Setor sucroenergético

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Com demanda de R$ 5,5 bi, Cosan levanta R$ 1,7 bi para financiar OPA da Comgás

A Cosan atraiu demanda de mais de três vezes ou R$ 5,5 bilhões ontem para sua emissão de debêntures, cujos recursos vão financiar a oferta de compra de ações para fechar o capital da Comgás, sua controlada. Foram captados R$ 1,7 bilhão e, com o elevado interesse dos investidores em ficar com os papéis, a taxa de remuneração para os investidores caiu da proposta de 109% para 106% do CDI. A OPA ocorre no próximo dia 8 de março. A Cosan não comentou. (O Estado de São Paulo 27/02/2019)

 

Açúcar: Fôlego momentâneo

Recuperando parte das perdas da véspera, os preços café arábica subiram ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes com vencimento em maio fecharam a 98,95 centavos de dólar a libra-peso, subindo 215 pontos.

De acordo com o analista Thiago Cazarini, da Cazarini Trading Company, a queda pode ter sido reflexo de um teste do nível de suporte dos preços.

A cotação chegou a 96,80 centavos de dólar a libra-peso, o menor patamar desde 18 de setembro de 2018 para os contratos de maio. Rodrigo Costa, diretor da trading Comexim USA, afirma que o mercado tem a percepção de que o café vive um momento de oferta confortável já há algum tempo.

Apesar da recuperação, os analistas esperam novas baixas.

O indicador de café arábica Cepea/Esalq ficou em R$ 397,40 a saca, alta de 0,27%. (Valor Econômico 28/02/2019)

 

Unica acredita que desfecho de painel na OMC contra Índia será favorável ao Brasil

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) considera positiva a abertura de painel contra a Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC), anunciada nesta quarta-feira, 27, pelo governo brasileiro.

“Estamos seguros de que as atuais práticas indianas violam as regras de comércio e que o desfecho de um painel será favorável para o Brasil. Mas temos esperança de que esse anúncio permita uma reavaliação do regime açucareiro por parte do governo daquele país e que possa considerar formas menos distorcidas de apoio ao setor, como a diversificação do uso da cana”, disse, em comunicado, o diretor executivo da entidade, Eduardo Leão.

O executivo afirma, ainda, que um bom exemplo dessa diversificação é o programa de etanol brasileiro, que oferece ao produtor de açúcar local uma interessante alternativa ao seu negócio, reduzindo o seu risco com base nas condições de mercado de ambos os produtos.

“Em função desse programa, o Brasil deixou de produzir quase 10 milhões de toneladas de açúcar na atual safra, priorizando o biocombustível e evitando um colapso ainda maior no mercado internacional de açúcar. “Temos experiência de mais de 4 décadas no uso em larga escala de etanol combustível e, se necessário, estamos prontos para cooperar com os produtores indianos visando ao fortalecimento do seu programa do biocombustível”, conclui Leão.

Segundo a Unica, a política indiana para o açúcar tem sido motivo de grande preocupação para todos os países produtores e exportadores. Em meados de 2018, a Índia anunciou um pacote de medidas de apoio aos produtores locais e subsídios às exportações para até 5 milhões de toneladas de açúcar, o que ampliou ainda mais a queda dos preços internacionais do produto. Em 2018, o açúcar teve as menores cotações dos últimos 10 anos, com uma queda de quase 30% no preço ao longo do último ano. (Agência Estado 27/02/2019)

 

Bayer registra aumento nos lucros após compra da Monsanto e cortes de custos

A compra de 63 bilhões de dólares da fabricante de sementes norte-americana Monsanto pela Bayer AG deixou sua marca nos ganhos da empresa alemã no quarto trimestre, ampliando os lucros e deixando um bom presságio para a temporada de pico de seus negócios em agricultura.

Entretanto, os crescentes riscos de litígios relacionados à Monsanto ainda deixam sombras sobre o aumento de 15,8 por cento dos lucros ajustados, que foram inflacionados ao agregarem o grupo norte-americano e ajudados pelos cortes de custos da Bayer em seu negócio de assistência médica.

A empresa de farmacêuticos e de pesticidas agrícolas declarou que seus lucros ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foram de 2,07 bilhões de euros (2,4 bilhões de dólares), superando os 2 bilhões de euros da média das previsões de analistas.

