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Gigante do açúcar e álcool, Cosan quer criar Alipay do Brasil

A Cosan, conglomerado controlado pelo bilionário Rubens Ometto Silveira Mello, 68, está lançando um aplicativo semelhante ao Alipay, amplamente utilizado na China, para pagamentos e transferências de dinheiro pelo smartphone.

A aposta pode significar uma economia de milhões de reais em tarifas bancárias para as empresas do grupo e, de quebra, colocar a gigante do açúcar e álcool no mercado de fintechs no Brasil.

A Cosan, que também atua na distribuição de combustíveis e gás natural, quer convencer pelo menos parte de seus 20 milhões de clientes a encher o tanque ou pagar a conta de gás usando uma carteira digital chamada Payly (de pagamento diário, em inglês). O objetivo inicial é eliminar a necessidade de cartões de crédito e de maquininhas para cartão em alguns dos 6.300 postos de gasolina que possui em uma sociedade com a Royal Dutch Shell. Com o tempo, a empresa quer construir um ecossistema mais amplo de usuários e empresas na plataforma.

O Payly já está em operação em cidades como Piracicaba. A própria Cosan tem usado o aplicativo para pagar funcionários, fornecedores e até o transporte de açúcar, substituindo gradualmente os métodos tradicionais de pagamento, que são mais caros, segundo o CEO da Payly, Juliano Prado.

"A gente perdia dinheiro e deixava de ganhar", afirma Prado, um ex-executivo da Shell, em entrevista. "A gente quer tirar o cartão de crédito da jogada."

Para convencer negócios a aceitar o novo meio de pagamento, a Payly cobrará dos comerciantes 0,1 por cento por transação, uma fração do que eles pagam às credenciadoras de cartões de crédito, em média, 2,63 por cento, segundo dados do Banco Central relativos a 2017.

A Payly ganha dinheiro com o float dos recursos que os clientes deixam no aplicativo, que são aplicados em títulos públicos por exigência regulatória. No futuro, a empresa também pretende lucrar com comissões sobre a prestação de serviços, como recargas de celulares pré-pagos.

Na última década, a Cosan vem se diversificando em meio à estagnação dos preços internacionais do açúcar e a políticas de governo que restringiram a expansão do etanol de cana-de-açúcar no Brasil. A decisão incluiu a aquisição da Comgás e da operadora de trens ALL América Latina Logística, rebatizada como Rumo. A Raízen, sua joint-venture com a Shell, é a segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil e a maior produtora de etanol.

O Brasil abriga a maior quantidade de fintechs da América Latina, 377 ao todo, e a maioria delas está no setor de pagamentos, segundo relatório da Finnovista, uma aceleradora de fintechs com sede no México, e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Um relatório de 2017 do Goldman Sachs estimou um potencial de receita total de R$ 62 bilhões (US$ 17 bilhões) para o setor bancário e de pagamentos do Brasil em 10 anos, o que a Payly espera explorar.

No ano passado, a StoneCo, uma nova empresa do ramo de pagamentos, levantou US$ 1,4 bilhão em uma oferta pública inicial na Nasdaq, atraindo investidores como a Ant Financial, do Alipay. A Tencent Holdings, dona do WeChat Pay, outra referência da Payly, também investiu em uma empresa brasileira de tecnologia financeira de pagamentos no ano passado: a companhia de cartões de crédito e débito Nubank. (Bloomberg 17/01/2019)

 

Justiça derruba acordo anterior à reforma que proibia terceirização em usinas de cana de SP

Acerto foi feito com o Ministério Público do Trabalho antes das mudanças na legislação trabalhista.

Empresas da indústria de cana-de-açúcar do interior de São Paulo conseguiram na segunda instância da Justiça uma decisão liminar (provisória) para suspender acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho anterior à nova lei trabalhista e que proibia a terceirização da mão de obra na colheita.

O acordo foi feito no início de 2017 pela usina Santa Isabel e pela fornecedora de cana Santa Luíza Agro Pecuária, ambas de Novo Horizonte, a partir de uma ACP (Ação Civil Pública) em que as companhias eram acusadas, entre outras coisas, de terceirização ilícita.

