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Preço do diesel retoma o pico um ano após a greve

A greve dos caminhoneiros completa um ano, no próximo dia 21, num momento sensível em que os preços médios do litro do diesel atingem seus maiores patamares em 2019, nas bombas, e se aproximam dos R$ 3,8 registrados às vésperas da paralisação do ano passado, de acordo com levantamento da empresa de pesquisa de mercado Triad Research. A exemplo de maio de 2018, a inflação nos postos se repete, embora em ritmo menor, e as ameaças de uma nova greve se reacendem. Passado um ano, problemas estruturais no transporte permanecem, mas o mercado de combustíveis já não é exatamente o mesmo.

Mudanças como o fim do monopólio da Petrobras no refino ainda são promessas. O movimento de 2018, no entanto, agitou o governo e as empresas: os subsídios voltaram à realidade do mercado brasileiro; a Petrobras acabou com os ajustes praticamente diários e aumentou a transparência de seus preços; a BR Distribuidora criou o cartão caminhoneiro, uma espécie de cartão pré-pago que reduz os efeitos das oscilações dos preços para o motorista; e uma agenda de mudanças regulatórias para o setor de combustíveis entrou em debate.

A greve dos caminhoneiros também trouxe, consigo, lições e legados. Para o professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmar Almeida, o episódio de maio de 2018 contribuiu para a promover um grande debate nacional sobre a composição dos preços dos combustíveis. Segundo ele, o mercado evoluiu, ao aumentar o seu grau de transparência, desde que a Petrobras passou, em abril, a divulgar os preços reais praticados pela empresa em 37 pontos diferentes de suprimento.

Almeida também destaca que uma das principais lições da greve foi demonstrar que a estratégia do governo de subsidiar os caminhoneiros, por meio de descontos nos preços nas refinarias, não funciona. O programa de subvenção de Michel Temer consumiu, ao todo, cerca de R$ 6,8 bilhões dos cofres públicos.

"E ficou demonstrado que não há como garantir que o desconto chegue ao consumidor final. Foi didático. A situação dos caminhoneiros não melhorou, porque é estrutural. Falta carga para o excesso de caminhões", comenta.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, defende que o governo deveria, em vez de subsidiar os preços do diesel, financiar um programa de redução da frota mais antiga por meio de bolsas para os motoristas autônomos.

Para a Petrobras, o saldo é ambíguo. Por um lado, a empresa recuperou "market share" depois que o governo implementou o programa de subsídio e os importadores privados perderam a rentabilidade. Mesmo com as mudanças na periodicidade dos reajustes, a política de preços da estatal sobreviveu ao olho do furacão e manteve sua essência - o alinhamento aos preços internacionais.

"Temos que saber, enquanto consumidores, a conviver com as oscilações de preços. Isso é uma coisa a se conquistar, é cultural", afirma o presidente da Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural), Leonardo Gadotti.

O presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Felipe Coutinho, contrapõe ao dizer que a grande lição da greve foi mostrar que o petróleo é um produto estratégico para a competitividade da economia brasileira.

"É estratégico e fundamental para o país, porque influencia os principais custos do transporte e da indústria. Mas optamos por um modelo que não transfere para a sociedade a renda petrolífera", defende.

Por outro lado, a companhia enfrentou dias de estresse na bolsa, quando teve sua autonomia questionada por investidores no momento em que decidiu, em maio de 2018, congelar temporariamente seus preços, e mais recentemente, suspender seu reajuste após intervenção do presidente Jair Bolsonaro.

Adriano Pires também destaca que a greve prejudicou os planos da companhia de vender suas refinarias. "Criou-se uma confusão, uma instabilidade regulatória que dificulta o negócio", afirma.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) destaca que a principal lição da greve foi que a sociedade precisa compreender melhor como funciona a precificação dos combustíveis. Nesse sentido, a ANP vem realizando uma série de estudos para melhorar o arcabouço regulatório do setor.

