Setor sucroenergético

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Quase um quarto das usinas de cana não produz nesta safra

Ano também deve ser marcado por uma prioridade à produção de etanol.
Mais usinas sem moer cana-de-açúcar, preferência na fabricação de etanol e uma produção estagnada. Esse é o cenário previsto para a safra 2019/20, que iniciou em abril com uma em cada cinco usinas com as atividades paralisadas no país.
De acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), a previsão é que a safra deste ano repita a de 2018/19, com produção de cerca de 573 milhões de toneladas de cana. O previsto para a safra passada era 596 milhões, não alcançadas devido a fatores climáticos.
Entre os problemas para impedir o avanço dos canaviais neste ano estão áreas abandonadas, substituição de cana por outras culturas e áreas que foram preparadas para plantio entre dezembro e abril maior do que no ano anterior, o que significa que a cana não estará pronta para ser colhida neste ano.
Para piorar o cenário, levantamento da RPA Consultoria mostra que 101 das 444 usinas do país, ou 22,7%, não devem moer cana nesta safra, o que representa 4 usinas a mais que as 97 excluídas da safra anterior.
Embora pequena, a variação mostra que o setor não se recuperou da crise que o atingiu a partir do fim da década passada.
“São coisas que vieram de política errada no passado, decorrentes da crise que o setor enfrentou entre 2008 e 2014. Há empresas evoluindo muito, se dedicando mais ao plantio e usando tecnologia”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.
Essas usinas não estão necessariamente falidas ou em recuperação judicial, podem ter deixado de moer por estratégia de grupos sucroenergéticos ou para poupar custos, dividindo a cana entre as usinas que estão operando na atual safra.
É o caso da Raízen, gigante do setor, que não vai operar suas usinas em Araraquara e Dois Córregos, ambas no interior paulista, o que já ocorre desde 2017. O motivo é a falta de cana para moer.
A Clealco, que teve plano de recuperação judicial aprovado por credores na última semana, está com duas de suas três usinas sem moer.
Há 80 usinas já em recuperação judicial ou com pedidos feitos –ante as 68 da safra anterior. É o caso da Itajobi Açúcar e Álcool, também de São Paulo, que protocolou em abril pedido de recuperação.
Na última safra, São Paulo perdeu cerca de 140 mil hectares de cana, o equivalente a 196.078 campos de futebol padrão Fifa, para outras atividades, como a soja, na região de Piracicaba.
CADA VEZ MAIS ETANOL
Como nos últimos anos, 2019 deve ser marcado por uma prioridade à produção de etanol, mais rentável às usinas que o açúcar.
Em 2017, o açúcar representou 46,46% da cana moída nas usinas, percentual que recuou para 35,20% na safra passada e que, na primeira quinzena da atual temporada, ficou em 23,55%.
“Assim deve permanecer até meados da safra, ao menos. Pode ter alguma reversão dependendo do balanço mundial de açúcar, em setembro, mas a chance de migrar [a produção] passa a ser pequena”, disse.
Pádua cita outro motivo: “Independentemente do preço [do etanol na bomba, em relação à gasolina], é o produto que tem liquidez imediata [para as usinas], que cobre o caixa das empresas em curtíssimo prazo”.
Para Marcos Fava Neves, docente da USP (Universidade de São Paulo) e da FGV, o ano projeta ser bom para a cana, porque o déficit na produção mundial de açúcar também vai ajudar a consumir parte dos elevados estoques.
“Há outro ponto que é o PIB. Mesmo que seja inferior ao projetado, eleva a venda de carros novos e o consumo de combustível, o que beneficia o etanol hidratado. Sua perspectiva de consumo cresce ainda mais quando analisamos a alta do preço do petróleo”, disse o docente.
A safra, oficialmente aberta em abril, teve uma primeira quinzena com queda de 37,99% na moagem em relação ao mesmo período de 2018, por causa das chuvas.
A previsão da Unica era de que 176 usinas estivessem em atividade até o último dia 15, mas havia 150 em operação, ante 174 do mesmo período do ano passado.
Independentemente disso, iniciou com 76,45% da cana processada sendo usada para fabricar etanol.
Apesar das áreas abandonadas, da troca da cana por outras culturas e do aumento de área com cana nova, a perspectiva é de que a safra seja igual porque o canavial deve produzir mais toneladas por hectare em comparação à última safra, que sofreu com o clima.
De acordo com Rodrigues, o setor sucroenergético nacional é heterogêneo e apresenta três grupos em que as usinas estão inseridas, com possibilidades de mudanças dependendo do caminho que elas seguirem.
“Um terço das unidades posso comparar à Califórnia, com boa gestão, produtividade, caixa. E tem outro grupo que estaria aí muito mais considerado na área de pobreza, da África, com baixa produtividade agrícola, não gera caixa, alto endividamento e sobrevive com cultura de subsistência, não reforma canaviais, não planta. E tem um grupo intermediário, que tanto pode ir para a Califórnia quanto para a África. (Folha de São Paulo 06/05/2019)
 