Analistas afirmaram que isso demonstra sinais precoces de recuperação, após anos de fraqueza na demanda, o que ocorreu em parte também por conta de pagamentos pela BASF, que adquiriu alguns dos negócios agrícolas da Bayer em um acordo que a ajudou a conseguir a aprovação antitruste para a compra da Monsanto. (Reuters 27/02/2019)

 

Usina da Cofco em Catanduva (SP) é multada em quase R$ 10 mil por crime ambiental

Funcionários da empresa foram flagrados enterrando árvores em área arrendada por usina. Usina Cofco disse que lamenta o ocorrido e que iniciou uma investigação interna para apurar o caso.

Máquinas que eram utilizadas no crime foram apreendidas

A Usina Catanduva, da Cofco, foi multada em quase R$ 10 mil por crime ambiental, nesta quarta-feira (27). A unidade está localizada no município paulista de mesmo nome.

De acordo com as informações da Polícia Ambiental, funcionários da empresa foram flagrados enterrando 11 árvores naturais em uma área arrendada pela usina em Ibirá (SP), onde a terra era preparada para o plantio de cana-de-açúcar.

Ainda segundo a polícia, além das árvores arrancadas, outras 20 foram danificadas durante a ação. Máquinas que eram utilizadas no crime foram apreendidas.

A Cofco disse que lamenta o ocorrido e que iniciou uma investigação interna para apurar o caso e punir os responsáveis. Disse ainda que preza pela sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. (G1 27/02/2019)

 

Preço do açúcar avança na ICE e maio é negociado a 12,97 cents/libra

Os futuros do açúcar na ICE se recuperaram nesta quarta-feira (27). O contrato maio do açúcar bruto fechou em alta de 0,12 centavo, ou 0,9 por cento, a 12,97 centavos por libra-peso, após operar dentro do intervalo da última sessão.

Os futuros têm operado em intervalos limitados antes do vencimento do contrato março na quinta-feira. Negociadores antecipam um misto de açúcar brasileiro, indiano, centro-americano e tailandês na entrega.

O governo brasileiro pediu à Organização Mundial do Comércio que inicie uma consulta a respeito dos subsídios à indústria açucareira da Índia, que o país sul-americano vê distorcerem o comércio global.

O contrato maio do açúcar branco fechou em alta de 2,80 dólares, ou 0,8 por cento, a 350,60 dólares a tonelada. (Reuters 28/02/2019)

 

Brasil e Austrália formalizam consulta na OMC sobre subsídio ao açúcar da Índia

 Os governos de Brasil e Austrália apresentaram formalmente nesta quarta-feira um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar os subsídios ao setor de açúcar na Índia, e a expectativa, inclusive na indústria, é de que uma solução possa ser alcançada sem a necessidade de abertura de painel.

Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores do Brasil disseram que o questionamento foi aberto no Sistema de Solução de Controvérsias da OMC. No entendimento do governo brasileiro, "a recente ampliação dos subsídios indianos tem causado impactos significativos no mercado mundial de açúcar".

"O pedido de consultas é a primeira etapa formal de um contencioso na OMC. O governo brasileiro tem expectativa de que as consultas com o governo indiano contribuam para o equacionamento da questão", destacou o comunicado.

Mesma esperança tem a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que no ano passado apresentou estudo em que se calcula potencial perda de mais de 1 bilhão de dólares em receita para o setor sucroenergético do Brasil, o maior exportador global de açúcar, devido ao excedente indiano no mercado gerado via subsídios.

"Estamos seguros de que as atuais práticas indianas violam as regras de comércio e que o desfecho de um painel será favorável para o Brasil. Mas temos esperança de que esse anúncio permita uma reavaliação do regime açucareiro por parte do governo daquele país e que possa considerar formas menos distorcivas de apoio ao setor, como a diversificação do uso da cana", disse o diretor-executivo da Unica, Eduardo Leão, também em nota.

De acordo com a Unica, na atual safra 2018/19 a participação do Brasil nas exportações globais de açúcar caiu para perto de 30 por cento, após oscilar acima de 40 por cento nas últimas temporadas.

A exportação menor de açúcar do Brasil em 2018/19 ocorre após o país ter produzido menos, ao destinar mais cana para a produção de etanol, mais rentável.

A queda na produção brasileira do adoçante deve superar 15 por cento na safra atual, ao menor volume em cerca de dez anos, segundo dados do governo.

A Índia, ao contrário, registrou um salto na produção do adoçante nos últimos anos, com expectativa de tirar do Brasil o posto de maior produtor global da commodity.