Além da resolução da transparência dos preços dos combustíveis, que está em fase final de elaboração e obrigará os agentes dominantes a abrirem seus preços ao mercado, a ANP também estuda permitir que as usinas de etanol possam vender diretamente para os postos, sem passar pelo intermédio das distribuidoras.

A agência também avalia se dá ou não ampla liberdade aos postos para comprarem combustível de quem quiserem, independentemente da bandeira que apresentem. Para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a fidelidade impede que pequenas distribuidoras emergentes forneçam para a maioria dos postos, que é bandeirada pelas líderes de mercado BR, Ipiranga e Raízen. A proposta mexe com os ânimos das empresas do setor. Para Gadotti, essas pautas não contribuem para a estabilidade jurídica do setor.

"Quando se olha o longo prazo, quanto mais desregulado o mercado, melhor. [As propostas da ANP] são medidas que no futuro vão acontecer, mas depois que os problemas básicos sejam resolvidos, como o problema da sonegação fiscal no setor e a simplificação tributária", comenta.

A Petrobras destacou que, desde março, vem alongando a frequência dos reajustes nas refinarias, graças ao uso de mecanismos de proteção (hedge) com derivativos. A estatal esclareceu, ainda, que a BR anunciou o pré-lançamento do Cartão do Caminhoneiro. (Valor Econômico 17/05/2019)

 

Incerteza sobre reforma atrasa crescimento, diz Fitch

As incertezas sobre a capacidade de o governo aprovar as reformas, em especial a da Previdência, têm pesado sobre o cenário de retomada do crescimento, disse Shelly Shetty, chefe de ratings soberanos para América Latina da Fitch Ratings, em evento em São Paulo. "O Brasil está experimentando uma recuperação econômica morna e esperamos que o crescimento permaneça abaixo de 2% em 2019 e em torno de 2,5% em 2020", destacou a analista.

A Fitch avalia como muito lenta a expansão da atividade do país. "O crescimento do Brasil não está se fortalecendo e enfraqueceu comparado a outros pares na América Latina.".

Segundo Shelly, o país enfrenta riscos de curto prazo relacionados ao ambiente político. "Há um risco de desapontamento com a agenda de reformas", afirma.

Existem ainda fatores relacionados ao exterior, que podem influenciar negativamente o ambiente econômico. Ela cita, além da volatilidade do preço das commodities, o perigo de uma desaceleração mais forte do que a esperada da economia chinesa.

Outro fator de preocupação é a eleição na Argentina. "As eleições no país estão muito incertas", avalia. O vizinho brasileiro enfrenta hoje uma escalada da inflação, uma grande volatilidade cambial e uma elevação das tendências populistas, o que afeta a confiança do mercado.

No Brasil, Shelly considera ainda que o grande desafio do governo é assegurar a consolidação e estabilidade fiscal, processo que vai além da Previdência. "O alto déficit geral continua a subir e a dívida geral do governo deve alcançar 80% do PIB neste ano", diz. "Nesse cenário, outras medidas vão ser necessárias para colocar o fiscal no rumo certo."

Sobre a reforma da Previdência, a chefe de ratings soberanos para América Latina da Fitch vê "as discussões mais maduras", porém, "atrasos serão prováveis". Existe ainda o risco de uma diluição da economia prevista pelo atual projeto. "A fragmentação do Congresso e as investigações de corrupção podem diluir e atrasar a agenda de reformas."

Para a perspectiva se tornar mais positiva do ponto de vista do rating do Brasil, Shelly ressalta a importância de haver uma melhora do ambiente político, "que facilite as iniciativas do governo de levar adiante a agenda de reformas e, no médio prazo, ajude a endereçar a sustentabilidade da dívida pública".

