Setor sucroenergético

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Bagaços da Lava Jato

Em recuperação judicial, a usina sucroalcooleira São Fernando, de Dourados (MS), teria demitido mais de 300 funcionários nos últimos três meses.
É mais um capítulo do calvário da empresa pertencente à família de José Carlos Bumlai, o "amigo" de Lula preso e condenado pela Lava Jato. (Jornal Relatório Reservado 04/02/2019)
 

Lone Star e Castlelake tentam tomar posse da cana e do caixa da Atvos (ex-Odebrecht Agro)

O Lone Star Funds e o Castlelake, credores da unidade de etanol da Odebrecht, pediram à justiça a penhora de 30% da sua produção de cana-de-açúcar, dada como garantia em um empréstimo que esses fundos fizeram à empresa, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
Na última quarta-feira, os fundos também pediram a um tribunal para tomar posse do caixa da subsidiária Atvos, disseram as fontes, pedindo para não serem identificadas porque o assunto é privado. Lone Star e Castlelake detêm cerca de US$ 300 milhões em créditos da Atvos.
A Atvos está reestruturando seus R$ 10 bilhões em dívidas e considerando oferecer aos credores ações em troca de dívida, disse o presidente Luiz de Mendonça em 15 de janeiro. “Todas as possibilidades estão sendo consideradas, mas nada foi decidido ainda”, disse Mendonça na ocasião.
Os principais credores da empresa são os bancos locais, que poderiam tomar o controle da Atvos se a troca da dívida por ações acontecer dado o montante da dívida que eles detêm, disse uma das pessoas consultadas.
A Atvos, que administra a maior plantação de cana-de-açúcar do Brasil, disse que suas operações “estão preservadas e continuam normalmente”, acrescentando que está em negociações “estruturantes” com seus credores financeiros.
“A execução promovida por um desses credores faz parte de um processo mais amplo, sendo certo que todos estão imbuídos para concluir a reestruturação satisfatoriamente e com celeridade”, disse a empresa.
A Lone Star preferiu não comentar e o Castlelake não respondeu imediatamente a um e-mail.
Tentativa anterior
Esta é a segunda vez que os dois fundos tentam tomar a produção de cana-de-açúcar e o caixa da Atvos. Um pedido anterior foi negado por um juiz de São Paulo em 10 de janeiro, de acordo com informações publicadas no site do tribunal.
A Lone Star, empresa de investimento sediada em Dallas e fundada pelo bilionário John Grayken, e a Castlelake emprestaram US$ 250 milhões à Atvos no final de 2017 para serem usados como capital de giro e para investimentos, segundo as fontes. Mas a empresa em dificuldades parou de pagar juros em dezembro do ano passado, disseram. Cerca de R$ 40 milhões não foram pagos, disse uma das pessoas, acrescentando que as taxas de juros para os empréstimos são de até 19% ao ano em dólares.
A Atvos, anteriormente conhecida como Odebrecht Agroindustrial, concluiu uma reestruturação de dívida de R$ 11 bilhões em 2016, que alongou seus vencimentos para 13 anos.
A controladora, que também está reestruturando dívidas enquanto luta para se recuperar dos laços com a investigação da Lava Jato sobre corrupção, forneceu uma injeção de R$ 4 bilhões à Atvos em 2016 e deu parte de suas ações na Braskem como garantia para um empréstimo a banqueiros, disse uma pessoa na época. Outros R$ 2 bilhões em ativos de energia foram dados como garantia aos bancos brasileiros, disse a pessoa. (Bloomberg 04/02/2019)
 

São Martinho e Raízen investem em tecnologia no campo para aumentar eficiência em 20%

