Setor sucroenergético

Notícias

Açúcar bruto registra terceira queda seguida na ICE e maio é negociado a 12,5 cents/libra

O açúcar bruto acumulou seu terceiro dia consecutivo de perdas na ICE nesta quinta-feira (21). O contrato maio do açúcar bruto fechou em queda de 0,24 centavo de dólar, ou 1,9 por cento, a 12,50 centavos de dólar por libra-peso.
Com máximas dentro da casa dos 12,80 centavos de dólar nesta semana, o contrato segue operando em seu intervalo de 12 a 13 centavos, mantido pelos últimos três meses.
Com a perspectiva de maiores produtividades, as usinas de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil devem aumentar os volumes de moagem na temporada que começa em abril, projetou a Copersucar.
Os operadores também seguem atentos à possibilidade baixista do aumento de produção na Índia.
O contrato maio do açúcar branco fechou em baixa de 2,80 dólares, ou 0,8 por cento, a 335,20 dólares a tonelada, após ter atingido 335 dólares, mínima de mais de um mês. (Reuters 21/03/2019)
 

Copersucar vê moagem de cana no CS em 2019/20 crescendo até 590 mi/t

A moagem de cana-de-açúcar por usinas do centro-sul do Brasil deve crescer até 3,1 por cento na safra 2019/20, que se inicia em abril, com as produções de açúcar e etanol também podendo apresentar incremento ante o observado em 2018/19, projetou nesta quinta-feira a Copersucar.
Com 35 usinas associadas, a Copersucar estima que o centro-sul, maior polo canavieiro do mundo, processará entre 580 milhões e 590 milhões de toneladas de cana no próximo ciclo, versus 572 milhões no vigente.
"A Copersucar prevê um provável aumento da produtividade agrícola na safra 2019/20... em função de um menor envelhecimento do canavial na região centro-sul do Brasil, caso as condições climáticas se confirmem dentro de um cenário de normalidade, como atualmente sinalizado pelas previsões meteorológicas", disse a líder global na comercialização de açúcar e etanol em nota enviada à Reuters.
"Quanto ao mix de produção, acreditamos em mais um ano de flexibilidade para o produtor, que aos níveis atuais de preço tendem a privilegiar a produção de etanol."
Projetando uma alocação de 36 a 38 por cento da oferta de cana para açúcar, a Copersucar avalia que a produção do adoçante no centro-sul em 2019/20 oscile entre 26 milhões e 28 milhões de toneladas, contra 26,5 milhões em 2018/19.
No caso do etanol, a fabricação deve variar de 30 bilhões a 31 bilhões de litros, ante 30,9 bilhões na temporada que está para acabar.
Assim, caso os limites superiores dos intervalos projetados pela Copersucar se confirmem, haveria expansão tanto na produção de açúcar quanto na de etanol.
Ainda de acordo com a Copersucar, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deve alcançar de 135 a 136 kg por tonelada de cana em 2019/20, "se o clima for de normalidade ao longo da safra". (Reuters 21/03/2019)
 

Após cota para trigo dos EUA, Argentina pode rever compra de açúcar brasileiro sem tarifa

