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Vem aí a 9ª edição do TecnoCana - Encontro Tecnológico da Cultura da Cana-de-Açúcar, realizado pela Agro Analítica – Consultoria Agronômica, evento que tem em seu DNA, boas práticas voltadas ao sistema produtivo do setor sucroenergético.

A realização acontecerá no Engenho Central, as margens do rio Piracicaba, local que marcou e resgata a história da cana-de-açúcar e sua industrialização, nos dias 20 e 21 de março de 2019.

Nessa edição, com o título: “Construindo TPH: produtividade com rentabilidade”, especialistas estarão compartilhando conhecimentos que já estão e que poderão contribuir com o aumento de TPH.

Para maiores informações:

www.tecnocana.agr.br

www.facebook.com.br/tecnocana

www.instagram.com/agro_analitica

Ou pelo telefone: (19) 3423-9521. (Fonte Agro Analítica – Consultoria Agronômica)

 

Para fornecedores de cana, indefinição quanto às dívidas das usinas do Renuka é 'calote legalizado'

Assembleia de janeiro, depois do fracasso do leilão de dezembro, foi adiada para 21 de março a pedido dos bancos, que, junto com o grupo indiano, tentam ganhar tempo à espera de compradores.

Os bancos Santander, Banco do Brasil, Bradesco, Votorantim e Itaú Unibanco, mais o BNDES, conseguiram mostrar sua força entre os credores do Renuka e jogaram para dia 21 deste mês uma possível decisão que os fornecedores de cana esperavam na assembleia adiada de janeiro. Temerosos de que a recuperação judicial vire falência nas usinas paulistas do grupo, tenta-se ganhar tempo para que apareçam compradores.

Após o fracasso do leilão de 18 de dezembro de 2018 da unidade Revati, de Brejo Alegre (SP), que não foi por preço mínimo fixado, começou-se a ventilar entre os fornecedores - 10% da dívida de perto de R$ 4 bilhões da dívida, mas mais de 90% dos CNPJs de credores -, a possibilidade de ser pedida a falência do devedor em nova assembleia que então foi marcada para janeiro.

Ao mesmo tempo, o grupo indiano passou a ventilar possíveis interesses de compradores, como do fundo americano Castlelake, além do Grupo Teston, este sobre as unidades do Paraná que estão fora da recuperação judicial. Se reais, nenhum foi adiante.

Por essa ocasião, inclusive, o advogado André Moreno, de Sertãozinho (SP), cuja banca representa parte dos produtores que entregavam cana, chegou a comentar ao Notícias Agrícolas que em certos casos a falência não é um mal negócio para os credores. Afinal, vende-se apenas os ativos fixos da empresa, sem pendências, estimulando possíveis interessados, e a Justiça faz o reparte a cada grupo.

Os fornecedores são os quartos na lista de recebedores, mas em acordo jurídico ficaram sendo de 1ª classe, junto com funcionários.

Desde 2015

Com o adiamento da assembleia de janeiro para daqui a duas semanas, e olhando o histórico acima, o representante do maior grupo de fornecedores entende que a situação se assemelha a "recuperação judicial igual a calote legalizado".

Para Nelson Peres, presidente da Norplan, que reúne plantadores de cana do Noroeste Paulista, a situação do Renuka se arrasta desde 2015 e quando finalmente foi aprovado o plano de recuperação, homologado pela Justiça, em setembro de 2018, novamente a novela continua.

Pelo plano, a Revati (3,5 milhões de toneladas) iria a leilão em dezembro e a Usina Madhu (6 mi/t), de Promissão, seria vendida em 2 anos.

Apesar da situação vivida pelos produtores, que tiveram que absorver o prejuízo na "marra", como Peres já havia dito ao Notícias Agrícolas, ainda persistem as dificuldades, especialmente porque a Revati não moeu nesta safra e a Madhu teria ficado com metade de sua capacidade em operação.

Desse modo, muitos fornecedores ficaram sem ter onde entregar cana em mais uma temporada de preços ruins e de quebra, que nem o mercado spot compensou.

Estes não podem esperar mais, ao contrário do bancos e, naturalmente, o principal interessado, o Renuka. (Notícias Agrícolas 07/03/2019)

 

Açúcar: No rastro do dólar

Pelo segundo pregão consecutivo, a alta do dólar derrubou o açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Ontem, os lotes do adoçante com vencimento em julho recuaram 2 pontos, encerrando o pregão a 12,36 centavos de dólar a libra-peso.

