Setor sucroenergético

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Sem atualização ou preço da cana por mérito, Consecana vai esvaziando, restando acordos regionais ou bilateriais

Mesmo se continuar apenas como referência para negociações com associações regionais ou diretamente com fornecedores, há desafagem de mais de 14%, segundo estudo.

A 2,5 meses de início da safra de cana 19/20, produtores rurais representados por algumas das mais importantes entidades regionais de São Paulo não têm nenhuma esperança de mudança na formulação de preços do Consecana. Nem na sua atualização, atrasada  em mais de 5 anos e que deveria ser revista de acordo com o estatuto, e muito menos numa mudança na direção da precificação por meritocracia.

Esta segunda alternativa na verdade foi encampada e encaminhada pela Orplana, entidade que reúne as associações do Centro-Sul, antes de começar a safra 18/19. Mas o outro membro do colegiado do Consecana, a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), mantém a recusa até agora em aceitá-la.

Sem acordo, o Consecana "seco" deverá se manter, traduzindo uma média de valor da cana, defasada em mais de 14%, de acordo com levantamento feito pelo Pecege por encomenda da Orplana.

Sem absolutamente nenhum adicional sobre a composição de preços atual, a esmagadora maioria dos canavieiros entrega cana baseado no valor (determinado mensalmente), traduzindo uma média de valor da cana.

"A proposta da Orplana está mantida, com base em preços que levem em conta qualidade e regularidade, por exemplo, mas até agora não temos nenhum posicionamento diferente da Unica", explica Bruno Rangel, presidente da Socicana, da região de Guariba, e vice da Orplana.

Dia 21 próximo haverá outro encontro do Consecana, quando novamente Rangel e os outros 10 membros participantes pelos produtores insistirão com a Unica sobre a meritocracia ou ao menos a atualização.

Referência defasada

Roberto Cestari, produtor na região de Ribeirão Preto e também em Orindiúva, na Alta Noroeste Paulista, onde inclusive preside a Oricana, dos fornecedores locais, acredita que deverá prevalecer cada vez mais os acordos regionalizados entre unidades e associações ou diretamente com fornecedores.

A rigor, negociações diretas com produtores já existem vários modelos, mas sempre "prevalecendo o grande produtor" e praticamente excluindo os pequenos, a grande maioria, afirma Apolinário Pereira da Silva, presidente da Afcop, de Valparaíso, oeste paulista, a região mais castigada pela seca de 2018. Na sua opinião, olhando a safra próxima, a pressão por mudanças no Consecana teria que ser retomada logo.

Mas mesmo que o modelo de meritocracia seja no nível unidade-fornecedores, e não no âmbito do Consecana, o preço pago do ATR pelo colegiado seria a referência. Portanto, o plus nos valores seria sobre uma cotação defasada, segundo o estudo Pecege-Orplana.

Para Nelson Peres, da Asssociação dos Fornecedores de Cana de Açúcar do Noroeste Paulista (Norplan), baseada em Penápolis, a tendência de parcerias deverá se acentuar nesta safra e do "jeito que está o Consecana deverá morrer". Na região dele praticamente cana Consecana só nos contratos mais antigos e a maioria em fase terminal.

Contratos novos, complementa Peres, só com novos parâmetros, entre os quais, por exemplo, ATR fixo e mais alguns apêndices. Algumas unidades da região em recuperação judicial como Clealco e a Revati (Grupo Renuka), mais a seca do ano passado, empurraram muitos produtores para o mercado spot.

Fornecedor X arrendatário

A questão da competência nos "acordos bilateriais" será importante nas relações contratuais e o Consecana ficará apenas como referência, mas deve haver diferenciações entre fornecedores e arrendatários parceiros, pensa Gustavo Chavaglia, presidente do Sindicato Rural de Ituverava, norte paulista.

