Setor sucroenergético

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Consecana resgata conceito de pagamento por sacarose

A diretoria do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP) aprovou, na manhã desta segunda-feira (25), documento de Atualização do Modelo Consecana-SP, com objetivo de ampliar a sustentabilidade econômica do setor sucroenergético.

Um novo parâmetro técnico, associado à qualidade da matéria-prima, foi instituído para a safra 2019/2020. Esse novo critério estabelece que os fornecedores que apresentarem pureza do caldo da cana-de-açúca superior ao índice médio registrado para toda a cana processada na quinzena terão direito a prêmio, a ser pago pela indústria.

Essa mudança faz parte do compromisso de atualização periódica do Modelo e tem como base a impossibilidade de se estabelecer parâmetros que representem de forma única e geral a diversidade nas regiões produtoras, além das alterações de mercado observadas nos últimos anos.

O documento também reconhece que as partes aderentes ao Sistema, unidades de processamento de cana-de-açúcar e fornecedores, são soberanas em suas relações comercias. Dessa forma, poderão negociar e definir parâmetros de bonificação/premiação de maneira complementar à referência técnica de precificação da cana-de-açúcar definida pelo Consecana-SP.

O documento indica, ainda, que o Conselho, por meio de estudos técnicos, deverá avaliar os eventuais impactos da implementação do Renovabio sobre a dinâmica atual do Modelo.

"O Consecana-SP inova mais uma vez ao incorporar ao modelo novo parâmetro técnico que induz à busca por ganhos de eficiência, fortalecendo toda a cadeia sucroenergética", acrescenta o diretor técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues.

A circular detalhando os procedimentos para a aplicação do prêmio por pureza e o documento assinado estarão, em breve, disponíveis em: http://www.consecana.com.br/ (Reuters 26/03/2019)

 

Liderança do setor sucroalcooleiro crê em dias melhores

Após mais de meia década de retração de produção e renda no segmento sucroalcooleiro, o otimismo voltou a dominar os dirigentes do segmento. Seja pela provável concretização da primeira política nacional de valorização da "externalidade positiva" do etanol, seja pelas reformas prometidas pelo governo Bolsonaro, Marcelo Ometto, da mais tradicional família de usineiros do país, assumiu ontem a presidência do conselho da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) vislumbrando uma recuperação e pronto para retomar os planos de tornar o biocombustível uma commodity global.

Um dos três acionistas controladores da São Martinho e presidente do conselho da companhia desde o ano passado, o empresário, de 57 anos, afirmou, em entrevista ao Valor, que a interlocução com Brasília deve ser prioridade da Unica, sobretudo diante da necessidade de garantir "previsibilidade" para investimentos na área. A entidade também trocou de presidente há um mês e o cargo foi assumido por Evandro Gussi, ex-deputado responsável por apresentar o projeto de lei que criou o RenovaBio, para reforçar o diálogo do segmento com o governo.

Marcelo ponderou que "[a política] sempre foi um ponto de atenção, mas que agora é uma preocupação boa, para melhor", uma alusão ao período em que os preços da gasolina não eram reajustados, o que minou a competitividade do etanol nos postos. Ele demonstra cautela, entretanto, ao avaliar os sinais emitidos pela gestão de Jair Bolsonaro.

"Nossa expectativa era que o país fosse mudar em pouco tempo, mas isso não é possível. Demanda trabalho e dedicação, como tudo na vida", afirmou. O empresário classificou a equipe do governo como "qualificada" e ressaltou o papel positivo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, mas disse que vê como "ponto de atenção" a "disputa entre os poderes". "Sem vontade política e esforço, não se chega a um denominador comum", disse.

Pelos últimos cálculos do Ministério da Agricultura, o valor bruto da produção de cana no país ainda cairá em 2019 para R$ 56,8 bilhões, R$ 18 bilhões a menos que o recorde de 2017, quando os preços do açúcar ofereceram algum alívio.