À época, a prestação de serviços de terceiros era regulada pela jurisprudência do TST (Tribunal Superior do Trabalho), que, através da súmula 331, indicava a vedação à terceirização da chamada atividade-fim (a principal de um negócio).

Na Justiça, as usinas de Novo Horizonte saíram derrotadas na primeira e na segunda instância e decidiram fechar um acordo com o MPT segundo o qual teriam dois anos para zerar os postos terceirizados considerados irregulares.

De lá para cá, no entanto, a legislação trabalhista mudou. Em março de 2017, a chamada lei da terceirização abriu a possibilidade para a contratação dos serviços também na atividade-fim das empresas. Em novembro daquele ano, entrou em vigor o novo texto da CTL (Consolidação das Leis do Trabalho), que passou a considerar como prestação de serviços também a execução da atividade principal da empresa.

"Tínhamos um acordo celebrado num processo porque o entendimento era de que aquela terceirização era proibida. Agora, a lei disse que pode. As usinas ficaram em uma situação desvantajosa em relação aos concorrentes", diz o advogado Ilario Serafim, que representa as duas empresas.

O argumento foi aceito pela desembargadora Maria Inês Corrêa de Cerqueira César Targa, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que engloba o interior de São Paulo.

"Essas alterações legislativas acarretam modificação da forma de atuação das empresas e, em consequência, as requerentes não podem ser impedidas de se adaptar à nova legislação, sob pena de estarem alijadas do mercado e terem diferentes custos de produção daqueles impostos às suas concorrentes", escreveu Targa em decisão proferida na quinta-feira (10).

Serafim diz que o grupo tentou negociar com o MPT uma alteração no acordo, mas o procurador responsável pelo caso não aceitou. Questionado, o Ministério Público do Trabalho disse que ainda não foi intimado e que, por isso, não se manifestaria.

"A tendência é que compromissos trabalhistas assumidos com o MPT anteriormente à reforma e que se tornaram demasiadamente limitadores e onerosos para a atividade das empresas poderão e devem ser revistos", diz Jorge Gonzaga Matsumoto, sócio do Bichara Advogados.

Na decisão, a desembargadora afirmou que o acordo deve ser analisado novamente pelas partes, mas disse que concederia parcialmente a liminar, até nova análise da questão, para que não fosse inviabilizada a colheita da cana-de-açúcar e o início da safra, previsto para março, e para que as atividades das empresas pudessem ser mantidas nas mesmas condições de suas concorrentes.

Chamou a atenção de advogados ouvidos pela Folha, no entanto, os termos impostos para a concessão da liminar.

Segundo Targa, as empresas poderão terceirizar parcialmente a colheita mecanizada da cana-de-açúcar neste ano "nos mesmos patamares negociados com o Ministério Público do Trabalho para o ano de 2017, ou seja, com possibilidade de contratação de até 183 trabalhadores terceirizados, desde que mantidos o mesmo número de empregados diretos contratados no ano de 2018 e sem que haja substituição, portanto, de mão de obra direta por terceirizada."

Ou seja, a desembargadora permitiu somente o incremento da contratação de trabalhadores por meio da terceirização, mas não a redução da força de trabalho.

Advogados questionam a imposição de uma restrição mais dura do que a prevista na lei, uma carência de 18 meses caso a empresa queira realocar ex-funcionários na prestadora de serviços, o que extrapolaria a função do Judiciário.

Procurado, o TRT 15 explicou que Maria Inês Targa não pode se manifestar porque o processo ainda está pendente de julgamento.

Mauricio Pepe De Lion, do Felsberg Advogados, diz que a decisão pode ser uma forma de assegurar a operação competitiva das empresas, mas garantir ao mesmo tempo que o assunto seja abordado com mais profundidade quando for discutido seu mérito.

"Se o MPT apresentar recurso de agravo regimental, a decisão provisória proferida de forma monocrática tem que passar pelo crivo de um órgão colegiado. Acredito que por isso houve agora uma decisão no meio do caminho", afirma. "De qualquer forma, é um bom precedente, porque demonstra um posicionamento de bom senso do tribunal ao compreender que as relações de trabalho mudaram", completa. (Folha de São Paulo 16/01/2018)

 

Os dois anos azedos do mercado de açúcar chegaram ao fim?

