Setor sucroenergético

Notícias

Gestora norte-americana prospecta usinas de etanol no Brasil

A gestora norte-americana Castlelake está prospectando usinas de etanol no Brasil.

O que não falta são empresas na bacia das almas - há quase uma centena de grupos em recuperação judicial.

O Castlelake administra cerca de US$ 15 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 27/05/2019)

 

Usina Santa Adélia encerrará operação da unidade Pioneiros em 2021

A Usina Santa Adélia anunciou, em comunicado, que encerrará, a partir de 2021, as atividades industriais da unidade Pioneiros, em Sud Menucci (SP). Segundo a companhia, após a próxima safra, a cana-de-açúcar processada na usina será moída na unidade Pereira Barreto, distante 50 quilômetros e localizada no município homônimo no noroeste paulista, “propiciando significativos ganhos de escala e simplificando a logística”, informou a Santa Adélia.

A prefeitura de Sud Menucci informou que cerca de 140 funcionários trabalham nas operações industriais na usina Pioneiros e nem todos devem perder o emprego com o fim das atividades da usina produtora de açúcar e etanol.

Em reuniões com representantes do grupo sucroenergético, foi anunciado que será desenvolvido um plano de recolocação profissional pela Santa Adélia com o apoio do poder público local.

“Preocupada em minimizar os impactos para seus colaboradores, a empresa desenvolveu um plano detalhado para ser executado durante o prazo de transição”, informou o grupo empresarial.

A usina Pioneiros era independente até ser incorporada pela Santa Adélia em um processo de fusão das duas empresas, em 2011. A unidade Pereira Barreto foi construída pela companhia em 2004, com sede e usina em Jaboticabal (SP). (Agência Estado 24/05/2019)

 

Grupo Virgolino de Oliveira aprova plano para renegociar US$ 760 milhões em dívidas

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) aprovou nesta quinta-feira (23) um plano de recuperação extrajudicial para renegociar em torno de US$ 760 milhões com credores de ‘bonds’ emitidos pela companhia e de dívidas de pré-pagamento de exportações.

Em assembleia extraordinária realizada pela manhã, acionistas da companhia sucroenergética, com quatro usinas, avalizaram a proposta, exceto o empresário Hermelindo Ruete, que se absteve de votar, informou a empresa.

O acordo, previamente negociado com um grupo relevante de credores, prevê a reestruturação do passivo em dez anos, com carência de três anos, relatou ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) Joamir Alves, diretor presidente do GVO. Para isso, serão emitidos novos títulos e realizados novos acordos de pré-pagamento de exportação. A reestruturação envolve boa parte da dívida da companhia com esses papéis, um total de US$ 835 milhões.

Além da renegociação dos títulos, o plano de recuperação extrajudicial prevê, como garantias na renegociação da dívida, a alienação fiduciária das ações da companhia no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a hipoteca da Usina Monções, na cidade homônima do Estado de São Paulo.

As quatro usinas da companhia estão processando cana-de-açúcar e a expectativa é que a moagem atinja 6,5 milhões de toneladas na atual safra 2019/20. (Agência Estado 23/05/2019)

 

Açúcar avança na ICE e julho encerra semana negociado a 11,66 cents/libra

Os futuros de açúcar fecharam em alta na ICE nesta sexta-feira. O contrato julho do açúcar bruto fechou em alta de 0,09 centavo de dólar, ou 0,8%, a 11,66 centavos de dólar por libra-peso, tendo operado dentro do intervalo da sessão anterior.

Na semana, o contrato ganhou quase 1%, depois de cinco semanas consecutivas de perdas.

A produção global de açúcar deverá avançar 1% em 2019/20, em relação à temporada anterior, com as produções no Brasil e União Europeia mais que compensando os declínios na Índia, disse o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O contrato agosto do açúcar branco fechou em alta de 2,30 dólares, ou 0,7%, a 324,40 dólares/tonelada. (Reuters 27/05/2019)

 

Etanol hidratado recua 1,94% e anidro cai 2,08% nas usinas de São Paulo

O etanol hidratado recuou 1,94% nas usinas paulistas entre segunda-feira, 20, e esta sexta-feira, 24. O litro semanal do combustível variou de R$ 1,6820 para R$ 1,6493, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Já o valor do anidro caiu 2,08% esta semana, de R$ 1,9460 para R$ 1,9055 o litro, em média. (Reuters 27/05/2019)

 

Debêntures incentivadas vão bancar investimentos do RenovaBio

Os recursos devem ser utilizados inicialmente para aumentar a produtividade da indústria sucroenergética.

