Setor sucroenergético

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Executivos da Raízen renunciam ao cargo

Dois executivos da Raízen renunciaram aos cargos, o diretor de Operações, João Alberto Fernandez de Abreu, e Pedro Mizutani, diretor sem designação específica, segundo ata de reunião do conselho de administração da companhia divulgada nesta quinta-feira.
Para o lugar de Abreu, o conselho nomeou o engenheiro Francis Vernon Queen Neto, enquanto o posto de Mizutani foi mantido vago, sem previsão de ser assumido por um novo executivo.
Queen Neto, antes vice-presidente de Operação de Açúcar, Etanol e Cogeração da empresa, terá mandato na diretoria de Operações até 1º de junho de 2020 (Reuters, 18/4/19)
 

Tereos Internacional mantém busca para ampliar financiamento, dizem fontes

A Tereos tem lutado com condições ruins do mercado desde que a União Europeia encerrou o regime de cotas.
O grupo francês de açúcar Tereos ainda está trabalhando para encontrar mais bancos para distribuir o risco de um empréstimo de 250 milhões de euros garantido no início deste ano, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto.
A Tereos, segunda maior produtora de açúcar do mundo, tem lutado com condições ruins do mercado desde que a União Europeia encerrou o regime de cotas, em 2017, alertando que isso causaria perdas pelo segundo ano consecutivo nesta temporada.
A endividada cooperativa disse em fevereiro que havia firmado um empréstimo de 250 milhões de euros com BNP Paribas, Natixis e Rabobank, para recomprar metade de seus bônus de 2020 com um ano de antecedência.
A Tereos lançou uma rodada com cerca de 10 bancos, incluindo outros membros de seu pool bancário e alguns novos, em uma oferta para distribuir o risco, segundo as fontes.
A chamada, por 50 milhões de euros, não atraiu nenhum interessado até 15 de abril, afirmaram.
“O grupo está em diálogo constante com seus parceiros financeiros em várias operações ao redor do mundo. O grupo não comenta estas discussões privadas, que, vistas isoladamente, podem dar uma visão enganosa do financiamento do grupo”, disse a Tereos em um comunicado via e-mail.
Potenciais interessados foram afastados pelas condições ruins enfrentadas pelos produtores de açúcar europeus, com um colapso nos preços, mas também pelo alto índice de dívidas da empresa, que batia 2,7 bilhões de euros ao final de 2018 (alta de 4,5 por cento ante 2017), e pelos fracos resultados esperados para este ano, disse uma fonte.
“O problema aqui foi o risco significativo. O preço oferecido falhou em atrair bancos”, afirmou uma fonte. “Isso significa que eles terão de pagar mais e ir para outro lugar.”
Natixis e BNP se recusaram a comentar. O Rabobank não estava imediatamente disponível para comentários. (Agência Estado 22/04/2019)
 

Açúcar: Petróleo em alta

Com muitos investidores já em ritmo de feriado da Sexta-feira Santa, as negociações tiveram baixa liquidez no pregão de quinta-feira em Nova York.
Sem grandes emoções, o avanço da cotação do petróleo deu sustentação para recuperação dos preços do açúcar.
Os contratos do demerara com vencimento em julho subiram 45 pontos, a 12,98 centavos de dólar a libra-peso.
O movimento foi de recuperação técnica, após quedas expressivas. A tendência, avalia Cláudio Miori, diretor da Fitch Ratings para o segmento de açúcar e etanol é a de que os preços do adoçante tenham uma "recuperação lenta" nesta safra (2019/20) do Centro-Sul do Brasil.
No país, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 69,79 a saca de 50 quilos, alta de 1%. (Valor Econômico 22/04/2019)
 