Depois de dois difíceis anos consecutivos de perdas de dois dígitos, as coisas parecem estar melhorando para os investidores que ainda acreditam no açúcar.

A menor produção de cana-de-açúcar no Brasil e os maiores preços do petróleo e da gasolina desde o início de 2019 melhoraram as perspectivas para o açúcar e seu biocombustível derivado, o etanol.

O resultado é uma valorização de quase 10% no acumulado do ano nos futuros de açúcar bruto nos EUA, cujo último ano positivo foi em 2016. A commodity perdeu 21% no ano passado e 29% em 2017.

Mike Seery, analista de commodities e trader na Seery Futures, de Plainfield, Illinois, observou que, na terça-feira, os futuros de açúcar em bruto eram negociados acima das suas médias móveis de 20 e 100 dias, após o que ele descreveu como um falso rompimento para baixo, há duas semanas.

Seery atribuiu a recuperação dos preços à menor produção no Brasil. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a produção açucareira de 2018/19 na região Centro-Sul do país até dezembro caiu cerca de 27% a 26,4 milhões de toneladas métricas.

Ainda segundo a Unica, a produção no Brasil, que é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, caiu cerca de 43% na primeira metade de outubro, depois que as chuvas atrasaram o processamento da cana e as usinas continuaram favorecendo a produção de etanol em vez do açúcar.

Brasil fortalece a produção de etanol

A mistura obrigatória de etanol na gasolina brasileira é de 27%, bem maior do que os 10% obrigatórios na maioria dos combustíveis automotivos dos EUA, e o país ainda conta com um forte mercado de etanol hidratado, que pode ser usado diretamente no tanque dos carros. Isso fez com que os agricultores de cana-de-açúcar do país focassem mais na indústria energética do que nos alimentos, uma estratégia que está dando resultado agora, com a queda da produção e o poderoso rali de abertura do ano no petróleo.

Jack Scoville, analista de açúcar e commodities agrícolas da The Price Futures Group, em Chicago, afirmou: “O Brasil tem usado a maior parte de sua safra de cana-de-açúcar para produzir etanol, em vez do açúcar, este ano”.

Com base no fechamento de 15 de janeiro, os futuros do petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) subiram 15% desde o início do ano. Os futuros de gasolina nos EUA se valorizaram 6%, enquanto os do etanol apresentaram ganhos de quase 2%.

Os contratos futuros de açúcar em bruto nos EUA com vencimento em março giram em torno da máxima de dois meses, a 13,18 centavos por libra-peso. Eles fecharam 2018 a 12,03 centavos, após a queda de quase 25% no petróleo WTI puxar seus preços para baixo em comparação com o fechamento de 2017, de 15,16 centavos.

Seery notou o impacto dos maiores preços do WTI neste ano tanto no etanol quanto em seu produto primário: “Os preços do petróleo se estabilizaram, o que também está dando suporte ao açúcar neste momento”.

Ainda não há certeza de um final feliz

A perspectiva técnica diária do Investing.com tem uma clara indicação de “Compra Forte” para o açúcar de março.

Mesmo assim, ainda é muito cedo para prever se a valorização do açúcar continuará ao longo do ano, especialmente em razão da atual volatilidade dos mercados de petróleo, resultado de múltiplas variáveis responsáveis por tornar praticamente impossível prever qualquer tendência ou preço com confiança, segundo os analistas.

Seery também afirma que tem consciência da possibilidade de uma forte retração no contrato, embora não considere que isso possa ocorrer de imediato. “Certamente, não estou recomendando qualquer tipo de posição baixista, já que vou procurar uma posição de alta em algum tipo de retração de preços, pois o risco neste momento seria de 1,6 centavos, além de slippage e comissões, o que é muito para essa commodity em vista da sua baixa volatilidade”, afirma.

