Setor sucroenergético

Notícias

Cartel de combustível

O tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspendeu ontem, após pedido de vista, o julgamento de um processo em que figuram como representados Petrobras Distribuidora, Raízen, Ipiranga e postos de combustível pela prática de cartel na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

O relator do caso sugeriu que elas paguem multas somadas de R$ 52,2 milhões.

O processo administrativo foi aberto em abril de 2010 para apurar supostas infrações contra a ordem econômica no mercado de distribuição e revenda na capital mineira e em Contagem e Betim entre outubro de 2006 e julho de 2008.

As condutas teriam sido praticadas por uma associação, além de 55 empresas e 24 pessoas físicas. (Valor Econômico 31/01/2019)

 

Südzucker corta custos e reestrutura área de açúcar

A crise que atinge os produtores de açúcar por causa dos baixos preços internacionais levou a líder do segmento na Europa, a alemã Südzucker, a anunciar um plano que prevê corte de custos e enxugamento de sua atuação no ramo, com o objetivo de economizar em torno de 100 milhões por ano.

No total, a empresa faturou 5,2 bilhões nos três primeiros trimestres da safra 2018/19, 2,1% menos que no mesmo período da temporada anterior. No negócio de açúcar, as vendas caíram 12,3%, para 2 bilhões, houve prejuízo operacional de 83 milhões e a margem operacional foi negativa de 4%. Os resultados refletem sobretudo os baixos preços, mas também uma estiagem que afetou os volumes exportados no terceiro trimestre.

A Südzucker não deu detalhes das medidas aprovadas ontem por seu conselho de administração, mas mencionou a possibilidade de fechar fábricas para “adaptação de capacidade” e uma redução da produção em até 700 mil toneladas. No ciclo 2017/18, a companhia produziu 5,9 milhões de toneladas de açúcar a partir do processamento de 36 milhões de toneladas de beterraba.

A companhia conta com 29 usinas de açúcar e duas refinarias espalhadas por França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Romênia, Hungria, Bósnia, Moldávia. Além disso, possui 35% de participação na trading ED&F Man. Nos três primeiros trimestres da safra atual, a área de açúcar era o que mais empregava na Südzucker, 8.269 trabalhadores.

A implementação do plano de reestruturação ainda dependeda aprovação de um conselho de supervisão, que se reúne nesta quarta-feira para avaliar a questão. Se aprovadas, as medidas deverão começar a ser adotadas “nas próximas semanas”, informou a múlti, em nota.

Já é a segunda safra de resultados ruins para a Südzucker no negócio de açúcar. Em apresentação a investidores sobre os resultados do terceiro trimestre da temporada, a companhia informou que a redução dos custos de produção não estava sendo suficiente para compensar os níveis historicamente baixos dos preços do açúcar na União Europeia.

Na ocasião, a companhia previu que o negócio de açúcar encerraria a safra com um prejuízo operacional ainda maior que o acumulado até o terceiro trimestre, de entre 150 milhões e 250 milhões.

A situação da Südzucker é mais um indicativo de como os baixos preços do açúcar estão fustigando os produtores em diversas partes do mundo e desencadeando ajustes na oferta. Na Europa, a tonelada do açúcar era negociada por 320 em outubro de 2018, início da safra internacional 2018/19, abaixo do antigo preço de referência de 404 a tonelada, aplicado na época das cotas de produção.

Os baixos preços do açúcar têm pressionado toda a cadeia produtiva na Europa, desestimulando o plantio de beterraba. Ainda no ano passado, a Comissão Europeia já previa uma redução de 9% na produção de açúcar na União Europeia, para 19,2 milhões de toneladas. (Valor Econômico 29/01/2019 às 16h: 26m)

 

Biosev desmente boatos sobre venda de usinas em Mato Grosso do Sul

No início da semana, informações publicadas e compartilhadas na internet informaram que a Biosev S.A, empresa da multinacional Louis Dreyfus Group, venderia todas unidades do grupo no Brasil, colocando em alerta o setor produtivo da cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul.

No estado, a empresa conta com duas unidades em funcionamento no município de Rio Brilhante (Rio Brilhante e Passa Tempo), que, juntas, possuem capacidade de processamento de 8,3 milhões de toneladas e geram muitos empregos na região.

A assessoria de comunicação da companhia, entretanto, afirmou que a Biosev não tem intenção de sair do país e nem de vender as unidades instaladas em território sul-mato-grossense.

“No contexto do programa de competitividade operacional, a Biosev pode eventualmente ter o apoio de parceiros externos para prestar serviços de consultoria e assessoria financeira e apoiá-la na análise e execução de tais potenciais alternativas estratégicas em relação a todo o seu portfólio de ativos. No momento, não há nenhuma negociação em andamento para a venda de outras unidades produtivas”, esclarece em nota oficial.

