Setor sucroenergético

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Briga de tarifas entre EUA e China não preocupa, diz Rubens Ometto Silveira Mello

Não está entre as preocupações de Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan e Raízen, a guerra entre EUA e China, que culminou, esta semana, em taxações de produtos por ambos os países.

“Os impostos americanos sobre produtos chineses deixam mais competitivo o preço dos brasileiros no agronegócio nacional. Os EUA são grandes exportadores de grãos para China. Com essa medida, o preço dos produtos cai na bolsa, mas aumenta o ágio para entrega física. O Brasil leva uma grande vantagem nisso”, ponderou, em rápida conversa com a coluna Direto da Fonte, em Nova York.

E a reação da China impacta? “Não acredito. Mas o Brasil não pode se entusiasmar com isso e querer também brigar com o chinês, né?”

Rubens Ometto, que já ganhou o Person of the Year da Câmara Brasil-EUA, foi dos poucos empresários a prestigiar o evento este ano. Já ir para Dallas, participar do almoço promovido em torno de Bolsonaro, ficou complicado. “Tenho reunião importante na Holanda”, explicou.

O presidente do conselho de administração da Cosan está entre inúmeros integrantes da iniciativa privada brasileira convocados por Alexandre Bettamio, presidente do conselho da Câmara, que não encontraram meios de viajar para o Texas.

Pelo que se apurou, voaram para Dallas Luiz Trabuco e Octavio de Lazari, do Bradesco, José Berenguer, do JP Morgan, representantes da BRF e da Marfrig, e um diretor da General Atlantic. (Coluna Sonia Racy 19/05/2019 para o Jornal Estado de São Paulo)

 

CNA propõe remuneração a produtores de cana-de-açúcar no RenovaBio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou que os produtores de cana-de-açúcar participem da remuneração que as usinas produtoras de etanol terão dentro do RenovaBio, conhecida como Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis (CBios).

A demanda foi apresentada pelo presidente da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da CNA, Enio Fernandes, para o diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Miguel Lacerda de Oliveira, na sexta (17), em Brasília.

A base para a emissão do CBios será o índice fornecido pela RenovaCalc, uma ferramenta para comprovação do desempenho ambiental de usinas de biocombustíveis desenvolvida pela Embrapa.

Segundo o assessor técnico da Comissão de Cana-de-Açúcar da CNA, Rogério Avellar, nos casos em que as usinas compram matéria-prima de outros produtores, esses também teriam direito a receber parte da remuneração, pois o uso de práticas sustentáveis no processo produtivo interfere diretamente na avaliação feita pela calculadora da Embrapa.

“Quanto mais o produtor utilizar práticas sustentáveis como plantio direto e reduzir a quantidade de combustível fóssil na atividade, maior será a nota da usina. O produtor vai ter esse custo, mas não participará dos ganhos financeiros gerados pelos CBios emitidos pelas usinas. Ele contribui efetivamente para essa valorização e merece ser remunerado também”, afirmou Rogério Avellar.

Conforme projeção do MME, o RenovaBio vai gerar R$ 1,4 trilhão em investimentos até 2030. O programa está em fase de regulamentação e começará a funcionar em 2020. (CNA 20/05/2019)

 

Etanol hidratado sobe 4,41% e anidro avança 0,23% nas usinas

Após três semanas em queda, o etanol hidratado se recuperou e avançou 4,41% nas usinas paulistas entre segunda-feira e esta sexta-feira.

O litro semanal do combustível variou de R$ 1,6109 para R$ 1,6820, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro avançou 0,23% esta semana, de R$ 1,9416 para R$ 1,9460 o litro, em média. (Agência Estado 20/05/2019)

 

Instituto avalia uso de palha de cana-de-açúcar para gerar energia

Pesquisadores afirmam que o subproduto tem o mesmo potencial energético do bagaço, mas tem sido descartado ou queimado.

Com o objetivo de auxiliar a indústria sucroalcooleira no reaproveitamento da palha da cana-de-açúcar, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) estudam a utilização do subproduto para gerar energia elétrica. O potencial, segundo a entidade, é bastante similar ao do bagaço, mas usinas têm apenas descartado no campo ou queimado esse produto.

Apesar do conteúdo energético similar ao do bagaço, a palha da planta apresenta um teor de cloro entre 0,1% e 0,7% de sua composição contra apenas 0,02% do bagaço. Isso pode propiciar a formação do ácido clorídrico (HCl), por exemplo, e corroer as tubulações de vapor utilizadas durante a combustão das termelétricas.

“Além disso, a combustão também pode gerar a emissão de poluentes atmosféricos como gases ácidos, dioxinas e furanos”, explica Ademar Hakuo Ushima, pesquisador do Laboratório de Engenharia Térmica do IPT.

Para dar início a uma nova fase do estudo em 2019, após o fim da etapa de revisão bibliográfica, o IPT instalou dois equipamentos em escala laboratorial que avaliam o rendimento energético e também a emissão de poluentes gerada nos processos de pirólise, combustão e gaseificação em resíduos agrícolas.

