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Cosan aposta em geração de caixa da Comgás

A Cosan caminha para concluir em breve a aquisição de praticamente a totalidade da Comgás. A companhia lançou, na sexta-feira, uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) pelas preferenciais classe A (PNA) da distribuidora de gás, por R$ 82 por ação, em uma aposta na futura geração de caixa da companhia, que rende bons dividendos para sua controladora a cada ano.

Segundo fontes, o negócio ganhou força depois que a gestora de recursos Alaska, que tem 41,8% das PNAs da Comgás em circulação, demonstrou interesse em se desfazer da posição. Para a Cosan, foi considerado mais interessante adquirir a fatia da Alaska por meio da OPA, uma vez que esta seria inevitável.

A OPA será voluntária, condicionada à adesão de dois terços dos acionistas detentores das 23,5 milhões de PNAs em circulação. Caso a adesão seja total, a Cosan vai desembolsar cerca de R$ 1,93 bilhão, sendo que R$ 807,5 milhões irão para a Alaska. Nesse cenário, a participação total da companhia de Rubens Ometto na distribuidora de gás subiria de 80,11% para 98%.

A aquisição será financiada em parte por meio de um empréstimo R$ 1,7 bilhão tomado com o BTG Pactual, pelo prazo de até dois anos e taxa de juros de até 110% do CDI. O restante será pago com recursos que a empresa tem em caixa. Ao fim de setembro, a Cosan tinha R$ 4,4 bilhões em caixa. A estrutura da operação garante ainda que a alavancagem do grupo Cosan não será pressionada, com relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 2,5 vezes.

A Cosan informou, por meio de fato relevante, que a operação não implicará no cancelamento do registro da Comgás como emissora de valores mobiliários.

O Valor apurou que a companhia não lançou, neste momento, uma OPA de fechamento de capital porque seria uma operação mais complexa, com exigência de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e prazos que poderiam levar o negócio a demorar seis meses para ser concluído.

"Como vai sobrar uma participação muito pequena, será mais fácil resolver no futuro. Consideraram melhor comprar 18% agora com rapidez do que fechar o capital em uma transação mais complexa", disse uma fonte com conhecimento da operação.

O preço oferecido pela Cosan, de R$ 82 por PNA, embute um prêmio de 23,3% em relação ao fechamento de sexta-feira.

O preço é também superior ao pago pela Cosan em 2017 quando comprou uma fatia de 16,77% que a Shell tinha na distribuidora de gás. A operação, que envolveu permuta de ações e pagamento em dinheiro, chegou num valor implícito de R$ 53,05 por ação da Comgás. Em 2012, quando a Cosan comprou o controle da companhia, pagou R$ 47,25 por ação.

Para a Cosan, o entendimento é que a empresa não está sendo negociada a um preço justo na bolsa, apurou o Valor. Como há uma fatia pequena de ações no mercado, e a liquidez é muito baixa, "isso inibe a precificação correta do papel", disse uma fonte.

Com receita líquida anual da ordem de R$ 8 bilhões, a Comgás valia na bolsa semana passada R$ 8,6 bilhões, ou metade dos R$ 17 bilhões da controladora Cosan, que tem faturamento líquido anual superior a R$ 60 bilhões. Além da distribuidora de gás, o grupo Cosan abriga a companhia de lubrificantes Moove e as operações da Raízen, de distribuição de combustíveis e de produção de açúcar e álcool, em joint-venture com a Shell, sem contar 28% da Rumo Logística, avaliada em R$ 29 bilhões na bolsa brasileira.

A explicação para a avaliação de mercado está na capacidade de geração de caixa da companhia de gás. A empresa paulista de distribuição de gás teve uma geração de fluxo de caixa operacional de R$ 1,29 bilhão de janeiro a setembro, pouco menos que o R$ 1,36 bilhão provenientes dos 50% detidos na Raízen Energia e Raízen Combustíveis.

A geração de caixa estável e com tendência de crescimento resulta em pagamentos frequentes de dividendos. Entre 2012 e 2018, a companhia distribuiu um total de R$ 3,4 bilhões em proventos aos seus acionistas.