O documento explica ainda que a atividade industrial de Maracaju foi suspensa em novembro de 2017, com objetivo de reduzir custos. O ativo biológico foi direcionado para as unidades de Rio Brilhante.

Em 2018, a Biosev vendeu duas de suas unidades. A Usina Estivas, em Arês (RN), foi adquirida pela Pipa Agroindustrial por R$ 203,6 milhões. Já a Usina Giasa passou para o controle do Grupo Olho D’Água por R$ 70 milhões. (Correio do Estado de MS 30/01/2019)

 

Usineiros indianos pedem preço mais alto de açúcar para quitar dívidas com canavieiros

Fábricas de açúcar devem cerca de US$ 2,7 bilhões aos produtores de cana.

Em 31 de dezembro, usinas tinham 83% mais estoques do que no ano anterior

De acordo com fontes ligadas ao mercado, as usinas de açúcar na Índia estão pedindo ao governo que aumente o preço de referência da commodity para ajudá-las a pagar cerca de US$ 2,7 bilhões aos agricultores.

A Indian Sugar Mills Association (Isma) enviou uma carta ao governo pedindo que o preço mínimo de venda por quilo seja aumentado das atuais 29 rúpias para um valor de 35 a 36 rúpias (US$ 0,49 a US$ 0,51) nas fábricas, ajudando as usinas a melhorar seu fluxo de caixa. Abinash Verma, diretor geral da associação, não pôde ser contatado imediatamente para um comentário.

Os estoques de açúcar na Índia, que deve se tornar o maior produtor mundial da commodity, quase dobraram, chegando a 15,4 milhões de toneladas em 31 de dezembro de 2017, de acordo com dados da Isma. Preços locais mais elevados farão com que as usinas vendam mais no mercado interno e potencialmente reduzam as exportações, dando suporte aos preços globais. As usinas também estão sob pressão, uma vez que os produtores de cana em busca de pagamentos únicos dos processadores realizaram protestos violentos no início deste mês.

As usinas indianas deviam cerca de 190 bilhões de rúpias aos agricultores até 31 de dezembro de 2018. A taxa pode subir para até 350 bilhões de rúpias se o fluxo de caixa não melhorar, disse a fonte consultada pela Bloomberg.

A batalha

As usinas têm lutado para compensar os pagamentos pendentes, já que seu custo de produção é maior do que o preço de venda estabelecido pelo governo, de acordo com o documento que a Bloomberg teve acesso. Um aumento no preço de referência não apenas melhorará as receitas das usinas, mas também aumentará o valor de seus estoques, o que pode levar os bancos a aumentar os empréstimos para usinas de açúcar e aumentar os fluxos de caixa em 200 bilhões de rúpias nos próximos três meses.

Sobre as exportações, o governo deveria penalizar as usinas se elas não exportarem açúcar de acordo com a cota do governo. Os embarques de açúcar do país podem totalizar de 3 a 3,5 milhões de toneladas em 2018/19, segundo o grupo de usineiros, menor que a quota do governo para 5 milhões de toneladas.

As usinas se comprometeram a embarcar cerca de 1,4 milhão de toneladas de açúcar até agora em 2018/19 para países como Bangladesh e para a região do Oriente Médio, segundo Adhir Jha, diretor executivo da Indian Sugar Exim Corp. (Bloomberg 29/01/2019)

 

China retoma compra de açúcar do Brasil e dá ânimo ao setor

Após compra de 56 mil toneladas no primeiro semestre de 2018, os chineses importaram 733 mil no segundo.

As exportações brasileiras de açúcar para a China somaram 790 mil toneladas no ano passado, 132% mais do que em 2017. O número parece bom, mas foi 95% inferior ao da média anual das exportações de 2011 a 2016.

Em 2013, o Brasil chegou a exportar 3,5 milhões de toneladas de açúcar para a China. A redução das compras vinha ocorrendo há dois anos. No primeiro trimestre do ano passado, caiu para apenas 56 mil toneladas.

O avanço do açúcar brasileiro no mercado chinês em anos anteriores fez o país asiático colocar pesadas taxas de importação sobre o produto nacional. A alíquota ficou próxima de 95%, o que inviabilizou as compras da commodity brasileira pelas tradings que abastecem o mercado chinês.

No segundo semestre do ano passado, o cenário melhorou. Os chineses reduziram as alíquotas sobre a commodity brasileira e impuseram taxas também aos demais produtores mundiais.

A alíquota brasileira ficou no patamar da dos demais exportadores e o Brasil voltou a ganhar competitividade no mercado da China. A queda do preço do açúcar e a redução tributária recolocaram as tradings no mercado nacional de açúcar.