O fortalecimento da moeda dos Estados Unidos estimula as vendas dos produtores do Brasil, maior exportador global da commodity.

Afora o câmbio, a maior produção indiana de açúcar também vem atuando como um fator de pressão sobre as cotações.

Na quarta-feira, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar informou que a produção do país está 6,9% maior na safra 2018/19.

Os indianos são os maiores produtores mundiais de açúcar. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou ontem em R$ 67,33 por saca, uma valorização de quase 0,8%. (Valor Econômico 08/03/2019)

 

Gigantes do trading de açúcar buscam algoritmo para prever preço

As maiores tradings de açúcar do mundo estão recorrendo aos algoritmos para tentar lidar melhor com a influência crescente dos fundos que monitoram tendências em vez de analisar os fundamentos do mercado.

A gigante brasileira do açúcar Raízen e a francesa Sucres et Denrées formaram parcerias para desenvolver modelos que ajudarão a prever oscilações de preços. A Alvean, a maior trading de açúcar, a Louis Dreyfus e a ED&F Man Holdings optaram por contratar traders quantitativos para desenvolver soluções internas.

Lidando com preços e margens deprimidos, as tradings procuram avançar em mercados cada vez mais influenciados por negociações automatizadas e de alta velocidade. Entender o que impulsiona os chamados fundos sistemáticos pode ser fundamental nesta temporada e na próxima, quando fatores externos como as oscilações cambiais e do petróleo poderão ter um impacto maior no mercado bastante equilibrado do açúcar.

“O envolvimento de traders sistemáticos com o açúcar é realmente interessante”, disse Tracey Allen, analista do JPMorgan em Londres, em entrevista. “No açúcar é possível se concentrar de verdade nos fundamentos, mas ainda há uma grande proporção de investidores que estão seguindo a tendência dos preços.”

A Raízen contratou a QuantumBlack, uma empresa controlada pela McKinsey, para desenvolver um algoritmo que deverá ficar pronto em cerca de um ano, disseram pessoas a par do assunto em fevereiro. Além de dados de mercado mais amplos, a análise incluirá dados históricos dos 860.000 hectares de cana da Raízen para ajudar a prever mudanças na oferta.

A Sucres et Denrées está trabalhando com um terceiro para testar modelos que incorporariam alguns dados proprietários, incluindo projeções de oferta e demanda, bem como números de fluxo de comércio, disse Thierry Songeur, diretor-gerente da firma com sede em Paris. A parceria começou há cerca de seis meses e os modelos ajudariam a Sucden a obter alguns dos mesmos sinais de compra e venda usados por muitos fundos que monitoram tendências, disse ele, que preferiu não identificar o parceiro.

“A ideia é ver se há espaço para desenvolver algo do tipo com recursos que estejam mais alinhados ao tamanho do mercado do açúcar”, disse Songeur, em entrevista no mês passado, em Dubai. “Muitos fundos estão fazendo isso, mas em escala muito maior”.

A Alvean, uma joint venture da Cargill com a produtora brasileira Copersucar, contratou Olivier Pairault, do fundo de hedge Andurand Capital Management, e Garen Bakalian, que trabalhava na petroleira italiana Eni, para impulsionar suas estratégias de trading quantitativo, segundo uma pessoa a par do assunto que pediu para não ser identificada porque a informação é privada.

A Louis Dreyfus trouxe há cerca de um ano o cientista de dados Charlie Quaradeghini da Engelhart Commodities Trading Partners, ou ECTP, segundo pessoas a par da contratação. A ED&F Man está no meio do processo de aumento da capacidade de análise de dados quantitativos para alavancar seus dados proprietários, incluindo fundamentos e preços físicos, disse a chefe de pesquisa Kona Haque.

“O objetivo é ajudar na tomada de decisões comerciais e aproveitar a enorme quantidade de dados que geramos”, disse ela, em entrevista, em Dubai. (Bloomberg 07/03/2019)

 

Venda da Usina São Fernando poderá ser retomada neste ano

Indústria falida está operando para cobrir despesas. Usina, que pertenceu à família Bumlai, tem potencial para moer quatro milhões de toneladas.

