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Vem aí a 9ª edição do TecnoCana - Encontro Tecnológico da Cultura da Cana-de-Açúcar, realizado pela Agro Analítica – Consultoria Agronômica, evento que tem em seu DNA, boas práticas voltadas ao sistema produtivo do setor sucroenergético.

A realização acontecerá no Engenho Central, as margens do rio Piracicaba, local que marcou e resgata a história da cana-de-açúcar e sua industrialização, nos dias 20 e 21 de março de 2019.

Nessa edição, com o título: “Construindo TPH: produtividade com rentabilidade”, especialistas estarão compartilhando conhecimentos que já estão e que poderão contribuir com o aumento de TPH.

Para maiores informações:

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Ou pelo telefone: (19) 3423-9521. (Fonte Agro Analítica – Consultoria Agronômica)

 

Brasil tem de investir R$ 82 bi para atender demanda de combustíveis

Para atender a demanda esperada por combustíveis dentro de dez anos, serão necessários R$ 82 bilhões em investimentos em infraestrutura e produção de derivados, conforme estudo do Boston Consulting Group (BCG) para a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência - Plural. A entidade reúne 16 empresas responsáveis por cerca de 70% do mercado nacional de combustíveis.

De acordo com o presidente da Plural, Leonardo Gadotti, especificamente para a distribuição de combustíveis, serão necessários aportes de R$ 800 milhões em dutos, R$ 1,6 bilhão em terminais portuários e R$ 3,9 bilhões em ferrovias dedicadas. Além disso, outros R$ 38,5 bilhões deveriam ser direcionados para a produção de biocombustíveis e R$ 37,2 bilhões a infraestrutura que atenderia também a outros setores.

"Esse é um assunto importante. Se não houver solução, e o crescimento projetado se confirmar, pode haver problemas de suprimento", disse Gadotti. Os investimento necessários em dez anos tomam 2017 como ano base e consideram expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% ao ano, além da implementação integral do RenovaBio.

Já o aumento da competitividade da distribuição de combustíveis no Brasil depende de ao menos cinco fatores, entre os quais a maior oferta no suprimento de derivados e, consequentemente, maior concorrência nesse elo da cadeia, indica o estudo do BCG).

Expansão da logística primária, correção das práticas desleais, aumento da eficiência setorial e remoção de barreiras regulatórias também aparecem entre as condições citadas no estudo "Agenda para a competitividade da cadeia de combustíveis no Brasil", elaborado após a greve dos caminhoneiros, e do subsídio ao diesel e tabelamento do frete.

De acordo com o sócio do BCG André Pinto, o objetivo era entender como funciona o setor, como são formados os preços dos combustíveis no país e se eles foram os reais vilões da paralisação de maio do ano passado. "Os dados não parecem ratificar a mensagem de que os preços eram absurdos", afirmou.

Segundo o estudo, em junho do ano passado, o preço do diesel ao consumidor final no país era 32% inferior à média mundial em termos absolutos, enquanto a gasolina custava 8% menos - relativamente ao poder aquisitivo, o diesel pesava menos no bolso do consumidor brasileiro e a gasolina, mais do que a média mundial.

O levantamento indicou ainda que a concentração no refino vista no país é pouco usual em mercados maduros, o que contribui para uma dinâmica de mercado menos competitiva. Atrair novos participantes para o mercado brasileiro, hoje liderado pela Petrobras, requer a consolidação da formação de preços em linha com as práticas internacionais, acrescentou Pinto.

O elevado peso dos tributos nos preços dos derivados e sua complexidade contribuem para a concorrência desleal no setor. De acordo com o diretor de planejamento estratégico da Plural, Helvio Rebeschini, cerca de R$ 5 bilhões são sonegados ao ano, especialmente na distribuição de etanol. A simplificação tributária, com uniformização do ICMS, ajudaria a corrigir essas irregularidades.

O estudo do BCG também desconstrói a tese de que a distribuição de combustíveis é mais concentrada do que a média mundial. Em 2018, o país estava no limite entre as faixas não concentrado e moderadamente concentrado do índice Herfindahl-Hirschman (IHH), que mede o grau de concentração de diferentes mercados. (Valor Econômico 18/03/2019)

 

Açúcar: Ajuste de carteira

Em meio à desvalorização do dólar e a movimentos técnicos dos fundos que investem em commodities, os contratos futuros de açúcar demerara subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York.

