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Justiça do Trabalho condena Raízen a voltar a remunerar horas de deslocamento ao trabalho

Empresa havia eliminado as horas in itinere após a reforma, provocando redução dos salários; agora terá que pagar R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos.
A 3ª Vara do Trabalho de Araraquara (SP) condenou a Raízen Araraquara Açúcar e Álcool Ltda. a computar no salário dos seus empregados o período de deslocamento entre a residência e o local de trabalho, conhecido como “horas in itinere”, sob pena de multa de R$ 5 mil por trabalhador atingido. A título de danos morais coletivos, a sentença impõe o pagamento de indenização no montante de R$ 10 milhões. A ação é do Ministério Público do Trabalho em Araraquara.
Na sentença, o juiz João Baptista Cilli Filho argumenta que, quando as frentes de trabalho se localizarem em locais de difícil acesso ou não servidos por transporte público, as parcelas da jornada in itinere devem ser pagas, ou fica “configurada a lesão coletiva apontada na inicial” do MPT.
O magistrado citou, na decisão, uma série de peças doutrinárias e dispositivos constitucionais que fundamentam a obrigação do pagamento pelas horas de percurso. Para ele, a exclusão das horas in itinere do cenário jurídico trabalhista seria “acoroçoar a ofensa ao princípio do não retrocesso social”.
O inquérito conduzido pelo procurador Rafael de Araújo Gomes apontou que o fim do pagamento de horas in itinere aos trabalhadores rurais da Raízen, a partir da entrada em vigor da reforma trabalhista, em novembro de 2017, resultou em uma imediata perda de parte do salário para os trabalhadores rurais. A própria Usina afirmou que, em razão da mudança, os seus empregados sofrem redução de salário de 10% a 20%.
Nos depoimentos concedidos ao MPT, os trabalhadores disseram consumir, em média, duas horas de percurso em transporte fornecido pela empresa, pois do contrário não teriam condições de se apresentar para trabalhar. A própria Usina está localizada em local não atendido pelo transporte coletivo.
“É fato notório que a Raízen costumava suprimir de muitos de seus empregados o pagamento devido pelas horas de percurso, em extrapolação à jornada normal, eis que já foi condenada por tal conduta, em centenas de reclamatórias trabalhistas. A pretexto de aplicar a ‘reforma trabalhista’, a empresa suprimiu o registro e pagamento de todas as horas de percurso, de todos os seus empregados, em desfavor de trabalhadores rurais que já percebiam salários muito baixos, praticamente apenas o salário mínimo. Esses trabalhadores foram agora submetidos a uma condição de penúria”, lamenta Gomes.
O procurador chama atenção para o fato de que, durante o trajeto, os empregados rurais da Raízen se mantêm à disposição da empresa. “O tempo de deslocamento é tempo à disposição do empregador, pois de nenhuma outra forma a empresa conseguiria contar com a mão de obra necessária para realizar a sua atividade econômica. O transporte é tão necessário ao atingimento dos objetivos da Raízen quanto o são as ferramentas de trabalho”, conclui.
A Justiça do Trabalho também condenou a Raízen ao pagamento de danos morais coletivos no valor de R$ 10 milhões. Esse valor será revertido em benefício de projetos, iniciativas e/ou campanhas que beneficiem os trabalhadores da região e a sociedade.
Cabe recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. (Ministério Público do Trabalho 30/04/2019)
 