Até o momento, o governo não conseguiu levar para frente uma das demandas mais urgentes do segmento, que é a negociação com os EUA sobre a flexibilização das cotas de açúcar e etanol dos dois países. Apesar da recente visita de Bolsonaro a Washington, a pauta não foi sequer mencionada.

Marcelo não crê que a janela de negociações esteja fechada, mas defendeu que, sem acordo, o Brasil deve taxar toda a importação de etanol - que custou US$ 743,3 milhões ao país em 2018, quando houve superávit nessa frente de US$ 148,8 milhões, após um déficit de US$ 90 milhões em 2017. "Quando retiramos a taxa da importação, havia a perspectiva de que os EUA se abrissem ao açúcar e ao etanol brasileiro, com o E15, mas isso não ocorreu."

Apesar da defesa "protecionista", ele acredita que o etanol ainda pode se tornar uma commodity mundial, e enxerga sinais que corroboram essa tendência.

"Os indianos já vieram nos visitar na Unica, e querem produzir etanol. Hoje eles dependem de importação de petróleo", afirmou. Marcelo acredita que o Brasil pode "exportar" seu modelo de produção de etanol a países da Ásia com histórico de subsídio ao açúcar, como Tailândia, China e Paquistão, além da Índia, e acredita que é possível, mais adiante, firmar acordos bilaterais para facilitar esse comércio. (Valor Econômico 27/03/2019)

 

Marcelo Ometto, da São Martinho assume a presidência do conselho deliberativo da Unica

O presidente do Conselho de Administração da São Martinho, Marcelo Ometto, assumiu nesta terça-feira a presidência do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O executivo vai substituir Pedro Mizutani, vice-presidente de relações externas da Raízen, completando o tempo restante do mandato 2018/2020.

“Pedro Mizutani esteve à frente do Conselho durante anos desafiadores em que o setor teve que se reinventar. Desempenhou papel importante também para a criação do RenovaBio. Agora, Marcelo Ometto assume essa posição em momento de unir o setor entorno desse novo horizonte”, ressaltou o diretor presidente da Unica, Evandro Gussi.

O novo presidente do Conselho Deliberativo da Unica tem mais de 30 anos de experiência no setor de cana-de-açúcar. “Vivemos um momento muito especial com a regulamentação e o preparo do setor para o RenovaBio. Será um ano de muito trabalho e queremos estar próximos dos nossos associados. Pretendo me dedicar às novas atribuições com afinco para dar continuidade aos avanços conquistados por meus antecessores e ampliar o fortalecimento do setor”, comentou Ometto.

Marcelo Ometto é graduado em administração de empresas pela Universidade de Ribeirão Preto e tem especialização em administração agrícola pela Fundação Getúlio Vargas. Ocupa o cargo de diretor presidente da Dimas Ometto Participações S.A., foi membro do Conselho Consultivo do Centro de Tecnologia Copersucar, membro do Conselho de Administração da Santa Cruz S.A. Açúcar e Álcool e, atualmente, é presidente do Conselho de Administração da São Martinho S.A.

Marcelo Ometto também foi presidente do Conselho de Administração da Nova Fronteira Bioenergia S.A. no período de 2010 a 2017. A joint venture entre a São Martinho e a Petrobras Biocombustível S.A. teve como principal objetivo, através da Usina Boa Vista, ampliar a produção de etanol na região Centro-Oeste.

A São Martinho apontou Mauricio Krug Ometto como novo representante da companhia no Conselho Deliberativo da Unica. Já o grupo Raízen apresentou a indicação de Pedro Mizutani para Conselheiro com direito a voto, cargo ocupado anteriormente por Juliano Tamaso.