Desafio é produzir mais na mesma área e manter a agricultura sustentável.
O investimento em internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) no meio rural deve chegar a R$ 100 milhões na safra de 2018/2019, segundo a Associação Brasileira da Internet das Coisas (Abinc).
Somados os recursos destinados a IoT aprovados pelo BNDES e verbas de pesquisas para irrigação inteligente, do consórcio Brasil-Europa, que inclui a Embrapa, o valor sobe para R$ 130 milhões.
Com mais recursos e inovações, o incremento na produtividade pode atingir até 20%, dependendo da região e do cultivo, avaliam entidades dos setores de agronegócio, tecnologia e financiamento rural.
“Equipamentos, sensores, serviços e plataformas que processam resultados como condições de solo e clima, qualidade da planta e desempenho da frota de veículos agrícolas têm impacto direto na produtividade”, diz Herlon Oliveira, diretor da Abinc.
As exportações agropecuárias chegaram ao recorde de US$ 101,7 bilhões (R$ 371,3 bi) em 2018, com aumento de 6% sobre 2017. Neste ano, o Brasil deverá colher 237,3 milhões de toneladas de grãos em 15 culturas, um aumento de 9,5 milhões de toneladas em relação à safra anterior (4,2% a mais) e alta de 3% na produtividade, segundo previsão da Conab.
Com o clima favorável esperado para este ano, o PIB do agronegócio também deve crescer: 2%, na previsão da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
“Produzir mais na mesma área e manter a agricultura sustentável é o grande desafio”, avalia Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.
A São Martinho, maior usina de processamento de cana do mundo, em Pradópolis (SP), está implementando uma rede de 4G para garantir a transmissão de dados das operações agrícolas já na safra deste ano. Os dados são processados por ferramentas digitais baseadas em big data e inteligência artificial.
O projeto em teste, em parceria com o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), prevê o uso de tecnologias para rastrear online dados que permitem melhorar a logística e prever falhas de equipamentos.
“Esperamos uma redução de R$ 2 a R$ 3 por tonelada de cana quando o projeto estiver 100% implementado”, afirma Agenor Cunha Pavan, vice-presidente e superintendente da São Martinho.
Isso significa uma economia de até R$ 72 milhões, considerando a capacidade máxima de processamento das quatro usinas da companhia, de 24 milhões de toneladas.
Na mesma linha, as empresas Ericsson, Vivo e Raízen (produtora de etanol e açúcar) se uniram, em parceria com a EsalqTec (USP), para incentivar o desenvolvimento de IoT aplicada à agricultura.
Uma rede móvel 4G foi levada ao campo, utilizando a frequência de 450 Mhz, que permite cobertura em distâncias mais longas para resolver os problemas de conectividade em áreas rurais.
Seis startups escolhidas para o projeto vão desenvolver soluções de IoT em plantações da Raízen, na região de Piracicaba (SP), que depois serão levadas ao mercado.
Das cerca de 5 milhões de propriedades rurais no Brasil, 88% são de agricultura familiar. “A parceria entre empresas e startups tem sido importante para ligar os menores a tecnologias que permitem ter ganhos na produção e na qualidade do produto”, ressalta Silvia Massruhá.
A Agrosmart, startup que atua no controle de pragas e monitoramento de solo, tem parceria com a Coca-Cola no Espírito Santo, onde pequenos produtores de goiaba sofriam com a escassez de água.
Hoje, sensores medem a quantidade necessária de água para a fruta, além de prever secas ou chuvas intensas na região. “O produtor e a empresa ficam sabendo, por exemplo, se a safra será menor do que o esperado, e permite ajustar a produção”, diz Raphael Pizzi, diretor da Agrosmart. O projeto deve ser expandido para outras frutas, como maracujá e laranja.
Nas lavouras de café do sul de Minas, dispositivos inteligentes monitoram uma área de 600 hectares para evitar que a ferrugem, principal doença cafeeira, se espalhe.
As perdas causadas por pragas e doenças na agricultura chegam a R$ 55 bilhões, de acordo com a Embrapa.
Nas fazendas que produzem água de coco Obrigado, na Bahia, um sistema de irrigação inteligente atua em uma área 1.500 hectares. Ele mapeia o teor de argila do solo e a necessidade de água em cada tipo de talhão, além de mensurar a necessidade de nutrientes.
O consumo de energia caiu em torno de 20%, mesmo com aumento da tarifa. A produção cresceu 34% entre 2017 e 2018 na mesma área, resultado de todas as soluções adotadas, inclusive as de IoT, diz Luis Carlos dos Santos Pereira, diretor agrícola da Obrigado.
“A média nacional é de 60 frutos por coqueiro. Aqui já temos plantas em que colhemos 240. A nossa média geral é de 132 frutos por planta/ano”, completa.
O BNDES escolheu nove projetos-piloto na área rural para receber investimentos em torno de R$ 10 milhões, segundo Artur Milanez, gerente do departamento agroalimentar e de biocombustíveis. O valor investido chega a R$ 23 milhões se considerados os recursos de instituições parceiras.
“A proposta também é gerar oportunidades para o Brasil se posicionar como exportador de tecnologias para outros países de agricultura tropical”, diz o executivo do BNDES. (Folha de São Paulo 04/02/2019)
 