Mercado prevê retomada das cotações do açúcar

A atenção do setor sucroalcooleiro está voltada para a safra de cana-de-açúcar 2019/2020, no Centro-Sul, que se iniciou neste mês, apontando, na maioria das projeções, para volume próximo às 573 milhões de toneladas do período anterior. Há estimativas mais conservadoras - em torno de 565 milhões de toneladas na região, devido a esperadas quedas de produtividade na lavoura, e outras mais otimistas, com produção prevista de até 590 milhões de toneladas, feitas por consultorias especializadas. Em maio, saem as primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), importante referência para o mercado.
Enquanto isso, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) trabalha com expectativa de algo em torno de 570 milhões de toneladas de cana e promete números mais precisos em breve. "As chuvas de final de março e começo de abril indicam um canavial, mesmo que envelhecido, mais produtivo", prevê o diretor técnico da associação, Antonio de Pádua Rodrigues, considerando, porém, possível redução na área de colheita.
A Unica estima obter duas toneladas a mais por hectare de cana, passando de 73,5 t /ha, para 75,5 t/ha, mas trabalha também com a possibilidade de um quilo de açúcar a menos por tonelada de cana. "Porém, como provavelmente teremos duas toneladas de cana a mais por hectare, haverá incremento de produto", diz Rodrigues.
Ricardo Pinto, CEO da RPA Consultoria, tem previsões diferentes. Ele não descarta queda média de até 1,2 ponto percentual na produtividade da lavoura este ano e diz que a renovação do canavial ocorre em ritmo mais lento do que o previsto. "Possivelmente será menor a disponibilidade de cana no atual período", acredita.
O mercado, unânime, afirma que a safra 2019/2020 começa muito mais alcooleira, a exemplo do ano anterior. Eventual incremento na produção brasileira de açúcar será possível prever somente a partir de agosto/setembro, quando da definição do comportamento das produções na Índia, Tailândia, China, que enfrentam má distribuição de chuvas, e União Europeia (com possibilidade de redução de área de plantio), e dos estoques mundiais.
A professora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), Heloísa Lee Burnquist, observa que os estoques internacionais de açúcar vêm se reduzindo e sinalizações de quebra em safras da Ásia e Europa poderão forçar quedas nos volumes estocados e recuperação nos preços. Em maio, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga novo relatório. O último, de novembro, contabiliza estoques mundiais de 53 milhões de toneladas de açúcar. O mercado já considera possibilidade de déficit mundial de 4 milhões de toneladas do produto na safra 19/20.
"A partir de outubro poderemos ter um começo de escalada de preços do açúcar", acredita Ricardo Pinto, prevendo queda na disponibilidade do produto no mundo. Segundo o executivo da RPA, os contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York caminham em direção à recuperação de preços. Ele prevê uma safra de cana de 560 milhões de toneladas no CentroSul, com mix de 60% em etanol e menor oferta de açúcar.
Passada a seca, as chuvas de março e abril no noroeste de São Paulo recuperam o canavial e as expectativas do diretor da Região Brasil do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, de moer até 20,3 milhões de toneladas na atual safra, acima das 18 milhões de toneladas do período anterior.
"Devemos começar privilegiando o etanol, observando como a safra vai até novembro e ajustando o perfil de produção de acordo com comportamento do mercado", diz ele, à frente de sete unidades industriais na região. Na safra passada, a empresa destinou 43% da cana para etanol, produzindo 680 milhões de litros, e 57% para açúcar, com 1,4 milhão de t do produto. Costa Filho diz que é cedo para estimar o mix da atual safra.
O executivo da Tereos prevê um ciclo promissor de preços para o açúcar e o etanol, diante da possível redução na oferta mundial do adoçante, e da manutenção de preços firmes do petróleo. (Valor Econômico 29/04/2019)
 

Açúcar: Sob pressão do fóssil

Na esteira da queda do petróleo, as cotações do açúcar demerara recuaram ontem na bolsa de Nova York.
Os contratos com vencimento em outubro tiveram baixa de 15 pontos, fechando a 12,54 centavos de dólar a libra-peso.
Segundo o analista Nick Penney, da trading de origem francesa Sucden, o mercado "sofre" com a queda nos preços do petróleo, que diminui a competitividade do etanol produzido no Brasil, maior produtor mundial da commodity, elevando potencialmente a oferta de açúcar.
O recuo nas cotações também foi reflexo da venda precoce, a baixos preços, dos papéis para maio, que expiraram ontem, e pressionaram outros contratos futuros.
No mercado paulista, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal caiu 0,56% na terça-feira, chegando a R$ 69,86 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 02/05/2019)
 