Biosev confirma investimentos em usinas e amplia flexibilidade de mix

Segundo a companhia, estratégia deve permitir um melhor aproveitamento de oportunidades do mercado e tem o objetivo de aumentar a geração de caixa.
O Brasil atingiu o recorde de produção de etanol na última safra, um cenário que se reflete nos números da Biosev. Segundo a empresa, no acumulado dos nove meses da safra 2018/2019, a companhia atingiu recorde em produção de etanol, superando o volume total do ciclo anterior.
Conforme a Biosev, no período foram produzidos 1,4 bilhão de litros de etanol, contra 1,29 bilhão ao final da safra 2017/18. A Biosev apresentou um mix de produção entre os mais alcooleiro do setor: 64,6% da matéria-prima foi dedicada à produção de etanol, o maior índice registrado na história da companhia, e um aumento de 13,6 pontos percentuais em comparação ao período anterior.
Segundo Juan José Blanchard, presidente da Biosev, a decisão estratégica de produzir mais etanol esteve atrelada aos baixos preços de açúcar no cenário mundial. “Na safra 2018/19 a produção do etanol passou a ser economicamente mais interessante, cenário que deve ser parecido neste ano”, explica.
Ele ainda fala sobre suas estimativas para a atual temporada: “Para a safra 2019/20, a expectativa nas unidades de São Paulo e Minas Gerais é de iniciarmos com uma safra alcooleira, virar para um mix açucareiro no meio, e finalizar novamente com o etanol em alta”, afirma. Já no Mato Grosso do Sul, as duas usinas da Biosev devem se manter com máxima produção de etanol durante todo o ciclo.
“A possibilidade de alteração do mix produtivo de forma ágil e eficaz garante que a companhia possa aproveitar as melhores oportunidades de mercado em cada momento, acompanhando as flutuações de preço do açúcar e etanol e janelas de oportunidade econômicas de forma a trazer a maior geração de caixa possível”, afirma Blanchard.
Segundo a Biosev, para aproveitar os incentivos do mercado de forma eficiente na safra atual, a companhia realizou uma série de investimentos no período da entressafra, conforme anunciado em fevereiro.
Isso inclui a instalação de maquinários que permitem maximizar a eficiência operacional. Assim, somadas, as duas unidades no município de Rio Brilhante (MS) tiveram capacidade de moagem ampliada em 3 mil toneladas por dia.
Além disso, um novo aparelho de destilação instalado permite uma produção adicional de 250 metros cúbicos diários de etanol. Outro ganho foi o aumento da capacidade de estoque de melaço, que pode ser convertido em etanol em momentos oportunos, flexibilizando o mix de produção conforme estratégia da companhia.
Já a unidade Vale do Rosário, localizada em Morro Agudo (SP), ganhou mais uma coluna na destilaria, que elevou a capacidade de produção diárias de etanol anidro em 240 metros cúbicos. Por fim, a unidade Santa Elisa, em Sertãozinho (SP), recebeu um aparelho novo em sua destilaria, com capacidade para produção diária de 600 metros cúbicos de etanol. (Biosev 07/05/2019)
 

Moagem de cana no CS ganha ritmo após início lento; produtividade deve aumentar

Após um começo lento na moagem, a nova temporada de produção de açúcar e etanol do Brasil ganhou velocidade, com dados iniciais dos campos indicando que os volumes podem atingir o intervalo superior das previsões de analistas.
A Reuters visitou áreas de plantio nos últimos dias, conversando com usineiros e gestores na região de Ribeirão Preto, para coletar informações sobre as atuais operações e expectativas para os próximos meses.
O centro-sul do Brasil, maior região produtora de cana do mundo, moeu menos na última temporada, encerrada em março, registrando o terceiro ano consecutivo de recuo no processamento de cana, que somou 573 milhões de toneladas em 2018/19.
Isso foi resultado principalmente de um menor cuidado com a safra e do envelhecimento dos canaviais.
A maior parte dos analistas esperava um volume semelhante para a nova safra, de acordo com pesquisa da Reuters, em um intervalo de 565 milhões a 585 milhões de toneladas.
Chuvas favoráveis em março e abril, porém, parecem ter impulsionado as expectativas.
Algumas usinas aceleraram o processamento recentemente, como medida de precaução, para que tenham tempo de processar toda a safra, caso os volumes fiquem maiores à frente.
“Aumentamos um pouco o ritmo. Os rendimentos estão melhorando e não queremos correr o risco de que não seja possível moer toda a safra no período ideal”, disse Sergio de Paula Eduardo, diretor de planejamento do grupo Santa Adélia, que possui três usinas no Estado de São Paulo.
A empresa ainda trabalha com uma projeção conservadora para a moagem na nova temporada, de até 5,5 milhões de toneladas, 200 mil toneladas a menos que na safra anterior, devido à seca do final do ano passado.
Mas Eduardo disse, na sede da empresa em Jaboticabal, que há uma chance de que o número aumente.
A situação é semelhante nos canaviais da usina Bonfim, controlada pela Raízen, líder da indústria.
Segundo um supervisor, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar pela companhia, o alvo de produção da usina é de 96 toneladas de cana por hectare na atual safra, ante 83 toneladas na última temporada.
Ele afirmou que a usina espera moer 5,5 milhões de toneladas neste ano, contra 5,2 milhões de toneladas na temporada anterior. “Pelo que vimos até agora, os campos estão em melhores condições”, disse, em uma das fazendas fornecedoras da usina.
Luís Arakaki, proprietário da usina Alcoeste, em Fernandópolis, diz que espera moer 2 milhões de toneladas, ante 1,7 milhão na última temporada. “A cana parece boa, terei volumes maiores”, afirmou.
Mas algumas unidades de fato decidiram adiar o início da nova safra, conforme a Reuters noticiou anteriormente.
“Começamos a moagem em 1º de maio, cerca de um mês mais tarde que o normal”, disse Alberto José Otoya Dussan, diretor da usina Vale do Paraná, que pertence ao grupo guatemalteco Pantaleon.
Ele afirmou que a empresa decidiu deixar que os canaviais se beneficiassem da umidade tardia, o que ele acredita ter sido a decisão correta.
“Os campos parecem bem agora, estamos com um rendimento médio de 85 toneladas por hectare, maior que o da última safra.”
Eduardo, da Santa Adélia, disse que uma das usinas do grupo, em Sud Mennucci (SP), iniciaria a moagem nesta terça-feira, muito mais tarde que o normal, pelas mesmas razões mencionadas por Dussan. (Reuters 07/05/2019)
 