Em outubro, a Reuters revelou que os indianos devem embarcar açúcar pela primeira vez em três anos graças ao excedente de oferta.

Até 15 de fevereiro, a produção de açúcar na Índia apresentava alta de 8 por cento no acumulado da temporada 2018/19.

HISTÓRICO

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Brasil a abrir consulta na OMC para questionar a política indiana de apoio ao açúcar em dezembro, após a Austrália dizer que a Índia havia superado em até dez vezes os limites permitidos para subsídios.

Na ocasião, o governo do Brasil disse que a Índia implementa desde a década de 1960 política de preço mínimo para a cana que visa a proteger os agricultores das oscilações do preço internacional do produto. Adicionalmente, implementa medidas de subsídios à exportação, com o objetivo de escoar a superprodução nacional decorrente da política de preço mínimo para cana.

Os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores disseram nesta quarta-feira que "a data e o local das consultas deverão ser acordados... nas próximas semanas". (Reuters 27/02/2019)

 

União Europeia revê status de biocombustíveis

A União Europeia quer deixar de classificar como "renováveis" os biocombustíveis que tiverem um risco de provocar desmatamento considerado "alto". Na proposta que está em consulta pública no bloco, o biodiesel de óleo de palma deverá perder o status de "renovável" e, assim, não poderá aproveitar a cota para esse tipo de combustível até 2030. Já o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel de soja devem continuar classificados como renováveis. Porém, as atribuições ainda podem mudar.

No esboço da diretiva, aberto a comentários até 8 de março, a Comissão Europeia atribuiu ao etanol de cana (produzido basicamente no Brasil) um risco de impacto indireto sobre o uso do solo de 5%, enquanto para o biodiesel de soja foi atribuído risco de 8%. Deixarão de ser considerados renováveis apenas os biocombustíveis que tiverem um risco superior a 10% - para o biodiesel de óleo de palma, por exemplo, deverá ser atribuído risco de 45%.

Embora as classificações atribuídas aos biocombustíveis de cana e de soja não comprometam sua participação no mandato europeu de renováveis, os produtores brasileiros querem uma revisão dos cálculos de risco indireto de desmatamento. A preocupação é menos com impactos mercadológicos, já que o Brasil praticamente não exporta etanol nem biodiesel à Europa, mas com o impacto "político" da avaliação de risco do impacto dos biocombustíveis produzidos no país.

Desde 2015, a União Europeia adota uma diretiva que limita a participação de combustíveis renováveis produzidos a partir de culturas alimentares em 7% da matriz de combustíveis - praticamente o volume que é produzido dentro do bloco. Agora, os biocombustíveis que superarem o risco de desmatamento em 10% não poderão participar dessa cota e só terão espaço no mercado europeu se concorrerem com os combustíveis fósseis. Pelo cronograma previsto na proposta, o uso dos biocombustíveis de "alto" risco nos próximos anos não poderá exceder os volumes de 2019. A partir de 2023, seu uso como renováveis será reduzido gradativamente até zerar em 2030.

Representantes brasileiros que participaram das discussões com a Comissão Europeia afirmam que há erros nos cálculos, que precisam ser corrigidos para não abrirem um precedente de avaliação do impacto em mudança de uso da terra dos biocombustíveis produzidos no país.

No caso do etanol de cana, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) deve apresentar documento na consulta defendendo que o risco é de 2,1%, e não de 5%. Segundo Géraldine Kutas, representante da Unica na Europa, a Comissão Europeia está considerando um fator de produtividade como se a cana fosse um cultivo anual, e não perene, e está utilizando imagens de satélite com baixa definição em comparação às do PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Participante do grupo de especialistas sobre o assunto da Comissão Europeia, a consultoria brasileira Agroicone defende que o risco atribuído à cana deveria ser de 0,4% se forem levados em consideração os dados mais burilados. "Vamos comunicar à Comissão pelo grupo de especialistas", diz Marcelo Moreira, sócio da Agroicone.