Após duas tentativas infrutíferas, o processo de venda da Usina São Fernando, em falência desde junho de 2017, poderá ser retomado a partir deste ano. De acordo com informações da Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia (VCP), que administra a massa falida da unidade sucroalcooleira desde junho de 2017, a Justiça concluiu o julgamento de embargos que barravam a operação, a ser realizada por meio de contratação de uma empresa especializada. Com a autorização judicial, a consultoria poderá dar continuidade ao procedimento de venda.

Uma vez fechado o contrato, a empresa responsável pela venda da São Fernando fará levantamento da situação do patrimônio e também a atualização do valor de avaliação. Pelo último trabalho, realizado pela própria consultoria à época em que a Justiça decretou falência da Usina São Fernando, o montante estava em R$ 716.192.500,00. Ainda não há prazo estimado para a conclusão do processo de venda, já que a decisão judicial é muito recente, segundo a VCP.

“Atualmente, a Usina São Fernando está funcionando para manter as despesas, para o pagamento dos funcionários, que está em dia, e para evitar que o maquinário, equipamentos e demais bens sejam degradados”, informou a administradora judicial.

Ainda conforme a VCP, a venda dos bens e o pagamento dos credores da Usina São Fernando ainda não foi realizado porque a empresa não tem valor arrecadado e está com processo de venda suspenso. Dois editais chegaram a ser realizados entre 2017 e 2018 para proposta de compra do empreendimento, mas não houve resultados positivos.

No ano passado, a administradora judicial sugeriu a contratação de uma empresa especializada para cuidar do processo de venda da unidade e o pedido chegou a ser deferido pelo juiz, mas embargos apresentados à Justiça suspenderam o trâmite do processo, até o julgamento dos recursos, que ocorreu no início deste ano.

O maior credor da usina é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou o projeto. No primeiro leilão, em setembro de 2017, o valor mínimo fixado para a venda da usina era de R$ 716 milhões, mas não apareceram interessados.

Já no segundo certame, não foi estabelecido valor. Na ocasião, foi apresentada apenas uma proposta feita pela empresa Pedra Angular Açúcar e Álcool Participações e Administração no valor de R$ 825 milhões. Na época, o juiz Jonas Hass julgou a Pedra Angular “incapaz de assumir tamanho compromisso” e afirmou que o capital social da empresa “é ínfimo ante o tamanho das dívidas, do capital da massa falida e do fluxo de caixa diário da massa falida”.

Declínio

Considerada a maior geradora de empregos de Dourados até entrar em recuperação judicial em abril de 2013, a Usina São Fernando chegou a empregar, em seu auge, cerca de 3.800 funcionários, situação muito distante da realidade atual. Até o primeiro semestre do ano passado, a indústria operava com apenas 30% de sua capacidade, empregando 900 trabalhadores, de acordo com informações repassadas à época pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Açúcar, Etanol e Bioenergia de Dourados e Ponta Porã.

O empreendimento pertencia à família do empresário José Carlos Bumlai, envolvido em escândalos de corrupção apontados pela Operação Lava Jato, e teve a falência decretada pelo juiz da 5ª Vara Cível de Dourados, Jonas Hass, em junho de 2017. A São Fernando passou a ser controlada por um administrador judicial até ser definido um destino para a indústria. (Correio do Estado de Mato grosso do Sul 06/03/2019)

 

Açúcar: Folia tira liquidez

Com poucos negócios no mercado de açúcar devido ao feriado de Carnaval no Brasil, maior exportador mundial do adoçante, as cotações da commodity subiram ontem.

Na bolsa de Nova York, os contratos futuros de açúcar bruto com vencimento em julho encerraram o dia a 12,64 centavos de dólar a libra-peso, alta de 5 pontos.

De acordo com Nick Penney, trader sênior da corretora Sucden Financial, a moagem da cana no Brasil não deve ser antecipada.

A safra 2019/20 começa oficialmente em abril.

"O clima no Brasil está chuvoso agora, o que deve incentivar os produtores a deixarem a cana no solo para aumentar a produtividade. Não vejo razão para as usinas adiantarem a moagem", afirmou o trader.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,59% na sexta-feira, a R$ 66,47 por saca. (Valor Econômico 06/03/2019)

 

Dreyfus e Sucden compram açúcar bruto no vencimento do contrato, dizem operadores

A Louis Dreyfus e Sucres et Denrées compraram cerca de 20 mil lotes de açúcar bruto no contrato da ICE que expira nesta quinta-feira, disseram cinco operadores.