O governo federal autorizará, em junho, o setor de biocombustíveis a emitir debêntures incentivadas e captar recursos estimados em até R$ 62,3 bilhões por ano. A operação vai financiar os primeiros investimentos para implantação do RenovaBio, a nova política de combustíveis renováveis.

Os recursos devem ser utilizados inicialmente para aumentar a produtividade da indústria sucroenergética, estagnada há alguns anos, com a renovação de canaviais, a manutenção e o aumento de capacidade de usinas.

Bancos informaram ao governo já terem R$ 9 bilhões desses títulos, chamados de incentivados por não pagarem impostos, prontos para serem negociados no mercado por usinas. As instituições financeiras só aguardam uma portaria autorizando as operações, que deve ser assinada pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 17 de junho, data da abertura no Ethanol Summit, em São Paulo.

Etanol, biodiesel, biogás e outros combustíveis renováveis serão o ponto de partida do programa de debêntures. O governo deve autorizar a emissão de títulos para outros elos da cadeia e espera trazer investimentos em infraestrutura e logística. Conta também com a aprovação da reforma da Previdência para reduzir os riscos da emissão desses títulos. (O Estado de São Paulo 27/05/2019)

 

Brasil e China assinam acordo e encerram disputa do açúcar

Brasil e China assinaram um acordo com o qual evitarão a disputa sobre as barreiras chinesas ao açúcar diante dos juízes na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Conforme antecipou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, e confirmaram o Ministério da Agricultura e o Itamaraty, a China se comprometeu a não estender uma salvaguarda, por meio da qual protege seus produtores, além de 21 de maio de 2020. O resultado é que a alíquota de importação fora da cota voltará a cair, favorecendo as exportações brasileiras.

"O Brasil vê positivamente o resultado alcançado, que reflete o engajamento e a disposição construtiva de ambas as partes para alcançar uma solução para a disputa", apontaram Itamaraty e Agricultura em comunicado conjunto.

Em maio de 2017, a China impôs a salvaguarda, elevando as tarifas de importação e restringindo a entrada do açúcar de Brasil, Austrália, Tailândia e Coreia do Sul, seus principais fornecedores. Os chineses argumentavam que a indústria local vinha sendo gravemente afetada pelo aumento das importações.

Na ocasião, o país asiático manteve em 15% a tarifa cobrada sobre as importações dentro de uma cota de 1,945 milhão de toneladas. Mas aumentou a alíquota para os volumes superiores à cota, de 50% para 95% no primeiro ano, para 90% no segundo e agora para 85%, patamar que vai vigorar até maio de 2020.

Inicialmente, o Brasil, maior exportador de açúcar do mundo, viu o mercado chinês se fechar para suas vendas. E denunciou a China na OMC por entender que a investigação de Pequim que identificou riscos para a indústria local não respeitou as regras globais.

Mais tarde, a China restringiu também a entrada do açúcar de pequenos produtores em seu mercado. Com isso, o Brasil, muito competitivo, recentemente voltou a ampliar as exportações para o mercado chinês.

Agora, pelo acordo assinado, o Brasil abandona a denúncia na OMC e evita a abertura de um painel (comitê de investigação) contra os chineses. De seu lado, a China se compromete em não estender a salvaguarda além de maio de 2020. Assim, a tarifa fora da cota, que é de 85%, voltará a ser de 50%.

Além disso, a China se comprometeu a ser "consistente" com as regras da OMC no licenciamento das importações e na administração das cotas tarifárias no açúcar.

Uma disputa na OMC demora anos e não tem efeito retroativo. Daí porque, em boa parte dos casos, é melhor para os negócios um entendimento bilateral.

"O governo brasileiro foi sensível e agiu com rapidez para reverter o impacto que as medidas chinesas causaram nas exportações. Esse é um exemplo de como, com o diálogo e ações eficazes, o país pode se posicionar como um player consolidado no mercado internacional", disse, em nota, Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica).