Através desses equipamentos e com a compreensão dos mecanismos de formação de produtos clorados no reaproveitamento da palha de cana-de-açúcar, espera-se encontrar soluções para os problemas de corrosão intensa observados nos reatores e nos sistemas de limpeza de gases que utilizam esse tipo de matéria-prima.

“O objetivo é dar suporte técnico ao setor sucroalcooleiro do estado e desenvolver novas tecnologias para o aproveitamento energético de resíduos”, finaliza o pesquisador. (Canal Rural 20/05/2019)

 

Usina Cocal fará fornecimento de gás de bagaço de cana-de-açúcar a cidades de São Paulo

Presidente Prudente e a vizinha Pirapozinho devem contar com biocombustível até o 2º semestre de 2020.

Pela primeira vez no Brasil, cidades serão abastecidas por biometano gerado a partir de sobra da cana-de-açúcar que produz açúcar e etanol.

Presidente Prudente (560 km a oeste da capital paulista) e a vizinha Pirapozinho, com seus 230 mil habitantes, devem contar até o segundo semestre do ano que vem com o biocombustível hoje 45% mais barato do que o que se abastece por lá carros e caminhões.

Distantes a quase 200 km do gasoduto que traz gás natural da Bolívia e corta o estado de São Paulo, a região, já próxima ao Pontal do Paranapanema, receberá um investimento na casa dos R$ 160 milhões.

O combustível será produzido na unidade de Narandiba (60 km ao sul de Presidente Prudente) da usina Cocal, que promete investir R$ 130 milhões no projeto.

Os R$ 30 milhões restantes ficarão com a GasBrasiliano, subsidiária para o governo paulista na distribuição de gás em diversas cidades do estado.

O biometano será produzido por meio da biodigestão do bagaço, da vinhaça e da palha da cana.

Após o processo, o gás chegará por tubulações, que serão viabilizadas de acordo com a demanda dos consumidores das cidades.

A GasBrasiliano deve construir cerca de 65 km de rede de distribuição.

“O projeto viabiliza a chegada do gás a novos municípios a partir de uma nova fonte de suprimento”, afirma o diretor-presidente da empresa, Walter Fernando Piazza Júnior.

De acordo com o diretor-superintendente da Cocal, Paulo Zanetti, “a demanda por biogás tem aumentado significativamente”.

“Identificamos uma tecnologia capaz de garantir a produção por 12 meses. Não apenas no período da safra”, afirma o executivo.

Segundo ele, a usina de Narandiba terá capacidade de oferecer até 67 mil metros cúbicos de biometano por dia.

A demanda desses dois municípios, por enquanto, é de 12,5 mil metros cúbicos, segundo estimativas da GasBrasiliano.

O governo paulista já regulamentou, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, a distribuição de biometano na rede de gás canalizado nos municípios paulistas, de acordo com o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido.

“A Arsesp [agência reguladora de saneamento e energia do estado de São Paulo] elaborou em 2017 a deliberação nº 744 para a distribuição de biometano na rede de gás canalizado”, disse o diretor-presidente da agência, Hélio Castro.

A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) já havia regulamentado o uso do biometano em janeiro de 2015.

A queima do poluente metano, que minimizaria as emissões de gases estufa na atmosfera, é considerada por pesquisadores e o mercado uma alternativa econômica e ecologicamente correta para incrementar e diversificar a matriz energética nacional. (Folha de São Paulo 20/05/2019)

 

Preços do açúcar bruto despencam na ICE com fraqueza do real

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE caíram nesta sexta-feira para suas mínimas em sete meses e meio, seguindo a fraqueza no real e com o encerramento da Semana do Açúcar em Nova York, que terminou sem gerar sentimentos altistas no mercado, disseram operadores.

Nesta sexta-feira, a moeda brasileira se desvalorizou e chegou a tocar 4,10 reais por dólar pela primeira vez em oito meses, em meio a crescentes preocupações de investidores com a economia e a capacidade do governo de conduzir sua agenda de reformas pelo Congresso.

Um real mais fraco impulsiona retornos em moeda local para commodities precificadas em dólar e, assim, estimula as vendas por produtores.

O contrato julho do açúcar bruto fechou em queda de 0,23 centavo de dólar, ou 2%, a 11,55 centavos de dólar por libra-peso, após cair até 11,43 centavos, menor nível desde 1º de outubro.

Na semana, o contrato cedeu 1,5%, sua quarta queda semanal consecutiva. Segundo operadores, os preços foram empurrados para baixo pela fraqueza no real.

O sentimento baixista deixado pela Semana do Açúcar de Nova York também não ajudou, disseram operadores. Embora no passado o evento tenha ajudado a melhorar humores e levantar os preços temporariamente, neste ano muitas discussões foram focadas nas expectativas de que uma queda da produção mundial no próximo ano deve ser compensada pelos elevados estoques.

O contrato agosto do açúcar branco fechou em queda de 4,10 dólares, ou 1,3%, a 321,50 dólares por tonelada, após atingir 318,40 dólares, também mínima desde 1º de outubro. (Reuters 20/05/2019)

 

Previsões de déficit global de açúcar não convencem e commodity derrete em NY

Estimativas de empresas, bancos e consultorias continuam dando oferta abaixo da demanda global, mas o mercado em Nova York não aceita e precifica o contrário há tempos.