Os lotes com entrega para julho fecharam a sessão a 12,68 centavos de dólar a libra-peso, alta de 11 pontos.

De forma geral, a queda do dólar desincentiva as vendas de açúcar do Brasil e, no plano macro, impulsiona investimentos de maior risco, como em commodities.

Conforme Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow, a queda dos preços do açúcar na sexta-feira também refletiu o "balanceamento das carteiras" dos fundos.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 69,10 por saca na sexta-feira, alta de 0,85%. No mês, a valorização é de 4,5%. (Valor Econômico 18/03/2019)

 

Sucden vê produção de açúcar no CS do Brasil subindo a 27,1 mi t em 2019/20

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil, principal polo canavieiro do mundo, deve avançar para 27,16 milhões de toneladas, enquanto a de etanol tende a recuar para 28,55 bilhões de litros na safra 2019/20, de acordo com previsões da comerciante Sucden enviadas nesta sexta-feira à Reuters.

O novo ciclo tem início em abril e deve registrar processamento de 564,55 milhões de toneladas de cana, segundo a Sucden.

Na última quarta-feira, durante evento em Ribeirão Preto (SP), um representante da Sucden havia divulgado apenas perspectivas para a moagem, com intervalo de 560 milhões a 570 milhões de toneladas.

Conforme a companhia, na temporada vigente as usinas do centro-sul devem fabricar 26,57 milhões de toneladas de açúcar e 30,1 bilhões de litros de etanol. O esmagamento de cana está estimado em 572,69 milhões de toneladas.

As indústrias da região focaram no etanol na safra 2018/19, diante de melhores retornos proporcionados pelo biocombustível em comparação ao açúcar. As cotações do adoçante chegaram a tocar mínimas em uma década ao longo do ano passado.

Outras consultorias também têm apostado em maior produção de açúcar em 2019/20, com o setor de olho em um potencial déficit de oferta global à frente, o que daria sustentação aos preços da commodity. A própria Sucden fala em produção aquém da demanda em 4 milhões de toneladas.

Nesta semana, Datagro e Agroconsult também previram alta na produção de açúcar no centro-sul em 2019/20. (Reuters 18/03/2019)

 

Declaração de chanceler sobre China gera mal-estar com o agronegócio

As declarações hostis à China feitas pelo chanceler Ernesto Araújo em aula magna no Instituto Rio Branco nesta semana provocaram um mal-estar entre representantes do agronegócio brasileiro em Brasília, que cogita conversar inclusive com o presidente Jair Bolsonaro para evitar reações de Pequim.

Em sua fala, o ministro das Relações Exteriores afirmou para futuros diplomatas na última segunda-feira que “não vamos vender a alma” para exportar soja e minério de ferro. Ele afirmou que a política externa brasileira recente que priorizou o comércio com países da América Latina, Europa e Brics foi uma “aposta equivocada” e defendeu a importância do Brasil estreitar parcerias comerciais com os Estados Unidos.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e deputados da bancada ruralista tiveram ontem um almoço com o chanceler para tratar de China, entre outros assuntos da pauta internacional de interesse do segmento agropecuário.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também produziu uma breve carta a ser entregue a Araújo, em que demonstra insatisfações sobre o tema e detalha números que mostram porque a China se tornou o principal parceiro comercial.

“A FPA gostaria de externar a sua preocupação em relação às supostas declarações reproduzidas pelo noticiário nacional, nas quais teriam sido feitas afirmações no sentido de diminuir a importância das relações comerciais entre Brasil e China”, diz o texto obtido pelo Valor.

A carta argumenta que a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. E que, além da soja, carro-chefe das exportações do agronegócio brasileiro, o setor também possui um grande leque de itens exportados aos chineses como celulose, carnes bovina e de frango, açúcar e algodão, e com “forte potencial” para um grande número de outros produtos como suco de laranja, frutas in natura, café, arroz, laticínios e biotecnologia agrícola, entre outros.