Cota do trigo acertada entre Bolsonaro e Trump deve representar um duro golpe para exportações de Buenos Aires.
A criação de uma quota de importação de 750 mil toneladas de trigo sem a incidência de tarifas, como parte de um acordo firmado entre os presidentes Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump nesta semana, preocupa autoridades argentinas, que esperam mais detalhes sobre a medida do governo brasileiro. Em uma avaliação preliminar, a decisão unilateral poderá ser um duro golpe às exportações do país vizinho, o que levaria Buenos Aires a rejeitar qualquer tentativa de negociação com o Brasil para a liberação das vendas de produtos de seu interesse na Argentina com alíquota zero, como o açúcar.
De acordo com uma fonte do governo argentino, por enquanto a ideia é aguardar maiores esclarecimentos sobre cota de importação, antes de tomar alguma atitude para fazer valer seus direitos como sócio do Mercosul, como recorrer ao tribunal do bloco, ou à própria Organização Mundial do Comércio (OMC). Uma das dúvidas é se essas 750 mil toneladas viriam apenas dos EUA, ou também de outros mercados fornecedores, como Rússia e Canadá.
Depois de automóveis, o trigo é o segundo item mais importante da pauta de exportações da Argentina para o Brasil. No ano passado, o total vendido ao mercado brasileiro foi de US$ 1,3 bilhão. Com a demora na recuperação da economia argentina, a perda de espaço para os Estados Unidos tende a agravar ainda mais a situação do país vizinho. Hoje, o cereal importado de fornecedores que não fazem parte do Mercosul é tributado em 10%.
Essa fonte argentina destacou que os americanos pedem para colocar seu trigo no Brasil desde os anos 90. Argumentou que, se no passado havia como justificativa para cotas temporárias o risco de desabastecimento de trigo no Brasil, agora isso não existe mais. Mesmo porque o Brasil aumentou sua produção.
Açúcar como moeda de troca
Na quarta-feira, um dia após o anúncio da cota de importação de trigo em Washington, O Globo perguntou ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a reação que já começava a surgir em declarações oficiais feitas em Buenos Aires contra a medida. Araújo sinalizou que o governo brasileiro não deixará barato. Cobrou uma solução para o açúcar brasileiro, que sofre restrições para entrar no país vizinho.
“Há uma atmosfera boa para tratarmos desse assunto com a Argentina, incluindo a questão do açúcar comercializado entre os países do Mercosul”, disse o chanceler, momentos antes de embarcar para o Chile.
Para um técnico do governo brasileiro, o açúcar poderá ser uma moeda de troca em uma negociação com a Argentina. Porém, a oferta do Brasil terá de ser vantajosa. “Sabemos dos interesses do Brasil, mas é difícil pensar em concessões”, disse a fonte argentina.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, observou que as conversas com os EUA para a criação da cota começaram no governo passado, tendo como base as negociações para um acordo agrícola na chamada Rodada do Uruguai. Barbosa relatou que, ao ser consultada sobre a medida, a entidade chegou a sugerir que as importações fora do Mercosul ocorrem na entressafra. (O Globo 22/03/2019)
 

Índia mostra que produção de açúcar começa a cair em meio a safra acelerada

A Índia pode está entrando do meio de safra para frente oferecendo menor quantidade de açúcar. Quinzena contra quinzena, média do período e média da safra mostram produção menor, apesar da alta do acumulado, revelando, porém, que as usinas adiantaram a moagem da cana.
Os dados da Associação Indiana das Usinas de Acúcar (Isma, da sigla em inglês) começam mostrando recuo de mais de 9% na produção da commodity na primeira quinzena de março contra a segunda de fevereiro, quando o volume foi de 2,83 milhões de toneladas.
Se comparado o período de 1° a 15 de março de 2018 com os mesmos quinze dias do mês corrente, nota-se um recuo agora residual de 7 mi/toneladas.
O hoje maior exportador mundial de açúcar, que traz em várias estimativas a expectativa de sair entre 30 a 32 mi/toneladas na safra 18/19, que na Ásia conclui-se em setembro, igualmente viu reduzida a média de produção da primeira quinzena deste março com a média da safra atual. Como igualmente a própria média da safra recuou, como bem notou a Safras & Mercado em seu relatório distribuído nesta quinta (21).
Na primeira média, o tombo foi superior a 15%, ou seja, a produção de 2,57 mi/t na primeira metade de março puxou a média da safra para 3,03 mi/toneladas, que vinha em 3,09 mi/t, na transição de fevereiro para a segunda quinzena deste mês.
Os dados mostram que além da aceleração da moagem, a cana de meio de safra e de fim de safra têm menor qualidade para açúcar.
Até o momento, desde setembro/outubro passados, na abertura do ciclo indiano, as mais de 500 usinas do país, a maioria de pequeno porte - teriam conduzido o processamento de 27,3 mi/t de açúcar.
Se considerada a previsão de 31 m/t esperadas até o final da temporada, como a da Safras & Mercado, os produtores indianos já despejaram 88,2 % do montante alinhado no horizonte - faltando 6 meses para o encerramento das operações. Nada nada 12% acima do volume acumulado no mesmo período de 2018. (Reuters 21/03/2019)
 