Aplicação de defensivos em área de Meiosi agora tem pulverizador homologado

Aplicação de defensivos em área de Meiosi agora tem pulverizador homologado
O pulverizador de alta capacidade BS3330H é um dos lançamentos da Valtra na Agrishow 2019.
Um dos grandes lançamentos da Valtra para o mercado canavieiro nacional na Agrishow 2019 é o pulverizador de alta capacidade BS3330H. Um dos diferenciais da versão - dotada de uma barra de 24 metros - é a possibilidade de trabalhar em função meia barra, que atende os anseios dos produtores de cana-de-açúcar brasileiros por permitir sua utilização em Meiosi (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente), sistema que tem ganho cada vez mais espaço no segmento e consiste na intercalação algumas linhas de cana com outras culturas, como amendoim, soja e feijão, por exemplo. O objetivo é tombar uma cana já sadia em solos revigorados por outras culturas, turbinando, dessa forma, seu desempenho.
O Gestor Comercial em Contas-Chave para as culturas de Cana-de-Açúcar e Biomassa da Valtra, Fábio Balaban, explica que o novo pulverizador traz um novo conceito de barra de pulverização, privilegiando a robustez e a estabilidade, para uma melhor distribuição e deposição de gotas. A nova barra de pulverização chega com evoluções que proporcionam mais proteção e durabilidade ao equipamento. A suspensão horizontal transfere a carga entre as barras e melhora a estabilidade da máquina e o desarme multidirecional de 3 metros impede que possíveis impactos durante os trabalhos danifiquem a barra. Para evitar desperdícios, o BS3330H dispõe de válvulas eletropneumáticas ProStop, de ativação instantânea, com tempo de resposta de 0,8 segundos.
Outra das principais novidades é o exclusivo quadro central com sistema pendular por roletes. Trata-se de um cilindro de dupla ação, que atua no pêndulo do quadro e faz com que a barra se mantenha estável, garantindo uma altura uniforme entre o leque de pulverização e o alvo a receber a aplicação.
O novo modelo possui ainda chassi flexível e baixo peso operacional, o que beneficia o trabalho em diversas condições de solo e topografia, e motor AGCO Power de 200 cv, que proporciona uma economia de 50% no consumo de combustível em relação aos demais concorrentes da categoria.
Além disso, o BS3330H tem modelos com vão livre de 1,50 a 1,65 metros e tração 4x4. A exemplo do distribuidor de sólidos BS3350H, ele pode ser equipado com o piloto automático Auto-Guide® 3000, disponível em três níveis de precisão, submétrico, decimétrico ou centimétrico, sendo capaz de garantir aos equipamentos aplicação precisa sem desperdício. (Cana Online 30/04/2019)
 

Defensivos biológicos avançam rapidamente

Embora o controle biológico de pragas esteja apenas começando no Brasil, chama a atenção sua velocidade de crescimento. Em 2018, o mercado movimentou R$ 464,5 milhões, um volume modesto, mas um salto de 77% sobre 2017. "Essa é apenas uma média, pois os fungicidas cresceram 148%, e os bionematicidas saltaram 133% de um ano para outro", diz Amalia Piagentim Borsari, diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). "No Brasil, o uso é ainda inexpressivo diante do potencial que temos."
Em todo o país, os defensivos biológicos são aplicados em cerca de 10 milhões de hectares de um total de 77,4 milhões de hectares cultivados. E significam apenas 2% dos negócios no mercado de defensivos agrícolas. "Há muito espaço para crescer", diz. A ABCBio trabalha com uma estimativa de crescimento de 20% a 25% ao ano, para os próximos cinco anos, contra 17% esperados no mercado global.
Pesquisa feita pela entidade, com 1.762 agricultores, tomando como referência a safra de 2017/18, confirmou o enorme potencial que os biológicos têm para explorar. Segundo o levantamento, 43% dos produtores disseram desconhecer os biodefensivos. Já entre os que utilizaram, 98% afirmaram que pretendem usá-los também na próxima safra. Entre os motivos citados está a eficiência do controle, mencionado por 76% dos produtores ouvidos. Em diversos casos, o biodefensivo tem mostrado eficiência semelhante à do agrotóxicos.
Embora as cifras confirmem o crescimento do setor, os dados gerais mostram recordes no avanço dos agrotóxicos convencionais. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2018 foram registrados 450 novos produtos para combate às pragas na lavoura. Em 2015, foram 139. Entre esses 450, 52 foram enquadrados como de baixa toxicidade, enquanto em 2017 eram 40.
"A variedade de produtos beneficia muitas culturas, pois a maior parte deles são registrados para um ou mais alvos biológicos, independentemente do cultivo onde estas pragas são encontradas", explica o chefe da Divisão de Registro de Produtos Formulados da Secretaria de Defesa Agropecuária, Bruno Cavalheiro Breitenbach. Segundo ele, "o recorde de registro de produtos menos tóxicos é resultado da política adotada pelo governo federal de priorizar a análise dos processos de registro destes produtos". Existem 1.345 pedidos de registro de defensivos em análise no Mapa.
Segundo a ABCBio, outro fator que impulsionou as vendas foi um aumento dos lançamentos de produtos inovadores pela indústria. Novos ativos que estão chegando ao mercado permitem controlar diferentes pragas e doenças, alguns possuem mais de um ativo biológico num mesmo composto. E existem ainda os chamados agentes híbridos, que combinam ativos biológicos com ingredientes de origem química.
Governo e indústria classificam como ultrapassada a tese segundo a qual o crescimento dos biológicos leva a uma queda no uso dos produtos químicos. Para a ABCBio, a integração com o controle biológico pode inclusive aumentar a eficiência das moléculas químicas. Tanto nos Estados Unidos como aqui, diz Amália, há pesquisas no sentido de utilizar um produto biológico juntamente com um ingrediente ativo químico, dentro do mesmo produto.
Enquanto as pragas se defrontam com seus inimigos naturais, muitas vezes em ambiente microscópico, o mercado global está de olho nesse filão. No final de 2018, a Aqua Capital, gestora brasileira de fundos de participações voltada ao agronegócio, anunciou a criação de uma plataforma de produção e distribuição de defensivos biológicos.
De acordo com a empresa, a plataforma nasce a partir da aquisição do controle da Total Biotecnologia e pretende crescer acima da média do mercado de defensivos biológicos.
No início do ano, a Corteva Agriscience e a Stoller, empresa de nutrição foliar de plantas, fisiologia vegetal e em soluções biológicas, selaram acordo para a distribuição exclusiva do nematicida Rizotec. Trata-se de solução biológica que auxilia no manejo de nematóides e elimina uma grande quantidade de ovos e de fêmeas na cultura da cana-de-açúcar. Segundo a Corteva Agriscience, a partir de agora a companhia, terá um papel mais forte no mercado de biológicos para o controle de nematóides. (Valor Econômico 29/04/2019)
 