Polêmica sobre preço do diesel assusta setor de etanol

A polêmica sobre o preço do diesel que envolveu o presidente Jair Bolsonaro assustou o setor sucroenergético brasileiro, que não esconde certo receio com os próximos movimentos do governo, embora tenha procurado avaliar o caso como algo "pontual".
Na semana passada, Bolsonaro ligou ao presidente da Petrobras reclamando do reajuste de 5,7 por cento no valor do diesel nas refinarias e pediu esclarecimentos. Após o telefonema, houve cancelamento da alta pela estatal, o que trouxe de volta ao mercado receios de intervenções governamentais nos preços de combustíveis.
Ao longo desta semana, contudo, integrantes do governo declararam que a Petrobras tem autonomia para realizar seus reajustes. Na véspera, a estatal elevou o preço do diesel em 4,8 por cento, com o CEO da companhia, Roberto Castello Branco, reafirmando a independência da empresa para realizar mudanças nas cotações.
Ainda que a polêmica tenha envolvido o diesel, e não a gasolina, concorrente direto do etanol, o movimento de Bolsonaro remeteu ao controle de combustíveis que vigorou em governos anteriores e acarretou em pesadas perdas ao segmento sucroenergético.
"No primeiro momento, sim, houve uma preocupação dessa intervenção... Me parece que esse tema já foi corrigido e que não haverá nenhuma intervenção no preço da gasolina... Mas agora vamos esperar para ver se manterá no futuro", afirmou o diretor técnico da União da indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, ao ser questionado pela Reuters.
Uma ação do governo na Petrobras que voltasse a interferir nos preços da gasolina poderia, potencialmente, levar o setor sucroenergético a rever seu mix de produção na atual temporada, iniciada neste mês.
O centro-sul como um todo maximizou a fabricação de álcool em 2018/19, graças a uma demanda robusta, com o produto mais competitivo frente a gasolina e em meio a enfraquecidos preços do açúcar no mercado internacional. A produção atingiu históricos 31 bilhões de litros de etanol e 26,5 milhões de toneladas de açúcar.
SEM SAÍDA
Na avaliação de Rodrigo Vinchi, um dos responsáveis pela parte agrícola da Atvos, a polêmica em torno do diesel levantou temores justamente porque as cotações do açúcar ainda estão em níveis não muito atrativos. Assim, em caso de impacto ao etanol, a situação ficaria complicada.
"Isso preocupa, e confiamos nas entidades que nos representam. Mas vejo como algo pontual, algo que não estava no radar", comentou ele na véspera durante intervalo de evento em Ribeirão Preto (SP).
Conforme ele, a Atvos, braço sucroenergético do conglomerado Odebrecht, deve destinar cerca de80 por cento de cana para etanol na safra corrente, com produção prevista de 2,1 bilhões de litros, a companhia é, tradicionalmente, mais alcooleira.
Para Cassio Paggiaro, superintendente na Usina Atena, em Martinópolis (SP), o “panorama” composto por preços fracos do açúcar e etanol prejudicado por eventuais movimentos do governo na Petrobras seria uma “tragédia”.
“É preocupante. Se se perpetuar, para a sociedade como um todo não é interessante”, afirmou ele,destacando que sua companhia, com capacidade para moer até 1,5 milhão de toneladas de cana por safra, deve alocar em torno de 60 por cento da oferta de matéria-prima para etanol.
O setor de etanol conta com a manutenção da racionalidade econômica para lidar com um endividamento elevado, o maior desde 2014/15, por causa da escalada do dólar, segundo dados do Rabobank. Tal endividamento teve, em parte, origem no período em que os preços da gasolina eram controlados.
De acordo com pesquisa da Reuters, o centro-sul do Brasil deve processar 572,4 milhões de toneladas de cana em 2019/20, com produção de 28,36 milhões de toneladas de açúcar e 29,29 bilhões de litros de etanol. (Reuters 18/04/2019)
 