Por outro lado, Ernesto Araújo tem feito diversos acenos positivos ao agronegócio e prometido atenção especial a acordos comerciais e negociações que favoreçam o setor. Como parte da reestruturação do Itamaraty, o chanceler até criou um departamento exclusivo para tratar questões do segmento agropecuário. E também está prevista uma viagem de Bolsonaro para a China no segundo semestre deste ano. (Valor Econômico 15/03/2019 às 17h: 04m)

 

Sonegação de R$ 3 bi atinge setor de etanol em SP, diz Plural, que apela por reforma

O Estado de São Paulo, líder na produção e consumo de etanol no Brasil, concentra também a maior parcela dos 4,8 bilhões de reais sonegados ao ano no setor de distribuição de combustíveis do país, afirmaram nesta sexta-feira dirigentes da associação do segmento Plural, ressaltando a importância de uma reforma tributária.

De seis grandes distribuidoras de etanol, cinco respondem por boa parte da sonegação de impostos no Estado, segundo a associação, que não revelou os nomes das empresas.

“Dos 4,8 bilhões, 3,8 bilhões de reais é sonegação em etanol, e 80 por cento disso é no Estado de São Paulo”, disse o presidente da Plural, Leonardo Gadotti Filho, a jornalistas durante evento promovido pela associação.

A sonegação de impostos é um dos principais desafios para a atração de investimentos no setor de distribuição de combustíveis, que arrecada 150 bilhões de reais em impostos ao ano.

Há alguns participantes do segmento – não afiliados à Plural – que são conhecidos como devedores contumazes de impostos, que muitas vezes têm um capital social muito menor que o seu faturamento, não pagam tributos regularmente e contam com ações judiciais para postergar os pagamentos.

“O Estado atua (cobrando os tributos), mas a Justiça tem seu tempo”, acrescentou Gadotti, cuja associação tem uma campanha chamada Combustível Legal.

Ao final, o Poder Judiciário, em geral, dá ganho para o Estado nas ações tributárias do setor, mas isso demora anos e traz problemas de concorrência desleal.

Procurada para comentar o assunto, a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo não pôde se manifestar imediatamente.

No etanol, a sonegação de impostos acaba sendo mais elevada porque o imposto, além de ser cobrado na produção, é pago também na distribuição. Na gasolina e diesel, por exemplo, tributos se concentram na refinaria ou no importador.

“Ou seja, qualquer sonegação tira um concorrente do jogo”, disse o diretor de planejamento estratégico e mercado da Plural, Helvio Rebeschini, citando ainda que o segmento também enfrenta concorrentes desleais que se locupletam com roubos de cargas, adulteração de combustíveis, fraudes nas bombas e refinarias clandestinas.

O mercado brasileiro foi inundado por metanol importado, usado em fraudes como se fosse etanol.

Estudo do Boston Consulting Group (BCG) divulgado durante o evento da Plural apontou, com base em dados da ANP, que o volume de combustível adulterado pode variar entre 5 por cento e 19 por cento.

Simplificação tributária

A sonegação de impostos, contudo, ressalta a importância de uma reforma tributária para o setor de distribuição de combustíveis, cujo preço final carrega para o consumidor final uma alta carga de tributos.

Segundo dados da reguladora ANP, os tributos federais e estaduais responderam por 43,6 por cento do preço gasolina, enquanto no caso do diesel S500 esse índice foi de 27,1 por cento.

Estudo do BCG divulgado durante o evento da Plural, que congrega associados como a Petrobras, Shell, Total, Raízen e BP, entre outras, afirmou que o elevado peso de tributos na cadeia de distribuição, associados à sua complexidade, gera meios de sonegação, levando à concorrência desleal.

Entre os problemas citados está a assimetria de tributo estadual ICMS, que pode variar fortemente entre Estados.

De acordo com Gadotti, a simplificação tributária uniformizaria o ICMS em todo o Brasil e criaria uma estabilidade no preço final, além de contribuir para o fim da guerra fiscal entre Estados, desestimulando a ocorrência de fraudes.

Uma menor concentração na produção de combustíveis fósseis, destacou o estudo, considerando que a Petrobras domina praticamente todo o parque de refino do país, também seria favorável.