O percentual de 5% de risco atribuído à cana mantém o etanol como renovável e não tem impacto no mercado, já que o Brasil exporta pouco à UE. O receio, segundo Kutas, é que uma eventual análise de risco "elevado" influencie nas negociações entre o bloco e o Mercosul. "Nunca estivemos tão perto de um acordo. Se assinarmos e houver um risco considerado 'alto', seria triste", afirma ela.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) também deve apresentar comentário reforçando que o impacto da soja no uso do solo não é alto. Segundo André Nassar, presidente da associação, a preocupação é que a atribuição de um risco "elevado" para o desmatamento provocado pela soja nesta discussão se reflita nos debates sobre emissões na cadeia de farelo - produto que o Brasil é um dos principais fornecedores à UE. "Se a soja for considerada de alto risco, vai entrar em choque com outras discussões de emissões, seja no mercado de farelo, seja no RenovaBio", afirma. (Valor Econômico 27/02/2019)

 

Irã compra açúcar indiano pela 1ª vez em cinco anos após sanções dos EUA

Comerciantes da Índia vão exportar açúcar bruto ao Irã para entregas em março e abril, disseram cinco fontes do mercado. Essas serão as primeiras vendas indianas de açúcar para Teerã em ao menos cinco anos, conforme a República Islâmica. Sob sanções impostas pelos EUA, o país luta para assegurar fornecimento de alimentos.

Com as sanções, o Irã está barrado do sistema financeiro global, inclusive do uso de dólares norte-americanos para realizar suas vendas de petróleo. O Irã concordou em vender petróleo para a Índia em troca de rúpias, mas estas só podem ser utilizadas para a compra de produtos indianos, em maioria itens que o Irã não produz o suficiente domesticamente.

Casas de comércio contrataram para exportação 150 mil toneladas de açúcar bruto, para carregamentos de entrega em março e abril, de valores entre 305 e 310 dólares por tonelada em uma FOB, disseram as fontes do comércio à Reuters nesta semana.

“Pagamentos de petróleo se acumulam no UCO Bank. O Irã está interessado em utilizar esses pagamentos para comprar açúcar e outros itens alimentícios”, declarou uma das fontes, um operador baseado em Mumbai de uma empresa global de comércio agrícola, que falou em condição de anonimato por não ser autorizado a dar declarações à mídia.

A Corporação de Comércio do Governo (GTC, na sigla em inglês), compradora estatal do Irã, adquiriu o açúcar para garantir amplos suprimentos nos próximos meses, disse uma segunda fonte, um exportador baseado em Mumbai. O Irã normalmente compra açúcar do Brasil, maior produtor e exportador global do adoçante.

O Irã pode importar até 400 mil toneladas de açúcar bruto da Índia em 2019, já que sua produção local não é suficiente para preencher a demanda, disse a fonte. (Reuters 27/02/2019)

 

Glifosato não causa danos graves à saúde, diz Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu ontem que o glifosato, agrotóxico mais utilizado no Brasil e em vários países, não causa danos graves à saúde humana como câncer, mutações genéticas, malformação fetal e não é tóxico para a reprodução.

Segundo a agência reguladora, a conclusão é semelhante às obtidas em outros países que recentemente fizeram revisão do uso do glifosato no campo, como os Estados Unidos e o Canadá, além da União Europeia.

Para chegar a essas conclusões, a Anvisa levou 11 anos para finalizar seus estudos científicos de reavaliação toxicológica do glifosato. No ano passado, uma liminar da Justiça Federal em Brasília chegou a determinar a suspensão da venda do glifosato até que a Anvisa finalizasse essa reavaliação, mas antes de a decisão entrar em vigor a Advocacia-Geral da União (AGU) derrubou a liminar a pedido do Ministério da Agricultura.

Ontem, em reunião colegiada, diretores da Anvisa aprovaram o relatório com as conclusões favoráveis ao agrotóxico. e propuseram uma minuta de resolução, que ficará 90 dias sob consulta pública. Apesar de descartar danos sérios à saúde humana, a Anvisa, propôs restrições ao uso do agroquímico por trabalhadores que fazem o manejo do defensivo em diferentes lavouras como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar.

O relatório final sobre o glifosato foi resultado de 16 pareceres da agência e outros três externos. A Anvisa avaliou a presença do glifosato em 906 amostras de arroz, manga e uva. E também monitorou 22.704 amostras de água, que indicaram que em apenas 0,03% dos casos havia presença de glifosato em nível acima do limite permitido.

"A principal conclusão da reavaliação é que o glifosato apresenta maior risco para os trabalhadores que atuam em lavouras e para as pessoas que vivem próximas a estas áreas. Por isso, as principais medidas propostas estão relacionadas ao manejo do produto durante a sua aplicação e a sua dispersão", informou a Anvisa em comunicado divulgado ontem. (Valor Econômico 27/02/2019)