Setor sucroenergético

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Cresce a concentração no comércio de açúcar

É quase uma questão física: muitos gigantes não conseguem mais ocupar, ao mesmo tempo, um espaço que tem encolhido. É o que está acontecendo no mercado mundial de açúcar. Mesmo com poucas grandes companhias atuando na comercialização da commodity, os baixos preços intensificaram uma tendência já observada em outros segmentos, como grãos: a concentração.

O valor das vendas globais de açúcar recuou 25% na safra internacional 2017/18 ante o ciclo anterior, para cerca de US$ 8,8 bilhões, consideradas as estimativas da Organização Internacional do Açúcar para as exportações de açúcar bruto e branco e os preços médios de cada um deles nas bolsas de Nova York e Londres.

O tombo foi grande porque em 2016/17 as cotações estavam atipicamente elevadas, em razão das intempéries que prejudicaram a oferta no Brasil. Ou seja, voltou a prevalecer, em 2017/18, o cenário de cotações, e margens, mais baixas que tem marcado a última década.

Nesse contexto, grupos importantes abandonaram a comercialização de açúcar e estimativas de mercado indicam que as três maiores tradings - Alvean (joint venture entre Cargill e Copersucar), RaW (joint venture entre Raízen e Wilmar) e Sucden, já respondem por 60% do volume movimentado.

No início do ano, uma das maiores companhias de agronegócios da Ásia, a Olam, sediada em Cingapura, comunicou suas mesas de operação que as negociações de açúcar seriam encerradas e que os operadores poderiam ser realocados para outras commodities. Meses antes, a americana Bunge, terceira maior companhia do agronegócios do planeta, havia vendido seu livro de contratos de açúcar para a asiática Wilmar, que tem a americana ADM como acionista e é sócia da Raízen na RaW.

Para justificar suas decisões, Olam e Bunge lembraram do longo período de preços baixos do açúcar, que comprimem os ganhos dos produtores e não oferecem a volatilidade que as tradings precisam para garantir margens. Se essa situação persistir, executivos e analistas dizem que a concentração vai continuar.

"A relação entre estoques e consumo nunca esteve tão ruim. Quando uma situação como essa dura anos e há oferta estressada, a consolidação toma lugar em qualquer mercado de commodity", afirmou Gareth Griffiths, CEO da Alvean, ao Valor. A companhia lidera a comercialização global de açúcar, com uma fatia de 30% do volume de açúcar bruto negociado na safra 2017/18 (encerrada em setembro). É a principal fornecedora para o Oriente Médio e a segunda maior para o Sudeste Asiático.

Também pesa nessa tendência o fato de o mercado de açúcar ser particularmente sensível a decisões políticas de países produtores como as da Índia, onde o governo tem aberto os cofres públicos para subsidiar produção e exportação.

"Nesse mercado, uma canetada muda tudo, tanto preços como fluxos, de onde vai e para onde. Isso dificulta a vida da empresa que precisa de estabilidade e estrutura institucional estável", diz João Paulo Botelho, da consultoria INTL FCStone.

A velocidade e o acesso à informação por cada vez mais agentes tornam a concorrência mais acirrada e também exigem ajustes estratégicos. "Antigamente, a informação vinha mais devagar, dava tempo de especular. Hoje, se não tiver uma atividade especulativa muito bem ajustada, não é possível sobreviver nesse mercado. Tem que ter investimento em análise de oferta e demanda", afirma Luiz Silvestre, diretor comercial da francesa Sucden no Brasil.

Essa maior facilidade no acesso à informação também enfraqueceu as tradings que trabalhavam como meras intermediárias. "As origens conhecem os destinos e os compradores. O papel da trading passou a ser mais de coordenação e contratação de grandes volumes de serviço de logística, seja de terminal ou de navio. As que se mantêm dependem da construção de confiança e relacionamento e se apoiando em contratos de logística", diz Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

No ano passado, por exemplo, a Alvean firmou contrato de longo prazo para fornecer açúcar bruto à Al Khaleej Sugar, dona da maior refinaria de açúcar do mundo, em Dubai. Esse tipo de relação estreita com produtores e compradores pode garantir às tradings a escala necessária para superar as baixas margens atuais e obter retorno.

Para Griffiths, da Alvean, o apoio financeiro e material dos acionistas contribui para que a trading tenha "um forte portfólio de ativos de logística" para operar e uma ampla cobertura de mercados. "É mais fácil de se mover para reduzir custos e proteger margens", afirma ele.