Mix de cana para etanol e açúcar em 19/20 pode repetir safra anterior, diz Unica

O mix de produção entre açúcar e etanol na safra de cana 2019/20no centro-sul do Brasil pode ser semelhante ao do ciclo anterior, dependendo do volume de matéria-prima a ser processada pelas usinas no principal polo canavieiro do mundo, disse à Reuters um represente da associação da indústria Unica.
Diversas consultorias e entidade vêm apontando que o setor no centro-sul alocará, percentualmente, uma parcela maior de cana para fabricação do adoçante, tendo em vista um cenário de preços internacionais mais firmes no segundo semestre em razão de um provável déficit na oferta global.
Na avaliação do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, as usinas devem mesmo fabricar entre 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas a mais de açúcar na temporada vigente, iniciada neste mês, segundo o que aponta o mercado.
Só que uma eventual expansão na moagem faria com que o mix pouco se alterasse ante 2018/19, quando 35,2 por cento do total de cana foi para a produção de açúcar.
"O resultado do mix pode ser o mesmo da última safra, dependendo da oferta de cana. Se a oferta de cana ficar na mesma faixa do último ano, de 573 milhões de toneladas, e se produzindo de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas a mais de açúcar, o mix vai sair de em torno de 35 para até 37 por cento para açúcar. Mas se houver incremento na oferta de cana, o mix deve se manterem 35 por cento", explicou ele.
Uma maior oferta de cana permitiria que o setor elevasse a produção de açúcar semcomprometer a fabricação de etanol.
A Unica não tem projeções oficiais para a safra corrente.
Entretanto, há quem preveja um aumento no total de cana moída em 2019/20, como a Copersucar, que vê processamento de até 590 milhões de toneladas na temporada.
Na média de pesquisa da Reuters com outros agentes, incluindo a Copersucar, o esmagamento foi previsto em 572,4 milhões de toneladas em 22 de março, com produções de 28,36 milhões de toneladas de açúcar e 29,29 bilhões de litros de etanol.
DIESEL
Segundo Rodrigues, a recente polêmica sobre o preço do diesel, que envolveu o próprio presidente Jair Bolsonaro, não deve levar o setor a alterar sua programação de açúcar e etanol na safra.
"No primeiro momento, sim, houve uma preocupação dessa intervenção... Me parece que esse tema já foi corrigido e que não haverá nenhuma intervenção no preço da gasolina... Mas agora vamos esperar para ver se se manterá no futuro”, afirmou.
A polêmica relembrou a ação de governos anteriores, que seguravam as cotações dos combustíveis para controlar a inflação, em uma medida que prejudicava a competitividade do etanol nos postos e, consequentemente, a saúde financeira das usinas. (Reuters 18/04/2019)
 

Etanol hidratado sobe 4,66% e bate recorde histórico; anidro avança 8,67%

O etanol hidratado subiu 4,66% nas usinas paulistas entre segunda-feira e esta quinta-feira. O litro semanal do combustível variou de R$ 1,8962 para R$ 1,9846, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
O valor é o novo recorde histórico em termos nominais em mais de 16 anos de avaliação da instituição de pesquisa e supera o anterior, de R$ 1,9528 litro, da semana encerrada em 11 de março de 2016.
Já o valor do anidro avançou 8,67% esta semana, de R$ 1,9360 para R$ 2,1038 o litro, em média, o maior desde o da semana finalizada em 11 de novembro de 2016, de R$ 2,1094 o litro.
A alta demanda pelo biocombustível, principalmente do hidratado, e a oferta pequena na safra 2019/2020 de cana-de-açúcar, cuja colheita começou mais tarde e sofreu com atrasos por causa da chuva, são as causas principais da disparada nos preços do biocombustível. (Agência Estado 22/04/2019)
 

Olfar, produtora de biodiesel do RJ, será primeira usina certificada para o RenovaBio

A usina da Olfar em Porto Real (RJ) deverá ser a primeira unidade produtora de biocombustível a contar com a certificação necessária para emitir Créditos de Descarbonização (CBios). A empresa, que produz biodiesel, encaminhou sua documentação à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 11 de março.
O projeto de certificação da Olfar foi conduzido pela Green Domus. Em janeiro, a consultoria paulistana foi a primeira credenciada pela ANP para atuar como certificadora em projetos de fabricantes de biocombustíveis interessados no RenovaBio.
Antes de receber o sinal verde das ANP, a documentação da Olfar de Porto Real terá que cumprir uma etapa de consulta pública pelo prazo de 30 dias.
Ganho potencial
Adquirida pela Olfar em meados de 2015, a usina de Porto Real fabricou um pouco mais de 79,1 milhões de litros de biodiesel no ano passado. Se o RenovaBio já estivesse em funcionamento, a unidade poderia, em uma estimativa grosseira, ter ganhado até R$ 23,5 milhões com a venda de CBios.
A projeção parte de números do RenovaCalc e de premissas elaboradas pelo MME durante a fase de planejamento do programa. O cálculo ainda usa o maior valor de CBio projetado pelo MME, R$ 146,00.
Este montante se aproxima de 10% dos R$ 240,9 milhões que a planta faturou no ano passado com entregas de biodiesel. (Reuters 22/04/2019)
 