O analista complementou: “Fiquem de olhos atentos nesse mercado, pois, se tivermos algum tipo de correção com um risco de cerca de 1 centavo, esse seria um ponto de entrada ideal na minha opinião”. (Investing.com 17/01/2019)

 

Açúcar bruto toca máxima de dois meses na ICE

Os futuros do açúcar bruto na ICE subiram para uma máxima de dois meses nesta quarta-feira, impulsionados por cobertura de posições vendidas por fundos.

O açúcar bruto para março subiu 0,01 centavo de dólar, ou 0,1 por cento, para 13,17 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar uma máxima de 13,27 centavos de dólar, maior nível desde 5 de novembro.

O recente aumento nos preços tem sido impulsionado pela cobertura de posições vendidas por fundos em meio a um cenário de preços mais altos do petróleo e um fortalecimento do real brasileiro, disseram os operadores.

O clima seco na importante região centro-sul do Brasil também tem suportados os preços, disseram os operadores.

O açúcar branco para março caiu 1 dólar, ou 0,3 por cento, para 353,8 dólares por tonelada. (Reuters 17/01/2019)

 

Térmicas a biomassa têm proposta para elevar geração

Representantes do setor de bioenergia planejam discutir com a equipe energética do governo uma solução para o excedente da produção de termelétricas a biomassa, principalmente de cana-de-açúcar. As usinas do tipo em operação no país têm condições de gerar 30% a mais de energia, a partir de um volume maior de bagaço, possibilitando economia de 15 pontos percentuais nos reservatórios hidrelétricos das regiões Sudeste e Centro-Oeste e de R$ 1,1 bilhão por ano aos consumidores, estima o setor. O problema é que hoje falta um mecanismo que remunere as usinas por essa geração adicional.

A alternativa proposta é a publicação pelo Ministério de Minas e Energia (MME) de portaria que possibilite às usinas declararem um valor adicional de garantia física - espécie de selo que assegura o total de energia que uma usina pode negociar. Na prática, a medida reconhece o potencial comercial do excedente, viabilizando a venda dessa energia.

Segundo o presidente-executivo da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Newton Duarte, a expectativa é tratar do assunto com o ministério neste mês para tentar uma solução até fevereiro. Dessa forma, as empresas teriam tempo para se preparar para a safra da cana-de-açúcar, que ocorre de abril a novembro, que coincide com o período seco, de baixa do nível dos reservatórios hidrelétricos do país.

"Vamos tentar em conjunto definir uma regra para que possamos colocar em prática ainda para esta safra, que começará fortemente em abril deste ano", disse Duarte.

Sem a portaria, todo volume produzido além da garantia física da usina é liquidado no mercado de curto prazo, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Com a liquidação travada por causa da inadimplência de R$ 7 bilhões, causada por liminares contra despesas oriundas do risco hidrológico (GSF), as térmicas a biomassa não recebem pelo adicional.

Pela estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em novembro de 2017, as térmicas movidas a bagaço de cana de açúcar acumulavam um crédito a receber de mais de R$ 400 milhões nas liquidações do mercado de curto prazo.

Diante desse cenário, as térmicas estão deixando de produzir o excedente, que está sendo tratado como "energia sacrificada", diz o gerente de bioeletricidade da Única, Zilmar de Souza. "Esse problema de não resolver o GSF e não ter a garantia física adicional aderente ao setor de biomassa está sacrificando a modicidade tarifária, penalizando a conta do consumidor final, sem falar da questão da sustentabilidade", disse.

Com o impasse, a Raízen deixou de gerar na última safra cerca de 20% a mais de energia, cerca de 400 mil megawatts-hora (MWh). O volume seria suficiente para abastecer uma cidade com 800 mil habitantes, como Campo Grande (MS). Para uma fonte do setor, a impossibilidade de receber pela geração excedente por biomassa é um dos "esqueletos" que estão sendo criados pelo problema do GSF.