A analista também aponta como condição a necessidade de se resolver a "inércia relacionada às reformas", o que tem impactado negativamente a melhora do ritmo de crescimento. (Valor Econômico 17/05/2019)

 

Dólar dispara acima de R$4 com mercado questionando força do governo

O dólar fechou em firme alta ante o real nesta quinta-feira, acima de 4 reais pela primeira vez em sete meses e meio, com o real consolidando o fim de seu rali pós-eleição, conforme investidores incorporam mais risco diante da piora de perspectiva para a agenda de reformas.

A moeda norte-americana rompeu a barreira dos 4 reais ainda pela manhã. Mas, diferentemente de outros pregões, a disparada para esse nível não atraiu fluxo relevante de tesourarias bancárias e exportadores na ponta de venda.

Com a típica queda de volumes durante a tarde e sem oferta de moeda no mercado, o dólar teve espaço livre para continuar a escalada, em sintonia com um dia negativo para os mercados brasileiros em geral.

Os juros tiveram a maior alta em quase dois meses, e o Ibovespa chegou a perder os 90 mil pontos na última hora de negócios.

Na máxima do dia, o dólar bateu 4,0425 reais, com valorização de 1,16%.

O fechamento não foi muito menor. O dólar à vista terminou a sessão em alta de 1,01%, a 4,0366 reais na venda.

Na B3, o dólar futuro subia 1,00%, a 4,0485 reais.

“Não dá mais para dizer que esse patamar está ‘torto’. O nível de risco aumentou, e o mercado se ajusta a isso. É reação à piora de fundamento”, disse Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management.

Além do cenário externo mais conturbado, o câmbio tem reagido à deterioração do cenário local, com rebaixamentos sequenciais nas projeções para a economia em meio a frequentes reveses na articulação política do governo.

A confiança do mercado após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em outubro do ano passado, levou o dólar a uma mínima em torno de 3,65 reais no fim do último mês de janeiro.

Desde então, contudo, o Executivo tem acumulado derrotas no Congresso, sem uma base consolidada e com ameaças persistentes de diluição adicional da proposta da reforma da Previdência.

Como resultado, o dólar anulou toda a queda vista após a eleição de Bolsonaro. E, desde a mínima deste ano, já sobe 10,33%.

Citando o ambiente piorado para as negociações em prol da reforma da Previdência, o Bank of America Merrill Lynch aumentou nesta quinta-feira a estimativa para o dólar ao fim do ano. O banco agora espera taxa de 3,80 reais ao término de 2019, ante prognóstico anterior de 3,60 reais.

“Crescimento menor, juros mais baixos, real mais fraco”, resumiu em nota equipe de estrategistas do BofA. (Reuters 16/05/2019)

 

Bolsonaro admite rever política de preços da Petrobras “caso não prejudique empresa”

“Pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5 e me culpam”, afirma em rede social

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu nesta quinta-feira (16) que pode rever a política de preços de combustíveis da Petrobras caso não haja prejuízo para a empresa.

Durante transmissão ao vivo nas suas redes sociais, em viagem a Dallas, no Texas, o presidente disse que as pessoas o culpam pelo alto valor da gasolina nas bombas e que o sistema de preços “pode ter algum equívoco”. Portanto, declarou, se não prejudicar a empresa, pode ser revisado.

“O pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5 e me culpam, atiram para cima de mim o tempo todo. O preço do combustível é feito lá pela Petrobras. Leva em conta o preço do barril de petróleo lá fora, bem como a variação do dólar. Lógico que se a gente puder rever isso aí sem prejuízo para a empresa, sem problema nenhum, às vezes a política pode ter algum equívoco”, afirma.

Ao lado do ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia), Bolsonaro perguntou quando o preço do combustível vai cair e ouviu do auxiliar que isso acontecerá quando o país aumentar sua produção de petróleo.

“Temos perspectivas com os leilões que vamos realizar, temos a maior área de produção do mundo e só com produção vamos conseguir reduzir o preço do combustível, do gás”, disse o ministro.