Até o início da salvaguarda, a China era o maior mercado para o açúcar brasileiro no exterior, com compras que chegavam a 2,5 milhões de toneladas por safra. Em 2017/18, já com a barreira em vigor, o volume caiu para 115 mil toneladas, e em 2018/19 cresceu para 890 mil. No total, os embarques brasileiros de açúcar alcançaram 21,3 milhões de toneladas e renderam US$ 6,5 bilhões em 2018, segundo dados da Unica.

O anúncio do acordo coincide com a presença em Pequim do vice-presidente Hamilton Mourão. Ele foi levar aos chineses a mensagem de que o Brasil quer manter uma relação estratégica e pragmática. Já os chineses indicaram que esperam que o Brasil não se "bandeie" para o lado dos EUA, apesar do alinhamento do governo com Washington. (Valor Econômico 22/05/2019)

 

Egípcia ESIIC compra 50 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil, dizem operadores

A compradora estatal egípcia ESIIC adquiriu 50 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil, disseram operadores nesta quarta-feira.

O açúcar terá entrega em agosto e foi comprado da Louis Dreyfus a 297 dólares por tonelada, em uma licitação encerrada no domingo, segundo um dos operadores. (Reuters 22/05/2019)

 

Software localiza genes de interesse na cana-de-açúcar

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um software capaz de mapear, de maneira rápida e econômica, porções específicas do genoma de plantas poliploides, aquelas que têm mais de dois conjuntos de cromossomos, como é o caso da cana-de-açúcar. A ferramenta pode ser útil para projetos que visam ao melhoramento genético de plantas de interesse comercial.

O trabalho, apoiado pela Fapesp, foi coordenado por Marcelo Falsarella Carazzolle, do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Os resultados foram divulgados na revista DNA Research.

Como explicou Carazzolle, o genoma da cana-de-açúcar, composto por 10 bilhões de pares de bases, distribuídos entre 100 e 130 cromossomos, é muito difícil de sequenciar pelos métodos genômicos atuais. "Decifrá-lo exige um aparato computacional muito poderoso. Mesmo em se tratando do estado da arte em termos de processamento, ainda assim é difícil, o custo é muito alto. É um desafio para a bioinformática”, disse.

A título de comparação, o genoma humano é composto por 3,2 bilhões de pares de bases espalhadas por 23 pares de cromossomos. O do trigo (Triticum aestivum), outra planta de grande importância comercial, tem 17 bilhões de bases divididas em 21 pares de cromossomos.

Outro fato complica o estudo do genoma da cana-de-açúcar: a espécie hoje cultivada, Saccharum hybridum, é um híbrido criado a partir do cruzamento de duas espécies – Saccharum officinarum, a cana originalmente domesticada na Índia há 3 mil anos, e uma gramínea chamada Saccharum spontaneum.

Há anos laboratórios em vários países têm tentado sem sucesso mapear o genoma completo da Saccharum hybridum. O Projeto Genoma Cana – conhecido como Projeto Fapesp Sucest, por exemplo, mapeou 238 mil fragmentos de genes funcionais da planta.

Há poucos meses, um consórcio que envolve cientistas de vários países, incluindo o Brasil, obteve sucesso em mapear entre 50% e 60% do genoma monoploide da cana (apenas um cromossomo de cada par). O trabalho, publicado na Nature Communications em 2018, teve a participação de Marie-Anne Van Sluys, professora titular do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Coordenação Adjunta de Ciências da Vida da Fapesp.

A estratégia usada pelo consórcio envolveu computação em larga escala e um grande investimento. Já no artigo recém-publicado na DNA Research, Carazzolle e colegas apresentam uma estratégia diferente, muito mais econômica e veloz, capaz de mapear porções específicas do genoma da cana e de plantas poliploides.

O trabalho contou com uma bolsa de doutorado para Karina Yanagui de Almeida e outra de pós-doutorado para Juliana José, ambas orientadas pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do IB-Unicamp.