“Ampliar a competição na oferta alinharia ainda mais os preços com os do mercado internacional, e o maior beneficiado seria o consumidor final”, disse Gadotti, ressaltando que a Plural vê como positivo o movimento da Petrobras para vender parte de suas refinarias, atraindo novos players.

Esse movimento é importante diante do forte aumento esperado para o consumo de combustíveis em um cenário de longo prazo na comparação com os níveis atuais.

Para atender essa demanda, setor de distribuição terá que fazer investimentos de 82 bilhões de reais até 2030, segundo o estudo do BCG, montante que inclui aportes na produção de biocombustíveis, ferrovias, infraestrutura e logística. (Reuters 18/03/2019)

 

Rio: Usina com benefício fiscal suspeita de comprar etanol de SP

Com sede em Campos dos Goytacazes, Canabrava está envolvida na maior adulteração de combustível da história.

Um caminhão tanque apreendido na RJ-224 reacendeu a rotina de irregularidades da Usina Canabrava, no Norte Fluminense. O veículo trazia 45 mil litros de etanol de São Paulo justamente para abastecer a empresa que goza de generosos benefícios fiscais estaduais e que está envolvida na maior apreensão de combustível adulterado do país.

A operação ocorreu na última quarta-feira, dia 13. Interceptado pelo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) na porta da Canabrava, na divisa entre Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana, o caminhão não tinha licença do Ibama e trazia nota fiscal sem recolhimento de imposto. Só na delegacia foi apresentado o documento do órgão ambiental.

Ou seja, não foram pagos os 12% de ICMS de São Paulo sobre o combustível comercializado. A nota fiscal apresentada às autoridades, no valor de R$ 101.181,79, informava que o produto foi comprado da Figueira Comércio e Indústria, com sede em Araçatuba (SP). 

A questão vai além do pagamento do tributo. Há suspeitas de que a Canabrava traz etanol de outros estados - principalmente São Paulo - em vez de produzi-lo em sua unidade. Só QUE, desde 2012, a usina se vale de benefício fiscal concedido pelo Governo do Estado do Rio, que reduziu o ICMS sobre o etanol produzido pela empresa de 32% para apenas 2%.

Segundo fontes do setor de combustíveis, desta forma a Canabrava consegue preço abaixo do mercado, o que configura concorrência predatória. E ainda comete crime fiscal, já que a contrapartida à isenção tributária é a produção local e a consequente geração de emprego e renda.

Na ação de quarta-feira, os agentes do BPRv também suspeitaram da atividade na usina. Pelo menos cinco caminhões operavam dentro da Canabrava em um período de entressafra. O caso foi encaminhado à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ao Ministério Público do Estado (MPRJ), em Campos.

“Chamou a atenção dos agentes o movimento de pessoal e de outros caminhões dentro da usina. Os policiais solicitaram a entrada na Canabrava para verificar os veículos, o que foi negado. Mas o fato foi comunicado à ANP e ao MP”, diz um policial rodoviário que pediu para não ser identificado.

Segundo funcionários da Canabrava ouvidos pelo O DIA, oficialmente a usina está parada neste período de entressafra, quando é feita a manutenção dos equipamentos. Entramos em contato com a sede da companhia, mas não havia nenhum responsável para falar a respeito.

A funcionária que atendeu a reportagem também limitou-se a dizer que não estava autorizada a passar informações nem a comentar a movimentação de caminhões-tanque na área da empresa, mesmo com a usina sem produzir nada no momento.

A Canabrava tem um histórico de problemas. Em novembro de 2016, operação da ANP resultou na maior apreensão de combustível adulterado da história do país: 16 milhões de litros de etanol continham metanol, substância que, além de proibida, é altamente tóxica.

O caso resultou em multa para a usina do norte do estado e também para as distribuidoras BR, Raizen (dona da marca Shell) e Ipiranga, que compraram o combustível irregular da Canabrava. As distribuidoras e a usina foram autuadas e multadas em mais de R$ 8,5 milhões em primeira instância. Segundo a Agência, o processo administrativo encontra-se em fase final de recurso.

