligence bem feita, há a garantia de não estar comprando “gato por lebre” e verificação se o negócio como um todo, pode prosperar. Aliás, este trabalho é tão importante para as empresas sucroenergéticas que deveria ser realizado todos os anos, a fim de que seus dirigentes tenham uma correta visão da realidade e possam elaborar seus respectivos planos de ação com os “pés no chão”. (Grupo Idea 09/01/2019)

 

Agroterenas fechou 2018 com prejuízo

A companhia agrícola Agroterenas, uma das maiores fornecedoras de cana-de-açúcar do país, sediada em Paraguaçu Paulista (SP), registrou prejuízo de R$ 1,3 milhão em 2018, determinado pela desvalorização de seus ativos e pelo aumento dos custos operacionais. No ano anterior, a companhia havia registrado lucro líquido de R$ 25,6 milhões. Os dados foram divulgados na edição desta terça-feira no "Diário Oficial de São Paulo".

Com negócios também em citrus e no mercado de terras, a Agroterenas registrou receita líquida de R$ 535,7 milhões no ano passado, 10% mais que em 2017. Com faturamento de R$ 354,6 milhões em 2018, o negócio de cana representa a maior parcela da receita da empresa.

Ao mesmo tempo, porém, os negócios com cana também são os que mais oneram os resultados operacionais do grupo. O custo operacional nessa frente superou a própria receita do negócio e somou R$ 355,173 milhões no ano passado, um incremento anual de 10,8%. O custo operacional total da holding ficou em R$ 455,825 milhões em 2018, alta de 9,7%.

Nos negócios com cana também houve uma perda contábil de R$ 10,258 milhões, em virtude da desvalorização dos ativos biológicos (canaviais). No total, a holding teve perda contábil de R$ 19,296 milhões.

Já os negócios que envolvem a produção de citrus da Agroterenas registraram faturamento R$ 156,745 milhões no ano passado, mais do que o dobro do montante de 2017, e apresentou lucro líquido de R$ 19,864 milhões, alta de 34%. Já o negócio de processamento de laranja da Agroterenas, que tem uma indústria em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), teve receita líquida de R$ 88,337 milhões no ano passado, quase o dobro do ano anterior, e lucro líquido de R$ 14,577 milhões. (Valor Econômico 08/01/2019)

 

2018 pode ter sido o último ano com crescimento na venda de carros a combustão, dizem analistas

É possível que as vendas de carros a combustão (os tradicionais com motores a gasolina ou a diesel) no mundo tenham alcançado o seu maior patamar na história em 2018. O nível de vendas desses carros dificilmente será superado no futuro.

A demanda por veículos com motor de combustão interna nos três principais mercados do planeta estagnou, num momento em que as montadoras buscam acelerar a fabricação de modelos elétricos.

“Provavelmente atingiremos o auge nas vendas de carros com motor de combustão interna em 2018, se considerarmos as vendas em todo o mundo até outubro, mais as estimativas para novembro e dezembro”, diz Felipe Muñoz, analista automotivo global da Jato Dynamics, consultoria especializada em dados da indústria automobilística.

“No começo do ano nós tínhamos uma perspectiva mais otimista para o mercado global. Isso mudou no segundo semestre”, acrescenta.

A ideia de que os motores de combustão interna darão lugar à tecnologia de “emissão zero” tornou-se quase uma unanimidade nos últimos anos. Ainda assim, de modo geral, as previsões no começo de 2018 eram de que a demanda continuaria crescendo até 2022, pelo menos.

“A venda de carros com motor de combustão interna para consumidores não irá crescer no futuro” Axel Schmidt, consultor automotivo global da Accenture

No entanto, o mercado global de veículos nos últimos meses foi caracterizado como “desastroso” por um analista, e por outro como “um pesadelo”, em função de uma série de fatores: a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o Brexit, entraves no financiamento para consumidores chineses, o embargo ao Irã, além das novas metas de emissões que entraram em vigor na Europa.

Embora seja provável um ligeiro aumento nas vendas em 2018 (a Moody’s projeta um crescimento de 0,2%, totalizando 95,5 milhões de unidades), desde o meio do ano a demanda vem encolhendo nos três maiores mercados do mundo, China, União Europeia e Estados Unidos.

“Quando você olha para 2018, de agosto para cá as vendas de carros novos em todos os mercados importantes estão caindo”, diz Axel Schmidt, consultor automotivo global da Accenture.

A Evercore ISI projeta uma queda de até 0,6% no volume de vendas em 2019, ao passo que a Morgan Stanley prevê uma diminuição de 1% na produção de automóveis, o que representaria o primeiro declínio em nove anos.

Um pico cíclico na venda de carros não é a mesma coisa que um pico definitivo, ou seja, um patamar que jamais voltaria a ser alcançado. O extraordinário na atual conjuntura é que, mesmo que as vendas reajam um pouco em 2019 ou 2020, o alto ritmo de crescimento previsto para os elétricos é suficiente para que a fatia de mercado dos carros tradicionais encolha.