O anúncio impulsionou as ações da Comgás ontem. A PNA subiu 20,3%, para R$ 80, enquanto as ações ordinárias avançaram 16,7%, a R$ 75,25. A Cosan, contudo, reagiu negativamente, devido à percepção de que o prêmio oferecido foi elevado para uma fatia minoritária. As ON da companhia caíram 3,01%, a R$ 40,91.

Para o Bradesco BBI, o preço oferecido seria justificado se a revisão tarifária da Comgás, iniciada em 2014 e ainda sem conclusão, tivesse um resultado favorável para a companhia. Em relatório enviado a clientes, os analistas Vicente Falanga, Leandro Fontanesi e Osmar Camilo destacaram que informações iniciais sobre o processo, como o Wacc (custo médio ponderado de capital) de 8,2%, são positivos, "mas ainda há muitos riscos envolvidos."

Procuradas, Cosan e Comgás disseram que não iriam fazer comentários adicionais aos comunicados divulgados ao mercado. A gestora Alaska não respondeu a reportagem. (Valor Econômico 22/01/2019)

 

Açúcar: Revisão indiana

Sem referência de Nova York devido ao feriado do dia de Martin Luther King nos Estados Unidos, os preços do açúcar subiram ontem na bolsa de Londres.

Os contratos futuros da commodity com vencimento em maio fecharam a sessão a US$ 363,10 por tonelada, valorização de US$ 1,80.

Os preços da açúcar branco foram sustentados pelo petróleo e pelos novos dados de produção da Índia.

A Isma, associação das usinas indianas, cortou a estimativa para a produção do país na temporada 2018/19 em 2,5%, a 30,7 milhões de toneladas.

Segundo a entidade, a produção de açúcar da Índia deve ser menor nesta safra devido à falta de chuvas e à infestação de lagartas durante a fase de desenvolvimento das lavouras de cana do país.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,1%, a R$ 68,97 por saca. (Valor Econômico 22/01/2019)

 

Açúcar branco sobe na ICE com sinais de menor produção na Índia

Os contratos futuros do açúcar branco na ICE subiram nesta segunda-feira, com um leve apetite por compras alimentado por sinais de uma menor produção na Índia.

Nos Estados Unidos, os mercados de commodities ficaram fechados devido ao dia de Martin Luther King Jr. e reabrirão na terça-feira.

O açúcar branco para março fechou em alta de 1,60 dólar, ou 0,5 por cento, a 354,70 dólares por tonelada, após chegarem a subir para uma máxima da sessão de 355,40 dólares por tonelada.

Na semana passada, os preços tocaram 355,80 dólares por tonelada, maior nível em quase dois meses e meio.

Operadores disseram que compras especulativas apoiaram a cotação nesta segunda-feira, em parte devido a sinais de que a Índia, maior consumidora global de açúcar, pode caminhar para uma produção do adoçante abaixo do previsto anteriormente.

A produção da Índia na temporada que começa em outubro deve cair 2,5 por cento, para 30,7 milhões de toneladas.

Mas houve também sinais de melhoria nas condições em outras regiões produtoras, incluindo a União Europeia, o que limitou os potenciais ganhos. (Reuters 22/01/2019)

 

Petrobras eleva preço da gasolina nas refinarias em 1,2% a partir de hoje

A Petrobras divulgou que vai aumentar em R$ 0,0183 o preço da gasolina, o que equivale a uma elevação de 1,2% na comparação com o valor anterior.

O novo preço entra em vigor a partir deste quinta-feira (22) e é o quarto aumento consecutivo anunciado pela estatal.

Com isso, o preço médio do litro do combustível nas refinarias passará a ser de R$ 1,5491. O preço do diesel, por sua vez, foi mantido em R$ 1,9778, após elevação de 1,51% no último sábado (19).

Na comparação com a posição ao final de 2018, o preço da gasolina subiu R$ 0,0404 (+2,68%) e o do diesel aumentou em 0,1690 (+9,34%). Conforme a Petrobras, os valores divulgados se referem ao preço médio nas refinarias, sem tributos.