Vendas de etanol bateram recorde no país na safra 2018/19, diz ANP

As vendas de etanol hidratado aos motoristas de carro flex bateram um novo recorde no país na safra 2018/19, que terminou em março, sustentadas pela forte competitividade do biocombustível em relação à gasolina ao longo da temporada. Foram vendidos 20,7 bilhões de litros de etanol aos postos de combustível durante o ciclo, um crescimento de 39,4% em relação à safra anterior, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Apenas em março, as vendas alcançaram 1,7 bilhão de litros. Foi o maior volume da história para o mês, maior que as vendas do mês anterior em 1,1% apesar do avanço da entressafra no Centro-Sul. Porém, mesmo com o crescimento na comparação com fevereiro, a participação do etanol nas vendas do ciclo Otto caíram para 43,39% em março, ante 44,05% em fevereiro, de acordo com relatório da agência.
No acumulado da safra passada, houve aumento das vendas em todos os Estados, mas em alguns o ritmo de crescimento foi maior. Foi o caso de Minas Gerais, que representou 13% das vendas de etanol no país durante a safra, ante 11% na temporada anterior.
Já as vendas de São Paulo, embora tenham crescido, perderam uma pequena parcela da fatia do consumo nacional, que caiu para 51% das vendas, ante 55% na safra anterior. Foram vendidos 10,6 bilhões de litros de etanol hidratado aos postos paulistas, 29,5% a mais do que na safra anterior.
Em Mato Grosso, onde o etanol foi negociado com preços muito mais competitivos do que a gasolina no ciclo todo por causa da oferta crescente entregue pelas usinas à base de milho, as vendas cresceram 18,5%, para 868,9 milhões de litros. A fatia do mercado mato-grossense no Brasil caiu 1 ponto percentual, para 4%.
Pelo ritmo de comercialização das usinas do Centro-Sul no início da safra 2019/20, as vendas de etanol podem continuar rumo a novos recordes neste ciclo. Na primeira metade de abril, as unidades da região venderam às distribuidoras 863,2 milhões de litros de etanol hidratado para venda no mercado interno, 44% a mais do que no mesmo período da safra passada, de acordo com o último relatório da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). (Valor Econômico 30/04/2019 às 19h: 01m)
 