Açúcar: Realização de lucros

Um movimento de realização de lucros derrubou as cotações do açúcar bruto na última sexta-feira. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros com entrega para maio recuaram 16 pontos, cotados a 12,65 centavos de dólar por libra-peso.
Os investidores aproveitaram a sexta-feira para embolsar os ganhos do dia anterior, quando as cotações do açúcar subiram fortemente em reação à decisão do Federal Reserve (Fed) de pôr fim ao movimento de alta dos juros.
A medida valorizou o real perante o dólar, o que desestimula as exportações do Brasil e, portanto, impulsiona as cotações.
No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 69,73 por saca na sexta-feira, alta de 0,8%.
No porto de Santos, o indicador Esalq/ BM&F ficou em R$ 69,11, alta de 0,25%. (Valor Econômico 04/02/2019)
 

Fundo de investimentos solicita a penhora de ativos e caixa da Atvos

Um credor da Atvos, novo nome da Odebrecht Agroindustrial, pediu nesta semana a penhora de ativos e de caixa da empresa para a quitação de dívidas. O fundo de investimentos americano Lone Star tem debêntures emitidas pela companhia que representam cerca de R$ 1 bilhão.
A dívida total da empresa é de cerca de R$ 11 bilhões. Desses, aproximadamente R$ 9 bilhões estão com bancos brasileiros, que negociam uma saída com a Odebrecht.
O Lone Star protocolou pedido de penhora de ativos reais, como cana-de-açúcar, e também do caixa da companhia, segundo pessoas que acompanham as negociações.
O comportamento tem sido agressivo, de acordo com conversas dentro da Atvos.
Na Odebrecht, avalia-se que a estratégia do fundo é fazer um “take over” (tomada hostil de controle). A unidade tem uma capacidade de moagem de 36 milhões de toneladas de cana. A dívida do grupo é de ao menos R$ 70 bilhões.
A coluna da Folha de São Paulo não conseguiu contato com o fundo. (Folha de São Paulo 01/02/2019)
 

Preço do etanol hidratado recua 1,79% e anidro cai 0,49% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 1,79% esta semana, de R$ 1,5590 o litro para R$ 1,5231 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
O valor do etanol anidro, por sua vez, caiu 0,49%, de R$ 1,7421 o litro para R$ 1,7335 o litro, em média. (Reuters 04/02/2019)
 