A última vez que o contato julho do açúcar em Nova York esteve acima dos 12 c/lp foi em 3 de maio, depois de minguar desta franja deprimida, por onde flutuou em muito tempo sem ameaçar os 13, até os 12.01. Em paralelo, acumularam-se previsões de déficit global de açúcar, de considerados pesos pesados do mercado, inclusive alguns tirando menos volume da commodity do Centro-Sul ante estimativas iniciais.

Mas a tela driver da ICE Futures segue derretendo. Caiu 7 pontos ontem (11.78 c/lp). E perdeu mais 23 nesta sexta (17), fechando em 11.55 c/lp, pelo 9º pregão seguido perdendo na margem. Para além do mês 7, os demais contratos figuram na linha de tiro. Até o longínquo outubro/20 briga para se manter em 13.50 c/lp.

Torcer para a recuperação da commodity é uma coisa boa para todo o setor produtivo, mas sem combinarem com os fundamentos não está funcionando. Exportadores e tradings - certamente alguns comprados e todos temendo pela cotação encostando no custo de produção de 11 c/lp -, forçando a mão para o mercado virar também é do jogo.

Bancos se compreende também que tentem influenciar a compra, contra o aumento das vendas do mercado futuro. Há um grande número deles pendurados com créditos de difícil recuperação.

Como um excedente visto pelo USDA de 9 milhões de toneladas em novembro, mais estoques globais de 52 mi/t, somados a um baixo crescimento da demanda, se evaporou?  

"Logisticamente é, no mínimo, não usual neutralizar uma oferta de pouco mais de 9 milhões de toneladas", diz Maurício Muruci, em relatório da Safras & Mercado, ele também que levanta igual interrogação.

Aí, voltamos então para a safra corrente, com a Índia caminhando para o final, mas com sobra de 2 mi/t para entrarem no mercado mundial, e ainda revisada para cima recentemente. Desde o início, o Isma, que reúne o setor indiano, falava em 31 mi/t de açúcar, já revisou para quase 33 mi/t, e olhe lá se não revisar novamente mais para cima.

Em com um dólar tirando lascas do R$ 4, e hoje acima, o Centro-Sul pode ampliar fixações.

O novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sai semana que vem, certamente deverá ter mudanças, como lembra Muruci, mas ainda há que ser "prudente" em relação a uma reversão total, acentua o analista.

Do déficit mais baixo estimado, de cerca de 2,7 mi/t (Platts), para o mais elevado, de 7 mi/t (Alvean), há vários de consultorias e de outros intervalando, baseando-se numa produção brasileira de Goiás para baixo de 27 a quase 30 mi/t.

A Safras é a única que mantém firme os 5 milhões de superávit global, com pouco mais de 28 mi/t de açúcar em 19/20.

Na safra passada também muitos insistiam em déficits e igualmente não colou em Nova York. (Reuters 17/05/2019)

 

Odebrecht vive o seu momento mais difícil

O grupo Odebrecht enfrenta a mais difícil crise de liquidez desde que, há quatro anos, chegou ao palco da Operação LavaJato. As dívidas na holding são da ordem de R$ 80 bilhões, sem contar as da Braskem, sendo R$ 40 bilhões com os seis maiores bancos nacionais, que têm nas mãos garantia para apenas R$ 12,7 bilhões do total dos créditos. Mais de R$ 27 bilhões não têm nenhuma cobertura, um risco para o sistema financeiro muito maior do que o representado por qualquer outra companhia que já tenha tido problemas no Brasil.

O grupo precisa de um fôlego de R$ 1 bilhão para manter-se em atividade por mais um ano, enquanto tenta reorganizar-se financeiramente. Com exceção da Braskem, suas empresas já estão inadimplentes há pelo menos seis meses. O dinheiro seria apenas para pagar despesas do dia-a-dia, incluindo compromissos com o Ministério Público.

O fôlego para rodar com recursos próprios chegou ao fim, segundo fontes ouvidas pelo Valor dentro e fora da Odebrecht. A expectativa na companhia é que, nos próximos meses, empresas do grupo entrem em recuperação judicial ou extrajudicial. Entre elas a Atvos, de açúcar e álcool, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e o estaleiro Enseada.

O objetivo para 2019 era uma ampla reorganização financeira, para ajustar a dívida de cada negócio à sua realidade de geração de receita e evitar que a holding chegasse à recuperação judicial. Mas o plano não está se concretizando na velocidade e forma planejadas, o que aumenta o risco do grupo a cada dia. Ao Valor, a companhia afirmou em nota estar "confiante no avanço das negociações, que são complexas e demandam tempo".

Há 15 meses o grupo negocia a venda do controle da Braskem ao grupo LyondellBasell, que poderia render-lhe mais de R$ 20 bilhões e viabilizar a renegociação de dívidas. Mas o negócio foi freado pela incerteza sobre o passivo de minas de salgema em Alagoas. (Valor Econômico 20/05/2019)