No mês passado, Bolsonaro interferiu na política de preços da Petrobras e segurou o aumento no preço do diesel estipulado pela empresa – o que causou uma perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado para a estatal.

Auxiliares do presidente afirmaram que sua decisão se deu pelo temor de uma nova greve de caminhoneiros que, no ano passado, causou uma grave crise de abastecimento no país.

A medida, porém, contrariou a discurso liberal do chefe da equipe econômica do governo, Paulo Guedes, que não concorda com esse tipo de intervenção do governo – na ocasião, o ministro foi surpreendido pela decisão do presidente.

Nesta quinta, Bolsonaro afirmou que o problema dos caminhoneiros é “a falta de frete” e admitiu que a economia do país não vai bem. “Não vou enganar vocês”. (Folha de São Paulo 17/05/2019)

 

Miguel Tranin é reeleito como presidente da Alcopar

O engenheiro agrônomo Miguel Rubens Tranin foi reeleito para um novo mandato de três anos, de 2019 a 2022, à frente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), sediada em Maringá (PR).

Na presidência da entidade desde 2010, Tranin responde também pela liderança de quatro sindicatos ligados ao segmento industrial, nas áreas de produção de açúcar (Siapar), etanol (Sialpar), biodiesel (Sibiopar) e cogeração de energia elétrica a partir de biomassa e gás (Sibielpar). Com 27 estruturas industriais em operação nas regiões noroeste e norte do estado, onde estão presentes em mais de uma centena de municípios, o setor gera cerca de 40 mil postos de trabalho diretos.

A diretoria presidida por Tranin, referendada por representantes das indústrias associadas no dia 26 de abril, em Assembleia Geral na sede da Alcopar, é composta também pelo vice-presidente Moacir Meneguetti, o secretário Cristiano Mesquita, o tesoureiro Rogério Baggio e diretores suplentes Hélcio Rabassi, Constante Ometto, Samuel Meneguetti, Fernando Vizzotto e Tácito Júnior. No conselho fiscal, Paulo Meneguetti, Fernando Nardine e Waldenir Romani (efetivos), Júlio Meneguetti, Antonio Sérgio Bris e João Batista Meneguetti (suplentes).

RenovaBio

Segundo Tranin, as expectativas para o segmento de bioenergia são promissoras devido a implementação do RenovaBio, o programa do governo federal que visa trazer maior previsibilidade e atrair mais investimentos e eficiência para o setor sucroenergético. “O RenovaBio será um marco para o país”, diz.

Ele acredita que o RenovaBio é uma política moderna e que levará o país a “outro patamar” em relação à segurança energética, ampliando a participação de fontes de energia nacionais e renováveis, como é o caso do etanol.

“Temos agora pela frente o trabalho de levantamento e organização das informações para certificação. Muitos players já iniciaram o processo para estar prontos até o fim do ano e começar a participar do RenovaBio em 2020”, afirma.

Projeções

No Paraná, ele vê também a retomada do plantio de cana para assegurar a estabilidade da produção às indústrias. Tranin também espera por um avanço significativo dos biocombustíveis no país, com destaque para o etanol de milho.

A previsão da Alcopar é que a safra de cana-de-açúcar 2019/20 no estado, iniciada em abril, seja mais alcooleira, por conta dos atuais patamares de preços do petróleo e também as cotações deprimidas do açúcar.

No ano passado, o combustível derivado da cana atingiu consumo recorde no Brasil, e que poderia ter sido maior não fosse pela assimetria na questão tributária.

Impostos

Tranin explica que o etanol ainda é pouco consumido nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, devido ao elevado nível de tributação, de 36%. Ele integra um movimento do setor bioenergético nacional que defende uma equalização das tarifas entre os estados, de 12%.

Ainda de acordo com ele, a frota de veículos do Rio Grande do Sul é maior que a dos estados do Nordeste. Segundo Tranin, a reforma tributária, que deve vir após a da previdência, deve buscar a uniformidade nas tarifas.