Banco MUFG busca grandes do agronegócio para crescer

Para atrair empresas como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, a filial brasileira oferece produtos escassos por aqui.
O Banco MUFG Brasil quer emprestar mais dinheiro ao agronegócio que atua no Brasil. Para atrair empresas como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus – que costumam tomar recursos no exterior –, a filial brasileira oferece produtos escassos por aqui, como desconto de recebíveis, que nada mais é do que um adiantamento ao exportador do que ele irá receber do importador. “São poucos (os bancos) que oferecem isso porque é preciso estrutura lá fora para avaliar o comprador”, diz Victor Carneiro, responsável pela área de agronegócios do MUFG Brasil. Além de tradings, a instituição também está de olho em projetos envolvendo fusões e aquisições de empresas de agroquímicos. A expectativa é elevar a receita de US$ 1,7 bilhão em 2018 para US$ 2,1 bilhões em 2019.
Diversifica
Multinacionais do agro são o segundo maior grupo de clientes do MUFG Brasil. O primeiro lugar é ocupado por companhias sucroenergéticas e, na terceira posição, estão empresas de produção de grãos. Em todos os casos, a prioridade não é ter muitos, mas seletos clientes e, para eles, oferecer diversos serviços. Em 2018, 30 companhias do setor foram atendidas. Para este ano, Victor Carneiro espera chegar a 40. Por trás do otimismo está também a promessa do novo governo de adotar políticas econômicas liberais.
Sonho distante
Agricultores de Mato Grosso sepultaram a ideia de criar um fundo para financiar a Ferrogrão depois que a Assembleia Legislativa do Estado aprovou, há duas semanas, um “novo” Fethab, fundo para obras de infraestrutura e ações em outras áreas. Com uma carga tributária maior sobre o setor, a contribuição para a construção da Ferrovia, que a princípio seria obrigatória, agora deve ser voluntária, diz Edeon Vaz Ferreira, diretor executivo do Movimento Pró-Logística. O número de produtores contribuintes deve diminuir. “Os médios e grandes tendem a participar mais que os pequenos”, prevê.
Só em 2027
Apesar da ansiedade para que saia do papel, a ferrovia só deve se tornar realidade em oito anos, adverte Ferreira. Caso o edital de licitação seja lançado até o fim do ano, como sinalizou na semana passada o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, serão mais dois anos para o projeto executivo e licenciamento ambiental (2021), outros cinco para a construção (2022 a 2026), com o início da operação em 2027, relata o diretor executivo. A Ferrogrão transportará grãos por 933 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), de onde partem barcaças para portos da região.
Pelo Norte
A Hidrovias do Brasil firmou em dezembro contrato de três anos para movimentar 250 mil toneladas anuais de fertilizantes pelo seu Terminal de Uso Privado (TUP) em Vila do Conde (PA). De olho no potencial da operação pelo Arco Norte, a empresa projeta investir R$ 451 milhões para ampliar o terminal. A obra, que deve durar dois anos, ainda aguarda aprovação de órgãos do governo. Além da maior movimentação de fertilizantes, o investimento permitirá à empresa começar a operar gases, líquidos e produtos químicos pelo terminal.
Une forças
A Mosaic fechou parceria com a Cooperfértil para fornecer matéria-prima e industrializar adubos nas unidades da cooperativa em São Paulo a partir de maio. Parte do insumo produzido abastecerá as necessidades da Coopercitrus e da Copercana, cooperativas que controlam a Cooperfértil. A parceria permitirá à Mosaic aumentar o portfólio de produtos premium e a produção de fertilizantes para cana-de-açúcar. A empresa quer ampliar sua participação no mercado paulista de 14,5% para 17% já em 2019.
Ritmo menor
Eduardo Monteiro, diretor de Distribuição da Mosaic, prevê para o produtor resultados positivos, mas não tão bons como no ano passado, quando as margens de lucro foram beneficiadas por alta do dólar, quebra de safra na Argentina e conflito comercial entre Estados Unidos e China.
No aguardo
A comercialização de fertilizantes, porém, vai demorar um pouco para deslanchar, diz Monteiro. No 1.º trimestre, o setor produtivo adia as compras na esperança de derrubar a tabela de frete. O temor de que as vendas de soja se enfraqueçam com um possível acordo entre EUA e China também inibe a aquisição do insumo.
Pé na feira
O Santander vai apostar nas feiras agropecuárias em 2019 para incrementar seus resultados junto ao agronegócio. O banco estará presente em 11 feiras e espera ver crescer em mais de 10% as propostas de financiamento. Nem mesmo a possível alteração nas regras do Moderfrota desanima a instituição, otimista com a perspectiva de uma grande safra de grãos no Brasil.

Vale o investimento. Só no ano passado, os negócios nas feiras superaram em 35% o resultado de 2017. Isso porque o banco, desde 2016, não cobra taxa de comissão, uma tarifa que geralmente incide sobre o valor total da compra de uma máquina ou equipamento. A equipe de riscos também foi reforçada para dar assistência ao produtor durante o evento. (O Estado de São Paulo 04/02/2019)