Na época, a ANP chegou a interditar a usina. E como a fraude do combustível foi detectada em São Paulo, começaram as suspeitas de que a Canabrava compra combustível sem origem comprovada, apesar de receber a isenção do ICMS.

O MPRJ move Ação Civil Pública contra a Canabrava. O DIA entrou em contato com o órgão, mas até o fechamento desta edição não obteve respostas e detalhes sobre o processo. A reportagem também procurou a Secretaria de Fazenda do Estado do Rio (Sefaz) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ), que não se pronunciaram até a conclusão da edição.

Uma usina de problemas

O nome não poderia ser mais inusitado para uma empresa que nasceu e vive em meio a polêmicas. A Canabrava foi inaugurada em 2012 dentro de um panorama de crise do setor sucroalcooleiro. Ainda assim, atraiu cerca de R$ 700 milhões de investimento de diferentes Fundos de Pensão - a maior parte (R$ 302 milhões) da Petros e da Postallis.

Mesmo com benefício fiscal do Governo do Rio, que reduziu o ICMS sobre o combustível produzido pela usina de 32% para 2%, dois anos depois a empresa já amargava prejuízos de mais de R$ 180 milhões. Além disso, os mil funcionários da companhia sofriam com meses de salários atrasados e não recolhimento de FGTS.

Por trás da Canabrava está a figura de Dirceu Luppi (o Major Dirceu) e Rodrigo Luppi, pai e filho considerados por uma CPI da Câmara, de 2003, como os maiores adulteradores de combustível do país. Em 2004, a revista “Isto É” publicou reportagem em que os dois são flagrados em grampos sendo informados  sobre a realização de fiscalizações da ANP.

Rodrigo ainda é réu em uma ação na 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias (RJ) por adulteração de combustível. Depois da apreensão recorde de 16 milhões de litros de etanol com metanol, em 2016, ele chegou a ser afastado da gestão da usina, mas voltou por decisão da Justiça do Trabalho de Campos dos Goytacazes.

Mesmo com esse retrospecto, a família não só conseguiu retomar as rédeas da Canabrava, como ainda abrir uma distribuidora de combustível na Baixada Fluminense, em 2017. Trata-se da Minuano, com sede em Duque de Caxias, que funciona graças à liminar obtida na Justiça para obter inscrição estadual.

Empresários ligados ao setor de combustíveis, contudo, apontam que recentemente os dois adquiriram a filial fluminense de outra distribuidora: a Paranapanema. Os Luppi estariam concentrando suas atividades na nova empresa.

A pesquisa de preço regular da ANP mostra um movimento inverso envolvendo as duas distribuidoras. Em janeiro de 2019, a Minuano teve 105 notas coletadas, número que despencou para 22 em fevereiro. Já a Paranapanema não teve nenhum nota coletada em janeiro, e registrou 63 no mês passado. A reportagem tentou contato com a Minuano e com a Paranapanema, sem sucesso. (O Dia 17/03/2019)

 

Etanol hidratado recua 0,87% e anidro cai 1,76% nas usinas

Após cinco semanas de altas consecutivas, o valor etanol hidratado recuou 0,87% nas usinas paulistas entre segunda-feira e esta sexta-feira, de R$ 1,8694 o litro para R$ 1,8532 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro baixou 1,76%, de R$ 1,9198 o litro para R$ 1,8861 o litro, em média. (Reuters 18/03/2019)

 

Tereos diz que diretores Financeiro e Agrícola deixarão unidade no Brasil

 O diretor Financeiro e o diretor Agrícola da Tereos Açúcar e Energia do Brasil estão deixando a empresa, informou um porta-voz da francesa Tereos nesta quinta-feira, um dia depois de anunciar a saída do CFO do grupo.

O porta-voz recusou-se a dizer quando o CFO no Brasil, Jairo Carolinski, e o diretor Agrícola, Jaime José Stupiello, deixariam a unidade local. Também não foi dada uma razão para as saídas.

O chefe das operações da Tereos no Brasil, Jacyr Costa Filho, recusou-se a comentar.