Etanol deve seguir com valores competitivos em relação à gasolina

Na safra passada, encerrada em 31 de março, a região Centro-Sul atingiu recorde na produção de etanol, com 30,9 bilhões de litros, sendo 21,8 bilhões de litros de hidratado e 9,1 bilhões de anidro. A alta no volume processado de etanol hidratado foi de 39%, em comparação a 15,6 bilhões de litros no ano anterior. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) revelam que 65% da oferta de cana foi destinada à produção de biocombustível.
O cenário para 2019/2020 não é muito diferente. A Unica estima que 62% da oferta de cana será dirigida para o etanol, que mantém competitividade frente à gasolina.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) considera que o etanol hidratado tem que ter preço limite de 70% da gasolina nos postos para ser considerado vantajoso. Em 2018, a média Brasil foi da ordem de 66%, com gasolina a R$ 4,40 por litro e etanol R$ 2,60/litro.
"Este mercado só existe quando houver essa diferença de preço, viabilizada por grande oferta de produto, que deve se manter este ano", prevê o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, acreditando que os preços do petróleo ficarão firmes e que não haverá "loucura intervencionista do governo" na política de preços da gasolina e demais derivados.
Martinho Ono, CEO da SCA Trading, especializada no setor, diz que "o mercado deve continuar produzindo o máximo de etanol para atender à demanda interna. "O açúcar continua com preços não remuneradores, perdendo para o etanol", diz. No ano passado, a demanda por combustíveis do Ciclo Otto recuou; neste ano é esperada recuperação do mercado.
Francis Vernon Queen, vice-presidente executivo para etanol, álcool e bioenergia da Raízen, concorda que a expectativa setor é que a tendência para 19/20 siga, pelo menos no início da safra, pela melhor remuneração do etanol.
Com demanda aquecida, os preços do produto dispararam nas primeiras semanas da atual safra, segundo indicador de mercado. O etanol hidratado subiu, em média, mais de 15% nas usinas paulistas. O anidro, mais de 4%. Na safra 2018/2019, o preço médio do etanol hidratado no Estado de São Paulo ficou em R$ 1,62/litro. O do anidro, R$ 1,79/litro.
Mesmo diante de estimativas de baixo crescimento do PIB este ano, o diretor da Região Brasil do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, prevê aumento no consumo do etanol hidratado. Ele explica que, em momentos de retração econômica, aumenta a preferência do consumidor por produto de menor custo, como o hidratado.
Seguindo a tendência do etanol de cana, cresce também a produção brasileira de etanol de milho, que saiu de 85 milhões de litros em 2014/2015, para quase 800 milhões de litros na última safra. Para este ano, o produto deve atingir 1,2 bilhão de litros, contribuindo para uma matriz energética mais limpa e renovável.
O executivo da Raízen lembra que o RenovaBio, "fundamental para viabilizar a descarbonização dos transportes e da economia como um todo", entra vigor no final deste ano. O programa prevê atingir até 2028 participação de 18% de biocombustíveis na matriz energética, com oferta de 46,9 bilhões de litros de etanol. (Valor Econômico 30/04/2019)
 

Secretaria de Agricultura de SP e setor privado firmam convênio para treinamento de usinas

A Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, a Syngenta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) lançaram, na Agrishow, protocolo de cooperação técnica e institucional para o treinamento de usinas e fornecedores de cana-de-açúcar.
O acordo prevê o suporte ao setor sobre as melhores práticas de manejo, incluindo orientação sobre a contratação de empresas de pulverização aérea nas principais áreas de cultivo da cultura.
O programa prevê a realização de seminários regionais para orientar sobre o uso adequado de defensivos agrícolas e a identificação de áreas que apresentam restrições de aplicação aérea. Usinas e fornecedores também serão instruídos sobre a contratação de empresas de aviação que estejam regulares junto aos órgãos competentes.
“O protocolo é a demonstração do comprometimento do setor com a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a convivência harmônica entre cana e outras culturas”, avalia o diretor-presidente da Unica, Evandro Gussi. (Agência Estado 01/05/209)
 