Brasil perde espaço para EUA no mercado japonês de etanol

Os exportadores de etanol do Brasil não estão conseguindo renovar contratos de exportação para atender o mandato do Japão de redução de emissões de gases de efeito estufa nos transportes. O produto brasileiro está perdendo mercado para o etanol americano, feito de milho, que passou a ser permitido no cumprimento das metas japonesas.
O Japão usa o ETBE, um aditivo à gasolina à base de etanol, para atender seu objetivo. Até 2018, o ETBE vendido no mercado japonês deveria emitir 50% menos gases-estufa que a gasolina pura, e essa redução só era possível com etanol de cana. Em 2019, entretanto, a regra mudou e passou a exigir uma diminuição de 55%, mas possível de ser alcançada com a mistura do etanol de milho, que tem poder menor de redução de emissões.
De acordo com estimativa da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul, com essa mudança o Brasil deverá perder, já a partir da próxima temporada (2019/20), pelo menos 40% dos embarques de etanol que tinham o Japão como destino final.
O Brasil vinha exportando em torno de 800 milhões de litros de etanol por ano para atender à demanda japonesa. Em 2018, esses embarques renderam divisas de cerca de US$ 400 milhões.
Em torno de 90% do volume vendido ao mercado japonês é primeiramente exportado aos Estados Unidos, onde está concentrado o parque industrial que transforma etanol em ETBE. Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o volume de etanol exportado pelo Brasil ao Japão com escala nos EUA deverá cair nas próximas safras de cerca de 700 milhões de litros para algo entre 350 milhões a 400 milhões de litros.
A perda do mercado japonês para os americanos deve se dar não só pela mudança regulatória, mas também pela alta competitividade dos produtores dos Estados Unidos, que estão com estoques abarrotados e em pé de guerra com a indústria local de petróleo para garantir suas vendas no próprio país pelo Padrão de Combustíveis Renováveis.
Após um aumento exponencial da produção no ano passado, os estoques americanos estão oscilando em máximas históricas, da ordem de 23 milhões de barris, desde o início do ano passado, segundo dados da Agência de Informações Energéticas dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).
Nesse cenário, a competitividade do biocombustível americano está muito à frente do brasileiro. Nos cálculos da consultoria FCStone com base em preços praticados na semana passada, o custo do etanol brasileiro para as indústrias de ETBE nos Estados Unidos está 78% acima do custo do etanol americano.
Como alternativa à perda do mercado japonês, Padua vê potencial nas exportações de etanol não carburante (para uso industrial). "O Brasil conquistou novos mercados não carburantes", afirmou. Para Martinho Ono, diretor da SCA Trading, outra alternativa é a Califórnia, que possui um mandato próprio crescente de biocombustíveis que demanda etanol com maior "pegada de carbono", como o brasileiro. (Valor Econômico 22/03/2019)
 