Concorrência

Segundo Tranin, o setor vê com preocupação os investimentos que vêm sendo realizados por Argentina e Paraguai para a produção de etanol de milho. Considerando as facilidades de exportação oferecidas no Mercosul, ele afirma que há risco de que os dois países se transformem em concorrentes diretos dos produtores nacionais em breve.

Como em ambos os países a gasolina é vendida ao consumidor sem nenhuma adição de etanol, o setor pretende pleitear ao governo brasileiro que exija dos vizinhos a criação de uma política de mistura, a exemplo do que ocorre no Brasil. (Sistema Ocepar 16/05/2019)

 

Agência ambiental dos EUA flexibiliza lei sobre biocombustíveis antes de decisão judicial

Ao menos quatro meses antes de uma decisão judicial de 2017, o governo Donald Trump já havia tornado mais fácil o recebimento, por parte das refinarias de petróleo, de isenções no cumprimento da lei de biocombustíveis do país. A decisão é constantemente utilizada pela administração para justificar o movimento ao setor do milho e, de acordo com descobertas da Reuters, foi motivada por um desejo da indústria petrolífera para poupar dinheiro.

O timing e a motivação para a mudança na política da Agência de Proteção Ambiental do país (EPA, na sigla em inglês), revelada por documentos judiciais e por uma entrevista com uma ex-autoridade de alto escalão do órgão, não haviam sidos divulgados anteriormente. Isso reforça preocupações da indústria do milho de que a decisão de expandir o programa de isenções tenha sido tomada com consentimento da EPA.

“A EPA disse repetidas vezes ao Congresso que suas mãos estavam amarradas e culpou os tribunais. Isso parece ter sido uma mentira. A EPA também disse que estava seguindo recomendações do Departamento de Energia. Também sabemos que isso é besteira. Chegarei a fundo nisso”, afirmou em comunicado nesta quinta-feira o senador republicano Chuck Grassley, do Estado de Iowa.

As isenções, concedidas a pequenas refinarias, incluindo algumas comandadas pelas gigantes Exxon Mobil e Chevron e pelo investidor bilionário Carl Icahn, pouparam centenas de milhões de dólares da indústria petrolífera. Elas irritaram o setor do milho, que argumentou que as isenções afetaram agricultores por ameaçarem a demanda por etanol.

Há um debate acirrado a respeito de as ações da EPA terem ou não afetado a demanda por etanol.

O Padrão de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos requer que as refinarias misturem bicombustíveis, como o etanol, em seus combustíveis, ou que comprem créditos gerados pelas empresas que o fazem. Porém, pequenas refinarias podem ter isenções se provarem que cumprir a meta resultaria em danos financeiros.

Sob Trump, a EPA concedeu 35 dessas isenções em 2017, uma alta substancial em relação às sete concedidas no último ano do governo de Barack Obama.

Documentos judiciais protocolados por um grupo de defesa dos biocombustíveis mostram que a EPA alterou sua política antes de 4 de maio de 2017.

Na data, a agência disse em carta a uma refinaria: “Estamos mudando nossa abordagem”. A frase se refere ao programa de isenções, permitindo que refinarias as recebam mesmo que suas operações “não sejam prejudicadas significativamente” pelo cumprimento da meta. O documento foi apresentado pela Associação Avançada dos Biocombustíveis em contestação à extensão do programa de isenções.

Dessa forma, as alterações nas políticas do órgão teriam sido realizadas pelo menos quatro meses antes de o Tribunal de Apelações dos Estados Unidos julgar, em agosto de 2017, que a agência utilizou padrões muito rígidos quando negou uma isenção à Sinclair Oil, sediada em Utah.

Na sequência, a EPA retirou sua defesa de um caso judicial semelhante, além de ter perdido um terceiro. Os casos são citados constantemente por autoridades do órgão e representantes das refinarias como defesa ao programa de isenções expandido. (Reuters 16/05/2019)