Petróleo sobe com incertezas sobre Venezuela; Petrobras reajusta gasolina

Açúcar tem alta moderada em Nova York com pegada de alta do barril do brent.
A partir desta terça (30) a gasolina fica mais cara na refinaria, com o aumento definido pela Petrobras, e o petróleo volta a subir nesta manhã. Aumento que se consolidado hoje ou nos próximos dias - com o ritmo de alta novamente retomado, ainda que menos intenso -, a Petrobras terá que continuar a repassá-lo mesmo a conta gotas como tem feito. O etanol vai se fortalecendo contra a gasolina.
O engrossamento da produção do biocombustível, com a safra ganhando força, é normal em começo de ciclo, mas o açúcar em linha de baixa e a competitividade do etanol dando consumo, reforça o caixa das usinas via volume enquanto o preço cai na porta da fábrica.
O açúcar na ICE Futures (Nova York), que ontem veio com o maio abaixo do 12 c/lp e o julho perdendo aproximadamente 30 pontos, vem sob leve alta nesta parte da manhã (11h25), nos dois contratos,o maio em 11.92 c/lp (+29 pontos) e o julho em 12.45 c/lp (+12). Mas mais por repique de ajuste e influência do barril do brent Londres do que por fundamento, de acordo com Maurício Muruci, da Safras & Mercado.
O cru está a caminho dos US$ 73/julho, depois de cair nos dois últimos pregões dos quase US$ 75 para pouco acima de US$ 71.
O ganho do adoçante, se se consolidar proximamente, ainda deve ficar limitado aos 12.80 c/lp o junho, se tanto, comentou Muruci, para quem a Índia pesa com suas 2,3 milhões de toneladas a serem exportadas.
Já o petróleo, ninguém arrisca, recheado de geopolítica: Donald Trump pressionando a Opep em aumentar produção até que os produtores se reúnam novamente nas próximas semanas; Arábia Saudita ainda sendo dúbia em suas intenções; e Irã fora das vendas no mercado formal e ameaçando retaliações ao embargo imposto pelos EUA.
Mas há uma tendência em que a produção não retome o ritmo de alta, segundo João Paulo Botelho,da INTL FCStone em entrevista nesta segunda ao Notícias Agrícolas.
Por mais que a o presidente americano jogue mais peso contra a Opep, os petroleiros não deverão atender totalmente, pois suas economias também não estão bem a ponto de cortarem a receita vinda do petróleo, crê Botelho, que, inclusive, deve revisar as previsões da consultoria para a safra do Centro-Sul com menos açúcar do que havia previsto antes.
Petrobras/gasolina
O aumento autorizado a partir desta quarta, de 3,54%, em torno de R$ 0,07, com o litro da refinaria passando a valer R$ 2,045, foi o terceiro do mês. E desde janeiro a gasolina subiu 35,5%. E para muitos não captou todo o movimento do brent,especialmente das últimas semanas.
Já foi manifestada apreensão do setor quanto ao represamento do repasse, podendo prejudicar não só a estatal quanto o etanol. Mas o governo garante não intervenção.
A competitividade do etanol segue, ainda amparada pelo fator cambial, com o dólar sempre próximo dos US$ 4, lembrou Maurício Muruci, da Safras. Na contramão da queda de mais de 6% pelo Cepea/Esalq (até a sexta, 26) e com usinas praticando até R$ 2,10, depois da queda de até R$ 0,20 centavos, completa o analista. (Reuters 01/05/2019)
 

Preços do petróleo sobem com instabilidade na Venezuela e Arábia Saudita apoiando cortes

Os contratos futuros do petróleo avançavam nesta terça-feira, conforme o líder da oposição venezuelana pediu apoio aos militares para acabar com o governo de Nicolás Maduro e depois que a Arábia Saudita disse que o acordo para conter a produção da commodity pode ser estendido para além de junho, até ao final de 2019.
O petróleo Brent subia 1,11 dólar, ou 1,54 por cento, a 73,15 dólares por barril, às 9:34 (horário de Brasília).
O petróleo dos Estados Unidos avançava 1,05 dólar, ou 1,65 por cento, a 64,55 dólares por barril.
A situação na Venezuela, membro da Opep cujas exportações de petróleo foram atingidas por sanções dos Estados Unidos e por uma crise econômica, permanecia instável nesta terça-feira. O governo prontamente descartou qualquer sugestão de uma revolta militar.
Os comentários de apoio aos corte de produção do ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, vieram apesar da pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Opep elevar a produção de petróleo para compensar o déficit de oferta que se espera devido à intensificação das sanções de Washington contra o Irã.
"Houve um aumento nos preços mesmo sem a Venezuela devido aos comentários de Falih", disse o analista Olivier Jakob da Petromatrix.
Na semana passada, o Brent atingiu uma máxima de seis meses, acima dos 75 dólares o barril, por conta do aperto dos mercados globais em meio às sanções dos EUA ao Irã e à Venezuela, juntamente com problemas de exportação de petróleo da Rússia decorrentes de um oleoduto contaminado. (Reuters 01/05/2019)
 