O reajuste faz parte da política de preços da companhia, que passou a adotar um mecanismo de hedge em 05 de setembro. O objetivo é manter uma política de reajustes baseada no mercado internacional de petróleo, porém, com maior estabilidade de preços.

Dessa forma, a Petrobras visa acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores, tentando evitar uma possível perda de participação. Elementos como o câmbio e as cotações internacionais fazem parte dos cálculos. (Nova Cana – Matéria aberta 22/01/2019)

 

Usinas indianas falam em menos 2,5% de produção de açúcar

A produção de açúcar na Índia, maior consumidor mundial do adoçante, deverá cair 2,5 por cento na temporada que começou em outubro do ano passado, disse um importante grupo do setor nesta segunda-feira.

A produção de açúcar na safra 2018/19 está estimada em 30,7 milhões de toneladas, disse a Associação de Usinas de Açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês), órgão de produtores, em um comunicado, à medida que mais cana-de-açúcar é desviada para a produção de etanol.

Entre 1º de outubro e 15 de janeiro, as usinas indianas produziram 14,7 milhões de toneladas de açúcar, em comparação com 13,5 milhões de toneladas em igual período do ano anterior, disse a Isma. (Reuters 21/01/2019)

 

Usinas recebem recomendação do MP para preservar nascentes de bacias que abastecem João Pessoa

Objetivo é que empresas apresentem projetos de recuperação de áreas degradadas para áreas de preservação permanente. Na foto: Rio Gramame.

Três usinas de cana-de-açúcar receberam uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, para preservarem os recursos ambientais das bacias dos rios Gramame e Abiaí, que abastecem João Pessoa e a Região Metropolitana. As recomendações foram entregues na terça-feira (15) e divulgadas nesta quarta-feira (16).

As recomendações foram feitas no âmbito de inquéritos civis que apuram a poluição dos rios e os danos causados ao meio ambiente e comunidades ribeirinhas. O rio Gramame é responsável por fornecer água para 70% da Região Metropolitana de João Pessoa.

O objetivo é que as usinas Tabu, Olho d’Água e Biosev-Giasa (segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo) apresentem, em quatro meses, Projeto e Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) para todas as áreas de preservação permanente (APP) nas respectivas propriedades e nas áreas de onde adquiram cana-de-açúcar, nas quais estão localizados centenas de pontos de nascentes e olhos d’água perenes.

As usinas também devem apresentar informações, diagnósticos, levantamentos e estudos que permitam a avaliação da degradação ou alteração das APPs e custear a realização de estudos e levantamentos periódicos que demonstrem a situação das áreas degradadas e sua gradativa recuperação.

Ainda conforme as recomendações, a execução dos planos de recuperação de áreas degradadas deve ser iniciada em seis meses e os dados da execução devem ser encaminhados ao MPF e ao Ministério Público da Paraíba (MPPB). As usinas também devem comprovar, em 90 dias, a averbação das áreas de reserva legal nos registros de imóveis ou no Cadastro Ambiental Rural, de todos os imóveis explorados diretamente por elas ou por seus fornecedores de cana-de-açúcar ou outros produtos agroflorestais.

Fica a cargo da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) o acompanhamento da execução das recomendações, inclusive com visitas às áreas, avaliações e sugestões de alterações nos planos de recuperação de áreas degradadas elaborados pelas usinas.

O promotor de Justiça José Farias de Souza Filho explicou que a mata ciliar tem a função de defender o curso d’água contra poluentes externos, como metais pesados, excesso de pulverização de defensivos agrícolas. “Quando a nascente não tem cobertura florestal, quando a cobertura está desmatada, ela seca e morre. Então, vai chegar um ponto em que o rio vai morrer porque as suas nascentes morreram. Quando a gente preserva a reserva legal, a cobertura florestal das fontes, a gente garante que daqui a 100 anos o rio Gramame ainda estará fluindo”, explica Farias. (G1 21/01/2019)