Também fazem parte do Conselho Deliberativo da Unica: Alberto Pedrosa (Clealco), Amaury Eduardo Pekelman (Atvos), Antonio Eduardo Tonielo (Viralcool), Antonio José Zillo (Zilor), Carlos Ubiratan Garms (Cocal), Dorothea Soule (Biosev), Fredy Assis Colombo (Colombo), Guilherme Fontes Ribeiro (São Martinho), Jacyr da Silva Costa Filho (Tereos), José Pilon (J. Pilon), Juan José Blanchard (Biosev), Luis Henrique Guimarães (Raízen), Luis Roberto Pogetti (Copersucar), Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Alto Alegre), Luiz de Mendonça (Atvos), Marcelo de Andrade (Cofco), Marcos Marinho Lutz (Raízen), Martus Antonio Rodrigues Tavares (Bunge), Renato Junqueira Santos Pereira (Adecoagro), Riccardo Nardini (Nardini), Roberto de Rezende Barbosa (Raízen), Rubens Ometto Silveira Mello (Raízen) e Werther Annicchino (Copersucar).

Já o Conselho Fiscal é composto por André Albuquerque (Raízen), Carlos Dinucci (São Manoel), Claudio Piquet Carneiro Pessoa dos Santos (Glencane), Luciano Sanches Fernandes (Cerradinho), Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo (Alta Mogiana) e Maria Carolina Ometto Fontanari (São João). (Unica 26/03/2019)

 

Chuvas prejudicam moagem

A moagem de cana está sendo retomada na região Centro-Sul do país, mas com atraso em relação ao ritmo observado às vésperas do início da safra passada por causa das chuvas, de acordo com levantamento da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Na primeira quinzena de março, foram processadas 1,6 milhão de toneladas de matéria-prima por 27 usinas, segundo a entidade. O volume foi 53,5% menor que no mesmo período do ano passado, quando 50 unidades já estavam preparadas para o início da temporada 2018/19, em abril.

Como o calendário da safra 2018/19 ainda não terminou "oficialmente", o que acontecerá em 31 de março, o volume de cana processado na primeira quinzena de março é contabilizado no ciclo atual. Assim, o volume processado em 2018/19 chegou a 566,046 milhões de toneladas, uma redução de 3,8% na comparação com o mesmo período do ciclo 2017/18.

O teor de concentração de sacarose na cana, por sua vez, alcançou, no acumulado da safra, 138,36 quilos por tonelada moída, uma ligeira alta de 1,01% na comparação anual.

Como o mix médio é muito mais alcooleiro em 2018/19 do que na temporada anterior (64,65% do caldo de cana deste ciclo foi usado para produzir o biocombustível, ante 53,27% um ano antes), a produção de etanol apresenta forte aumento. Já foram produzidos 21,466 bilhões de litros de etanol hidratado, alta de 41%. O volume de anidro caiu 12,8%, para 9,1 bilhões de litros. (Valor Econômico 27/03/2019)

 

Atraso em colheita de cana no Brasil pode surpreender operadores na ICE

Um provável atraso no início da safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil pode pegar alguns players do mercado futuro de açúcar em Nova York desprevenidos; forçando-os a cobrir posições, segundo analistas e operadores de commodities.

Embora a safra de cana 2019/20 no centro-sul comece oficialmente em abril, muitas usinas iniciam a moagem mais cedo se as plantações já estiverem aptas para colheita. No entanto, os canaviais neste ano estão se desenvolvendo com algum atraso, após um período de seca entre dezembro e janeiro, seguido por amplas chuvas em março.

A chuva tardia pode levar algumas usinas a evitar o esmagamento para permitir que a cana transforme essa umidade em melhores rendimentos agrícolas.

"Se isso acontecer, se efetivamente tiver um atraso na safra, nós vamos ver as tradings e as usinas se movimentando para resolver esse problema de disponibilidade", disse Arnaldo Corrêa, diretor da consultoria especializada Archer Consulting.

Na sexta-feira passada, dados do governo dos EUA mostraram que os especuladores reduziram sua posição vendida líquida em açúcar bruto na bolsa de futuros ICE, surpreendendo muitos no mercado.