No setor espera-se que o Congresso aprove já em fevereiro o projeto de lei que prevê solução para o GSF, oferecendo às geradoras hidrelétricas abrir mão das liminares que as protegem das despesas tendo, como contrapartida, extensão do contrato de concessão das usinas. Se o projeto passar, haverá ainda uma "janela" de seis meses até que os geradores analisem a proposta, façam a adesão e o mercado de curto prazo seja destravado, diz a fonte. (Valor Econômico 17/01/2018)

 

Logum quer expandir duto de etanol para Centro-Oeste de olho em álcool de milho

A Logum, empresa que opera o único duto de etanol do Brasil, está buscando expandir o sistema para o centro do país para alcançar mais usinas e possivelmente a nascente indústria de álcool de milho, que deve crescer.

Wagner Biasoli, CEO da companhia, disse à Reuters que a Logum garantiu financiamento para uma expansão para ligar novas usinas no Estado de Minas Gerais, impulsionar a entrega para São Paulo e atingir capacidade total de 6 bilhões de litros por ano.

Em seguida, estão os Estados do Centro-Oeste de Goiás e Mato Grosso, alguns dos maiores produtores de grãos do país, disse ele, acrescentando que os novos incentivos aos biocombustíveis que entrarem em vigor em 2020 deverão ajudar a impulsionar a demanda por etanol.

A Logum é uma parceria entre a Petrobras e as gigantes de açúcar e etanol Raízen e Copersucar. Os co-proprietários fecharam um acordo no final do ano passado para comprar as fatias das empresas de engenharia Odebrecht e Camargo Corrêa, aumentando suas participações de 20 para 30 por cento cada. Os detalhes financeiros não foram divulgados.

A saída de Odebrecht e Camargo Corrêa, duas empresas envolvidas no maior escândalo de corrupção do Brasil, abriu caminho para o banco estatal de desenvolvimento BNDES estender uma linha de crédito 1,8 bilhão de reais para os planos de expansão da Logum.

A próxima fronteira é o etanol de milho.

"Estive no Mato Grosso na semana passada. Estamos analisando a possibilidade de estender nosso duto para Cuiabá", disse Biasoli, referindo-se à capital do principal Estado brasileiro produtor de grãos.

Biasoli citou previsões do mercado de etanol de milho crescendo para 1 bilhão de litros em Mato Grosso neste ano, de 300 milhões de litros em 2018. "O Estado deve chegar a 5 bilhões de litros nos próximos três a cinco anos", disse ele.

Há vários projetos em andamento para produzir etanol a partir do milho em Mato Grosso, Estado que aumentou drasticamente sua produção de milho. O movimento está mudando a indústria brasileira de etanol, há muito focada na cana-de-açúcar.

A Logum atualmente movimenta 2,5 bilhões de litros de etanol por ano, principalmente da região de Ribeirão Preto para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. Também leva o etanol para navios na costa do Rio para exportar ou abastecer o Nordeste do país.

Os custos de transporte têm sido um dos maiores obstáculos para a expansão da produção de etanol no Brasil central. A produção atual é majoritariamente vendida localmente, em vez de ser transportada em caminhão cerca de 2 mil quilômetros para mercados do Sudeste e terminais de exportação. (Reuters 16/01/2019)

 

Dreyfus vai deixar área de lácteos

A francesa Louis Dreyfus Company (LDC), uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, anunciou ontem que está deixando o negócio de lácteos. A medida faz parte da estratégia para se concentrar em áreas estratégicas ("core business", no jargão do mercado).

"A saída praticamente não terá impacto nas vendas globais, que continuam a crescer globalmente, e espera-se que isso tenha um leve efeito positivo em nosso capital de giro a partir de 2019", disse o diretor financeiro da LDC, Federico Cerisoli.

A área de lácteos responde por apenas 1% do faturamento global da LDC, ou seja, pouco mais de US$ 400 milhões. Em 2017, o último dado anual disponível, as vendas totais da múlti francesa renderam US$ 43 bilhões e, no primeiro semestre de 2018, US$ 18,8 bilhões.

"A plataforma de lácteos da LDC foi identificada como fora do nosso core business em 2017 devido à falta de massa crítica dentro do portfólio da empresa", acrescentou Cerisoli, em nota. Segundo ele, a companhia ainda está avaliando a melhor forma de deixar o negócio, encerrando as operações aos poucos ou vendendo os ativos. A intenção da companhia é completar a saída de lácteos até meados deste ano.