A Tereos informou na quarta-feira que reformulou a equipe de sua administração, incluindo a contratação de um novo CFO para o grupo e um novo chefe para as atividades de comercialização e marketing.

Uma fonte da empresa, próxima à direção da unidade, disse à Reuters que Stupiello pediu para deixar a companhia para se mudar para os Estados Unidos, onde seu filho cursa a faculdade.

"Ele estava na empresa há 29 anos, será difícil de encontrar um substituto com seu conhecimento e liderança", disse a fonte, que pediu para não ser identificada por não estar autorizada a comentar o assunto.

No caso do diretor Financeiro local, a fonte disse que lhe foi oferecido um trabalho em outro lugar e ele aceitou, afirmando que é uma coincidência que o CFO da matriz europeia também esteja deixando a empresa.

A operação brasileira da Tereos viu seu processamento de cana cair para 17,6 milhões de toneladas em 2018, ante 20,2 milhões de toneladas em 2017. A empresa culpou o tempo mais seco que o normal no centro-sul do Brasil pelo declínio.

Os lucros da divisão internacional de açúcar da Tereos, que está majoritariamente no Brasil, caíram 30 por cento, para 644 milhões de euros, nos nove meses (de abril a dezembro) da safra de 2018/19, em comparação a igual período do ano anterior. (Reuters 14/03/2019)

 

Área de soja ultrapassa 1 milhão de hectares em SP graças à parceria com a cana

A soja tem avançado rápido no estado de São Paulo nos últimos dez anos graças a parcerias com a cana-de-açúcar na renovação das lavouras. Na safra 2008/09, o grão ocupava 531,3 mil hectares no estado, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Na safra 2018/19, a estimativa é passar pela primeira vez de 1 milhão de hectares, atingindo 1,026 milhão, quase o dobro. No Brasil, no mesmo período, a soja avançou de 21,74 milhões de hectares para 35,82 milhões, aumento de 64%.

O pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) Denizart Bolonhezi estima que 500 mil hectares de soja da safra paulista estejam em áreas de reforma dos canaviais. Segundo ele, cada vez mais produtores estão buscando parcerias com a soja principalmente pelo atrativo de preço do grão no mercado internacional e pela produtividade até 20% maior da cana no retorno à área.

Bolonhezi disse que ainda há muito espaço para a soja crescer no estado porque a taxa média de renovação de canaviais, que deveria ser de 20% da área plantada ao ano, está em torno de 10% nos últimos anos devido à crise do setor. “O custo para renovação é muito alto, cerca de R$ 7.000 o hectare. Por isso, muitos produtores adiam a decisão de reformar o canavial, o que afeta a produtividade”.

Para o agrônomo Fabio Meneghin, analista da Agroconsult, semear soja antes de renovar o canavial é uma tendência irreversível porque a parceria traz benefícios agronômicos na rotação das lavouras e dilui o investimento caro do plantio da cana.

Paulo Rodrigues, que tem fazendas de cana na região de Ribeirão Preto (SP) e em Frutal (MG), disse que atualmente faz 100% da renovação com soja e que isso tem sido fundamental para a sustentabilidade do negócio cana. Ele também presta esse serviço para terceiros. “Além de agregar renda, o plantio da soja gera vantagens agronômicas, ambientais e sociais, mas é preciso planejamento para a parceria dar bons resultados”.

O Grupo Agroterenas, que planta 80 mil hectares de cana nos municípios paulistas de Maracaí e Paraguaçu Paulista, iniciou com operação própria a renovação de seus canaviais com soja há cinco anos plantando 300 hectares. Na safra 2018/19, plantou 5.000 hectares em áreas de reforma de cana. Na próxima safra, o plano é aumentar para 7.000.

“Soja é uma cultura que você põe dinheiro, e ela responde”, afirmou o diretor agroindustrial do grupo, Adilson Luis Penariol, acrescentando que a rotatividade garante 15% a mais de produtividade para a cana.

Ele disse que nesta safra, com mais investimento em sementes, adubos e parceiros, a estimativa é colher 67 sacas por hectare ante as 40 ou 50 sacas dos primeiros anos. O Agroterenas também opta pela soja na rotação de pastos e na reforma de seus laranjais. (UOL 18/03/2019)