Prisão de Temer assusta investidor e derruba mercados

A prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco deu um verdadeiro susto nos investidores brasileiros, derrubando os preços dos principais ativos locais. A preocupação no mercado é que esse novo capítulo de turbulência política respingue de alguma forma na já atribulada tramitação da reforma da Previdência, cujo debate foi iniciado pelo ex-presidente em 2016.
O receio entre os investidores é que parlamentares de seu partido, o MDB, e aliados ao ex-presidente sejam, de alguma maneira, atingidos pelas investigações que culminaram nas prisões. Na avaliação de especialistas, tudo isso coloca à prova um dos pontos mais delicados do governo Jair Bolsonaro: a capacidade de aglutinar forças no Congresso.
O resultado disso foi uma clara busca por proteção, tanto na bolsa quanto nos mercados de câmbio e de juros. Na mesma semana em que atingiu um recorde intradiário de 100.439 pontos, o Ibovespa devolveu boa parte do que ganhou, enquanto o dólar chegou a ultrapassar os R$ 3,83. Na tentativa de evitar o risco, os investidores também ajustaram posições nos contratos futuros de juros, e a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2015 fechou a 8,52%, depois de tocar 8,67% na máxima do dia.
O Ibovespa terminou a sessão regular com queda de 1,34%, aos 96.729 pontos. Houve relativa melhora em relação ao pior momento do dia, logo que as prisões foram anunciadas: na mínima, o Ibovespa chegou a cair 2,64%, aos 95.456 pontos. E o giro financeiro foi expressivo, de R$ 14,1 bilhões, acima da média diária negociada nos pregões de 2019, em torno de R$ 12 bilhões. O dólar também desacelerou a alta, para 0,98%, aos R$ 3,8009, mas ainda impôs ao real a pior desvalorização entre as principais divisas globais.
"O evento agita ainda mais o ambiente político, em um momento em que é necessário encontrar espaço para articulação entre governos, partidos, e buscar maior normalidade para construir a base para votar a Previdência. Tem um aumento de incerteza", diz Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores.
Para analistas e operadores, embora não se saiba a extensão e detalhes sobre a prisão de Temer e Moreira Franco, o evento adiciona preocupação no já difícil campo político do Brasil e ajuda a dar combustível para a realização de lucros dos investidores, que já vinha se desenhando desde a abertura. Segundo operadores, o investidor local já tinha uma tendência por embolsar os ganhos na bolsa, depois do rali que levou o Ibovespa aos 100 mil pontos.
Na opinião de Andrei Roman, cientista político e sócio da consultoria Atlas Político, o Brasil vai, no mínimo, enfrentar um período de grande incerteza, com prolongamento das negociações com os parlamentares, enquanto não se sabe ao certo os desdobramentos das prisões. Segundo o especialista, até que se saiba o desfecho das investigações, os deputados podem acabar deixando o debate da reforma em segundo plano. "Dificilmente você vai ter nesta semana e na próxima conversa sobre quantos votos tem a reforma, por exemplo. Não sei se a pauta ainda ficará no topo da agenda do Rodrigo Maia", diz Roman.
O cientista político da Atlas ressalta que, além de sogro de Rodrigo Maia - o presidente da Câmara -, Moreira Franco foi preso em um contexto de desentendimentos entre ele e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Maia suspendeu a tramitação do projeto anticrime e anticorrupção de Moro por 90 dias e criticou o pacote. "Essas disputas de poder são uma grande caixa preta, sem grande transparência. Há uma certa dificuldade sobre o que esperar, o que automaticamente gera um clima de apreensão e prejudica articulações. Mudam-se as prioridades", afirma Roman.
Após a notícia das prisões de Temer e Franco, diversas ações acentuaram o movimento de queda, caso dos bancos e da Petrobras. A ação ordinária (ON) do Bradesco fechou em baixa de 3,14%, enquanto Bradesco PN perdeu 2,20%; Banco do Brasil ON teve baixa de 2,10%, e Itaú Unibanco PN desvalorizou 1,76%.
No mesmo sentido, Petrobras ON terminou com perdas de 2%, enquanto Petrobras PN recuou 1,42%. Papéis considerados mais defensivos, pela conexão com preços internacionais de commodities e com o dólar, entraram no foco do investidor, e Suzano ON (3,15%) liderou os ganhos do dia.
Para Daniel Weeks, economista-chefe da Garde, a deterioração do ambiente de negócios, com disparada de dólar e juros futuros, além do recuo do Ibovespa, parece ser exagerada. Se por um lado o comportamento dos mercados mostra preocupação com o mundo político, em um momento de tramitação da reforma da Previdência, por outro, as prisões de Temer e Franco não são motivo para se desfazer da expectativa de aprovação da reforma. "A reação me parece exagerada", afirma.
De qualquer forma, as incertezas cobram um pedágio dos investidores locais, que vinham carregando uma firme posição "comprada" em juros futuros e Ibovespa, segmentos que mais sofreram ontem. "Tudo isso junto é combustível para o investidor evitar o risco. O mal-estar não é saudável nesse momento", afirma Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets.
Para Rafael Cortez, analista político e sócio da Tendências, as prisões também podem reforçar o discurso bolsonarista que defende a ruptura com a política tradicional, o que dificultaria a coordenação com o Congresso. "Isso pode fazer com que o governo queime pontes com o mundo da política, dificultando o apoio para a Previdência", diz. "É um cenário negativo para a reforma, coloca em risco a aprovação da matéria em 2019. Esses eventos exacerbam as dificuldades políticas da administração Bolsonaro."
"Existe um clima de ansiedade com as reformas, mas é um movimento normal. Não era de se esperar que seria um movimento linear", diz Joaquim Kokudai, gestor da JPP Capital. Para ele, ainda é cedo para falar que os ativos mudaram de patamar de preços. "A reforma é uma questão muito importante para o país e, por isso, gera mais volatilidade. A tendência é que seja aprovada, mas não é algo simples", diz.

Para virar o jogo, o governo Bolsonaro vai precisar enfrentar o dilema entre o discurso e o pragmatismo. "A busca por marcar um distanciamento da política tradicional, que deve ser reforçada por conta da prisão do ex-presidente Temer, significa menor chance de coalizão com partidos tradicionais. Portanto, aumenta o risco para a reforma da Previdência", avalia Cortez, da Tendências. "O que pode sair de positivo é o governo entender que precisa construir uma coalizão majoritária no Legislativo. (Valor Econômico 22/03/2019)