Preço e logística novamente compensaram as compras no Brasil. Além disso, o açúcar brasileiro tem qualidade superior à dos demais países, o que reduz os custos dos importadores durante o refino. Os números do segundo semestre do ano passado já indicaram um cenário um pouco diferente.

As exportações do período subiram para 733 mil toneladas e o mercado aposta em uma continuidade das importações chinesas. Se a China repetir nos dois semestres deste ano o número de julho a dezembro de 2018, ela poderá ajudar na recuperação das exportações brasileiras.

Em 2017, o país havia colocado 29 milhões de toneladas no mercado externo. Em 2018, foram 21 milhões, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Em receitas, as exportações totais do ano passado somaram US$ 6,5 bilhões, bem abaixo dos US$ 11,4 bilhões de 2017. Já a China gastou US$ 217 milhões com compra de açúcar no Brasil em 2018. (Folha de São Paulo 30/01/2019)

 

BNDES aumenta limite de financiamento do Prorenova para R$ 150 milhões

Elevação de 650% objetiva incentivar a produtividade agrícola no país; solicitações devem ser feitas até 14 de junho

O Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (Prorenova), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e voltado exclusivamente para renovação e implantação de canaviais pelas usinas, foi atualizado na última quarta-feira (23) e, agora, oferece maior limite de financiamento.

Por meio de circular que entra em vigor amanhã (29), o banco divulgou que o limite por operação de financiamento do programa, que antes era de R$ 20 milhões, passa a ser R$ 150 milhões, um aumento de 650%. Neste caso, as operações contarão com apoio indireto, feito por meio de uma instituição financeira credenciada. Já as solicitações que ultrapassem este montante terão apoio direto do banco ou indireto não-automático.

Além disso, o BNDES segue tendo participação máxima de 80% do valor financiável do projeto, sendo que os 20% restantes devem ser preenchidos com recursos próprios das usinas. Atualizado para a safra 2018/19 em agosto do ano passado, o Prorenova solicita que os produtores enviem os pedidos de financiamento até 14 de junho, com reapresentações até 28 do mesmo mês, respeitando o limite orçamentário estabelecido.

Investimentos em baixa

Mesmo sendo um incentivo para investimento nos canaviais, os financiamentos do BNDES refletem a crise do setor e têm caído nos últimos anos.

No primeiro semestre de 2018, os desembolsos foram 82% menores do que na mesma época do ano anterior. Como a primeira metade do ano geralmente concentra as operações, o BNDES apostava em um resultado total bem menor do que os R$ 234 milhões computados em 2017.

O volume efetivamente repassado pelo BNDES vem caindo há alguns anos. Em 2015, foram R$ 554 milhões, enquanto em 2016 foram R$ 296 milhões. Desde que foi lançado, em 2012, o Prorenova já desembolsou quase R$ 5 bilhões, viabilizando o plantio de mais de 1,5 milhão de hectares de canaviais, segundo o banco.

As modificações que vêm sendo feitas no programa nos últimos anos pretendem reverter os baixos investimentos, incentivando não só as operações diretas como as indiretas, que acontecem por meio de agentes financeiros.

Em 2018, o prazo de pagamento do Prorenova subiu de seis para sete anos, com o limite de financiamento passando para 80% do valor do plantio por hectare, versus 60% no programa anterior.

Detalhes do programa

O montante investido pelo governo nos canaviais brasileiros pode ser usado exclusivamente para tratos culturais associados ao plantio de variedades protegidas ou de clones potenciais de cana-de-açúcar (cana planta).

Em caso de financiamentos de no máximo R$ 150 milhões, as condições envolvem taxa de longo prazo (TLP) acrescida de 1,45% ao ano para o BNDES e até 2,25% ao ano para a instituição financeira credenciada. O prazo de pagamento é de 84 meses (sete anos), com carência máxima de 18 meses. No período de carência, os juros podem ser pagos a cada um, três ou seis meses. A data-base para contagem do prazo total e de carência será de 15 dias após a formalização do crédito.

Já para solicitações acima de R$ 150 milhões, a taxa de juros passa a ser composta pela TLP, pela taxa do BNDES e pela taxa de risco de crédito, que é variável conforme o risco do cliente e os prazos do financiamento.

De acordo com o banco, os beneficiários podem ser produtores rurais de cana, cooperativas ou pessoas jurídicas que produzem açúcar ou etanol e que tenham sua atividade principal relacionada ao plantio de cana, sejam elas usinas, destilarias, cooperativas de produção ou de produtores e entidades societárias por cota.

Os pedidos devem ser feitos exclusivamente pelo Sistema de Processamento de Fichas Resumo de Operação via internet (Sistema FRO Eletrônica). (Nova Cana 29/01/2019)