"O Consecana, como precificador da média não está errado, o problema é que o fornecedor capricha na sua cana, mas na hora de receber por ela é jogado na média", explica o produtor e membro da comissão de cana da Faesp e também presidente da Aprosoja SP.  "Para o arrendatário, o Consecana está bom“, completa o igualmente presidente da Aprosoja SP.

Outros pontos deverão permear cada vez mais os futuros acordos com as usinas, pensa Chavaglia. Um é valor do bagaço, outra reivindicação na medida que muitas usinas ganham pela cogeração de energia mas pagam a cana sem levar em conta essa terceira perna do trade da sucroenergia, depois de açúcar e etanol.

E a partir de 2020 ele entende que os ganhos com o RenovaBio precisarão chegar também porteira adentro. (Notícias Agrícolas 11/01/2019)

 

Bunge destina 70% da sua cana-de-açúcar cana para produzir etanol

A Bunge Açúcar & Bioenergia destinou ao etanol na atual temporada uma quantidade recorde de cana-de-açúcar. A produção do biocombustível absorveu 70% de toda a matéria-prima processada nas usinas da empresa na safra 2018/2019.

Historicamente, a participação da cana no etanol produzido pela Bunge é de 65%. Na temporada passada, havia sido de 62%. A rentabilidade maior do biocombustível em relação ao açúcar neste ciclo explica a prioridade dada ao etanol. (Broadcast 14/01/2019)

 

Açúcar: Movimento técnico

Um movimento técnico dos fundos que investem no mercado de commodities elevou as cotações do açúcar demerara na sexta-feira.

Os contratos futuros com vencimento em maio fecharam a sessão a 12,92 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 11 pontos.

Conforme consultoria Zaner Group, os fundos se desfizeram de muitos contratos futuros de açúcar desde dezembro e, partir de agora, poderiam iniciar um movimento de compras, impulsionando os preços.

Além disso, as previsões climáticas para a semana indicam tempo quente e com chuvas limitadas no Centro-Sul do Brasil, maior região produtora do país. Isso pode reduzir a umidade do solo necessária para o desenvolvimento das lavouras de cana.

No mercado paulista, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,2%, a R$ 68,63 por saca. (Valor Econômico 14/01/2019)

 

Cana:América Latina e África podem se beneficiar da produção de bioenergia

Apesar de ser a energia renovável mais consumida no mundo – com participação equivalente à da energia hídrica, eólica, solar e de outras fontes renováveis somadas –, a bioenergia ainda é produzida de forma limitada frente ao potencial existente. O Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, respondem juntos por mais de 80% da produção atual de biocombustíveis líquidos.

“Diversos países também estão usando a bioenergia, mas poderia ser muito mais. Isso dá a impressão de que a bioenergia seria uma ‘jabuticaba’, que só funciona em alguns países”, disse Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

A fim de superar essa visão, mostrando que a bioenergia pode ser produzida de forma eficiente e proporcionar benefícios econômicos e sociais para vários outros países, Nogueira e colegas do Nipe-Unicamp e de diversas instituições do Brasil e do exterior realizaram um estudo, nos últimos cinco anos, apoiado pela FAPESP, em que avaliaram o potencial de expansão da produção de bioenergia da cana na América Latina e na África.

Os resultados do trabalho denominado Projeto LACAF, realizado no âmbito do BIOEN, foram reunidos no livro Sugarcane bioenergy for sustainable development, lançado em 14 de dezembro na sede da FAPESP.

O livro reúne 33 artigos, de autoria de 60 pesquisadores do Brasil e do exterior, em que avaliam o potencial da bioenergia da cana como uma estratégia para o desenvolvimento sustentável de países da América Latina e da África.

As duas regiões foram escolhidas porque apresentam condições muito favoráveis para produção e são estratégicas para a expansão da bioenergia no mundo. Um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que cerca de 440 milhões de hectares de terra estariam disponíveis globalmente para serem usados para produção de bioenergia até 2050.