“Conseguimos desenvolver um software para reconstruir esses genomas complexos e aplicá-lo à cana”, disse Carazzolle, que complementa: “Não buscamos montar um genoma completo, como fizeram anteriormente, onde reconstruíram todo o DNA da planta. Nossa estratégia foi focar em pequenas parcelas do genoma, algo entre 1% e 2% do DNA, exatamente onde se encontram os genes de interesse para o melhoramento genômico da planta”.

Com a estratégia, não há necessidade de despender dezenas de milhões de dólares com o mapeamento completo da cana. Quando o trabalho foi realizado, o grupo do consórcio ainda não havia publicado seus resultados, de modo que os geneticistas brasileiros tiveram de usar genomas públicos conhecidos, como do sorgo, do arroz e do milho, que são gramíneas aparentadas em maior ou menor grau da cana, para localizar nas regiões análogas do genoma da cana as porções de DNA que desejavam decifrar.

O trabalho por analogia é possível, uma vez que todas as gramíneas contam com um ancestral comum que viveu há mais de 50 milhões de anos. Em outras palavras, decorrido esse longo período, o DNA de qualquer gramínea atual, seja ela a cana-de-açúcar, o trigo, sorgo, arroz ou milho, ainda preserva a filigrana daquele ancestral original, somada aos bilhões de mutações acumulados desde então.

Montador de genes

O resultado do trabalho feito na Unicamp foi a criação de um software denominado Polyploid Gene Assembler (PGA, ou Montador de Genes Poliploides). “O PGA representa uma nova estratégia para realizar a montagem do espaço genético a partir de genomas complexos usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura”, disse Carazzolle.

Se o PGA exige menos poder computacional do que o processamento maciço de um DNA poliploide completo, ainda assim para rodar em tempo hábil o programa necessita de um grande aparato computacional. Para isso, entrou em cena o cluster de máquinas do Centro de Engenharia e Ciências Computacionais (CCES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela Fapesp.

Carazzolle é um dos pesquisadores principais do CCES na área de bioinformática. “O trabalho exigiu o emprego dos computadores de alto desempenho e com muita memória existentes no CCES”, disse.

O novo programa PGA usa como referência loci gênicos (locais fixos no cromossomo onde estão localizados os genes de interesse) conhecidos de genomas públicos, a partir dos quais são empregadas estratégias de montagem para construir sequências genômicas de alta qualidade na espécie investigada. A validação do processo foi realizada com trigo, uma espécie hexaploide, usando como referência a cevada (Hordeum vulgare), que resultou na identificação de mais de 90% dos genes, inclusive vários ainda desconhecidos.

Além disso, o PGA foi usado para montar o conteúdo gênico em Saccharum spontaneum, o capim do mesmo gênero da cana-de-açúcar tradicional (Saccharum officinarum), usado na linhagem parental para cultivares híbridos de cana cultivada atualmente (Saccharum hybridum).

“Identificamos um total de 39.234, dos quais 60,4% agrupados em famílias de genes de gramíneas conhecidas. Trinta e sete famílias de genes foram expandidas quando comparadas com outras gramíneas, três delas destacadas pelo número de cópias de genes potencialmente envolvidas no desenvolvimento inicial e resposta ao estresse”, afirma Carazzolle.

De acordo com o pesquisador, os achados do genoma do S. spontaneum destacaram, pela primeira vez, as bases moleculares de algumas características dessa biomassa, como a alta produtividade e a resistência frente ao estresse biótico e abiótico. Agora, ainda segundo ele, os resultados podem ser empregados em futuros estudos funcionais e genéticos, além de apoiar o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar para a indústria agronômica.

“Usando o PGA, fornecemos uma montagem de alta qualidade de regiões gênicas em T. aestivum e S. spontaneum, demonstrando que o PGA pode ser mais eficiente do que estratégias convencionais aplicadas em genomas complexos e usando sequenciamento de DNA de baixa cobertura. O baixo requisito de memória do PGA em comparação com a estratégia de montagem convencional também é uma vantagem”, disse Carazzolle.

O pesquisador ressalta que, mesmo com grandes avanços nas tecnologias de sequenciamento, a montagem de genomas complexos ainda representa um gargalo, principalmente devido à poliploidia e alta heterozigosidade.