O Brasil é um grande fator de oscilação no mercado mundial de açúcar, devido à flexibilidade de suas usinas, que conseguem ir mais rápido ou mais devagar no processamento, ou direcionam mais cana para etanol em detrimento do açúcar, dependendo dos preços.

"Se houver um atraso na moagem, a oferta de açúcar bruto que pode ser entregue contra o vencimento do contrato maio pode ser severamente restringida", disse um analista de uma grande trading europeia à Reuters.

"Haverá muito debate sobre especificamente quanto de cana será esmagado na segunda quinzena de março e em abril", disse o analista, pedindo anonimato.

O início da colheita de cana no Brasil variou drasticamente nos últimos anos. Em 2016, as usinas brasileiras processaram 80 milhões de toneladas de meados de março até o final de abril, mas em igual período de 2017 esse volume caiu para menos de 50 milhões de toneladas.

No ano passado, o centro-sul do Brasil esmagou 67,7 milhões de toneladas nesse intervalo de seis semanas, produzindo 2,41 milhões de toneladas de açúcar. Os analistas estão prevendo menor moagem neste ano.

A Datagro, por exemplo, vê a maioria das usinas adiando o início da moagem em duas semanas devido aos altos estoques de etanol e desenvolvimento incompleto da cana.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou nesta terça-feira que apenas 27 usinas do centro-sul operavam na primeira quinzena de março, contra 50 há um ano.

Se o processamento continuar atrasado, as usinas e traders que já venderam açúcar em Nova York poderão rolar suas posições para o contrato julho, em vez de entregar o açúcar. Isso poderia deixar alguns compradores tendo que ir atrás de novos suprimentos.

A previsão de tempo aberto no início de abril no centro-sul do Brasil, no entanto, poderia ajudar a impulsionar a moagem, trazendo açúcar para o mercado como esperado.

Dib Nunes, um especialista brasileiro em cana, disse que os canaviais em algumas regiões importantes, como Presidente Prudente e Araçatuba, provavelmente sofrerão atrasos no processamento, mas outras partes do Estado de São Paulo talvez não tenham esse problema.

Nem todas as usinas brasileiras sem dinheiro podem se dar ao luxo de esperar, no entanto.

"Um atraso potencial seria de 15 ou 20 dias no máximo, não mais, porque muitas usinas também precisam fazer caixa", disse ele, acrescentando que muitas empresas optam por iniciar cedo e produzir etanol para venda no mercado à vista, que oferece liquidez diária. (Reuters 26/03/2019)

 

Unica vê 27 usinas de cana operando na 1ª quinzena, ante 50 há um ano

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou nesta terça-feira que 27 usinas operaram na região centro-sul na primeira quinzena de março, ante 50 neste mesmo período do ano passado.

A Unica informou que usinas de centro-sul moeram 1,59 milhão de toneladas de cana na primeira quinzena de março, 53,5 por cento menos que no mesmo período do ano anterior.

"A menor moagem se deve ao menor número de unidades em operação neste ano e ao clima mais chuvoso no início de março, o que dificultou a operacionalização da colheita", disse em nota o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

A nova temporada de açúcar e etanol do Brasil começa oficialmente em abril, mas algumas usinas começam o processamento antes disso, se tiverem cana pronta para ser processada ou se precisarem levantar dinheiro rápido produzindo etanol para venda no mercado à vista.

Os números da Unica reforçam um senso geral no mercado de que as usinas devem atrasar o início da nova temporada por causa de um longo período de seca em dezembro e janeiro e depois pelas chuvas em março, que retardaram o desenvolvimento da cana.

A produção de açúcar foi marginal em 9.000 toneladas (80,9 por cento menos que no ano anterior). A produção de etanol foi de 142 milhões de litros (23 por cento menos).

As vendas de etanol permaneceram fortes na primeira metade de março, em 1,22 bilhão de litros, com as usinas continuando a vender seus estoques.

As vendas de etanol hidratado, que compete com a gasolina nas bombas, aumentaram 23,5 por cento em relação ao ano passado, para 824 milhões de litros.