Mais de 80% dessas terras estariam localizadas justamente na África e na América do Sul e Central, sendo que cerca de 50% delas em apenas sete países: Angola, República Democrática do Congo e Sudão, na África, e Argentina, Bolívia, Colômbia e, em maior parte, no Brasil, na América Latina.

“O Brasil é, de longe, o país com maior disponibilidade de terra para plantio de cana para produção de bioenergia. O país é um exemplo raro, caso atípico, de produção de bioenergia a partir da cana com alta produtividade”, disse Luis Augusto Barbosa Cortez, professor da Unicamp e coordenador do projeto, durante o lançamento do livro.

De acordo com os estudos, além do Brasil, outros países da América Latina que tiveram sucesso no cultivo da cana foram a Colômbia, a Argentina e a Guatemala.

A exemplo do Brasil, a Colômbia produz cana e etanol com alta produtividade. Por sua vez, a Argentina iniciou recentemente um programa de geração de bioenergia a partir da cana e do milho e tem atingido níveis de mistura de etanol na gasolina próximos aos do Brasil. E, paradoxalmente, a Guatemala é um grande produtor de açúcar da cana, produz e exporta etanol para os Estados Unidos e importa toda a gasolina de que necessita.

Já na África, as experiências mais bem-sucedidas ocorreram na África do Sul, que hoje é o maior produtor de açúcar da cana do continente africano, além das Ilhas Maurício, Malawi e, mais recentemente, Moçambique.

Em comum nas duas regiões uma parcela expressiva de suas populações ainda não tem acesso à eletricidade e energia limpa para cocção de alimentos. Na África Austral, por exemplo, estima-se que 59 milhões de pessoas utilizem carvão para cozinhar, o que gera sérios problemas de saúde e ambientais, como o desmatamento. “A energia limpa para cocção na África pode ser a bioenergia”, disse Nogueira.

A demanda por etanol para cocção de alimentos na África Austral seria muito superior à voltada para o abastecimento da frota veicular da população das cidades, onde até 90% da população usa energia de baixa qualidade e em condições insalubres para cozinhar, estimam os pesquisadores. Uma família típica da região precisaria de 360 litros de etanol por ano para abastecer um fogão a etanol, calcularam.

“A produção de etanol para cocção já foi tentada em alguns países da África, como em Moçambique, mas não foi adiante porque faltou combustível. Mas se tiver disponibilidade de etanol para essa finalidade com certeza o mercado vai absorver a produção”, disse Nogueira.

Os pesquisadores estimaram que a produção de 4,1 bilhões de litros de etanol de cana e de 2,7 terawatt-hora (TWh) de eletricidade por ano em Moçambique geraria 3,3 milhões de empregos e aumentaria em 28% o Produto Interno Bruto (PIB) do país africano.

Para produzir essa quantidade de combustível e de eletricidade seria necessário cultivar cana em 600 mil hectares, o que corresponde a menos de 3% da terra disponível para plantação de cana no país africano, afirmaram.

“Há terra adequada e disponível suficiente no país para expandir a produção de cana-de-açúcar, sem prejudicar outros usos, como a produção de alimentos e de ração animal. A visão de que a produção de bioenergia competiria com os alimentos é equivocada”, disse Nogueira.

A inclusão de pequenos produtores deve fazer parte do modelo de produção dos países que adotarem a bioenergia da cana, segundo Manoel Regis Lima Verde Leal, professor da Unicamp e um dos editores do livro, juntamente com Cortez e Nogueira.

À exceção do Brasil, da Austrália e dos Estados Unidos, no resto do mundo a cana é cultivada por pequenos produtores, em propriedades agrícolas menores do que 10 hectares. “A Índia, que é o segundo maior produtor de cana no mundo hoje, tem 5 milhões de hectares de cana plantada e 50 milhões de produtores”, disse Leal.