Ao fim do processo, a LDC ainda terá uma participação minoritária em um laticínio na Austrália. Além da Oceania, os negócios de lácteos da companhia estão espalhados pela América do Norte, América do Sul e Europa. A empresa fornece leite em pó, lactose e produtos de soro para Ásia, América do Norte, Oriente Médio e África. A LDC não atua na área de lácteos no Brasil. (Valor Econômico 17/01/2019)

 

Petróleo subindo com China e clima derrubando a cana ajudam açúcar e etanol

Açúcar saiu para cima dos 13 c/lp, depois de muitas semanas.

A reação do petróleo com a arejada que a China trouxe aos mercados nesta terça (15), prometendo desacelerar a desaceleração da sua economia, em dupla com a permanência de sol e calor sobre a cana no Centro-Sul brasileiro, tiraram da UTI o açúcar em Nova York (ICE Futures) e mantiveram a competitividade do etanol.

Pode-se considerar também que o Isma, organismo indiano das usinas, ajudou um pouco no suporte aos preços do açúcar devendo anunciar possível produção menor, enquanto que o dólar mais alto (igualmente pelo bom humor mundial) também reforça o etanol jogando mais preço na importação do petróleo em alta.

Março na ICE subiu fortes 41 pontos e o contrato rompeu - e bem - os 13 c/lp, fechando em 13.16. Depois de semanas perseguindo a marca, mas sempre sem nunca ameaçá-la diretamente, mesmo com a implementação do corte diário de 1,2 milhão de barris/dia pelos países produtores desde 1º de janeiro, a sessão de hoje pode marcar definitivamente, para alguns, o pulo para até 15 c/lp.

Cana prejudicada

Teria que haver muita sustentação, agora mais ainda pela continuidade da seca nas principais regiões, e uma previsão mais firme sobre as perdas para a safra 19/20. O Notícias Agrícolas está confirmando com várias regiões que deverá haver uma quebra, mesmo que as chuvas retornem e com boa disposição, mas com confirmações quantitativas ainda sem serem investigadas.

"É a confirmação dessa condição climática que poderá dar sustentação", diz Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado. Ele não arrisca os 15 c/lp para março como o fez Eduardo Sia, da Sucden do Brasil.

Há dúvidas quanto à retirada do açúcar do mercado que poderá vir da Índia. Até agora tem prevalecido o superávit de 4 a 5 milhões de toneladas do USDA, o que elevaria o mundo a 9 milhões de toneladas. O Isma deverá anunciar produção da Índia em 30 milhões e "mesmo acertando, mais uma perde de 2 milhões de toneladas do Brasil, ainda asim o superávit mundial fica em 3 milhões de toneladas", argumenta Muruci.

Se for levado ainda em conta a falta de apetite mundial pela commodity, com consumo menor e altos estoques (o USDA já deu em 52 milhões de toneladas), joga-se mais 1,5 a 2 milhões de toneladas.

Petróleo e seca

Outros, como Eduardo Sia, a Datagro e mais alguns analistas fazem outra conta, alinhando menor disponibilidade de açúcar da Tailândia e da Europa, que vai para mais trigo do que beterraba açucareira. Há até um muito improvável déficit mundial na média dessas opiniões.

Em todo caso, a expectativa da indústria indiana, que não é lá das mais confiáveis, ao menos ajuda a segurar o açúcar num degrau acima.

Seja a bússola que vai nortear esse mercado, além da seca ao menos está garantido nos próximos dias igualmente a manutenção do petróleo em alta - hoje subiu 2,41%, com o brent  a US$ 60,39, caso a China confirme os estímulos à produção (menos impostos, mais gastos públicos em obras e mais crédito), sem novos episódios complicadores na disputa comercial com os Estados Unidos. E sustenta o açúcar.

No Brasil, o etanol havia perdido a premiação sobre o açúcar convertendo o preço na usina em c/lp de março da ICE. Agora, mantido o brent e a Petrobras revertendo para a gasolina, o que deverá ocorrer, ajuda o consumo e assegura um mix alcooleiro de 80% na safra vindoura. (Reuters 15/01/2019)