Para Padua, "o preço do etanol hidratado continua atrativo e os consumidores estão optando pelo seu uso".

Mas o executivo ressaltou o aumento no valor do biocombustível em algumas regiões do Brasil ao longo das últimas semanas.

Esse movimento, segundo a Unica, não guarda relação com o preço recebido pelo produtor, que já reduziu 8 por cento nos 10 últimos dias, segundo o indicador diário publicado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. (Reuters 26/03/2019)

 

Petrobras congela preço do diesel por 15 dias

Política de preço da petroleira foi o pivô da greve dos caminhoneiros em 2018; anúncio, no entanto, não pôs fim à articulação para nova greve; estatal não vai pagar mais PLR para os funcionários.

A Petrobras anunciou nesta terça-feira, 26, duas medidas favoráveis aos caminhoneiros, que devem influenciar o movimento de greve articulado nas redes sociais. A petroleira se comprometeu a congelar o preço do óleo diesel nas refinarias por pelo menos 15 dias e ainda lançar um “cartão caminhoneiro” para a compra do combustível a um valor fixo nos postos da BR Distribuidora.

A nova ferramenta deve funcionar como proteção contra a volatilidade de preços da estatal, que acompanha as oscilações do mercado externo. Apesar do anúncio, a articulação para a greve ainda permanece em alguns grupos do WhatsApp.

Por causa da política de preços dos combustíveis da Petrobras, os caminhoneiros pararam o País, em maio do ano passado. Neste início de ano, com o petróleo em alta, o diesel voltou a ser uma ameaça e mais uma vez a classe avalia cruzar os braços.

O problema começou ainda na gestão do ex-presidente da companhia Pedro Parente que, para recompor o caixa, determinou a revisão diária da tabela nas refinarias, em linha com o mercado internacional. Sem saber o preço que pagaria pelo combustível no fim de uma viagem, os caminhoneiros entraram em greve e Parente perdeu o cargo. Além disso, para encerrar os protestos, o governo ainda subsidiou por um semestre. Apenas em 2019, o diesel voltou a ser reajustado periodicamente, semanalmente. Nesta terça, sob ameaça de nova greve, a Petrobras anunciou que vai manter os preços inalterados por, pelo menos, mais uma semana.

Reportagem publicada no fim de semana pelo Estado mostrou que o governo tem monitorado as primeiras movimentações de caminhoneiros no País. O acompanhamento é feito pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e apontou o início de uma articulação por meio de mensagens de WhatsApp.

A pauta de reivindicações da classe tem três focos. O primeiro pedido diz respeito ao piso mínimo da tabela de frete. Os caminhoneiros reclamam que as empresas têm descumprido o pagamento do valor mínimo e cobram uma fiscalização mais ostensiva da ANTT. O segundo é o preço do óleo diesel. Os caminhoneiros querem que o governo estabeleça algum mecanismo para que o aumento dos combustíveis, que se baseia no dólar, seja feito só uma vez por mês, e não mais diariamente. O terceiro item diz respeito à construção de mais estruturas de paradas de descanso para os caminhoneiros, ao longo das estradas.

O anúncio de ontem da Petrobras atende em parte as demandas, mas por isso não é por si só uma garantia de suspensão da greve. Mesmo no que se refere exclusivamente ao valor do combustível, representa um aceno parcial de que vai se ajustar às reivindicações. Em vez de um mês, a empresa garantiu 15 dias de congelamento, embora o preço possa permanecer inalterado indefinidamente.

Cartão

Além disso, a empresa sinalizou com um novo mecanismo de proteção às oscilações internacionais das commodities. Em até 90 dias, vai lançar, com a subsidiária BR Distribuidora, o cartão caminhoneiro, que vai permitir a compra do combustível a um preço fixo por um espaço de tempo ainda não definido. Os detalhes de como funcionará a ferramenta ainda estão sendo analisadas e vão ser anunciadas pela empresa.