Agro pode contribuir para o aumento da geração de energia renovável no Brasil

Em um país com as dimensões continentais como o Brasil, levar energia a todos os consumidores é um desafio. Poucas atividades econômicas possuem a capacidade de gerar energia renovável como a agropecuária e o setor florestal.
Para debater esse assunto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promove na quarta (8), em Brasília, o seminário “Agro em Questão - Energias Renováveis: tornando a agropecuária mais sustentável e econômica”.
O objetivo do evento é buscar alternativas para a inserção dos produtores rurais no mercado de energia. Para o assessor técnico da CNA, Maciel Silva, os benefícios da geração de energia vão além dos resultados econômicos com a sua comercialização.
“A redução dos custos de produção, a melhoria da qualidade da energia e a destinação para os resíduos da produção agropecuária são outras vantagens que a geração de energia nas propriedades rurais pode trazer”, afirma.
Segundo o assessor técnico, os benefícios se estendem ao governo e ao planejamento e desenvolvimento energético sustentável do país.
“A geração de energia perto dos centros consumidores reduz os custos com transmissão, as perdas do sistema elétrico e aumenta a celeridade de atendimento da demanda. Mais do que isso, ao usar das fontes renováveis vinculadas ao agro, o Brasil se aproxima ainda mais do cumprimento da redução da emissão de gases de efeito estufa” explica.
O Agro em Questão também vai discutir os principais entraves regulatórios para geração e comercialização de energia, o potencial para melhoria da qualidade da energia no campo, bem como as alternativas para diversificação da matriz energética nacional.
O evento será realizado em parceria com a Climate Bonds Initiative (CBI) e compõe o plano de trabalho da Confederação para ampliação da participação do agro no mercado de energia. Contará com a participação de representantes do governo, de associações do setor e da iniciativa privada.
As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas. (CNA 07/05/2019)
 

BNDES amadurece estratégia de apoio a gás e biocombustíveis, diz Levy

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai ter um posicionamento estratégico para apoiar tecnologias, produção e consumo de gás natural e biocombustíveis, afirmou nesta segunda-feira, 6, o presidente do banco, Joaquim Levy, em vídeo apresentado à plateia do evento 'Futuro da Mobilidade, mais eficiência energética e menos impacto ambiental', que acontece na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro.
Segundo Levy, a realização do evento tem o objetivo de "amadurecer formas de o BNDES apoiar iniciativas e políticas que criem conhecimento, emprego e renda, além de proteger o meio ambiente e reduzir as mudanças climáticas". Em seu discurso, o presidente do banco sinalizou a prioridade que será dada ao segmento de energia para transportes.
"A matriz elétrica majoritariamente limpa implica que o setor de transporte responda pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa relacionados ao setor de energia. Ainda há espaço para aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões de carbono da frota brasileira de veículos", disse Levy.
Ele destacou que há uma grande oportunidade com o uso do gás natural veicular, por conta do "potencial do pré-sal e das possibilidades abertas de crescer o acesso aos gasodutos". Além disso, o BNDES está atento a tecnologias de geração de energia a partir de células de etanol.

Levy ainda ressaltou que a combinação de motores flex e elétricos gera uma grande redução de emissões. E destacou a intenção do banco de apoiar a adoção de frotas municipais de ônibus com motores elétricos. "O BNDES olha como pode ajudar várias cidades a implementar essa opção (frota de ônibus elétrico)", disse Levy, que destacou também o apoio dado há anos pelo banco ao setor de cana-de-açúcar. (UOL 06/05/2019)