A entrega ante o contrato março do açúcar bruto na ICE totalizou o equivalente a cerca de 1 milhão de toneladas, segundo os traders.

A bolsa deve publicar os dados oficiais da entrega do contrato na sexta-feira. Nenhuma das empresas pôde ser encontrada de imediato para comentários. (Reuters 01/03/2019)

 

Etanol e diesel ganham força, e consumo de combustível cresce 4% em janeiro

Depois de se manter praticamente estável em 2018, o consumo de combustíveis começou o ano em alta. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as vendas cresceram 3,8% em janeiro, ante igual mês do ano passado, para 11,215 bilhões de litros.

Tradicionalmente vinculada ao desempenho da economia, sobretudo ao agronegócio e indústria, a comercialização de diesel cresceu 6,1% no primeiro mês do ano, para 4,4 bilhões de litros. Em 2018, as vendas do combustível aumentaram 1,4%.

Já o consumo de gasolina manteve a trajetória de baixa iniciada em 2018, em meio à perda de competitividade para o etanol. Depois de fechar o ano passado com uma queda de 13,1%, a comercialização da gasolina caiu 7,9% em janeiro, para 3,1 bilhões de litros.

As vendas de etanol hidratado, por sua vez, avançaram 34,4%, para 1,85 bilhão de litros, depois de crescerem 42,1% em 2018. Esse aumento sustentou o crescimento do mercado do Ciclo Otto (veículos leves cujos motores operam com etanol e/ou gasolina). Tradicionalmente vinculado ao consumo das famílias, esse segmento subiu 1,5%, após cair 3% em 2018, em gasolina equivalente, medida que considera a equivalência energética do etanol frente a gasolina.

O gás liquefeito de petróleo (GLP), outro mercado geralmente vinculado ao consumo das famílias, recuou 1,6% em janeiro, seguindo a trajetória de queda de 2018, quando as vendas do derivado caíram 1%. O consumo de óleo combustível, associado principalmente ao despacho das termelétricas, por sua vez, caiu 26,3% no primeiro mês do ano.

Já entre os destaques positivos, as vendas de querosene de aviação (QAV) cresceram 3,8%, num sinal de que o mercado doméstico de aviação mantém o movimento de reaquecimento registrado no ano passado. Em 2018, o consumo do derivado avançou 7,6%.

Ontem, a ANP informou também que a produção nacional de petróleo caiu 2,2 % em janeiro, ante dezembro do ano passado. A agência atribuiu a queda às paradas para manutenção nas plataformas P-74 e Cidade de São Paulo, que estão no pré-sal da Bacia de Santos. Já a produção de gás natural caiu 0,4%, na comparação com dezembro. (Valor Econômico 08/03/2019)

 

Etanol hidratado sobe 3,68% nas usinas e acumula alta de 22,5% em fevereiro

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 3,68% esta semana, de R$ 1,7998 o litro para R$ 1,8661 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). O valor anidro avançou 0,63%, de R$ 1,8782 o litro para R$ 1,8900 o litro, em média.

Com isso, o hidratado encerra fevereiro com quatro altas consecutivas e uma variação acumulada de 22,52% sobre o valor de R$ 1,5231 por litro da semana finalizada dia 1º de fevereiro. A cotação desta semana é também a maior em termos absolutos em quase um ano, ou desde o R$ 1,9022 o litro de 13 de março de 2018.

O anidro soma três altas consecutivas, com acumulado de 11,31% sobre o valor de R$ 1,6976 o litro da semana finalizada em 8 de fevereiro.

Os avanços nos preços, principalmente do hidratado, ocorrem em um cenário de consumo aquecido e redução nos estoques com a entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. (Reuters 06/03/2019)

 

Expectativa de fim do ciclo de baixa do açúcar não se sustenta e NY cai com chuvas no Centro-Sul

A volta das chuvas ao Centro-Sul tirou qualquer expectativa de fim do ciclo de baixa do açúcar nos negócios da Ice Futures (Nova York). Desde o fim da primeira semana de fevereiro, com o clima amenizando a seca e calor excessivos de dezembro e janeiro, a commodity foi recuando e voltou muito abaixo dos 13 c/lp, de onde havia passado por breve período, na verdade.