Participação no debate mundial

Na avaliação de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, estudos como o realizado pelos pesquisadores do projeto LACAF têm contribuído para inserir a pesquisa em bioenergia feita no Estado de São Paulo na discussão mundial sobre a sustentabilidade da bioenergia da cana.

Há menos de uma década o espaço dos pesquisadores brasileiros no debate mundial sobre esse tema era muito menor do que é hoje. “Estudos como esse contribuem para que os pesquisadores da área em São Paulo participem e até mesmo liderem a discussão mundial sobre quais são as condições necessárias para se produzir bioenergia a partir da cana em grande escala em outras regiões do mundo”, disse Brito Cruz.

Prestes a completar 10 anos, em 2019, o BIOEN já resultou em mais de mil publicações. O impacto dos trabalhos publicados fez com que, em 2013, pesquisadores ligados ao programa fossem convidados a coordenar um estudo da sustentabilidade da bioenergia global para o Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“A realização desses estudos têm realmente ajudado a projetar os resultados da pesquisa sobre bioenergia em São Paulo nos fóruns mundiais sobre o tema”, disse Gláucia Mendes Souza, professora do IB-USP e membro da coordenação do BIOEN. (Brasil Agro 14/01/2019)

 

Índia considera elevar preço mínimo de venda de açúcar, diz TV

O governo da Índia está considerando elevar o preço mínimo de venda do açúcar, informou o canal de notícias ET Now nesta sexta-feira. O gabinete do primeiro-ministro, Narenda Modi, estava examinando diretamente a proposta, disse o ET Now citando fontes.

O movimento provavelmente ajudará os agricultores, que estão lutando para exportar o excedente devido à queda nos preços globais e ao fortalecimento da rúpia.

As exportações de açúcar na Índia devem ser bem menores do que a meta de 5 milhões de toneladas de Nova Délhi, apesar de um esforço do governo por vender o excedente do adoçante, disseram autoridades do setor. (Reuters 11/01/2019)

 

Gasolina mais barata

O preço médio da gasolina para o consumidor final registrou queda de 0,76% na semana passada, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O litro da gasolina foi comercializado em média a R$ 4,297 nos postos do país, segundo a agência.

A queda ocorreu depois que a Petrobras reduziu o preço da gasolina nas refinarias (na venda para as distribuidoras de combustíveis) para o menor valor em 14 meses: R$ 1,4624 por litro.

Os preços estão em queda há um mês, em função da queda do dólar e da retração das cotações internacionais do petróleo. O etanol ficou estável em R$ 2,83 por litro, e o diesel caiu 0,2%, sendo negociado a R$ 3,434 por litro na média dos postos, de acordo com a ANP.

O panorama dos combustíveis deve mudar a partir desta semana.

No sábado começou a vigorar o novo preço do óleo diesel nas refinarias.

O combustível foi reajustado em 2,5% e passou a ser vendido a R$ 1,9484 reais por litro.

A gasolina também pode subir com a reação das cotações do petróleo no mercado internacional. (Valor Econômico 14/01/2019)

 

Bayer recupera patente de semente de algodão na Índia

A alemã Bayer, maior empresa de agroquímicos do mundo, obteve mais uma vitória na Justiça nesta semana. A Suprema Corte da Índia anulou uma decisão de primeira instância que havia invalidado uma das patentes da Bayer relacionadas a sementes de algodão resistentes a pragas, decisão que a Monsanto vinha combatendo antes de completar a sua venda para Bayer.

No ano passado, a Bayer concluiu a compra da Monsanto e passou a deter todas as patentes da americana.

O fabricante de sementes biotecnológicas argumentou que a invalidação da patente era ilegal e prejudicaria as proteções à propriedade intelectual na Índia em vários setores.

Agora haverá um novo julgamento na disputa entre a Bayer e uma empresa de sementes indiana que licenciava os genes de sementes da empresa. (Valor Econômico 11/01/2019 às 15h: 07m)