Pelas projeções da Moody, as vendas globais de veículos podem crescer até 1,2% em 2019, alcançando 96,6 milhões de unidades. Na categoria dos elétricos, porém, a consultoria AlixPartners espera que sejam comercializadas 1,5 milhão de unidades a mais em 2019, o que significaria um incremento na participação de mercado da ordem de 1,6% — com a consequente redução da fatia dos tradicionais.

“O pico global nas vendas de carros com motor de combustão interna talvez já tenha ocorrido com o encerramento de 2018”, diz Elmar Kades, codiretor automotivo global da AlixPartners. “É com esse crescimento desacelerado do bolo total que a indústria deve se preocupar mais, embora ela também tenha de lidar, e arcar, com a transição continuada para os elétricos.”

Na China, maior mercado automotivo do mundo, o mercado para carros com motor de combustão interna já parou de crescer, enquanto a demanda por veículos elétricos ganha velocidade. Nos primeiros dez meses de 2018, a venda de carros a gasolina no país caiu de 18,7 milhões para 18 milhões na comparação com o mesmo período de 2017, segundo a consultoria Jato. Por sua vez, as vendas de carros alternativos (não movidos a gasolina ou diesel) quase duplicaram, saltando de 405 mil para 793 mil.

A China é a grande incógnita para determinar se os motores de combustão interna irão crescer em 2019. A Barclays projeta uma retomada de até 4,7% nas vendas de carros chineses — o que seria suficiente para configurar um aumento global nas vendas de veículos tradicionais. Essa previsão, porém, baseia-se na hipótese de o governo chinês manter incentivos, coisa em que a maioria dos analistas não acredita.

“Sem os incentivos, projetamos um quadro de retração de 5%, ou, no cenário mais pessimista, de até 15%”, afirmam os analistas da Barclays. (Financial Times 09/01/2018)

 

Corteva Agriscience e Stoller fecham parceria para comercialização exclusiva no BR de nematicida biológico para cana-de-açúcar

Com acordo, a Corteva Agriscience distribuirá nematicida e estreará no mercado de defensivos biológicos; Stoller ganhará mais alcance a clientes brasileiros.

A Corteva AgriscienceTM, Divisão Agrícola da DowDuPont, e a Stoller, líder mundial em nutrição foliar de plantas, fisiologia vegetal e em soluções biológicas, acabam de fechar uma parceria comercial para a distribuição exclusiva do nematicida Rizotec, solução biológica que auxilia no manejo de nematóides e elimina uma grande quantidade de ovos e de fêmeas na cultura da cana-de-açúcar.

Com a parceria, a Corteva Agriscience faz sua estreia global neste segmento e demonstra que, a partir de agora, terá um papel mais forte no mercado de biológicos para o controle de nematóides. “A parceria marca o ingresso da Corteva no mercado de defensivos biológicos em nível mundial. Começaremos no Brasil e expandiremos nossa oferta para outras regiões à medida que avançamos neste setor. Nosso objetivo é oferecer as melhores soluções que contribuam para a produtividade dos agricultores, onde quer que eles estejam”, afirma Rowdy Smith, Líder Global de Portfólio de Biológicos da Corteva Agriscience.

Para a Stoller, o acordo fortalece ainda mais sua atuação em cana-de-açúcar e em performance de planta, segmento no qual é especialista. “A história da Stoller no Brasil sempre se pautou em traduzir conhecimento em inovação, gerando tecnologia e benefícios aos nossos clientes. A parceria com a Corteva, empresa cujos valores são bastante semelhantes aos nossos, representa uma oportunidade de juntar nossas potencialidades de forma sinérgica e acelerar a adoção dessa tecnologia única que é o Rizotec”, afirma Rodrigo Oliveira, CEO da Stoller Brasil e vice-presidente global do Grupo Stoller.

Com isso, já no início de 2019, a Corteva levará a solução a seus clientes e contará com todo o apoio técnico e conhecimento da Stoller. “Vamos mostrar aos nossos clientes todo o nosso portfólio integrado de defensivos agrícolas e biotecnologia, que ganha agora mais uma tecnologia de peso. O produtor rural encontra em uma única marca - a Corteva - todas as soluções em proteção de cultivos que precisa para aumentar a produtividade”, afirma Mário Tenerelli, Vice-Presidente da Corteva Agriscience Brasil.

Diferenciais do Rizotec

Rizotec é um nematicida 100% natural e orgânico à base do fungo Pochonia chlamydosporia (Cepa PC-10), única registrada no Ministério da Agricultura e tecnicamente comprovada.  Apresenta alta efetividade no parasitismo de ovos, juvenis e controle de fêmeas de diferentes espécies de nematoides. Rizotec age tanto para a “cana planta”, quanto para a “cana soca”, com efeito prolongado no controle de nematóides. (Notícias Agrícolas 09/01/2018)