O governo deve adotar a livre flutuação do preço dos combustíveis? Não

O último ruído entre Petrobras e governo parece o filme "Feitiço do Tempo", onde o protagonista é condenado a reviver o mesmo dia até ser capaz de voltar a uma vida melhor.
Mais uma vez houve proposta de aumento substancial do preço do combustível. Mais uma vez o governo interveio para adiar ou amenizar o ajuste, criando incerteza sobre a Petrobras e risco de nova greve de caminhoneiros.
O problema não é novo, nem exclusivo do Brasil. Vários países emergentes têm dificuldade em definir preço de combustíveis em períodos de alta repentina. O problema também não é fácil, pois alguém sempre paga o custo: o consumidor de combustível, o contribuinte do Tesouro ou o acionista da Petrobras (que inclui os contribuintes).
Do ponto de vista econômico, o ideal é que o preço interno do combustível tenha como referência a paridade internacional, definida pelo preço do produto em dólares, convertido pela taxa de câmbio, e acrescido dos custos de importação. O preço pode ser inferior a essa paridade, mas deve manter uma relação estável com tal valor, pois este é custo de oportunidade da Petrobras.
Mais importante, o consumidor deve pagar o preço de mercado, porque isso gera a alocação mais eficiente de recursos a longo prazo, estimulando inovações e fontes alternativas de energia. O problema está no curto prazo.
O preço do petróleo varia bastante e nossa taxa de câmbio também é volátil. Juntando as duas coisas, o preço do combustível nas refinarias acaba sendo incerto, com mudanças súbitas como vimos em 2018 e novamente agora.
Quando a flutuação é para baixo, ninguém reclama. Quando ela acontece para cima, a chiadeira é grande, sobretudo por parte de caminhoneiros autônomos que assumem contratos de fretes sem conhecer antecipadamente o custo do combustível.
Existem várias formas de lidar com esse problema. O governo, por exemplo, pode criar um fundo de estabilização, alimentado por uma contribuição de alíquota variável, reduzindo a arrecadação em períodos de alta de preços, e aumentando a arrecadação quando o oposto ocorrer. Assim, a refinaria cobraria sempre o preço de mercado, mas o preço pago por seus clientes seria suavizado por variações de tributos.
Já fizemos isso no passado (a "conta petróleo"). O Chile faz isso hoje, via "Mecanismo de Estabilização do Preço do Combustível". Na teoria funciona bem. Na prática há problemas quando ocorre alta prolongada do preço internacional e/ou do câmbio. Fundos de suavização são medidas temporárias para preparar o mercado para a livre flutuação de preços.
As soluções permanentes vão em duas direções aparentemente contraditórias: mais mercado e mais governo. Do lado do mercado, é preciso estimular a organização dos caminhoneiros em cooperativas (sindicatos) e proporcionar contratos privados de médio prazo para diminuir a incerteza sobre o preço de combustível (o cartão Petrobras vai nessa direção).
Do lado do governo, o preço da refinaria é cerca de 54% o preço final ao consumidor. O resto é imposto e margem de distribuição. Quanto maior o imposto, menor o impacto de variações dos preços internacionais sobre o preço no varejo. Assim, onde o imposto é fixo e elevado (Europa), não há tanta volatilidade de preços ao consumidor.

Se e quando os preços internacionais caírem novamente, deveríamos aumentar a tributação sobre combustíveis fósseis e direcionar os recursos para novas fontes de energia e outros modais de transporte. Com isso, o próprio petróleo financiará a transição para um mundo menos dependente do petróleo. (Folha de São Paulo 22/04/2019)