Sob a expectativa de que a cana não deverá ter quebra, o câmbio também favoreceu algumas novas fixações de preços de exportações do alimento até o último dia de semana anterior, ajudando a aumentar a expectativa de mais oferta brasileira no mercado mundial.

Depois de fechar a semana, perdendo 18 pontos na sexta, nesta segunda (4) a bolsa de soft commodities presenciou outra forte derrapada do açúcar em todas as telas, com o País praticamente fora dos negócios pelo feiradão de Carnaval.

O vencimento de maio emagreceu mais 26 pontos e ficou em 12.36 c/lp. Na sequência, os dois contratos de 2019 ficaram menores, em 28 e 25 pontos, respectivamente o julho e o outubro.

A Unica, que reúne as indústrias do Centro-Sul, anunciou há dias a possibilidade de 570 milhões de toneladas a serem moídas em 19/20. Praticamente empatando com a safra corrente, que termina em 31 de março. A Raízen, maior produtor global - que se fosse um país seria o segundo maior produtor do mundo, acredita em algo pouca coisa acima. É preciso relatar aqui, no entanto, que o Notícias Agrícolas ouviu produtores e entidades de cerca de 10 regiões paulistas e mineira, e a versão dos fornecedores é de que haveria prejuízo para a produção, mesmo se as chuvas voltassem, como voltaram de fato.

A despeito da situação real, que deverá ficar clara ao longo deste mês, algumas correntes apontam cerca de 2 milhões/t a mais de açúcar na próxima temporada, mas a dúvida sobre o mix ainda é grande. O etanol continua aquecido, com vendas recorde para a entressafra (depois de atravessar janeiro em baixa), e as indústrias vão abrir a safra com estoque quase zerado. E os preços vão bem nas destilarias (mais 3,68%, pelo indicador Cepea, na semana de 25 a 1 de março).

Índia

Ao ultrapassar com força os 13 c/lp na semana de 19 de fevereiro, o fundamento veio da Índia, com a informação das cooperativas industriais do país apontando a possibilidade de menos até 3 milhões de toneladas na safra 19/20, que na Ásia começa em setembro/outubro. Cairia abaixo das 31,5 milhões estimadas antes que a entidade observasse a seca pegando importantes estados produtores.

Junto, dias antes, tinha se sabido que o maior exportador mundial de açúcar, ultrapassando o Brasil no atual ciclo, também teria um subsídio ao preço mínimo, o que em tese desvia açúcar do mercado internacional para o mercado interno. Desvio também que seria, sempre segundo notícias daquele país, seguido de maior produção de etanol anidro para o blend com a gasolina.

Desconfiança

Mas a Índia sempre é vista com desconfiança quando se trata de informações dos agentes privados e públicos – tanto que o ano passado inteiro os negociantes de Nova York ficaram presos aos dados de superávit excessivo relatos pelo USDA – e o açúcar perdeu 21% de valor mesmo com consultorias, inclusive brasileiras, dando até déficit global.

E agora se aguarda, ainda, o próximo levantamento do Departamento de Agricultura americano, em maio.

Em todo caso, o mercado continua agora grudado às informações brasileiras. E nem o petróleo em alta, acima dos US$ 65 o barril, tem dado suporte ao açúcar. (Reuters 04/03/2019)

 

Bayer encara 11 mil processos na Justiça dos EUA

Os processos judiciais contra a Bayer por causa de problemas causados pelo glifosato, herbicida desenvolvidos pela americana Monsanto, que passou ao controle da múlti alemã em agosto de 2018, continuam a se proliferar nos EUA. Ontem, na divulgação dos resultados consolidados de 2018, a Bayer informou que o número total somava 11,2 mil em 28 de janeiro, 40% mais que em setembro.

O número de processos têm aumentado desde o dia 10 de agosto, quando a Monsanto foi condenada a pagar uma indenização de US$ 289 milhões a um jardineiro de San Francisco que afirma ter desenvolvido câncer após exposição a dois herbicidas à base de glifosato (Ranger Pro e Roundup). Antes do caso, o número de processos envolvendo o herbicida somavam 5,2 mil.