Silvestre, da Sucden, não vê a propriedade de ativos de logística como um fator determinante. O que importa, avalia, é mirar não em volumes, ainda que eles façam diferença, mas em resultados. "O negócio hoje não tem mais o glamour de antigamente, quando os traders viajavam de primeira classe. As coisas mudaram. Em um mercado de margens pequenas, o que faz a diferença é a gestão de custo", afirma.

Outro fator de pressão foi a reorganização da atividade de refino, com o surgimento de refinarias independentes de produtores de açúcar bruto. "Elas conseguiram criar estoques de açúcar bruto consideráveis e hoje determinam a intensidade da demanda, o que também influencia o mercado", avalia Nastari.

Para um executivo que preferiu não se identificar, as características dos países que dominam o mercado de açúcar também não ajudam. "O açúcar é um produto que vai do terceiro para o quarto mundo. Muitos países tem risco de crédito", observa. (Valor Econômico 25/01/2019)

 

Em reunião com ministro, Unica defende importância da biomassa canavieira para o sistema elétrico

Reunião com associações do setor elétrico aconteceu na sede do Ministério de Minas e Energia.

Representantes de aproximadamente 20 associações do setor elétrico nacional estiveram reunidos na quarta (23), em Brasília, com o novo ministro de Minas e Energia (MME), Almirante Bento Albuquerque, para discutir o futuro da matriz elétrica do País. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) esteve presente no encontro enfatizando a sustentabilidade da bioeletricidade sucroenergética e os principais pontos para o avanço desta fonte no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A presidente da Unica, Elizabeth Farina, acompanhada pelo gerente em bioeletricidade da entidade, Zilmar de Souza, apresentou dados que reforçam o papel da biomassa canavieira para a segurança energética do Brasil.

Segundo a entidade, em 2018, o bagaço e a palha da cana ofertaram aproximadamente 21,5 mil GWh para a rede, o suficiente para abastecer 11,4 milhões de residências, evitando a emissão de 6,4 milhões de toneladas de CO2. Esse valor seria equivalente a uma mitigação proporcional ao cultivo de 45 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

“A eletricidade gerada nas caldeiras das usinas sucroenergéticas ajudou a poupar 15% da energia armazenada capaz de ser armazenada nos reservatórios das hidrelétricas do submercado Sudeste/Centro-Oeste, justamente no período seco do ano”, reforça a Unica em comunicado enviado à imprensa.

Durante o encontro, Bento Albuquerque prometeu apoio prioritário à solução para a judicialização no Mercado de Curto Prazo (MCP), por conta de liminares de hidrelétricas questionando o conceito de risco hidrológico e o pagamento de débitos no MCP, que soma uma dívida acumulada de quase R$ 7 bilhões.

O ministro ainda informou que o governo deve apoiar a solução para os débitos referentes ao risco hidrológico no MCP prevista no Projeto de Lei 10.985, que tramita na Câmara, estimando um prazo de 30 dias para solução do tema, contado a partir do retorno do Congresso às atividades legislativas.

A Unica alega que desde 2015, por conta da judicialização no MCP, os produtores à biomassa não conseguem receber adequadamente pela geração excedente à comprometida em seus contratos. A entidade estima que as usinas sucroenergéticas tenham R$ 500 milhões retidos no MCP, afetados por decisões judiciais em processos dos quais nem sequer são parte.

“Na última liquidação no MCP, as usinas à biomassa sem proteção de liminar receberam apenas 2% de seus créditos naquele mercado. Temos oportunidades de produzir excedentes de geração à garantia física das usinas em 2019, mas a judicialização é uma grande barreira a ser resolvida para destravar a produção. Por isto, a importância do comprometimento do Ministério em dar prioridade a esta questão”, afirma Elizabeth Farina.

Durante a reunião, outros pontos importantes abordados foram: a renegociação com a Paraguai das bases financeiras do Tratado de Itaipu; a reforma do setor elétrico brasileiro, que terá por base as propostas discutidas na Consulta Pública MME 33/2017; a necessidade de avaliar os descontos aplicados nas tarifas de uso da rede (TUSD/T) aos consumidores que migram para o ambiente livre e se beneficiam do incentivo dado às fontes renováveis; e a integração no planejamento entre os setores energético e elétrico, citando nominalmente gás, biocombustíveis e a energia elétrica. (Unica 24/01/2019)

 

Tecnologia reduz o processo do plantio da MPB à desdobra do canavial

 Com o auxílio de tecnologias, produtores e usinas buscam revitalizar processos, maximizar recursos e atingir maiores patamares de produtividade.