Acesso a créditos do RenovaBio é incógnita para produtores independentes de cana

Como se dará o acesso dos produtores independentes de cana-de-açúcar aos créditos do Programa Nacional dos Biocombustíveis (RenovaBio)? Esse foi o principal ponto de pauta de um encontro realizado na quarta-feira (24), em Recife, que reuniu fornecedores do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, mas que ainda não foi conclusivo.
A remuneração dos produtores da matéria-prima, algo estimado em R$ 2,37 por tonelada de cana pelas indústrias produtoras de etanol, é baixa, mas o alto valor agregado do programa que está associado à descarbonização do combustível usado no Brasil e na menor emissão de gás carbônico na produção do etanol, com efeitos diretos e positivos no meio ambiente, anima os produtores a apostar no RenovaBio, mesmo ainda sendo uma incógnita os ganhos de créditos efetivos para a categoria.
O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais, que participou do encontro em Recife junto com vários diretores e associados paraibanos, afirma que do ponto de vista financeiro, esse valor estimado de ganhos com os créditos do RenovaBio não é o que mais estimula os produtores.
“Como o programa ainda será lançado ano que vem e ainda está em fase de implantação, quero crer que eles vão avaliar melhor essa remuneração, haja vista a série de exigências que o RenovaBio impõe e, consequentemente, os investimentos necessários para tanto, a quem quiser ter direito aos créditos. Na realidade, é muita exigência para um retorno financeiro muito insignificante”, afirma José Inácio.
Ele lembra, no entanto, que não se discute a importância do programa do ponto de vista do estímulo à produção de biocombustíveis no país, especialmente, do álcool a partir da cana-de-açúcar e, sobretudo, da melhoria e proteção do meio ambiente. “Na medida em que se privilegia a produção de combustíveis limpos e renováveis e até à produção canavieira com menor emissão de CO2, o programa já representa um avanço e tanto e tem nosso total apoio. Quanto a remuneração de créditos, essa é uma questão que precisa ser melhor avaliada e discutida”, afirma o dirigente canavieiro.
Pela definição do programa, as usinas habilitadas pela ANP emitirão os CBios com base no etanol produzido. A quantidade desses créditos financeiros estará atrelada à correspondente redução de emissão de CO2 à atmosfera proveniente em todo a etapa produtiva para fabricação do biocombustível.
Ainda segundo as regras do RenovaBio, tudo no processo produtivo da fabricação do etanol, inclusive a matéria-prima da cana, será levado em consideração para definir os créditos de carbono. Também serão estabelecidas regulamentações e operacionalização entre distribuidoras, ANP, usinas, bolsa de valores e banco central. Tudo isso precisa estar bem definido até o final do ano. (Informa Paraíba 30/04/2019)
 

Digitalização avança nas plantações

A digitalização promete ampliar a produtividade no campo com agricultura de precisão apoiada por tecnologias como internet das coisas (IoT), inteligência artificial e blockchain, graças ao empenho e parcerias de fabricantes de máquinas, implementos e insumos e fornecedores de softwares, tecnologia e telecomunicações. Uma das novidades é o ConectarAgro, reunindo AGCO, Bayer, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble.
A TIM aproveita a experiência no campo com clientes como Jalles Machado (GO), SLC Agrícola (BA) e AdeccoAgro (MS), com oferta de 4G/LTE na faixa 700 MHz para conectar equipamentos e pessoas. "Para cobrir o campo o agricultor gasta cerca de meia saca de soja por hectare", calcula Alexandre Dal Forno, gerente de produtos da operadora. "A conectividade ajuda a ter duas máquinas trabalhando em linha de forma automática e usar informações dos equipamentos em tempo real", diz o diretor de tecnologias industriais da CNH América do Sul, Gregory Riordan.
"A agricultura de precisão demanda conectividade para melhorar tarefas e cortar a distância entre o campo e o escritório ou dispositivo do gestor", avalia Guillermo Perez-Iturbe, diretor comercial para a América Latina da divisão de agricultura da Trimble, especialista em plataforma de gerenciamento da propriedade agrícola.
A Solinftec, especializada em plataforma de agricultura digital para conexão de equipamentos destinados a clientes dos segmentos sucroalcooleiro, citrícola e de grãos, é outra integrante da iniciativa. Com soluções que combinam IoT, telecom (satélites, celular, mesh ou rede própria de baixa frequência), nuvem e inteligência artificial, recentemente a empresa anunciou parceria comercial e tecnológica com a fabricante de equipamentos AGCO (Massey e Valtra), cujos clientes terão acesso direto aos produtos da Solinftec como complemento ao portfólio de agricultura inteligente Fuse, da AGCO.
Para Luis Oliveira, sócio da Bain & Company, avanços como barateamento de sensores e acesso a informações sofisticadas, como as de satélite, apoiam a revolução digital do agronegócio, mas há espaço a conquistar em questões dependentes de conectividade, como visão em tempo real de o que ocorre no campo. A John Deere aposta no uso de 4G/LTE na faixa de 250 MHz em parceria com a Trópico, que além de instalação da rede apoiará o produtor interessado junto à Anatel para requisição de licenças e outorgas.
A solução permite aumentar o escopo de automação das máquinas e oferecer, além de autonomia com direção sem operador, equipamentos com sensores e câmeras para análise do ambiente com capacidade de autorregulação, exemplifica o gerente de soluções integradas Rois Nogueira.
A Embratel também mira o campo com soluções como coleira conectada para controle de rebanho e otimização de janela de inseminação de vacas, controle de pragas, por meio de reconhecimento de imagem dos insetos capturadas por câmeras, e melhoria de irrigação por sensores de solo e umidade, detalha o diretor de negócios IoT, Eduardo Polidoro.
Por acordo fechado com a Agrus Data, a operadora lançou plataformas baseadas em sensores, nuvem e analytics, Agricultura Digital, Silos Conectados e Floresta Conectada -, com apoio da nova rede NB-IoT e conexões de satélite.
A Agres Sistemas, que recentemente vendeu 30% de participação para a italiana Tecomec, também oferece soluções para agricultura de precisão com sistemas como piloto automático e controladoras para aplicação de pulverização e fertilização e softwares de gestão.
A Agres emprega a plataforma cognitiva Watson, da IBM, para correlacionar dados de diferentes fontes, aponta o diretor administrativo Fernando Zanicotti. Blockchain, IoT e inteligência artificial estão entre as apostas da IBM para o campo. Um dos exemplos é o AgTrace, solução de rastreabilidade de alimentos orgânicos e café especial baseada em blockchain e desenvolvida com a Solinfitec já implantada na Fazenda da Toca (SP). "É o primeiro produto de prateleira com este perfil", diz Percival Lucena, cientista pesquisador em blockchain na IBM Brasil.
"O agrobusiness brasileiro é um dos mais avançados globalmente. O IoT é uma das próximas fronteiras em países com grande extensão rural", avalia Alberto Rodrigues diretor de tecnologia IoT da Ericsson, que se uniu a Vivo, Raízen e Esalq no Agro IoT Lab, em Piracicaba (SP), para promover pesquisa, desenvolvimento e inovação no segmento c om suporte de rede 4G/LTE em 450 MHz. A Basf também aposta no digital e traz para o Brasil a plataforma Xarvio, com o sistema de monitoramento Field Manager, para identificar localização e quantidade de plantas daninhas nas lavouras e gerar mapa para aplicação de herbicidas, e o aplicativo gratuito Scouting, para identificação de plantas daninhas, doenças e danos foliares por foto. (Valor Econômico 29/04/2019)
 