Atualmente, também em San Francisco, há outro julgamento contra a Bayer por causa do glifosato. Trata-se do caso de Edwin Hardeman, residente californiano que também alega ter desenvolvido câncer em decorrência do herbicida. Em teleconferência com analistas, Werner Baumann, CEO da Bayer, adiantou que mais seis julgamentos envolvendo o glifosato são esperados para este ano ainda. (Valor Econômico 01/03/2019)

 

Vittia investe R$ 45 milhões em unidade de biológicos

Operações devem ter início em maio de 2020 e, na primeira fase, a nova fábrica dobrará a capacidade de produção desse tipo de insumo na empresa.

O Grupo Vittia investirá R$ 45 milhões na construção de uma unidade para produção de defensivos biológicos. Com 13 mil metros quadrados, a planta industrial será erguida em São Joaquim da Barra (SP), sede da companhia. As operações devem ter início em maio de 2020 e, na primeira fase, a nova fábrica dobrará a capacidade de produção desse tipo de insumo na empresa. José Roberto Pereira de Castro, diretor comercial do Grupo Vittia, afirma que o faturamento com produtos biológicos deve chegar a R$ 130 milhões este ano, 50% acima dos R$ 88 milhões do segmento de 2018. “Esse crescimento seria maior, mas não temos capacidade de produzir mais. Isso será resolvido com a construção da nova unidade.”

Todos querem

Castro explica que a demanda por defensivos biológicos está aquecida, o mercado cresce 20% ao ano. “No ano passado obtivemos o registro de vários produtos, contra nematoides, fungos e para o combate a lagartas, e iniciamos 2019 com sete defensivos da categoria.”

Portfólio

Além da soja, principal cultivo do Brasil, as apostas do Grupo Vittia para o segmento de defensivos biológicos estão no café, no manejo de nematoides que atacam a raiz e na broca do cafeeiro, cuja ação é nos frutos, e também no controle de cigarrinhas, insetos que atingem pastagens e a cana-de-açúcar.

Ano promissor

O otimismo com o novo governo e a necessidade de aumentar a produtividade devem impulsionar investimentos em irrigação, espera a Valley, braço do grupo norte-americano Valmont. Em 2018 a empresa, detentora de 60% do mercado brasileiro de pivôs centrais, repetiu as vendas de 2017, mas para 2019 espera crescimento de 10%, diz Renato Silva, diretor-presidente da Valmont Brasil. O interesse do agricultor do Centro-Oeste em garantir água aos cultivos em épocas de pouca chuva é outra razão para a projeção.

Fichas

A Valley está ampliando sua presença no Brasil, de 60 pontos de venda para pouco mais de 80 em 2019 e 100 em três anos. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins são prioridade, Minas Gerais hoje possui a maior área irrigada. A demanda deve crescer entre produtores de soja, feijão, algodão e cana-de-açúcar. A empresa vem investindo mais de R$ 10 milhões em sua fábrica em Uberaba (MG) e espera, até o fim de 2019, ter capacidade de produção 20% a 30% maior. O País tem 7 milhões de hectares irrigados, 2 milhões por pivô central, mas há potencial para ao menos 35 milhões, segundo Silva.

Sem sinal

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) levou ao Ministério da Agricultura um grupo técnico para tratar dos tipos de conexão de internet necessários para que máquinas agrícolas sejam usadas em todo o seu potencial. Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da entidade, diz que o governo pretende criar um plano de curto, médio e longo prazos para assegurar a conectividade, incluindo áreas fora das sedes das fazendas. “As máquinas precisam se comunicar, até com o celular do produtor, mesmo quando ele estiver fora do País.”

Vai longe

Apesar de o Ministério da Agricultura ter pedido a entidades do setor para mandarem sugestões ao Plano Safra 2019/2020 até 8 de março, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) só deve apresentar as suas no início de abril. A entidade fará seis reuniões com produtores do País entre 11 e 25 de março para levantar as demandas, conta Fernanda Schwantes, assessora técnica da entidade. “A CNA sempre leva sua proposta depois desses encontros”, diz.

Plano B

Como uma das alternativas ao provável corte nos recursos com juros subsidiados para grandes produtores, a entidade aponta os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) referenciados em dólar. Os títulos, atrelados a projetos agrícolas, despertam grande interesse de investidores internacionais, mas não vingaram até agora porque a regra atual prevê tributação sobre a variação cambial no período do título. Schwantes crê que as mudanças poderão sair já para o próximo Plano Safra. “É viável”, diz.