Leonardo Gadotti, presidente-executivo da Plural, entidade que reúne distribuidoras do porte da BR, Raízen e Ipiranga, não vê problemas para a concorrência de mercado.

Segundo ele, desde que os ajustes de preço não sejam previamente anunciados e continuem tendo como parâmetro o mercado internacional, os investidores não serão contra esta iniciativa.

PLR

A diretoria da Petrobras também anunciou aos empregados que não vai mais pagar participação no lucro (PLR) a partir de 2020. O benefício será incorporado a um novo programa de remuneração variável, que apenas será distribuído nos anos em que a empresa registrar lucro de pelo menos R$ 10 bilhões. As mudanças foram aprovadas pelo conselho de administração na semana passada e comunicadas aos funcionários via intranet, na última segunda-feira, 25.

“Alinhado ao Plano de Negócios e Gestão, o programa valorizará a meritocracia e trará flexibilidade para um cenário em que a empresa busca mais eficiência e alinhamento às melhores práticas de gestão”, traz o comunicado interno ao qual o Estado/Broadcast teve acesso.

Com essa medida, a empresa encerrou unilateralmente a negociação que mantinha com sindicatos, desde o ano passado. Em um primeiro momento, ainda no governo de Michel Temer e presidência de Ivan Monteiro, a petroleira tentava condicionar o pagamento da PLR ao alcance de metas financeiras. A intenção era que, em anos de prejuízo ou quando o endividamento estivesse muito elevado, o benefício não fosse distribuído.

Até então, o PLR era calculado a partir de métricas operacionais. Se as metas das principais áreas fossem atingidas, os funcionários eram remunerados, independentemente do resultado financeiro alcançado no ano. O argumento dos sindicatos para defender esse modelo sempre foi que o pessoal de chão de fábrica não possui ingerência sobre questões financeiras e, por isso, não poderia ser penalizado por métricas que dizem respeito ao caixa.

O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, afirmou que a entidade ainda avalia como se posicionará. (O Estado de São Paulo 27/03/2019)

 

Produção de etanol de milho bateu recorde na 1ª quinzena de março

A produção de etanol a partir do processamento de milho (quimicamente igual ao de cana) bateu recorde na primeira quinzena de março no Centro-Sul do Brasil. Segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), somou 52,76 milhões de litros.

De acordo com a entidade, seis usinas produziram o biocombustível a partir do cereal no período. A maior parte das usinas do país que usam milho para fabricar etanol têm capacidade para operar tanto com o grão quanto com cana.

Desde o início da safra sucroalcooleira 2018/19, em abril do ano passado, até a primeira quinzena de março, a produção de etanol de milho alcançou 745,05 milhões de litros, um crescimento de 52% ante o produzido no ciclo passado. (Valor Econômico 26/03/2019)

 

Venda de etanol hidratado subiu 23,5% na 1ª quinzena de março no país

As usinas do Centro-Sul entregaram às distribuidoras de combustíveis 824,12 milhões de litros de etanol hidratado para venda no mercado interno na primeira quinzena de março, um crescimento de 23,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Desde o início da safra 2018/19, o volume de hidratado vendido no país já cresceu 35,6%, para 20,048 bilhões de litros.“O preço do etanol hidratado continua atrativo e os consumidores estão optando pelo seu uso”, ressaltou Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, em nota.

De acordo com os últimos levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol hidratado está mais competitivo do que a gasolina nos principais centros consumidores, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. No Paraná, o produto perdeu competitividade para o combustível fóssil na segunda metade de fevereiro.

De etanol anidro, misturado à gasolina, foram vendidas, desde o início da safra até a segunda metade de março, 8,091 bilhões de litros, queda de 10,4%.

Para o mercado externo, as usinas da região venderam, no acumulado da safra, 1,518 bilhão de litros de etanol (anidro e hidratado), aumento de 4,3%. (Valor Econômico 26/03/2019 às 12h:06m)