Petrobras conclui venda da refinaria de Pasadena para a Chevron

Negócio foi acertado em janeiro. Refinaria foi alvo de uma série de denúncias de corrupção investigadas pela operação Lava Jato.
A Petrobras informou nesta quarta-feira a conclusão da venda da refinaria de Pasadena, no Texas, para a Chevron. A refinaria foi negociada por US$ 467 milhões (cerca de R$ 1,830 bilhão), sendo US$ 350 milhões pelo valor das ações e US$ 117 milhões de capital de giro.
A transferência de Pasadena foi acertada em janeiro, mas por um valor maior. Na época, o negócio foi estimado em US$ 562 milhões.
"Esta operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os nossos acionistas.", informou a Petrobras em comunicado.
A refinaria de Pasadena foi alvo de uma série de denúncias de corrupção investigadas pela operação Lava Jato. A entrada da Petrobras na refinaria ocorreu em 2006, quando a estatal adquiriu a participação de 50% da belga Astra Oil.
Ao todo, segundo o Valor Online, a Petrobras desembolsou US$ 1,249 bilhão pela compra total de Pasadena.
Novo negócio da Chevron
A refinaria de Pasadena é a segunda da Chevron na costa do golfo dos Estados Unidos, destacou a agência Reuters.
A Chevron queria a refinaria para processar petróleo bruto doce vindo de seus campos na Bacia Permian do Texas. A planta produz 112.229 barris de petróleo por dia
"Essa aquisição comprova a força dos nossos negócios na costa do golfo, permitindo que possamos fornecer mais do nosso mercado de varejo na região com produtos produzidos pela Chevron, e nos posiciona por uma melhor conectividade para os nossos ativos na bacia Permian", disse Mark Nelson, vice-presidente executivo da Chevron para derivados e químicos.

Além da refinaria, a Chevron adquiriu a PRSI, subsidiária da Petrobras que opera a refinaria e a PRSI Trading, que vende em mercados de brutos e refinados. A PRSI também tem um tanque de armazenamento de 5,1 milhões de barris e 143 acres adicionais de terras ao longo do canal de navegação de Houston. (G1 01/05/2019)