Plano C

A entidade também vem mantendo contato com fundos de previdência privada, que poderiam ter no agronegócio uma forma de diversificar seus investimentos, hoje concentrados em títulos da dívida pública. “A CNA fez contato em 2018 com 30 fundos de previdência complementar e o diálogo continua”, conta Schwantes.

Perdão

Representantes do agronegócio se articulam na tentativa de que o presidente Jair Bolsonaro perdoe a dívida do Funrural. O argumento é de que o valor devido alcance cerca de R$ 4 bilhões e não R$ 15 bilhões, como estima a Receita. Frigoríficos menores, integrantes da União Democrática Ruralista (UDR) e o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), da Frente Parlamentar da Agropecuária, estão entre os que pleiteiam o fim do passivo.

Especial

A Verde Campo, empresa de laticínios da Coca-Cola Brasil, paga até 40% a mais por litro de leite de alto padrão fornecido pelos produtores. A companhia, que investiu R$ 50 milhões na fábrica de Lavras (MG), recebe 4,5 milhões de litros desse leite por mês e diz que consumidores aceitam pagar mais pela bebida premium. (O Estado de São Paulo 04/03/2019)

 

Usinas da Índia fecham contratos para exportar 2,2 mi t de açúcar, diz associação

As usinas indianas se comprometeram a exportar 2,2 milhões de toneladas de açúcar desde o início da atual temporada de comercialização, em 1º de outubro, disse um importante órgão de comércio nesta quinta-feira.

As usinas já despacharam pouco mais de 1 milhão de toneladas do adoçante, disse Praful Vithalani, presidente da All India Sugar Trade Association.

"Até agora, a Índia já exportou quase uma quantidade igual de açúcar bruto e branco, para os quais os três principais destinos são Bangladesh, Sri Lanka e Somália", disse Vithalani.

O gabinete do primeiro-ministro Narendra Modi aprovou no ano passado incentivos para encorajar usinas em dificuldades financeiras a exportar pelo menos 5 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2018/19, com o objetivo de ajudar a sustentar os preços, ao reduzir estoques. (Reuters 07/03/2019)

 

Estudo de reestruturação da rede armazenadora da Conab está em análise

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza um estudo para definir a reestruturação de sua rede armazenadora. A ideia inicial prevê uma redução em 29% da quantidade de Unidades Armazenadoras (UAs), saindo de 92 para 65. O montante não se refere ao número de imóveis, uma vez que as UAs são formadas por diversos armazéns e estruturas administrativas. Atualmente, a Companhia possui 167 armazéns em operação e, com o plano, espera-se que haja uma queda de 39.

“Esse estudo ainda está em análise, o número será definido posteriormente e existe a possibilidade de mudanças, caso sejam necessárias”, explica o presidente da estatal, Newton Júnior. “Nossa expectativa é aprimorar a capacidade administrativa da rede armazenadora e promover a redução dos custos, além de intensificar a atuação da Companhia tanto nas ações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) quanto no suporte ao abastecimento do país”.

Segundo Newton, a Conab não será diminuída com esta ação, e sim buscará atuar de maneira mais estratégica, fortalecendo a empresa nos locais em que opera. O plano também não especifica uma venda ou alienação total. “Existem outras alternativas, como a cessão, que podem ser interessantes para o governo, para o agricultor e para a economia. Isso é que estamos avaliando”, reforça o presidente.

O estudo da reestruturação é resultado de um diagnóstico realizado pela Companhia em toda a sua rede armazenadora, com o objetivo de analisar cada armazém da empresa e identificar sua real necessidade, além de levantar quais os gargalos para garantir o aumento de eficiência das estruturas remanescentes. “Atualmente, estamos estudando e promovendo adequações administrativas e avaliando os números previstos no redimensionamento da Rede de Armazéns da Conab”, afirma Newton.

Patrimônio

Além do projeto de redução das unidades armazenadoras, a Conab já atua num plano de desmobilização de outros 29 armazéns em desuso, herdados pela fusão com a antiga Cibrazen, que ainda fazem parte do patrimônio da empresa.

Cabe ressaltar que, tanto os armazéns citados inicialmente quanto os que estão em desuso no patrimônio, estão apenas entre as expectativas da Companhia de serem desvinculados, visto que estas ações ainda dependem de definição da Diretoria Executiva, e passarão também pelo ministério supervisor e aprovação do Conselho de Administração da empresa. (Conab 04/03/2019)