Aumentar a produtividade da cana-de-açúcar é um dos atuais desafios do setor sucroenergético. Com o auxílio de tecnologias, produtores e usinas buscam revitalizar processos, maximizar recursos e atingir maiores patamares de produtividade.

Nesse contexto, as mudas pré-brotadas (MPB) assumiram um importante papel na renovação e expansão dos canaviais brasileiros, sendo utilizadas em larga escala no plantio de Meiosi (método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente) e Cantose, os quais reduzem o custo com o transporte de mudas e propiciam um melhor controle de qualidade e sanidade da muda a ser plantada, refletindo positivamente no canavial subsequente. 

No processo, espera-se um rápido desenvolvimento das MPB’s e uma alta taxa na desdobra da Meiosi, o que possibilitará o corte e o replantio dessas mudas em um menor período possível e em larga escala (plantio comercial).  

Os produtos da Linha Longevus, desenvolvida pelo Grupo Fertiláqua, contam com ácidos orgânicos e aminoácidos, provendo ação bioestimulante às plantas e reequilíbrio da microbiota do solo, além de contar com um aporte nutricional.

Longevus vem sendo utilizada no processo fabril e no plantio das mudas pré-brotadas, permitindo uma maior taxa de brotação das gemas e enraizamento nos tubetes, minimizando perdas de mudas na sua fabricação. 

Quando no plantio, são tratadas novamente com Longevus, garantindo o pegamento e um rápido desenvolvimento vegetativo e do sistema radicular e elevando o padrão de vigor e uniformidade, o que resultará na redução do tempo de desdobra e estabelecimento do canavial de alta qualidade que o setor precisa.

Resultados obtidos a partir de trabalhos técnicos desenvolvidos pela empresa, apresentaram em média, uma redução de 30 dias para se fazer a desdobra da Meiosi quando utilizado o Longevus.

“Esse processo normalmente leva em torno de sete a oito meses, e a antecipação do estabelecimento do canavial comercial em 30 dias, gera, além de uma alta taxa de desdobra no plantio comercial, muitos benefícios ao setor de produção. Por exemplo: permite plantar em período de melhores condições climáticas para o desenvolvimento das plantas, o que resultará em um canavial com maior brotação inicial, mais vigoroso, com sistema radicular mais robusto e profundo, tornando esse canavial mais produtivo e longevo”, explica Alan Borges, gerente de desenvolvimento da Fertiláqua. (Assessoria de Comunicação 24/01/2019)

 

Produção de cana atinge 46,4 milhões de toneladas em MS

Já na reta final da safra 2018/2019, a moagem de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul alcançou 46,4 milhões de toneladas. O volume registrado até 15 de janeiro é 6% maior com relação ao mesmo período da safra anterior.

Com encerramento oficial da safra no mês de março, a expectativa é atingir em breve o mesmo volume de cana processada na safra passada que foi de 46,9 milhões de toneladas. “Nesse momento estamos a 400 mil toneladas do total de cana processada na safra anterior. Acredito que será possível atingir o mesmo volume, já que em Mato Grosso do Sul, diferente dos outros estados, temos usinas operando até 31 de março”, afirma o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho.

Na segunda quinzena de janeiro, duas das 19 usinas permanecerão moendo no Estado, momento em que a maioria dos Estados produtores do Centro Sul já encerraram a safra atual.

Etanol e Açúcar

A produção de etanol hidratado atingiu 2,3 bilhões de litros, volume 45% maior com relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a produção do etanol anidro segue com queda de 9% com a produção de 766 milhões de litros, 76 mil litros a menos que no ciclo anterior. No total, o Estado produziu mais de 3,1 bilhões de litros de etanol, volume recorde de produção.

De acordo com o acompanhamento da Biosul, a produção de açúcar permanece em baixa, com recuo de 35%. No período acumulado, foram produzidas 933 mil toneladas, enquanto que no mesmo período da safra anterior a produção foi de 1,4 milhão de toneladas.

O mix de produção se mantém no período com 84% da cana destinada a etanol e 16% a açúcar.

ATR

No período acumulado da safra, a quantidade de concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana foi de 134,13 kg, 2,7% acima do registro na safra passada. (Biosul 24/01/2019)