De acordo com Carazzolle, o desenvolvimento de novos esforços de bioinformática pode contribuir para a superação dessas restrições, especialmente usando genomas completos dos organismos intimamente relacionados, nos quais os métodos baseados em conjuntos de referência possam ser aplicados. (Agência FAPESP 21/05/2019)

 

Preço do açúcar bruto avança na ICE após mínima de sete meses e meio

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE avançaram nesta segunda-feira, por coberturas de vendidos por especuladores e com o real levemente mais firme, após baterem mínima de sete meses e meio na última sessão.

O contrato julho do açúcar bruto fechou em alta de 0,07 centavo de dólar, ou 0,6%, a 11,62 centavos de dólar por libra-peso, após cair até 11,43 centavos na sexta-feira, sua mínima desde 1º de outubro.

Os preços foram sustentados por coberturas de vendidos especulativas e pela moeda mais forte no Brasil, disseram operadores.

Na semana finalizada em 14 de maio, especuladores aumentaram suas posições vendidas líquidas nos futuros do açúcar bruto na ICE para o maior nível desde setembro.

Operando próximo a mínimas de oito meses ante o dólar, o real apoiou o açúcar ao registrar maior firmeza nesta segunda-feira. O real mais forte pode desencorajar vendas de commodities precificadas em dólar, como açúcar e café, por produtores.

“Para o momento, o real fraco é o assunto dominante. As pessoas estão preocupadas com a possibilidade de o novo governo do Brasil não ter sucesso em suas reformas”, disse Stefan Uhlenbrock, analista da F.O. Licht. Ele acrescentou, entretanto, que os preços do açúcar não devem cair demais a curto prazo, dadas a grande parcela de posições vendidas com especuladores.

A indústria de etanol do Brasil, historicamente baseada quase totalmente em cana-de-açúcar, agora busca um avanço na utilização do milho, à medida que agricultores aumentam as produções do cereal.

O contrato agosto do açúcar branco fechou em alta de 1,70 dólar, ou 0,5%, a 323,20 dólares por tonelada. (Reuters 21/05/2019)

 

Preços do etanol voltam a avançar em São Paulo após três semanas de quedas, diz Cepea

Os preços do etanol voltaram a subir nas usinas do Estado de São Paulo na semana finalizada em 17 de maio, após três semanas consecutivas de quedas, apoiados pela forte demanda pelo biocombustível, informou nesta segunda-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com a análise da instituição, o valor médio do etanol hidratado na semana em questão foi de 1,6820 reais por litro, uma alta de 4,41% ante a semana anterior, enquanto o etanol anidro avançou 0,23%, para 1,9460 reais/litro.

“O suporte veio da continuidade da demanda aquecida das distribuidoras, em função da vantagem dos preços do biocombustível nas bombas frente à gasolina”, disse o centro, mencionando uma razão de 67,5% entre os preços do etanol e os da gasolina nas bombas dos postos de São Paulo.

Além disso, a instituição ligada à Esalq/USP também destacou como motivo a moagem mais lenta da cana-de-açúcar no início da safra do centro-sul, em comparativo a igual período de 2018, citando “questões técnicas e climáticas” para tal. (Reuters 21/05/2019)

 

Indústria de etanol de milho do Brasil avança com produção do cereal próxima a 100 mi t

Voltando a 2014, as notícias que apontavam para um grupo de investidores lançando um projeto para a construção da primeira unidade de etanol do Brasil baseada 100% em milho geravam desconfiança em um país que havia criado um programa nacional de álcool combustível totalmente baseado em cana-de-açúcar.

Analistas acreditavam que o plano carregava riscos associados a um mercado instável para o combustível e a incertezas relacionadas à oferta e aos preços do milho, além de uma suposição geral de que era mais caro produzir etanol de milho em relação ao de cana-de-açúcar.

Cinco anos depois, o grupo dobrou a capacidade inicial da fábrica, construiu uma segunda unidade e anunciou planos para outras três, à medida que agricultores brasileiros ampliam a produção de milho.

Duas outras empresas estão construindo unidades de etanol 100% à base de milho, e outras reformulam usinas já existentes para que também funcionem a milho nos períodos de entressafra da cana, as unidades flexíveis de etanol.

“Estamos satisfeitos com as perspectivas, nossa primeira unidade vem entregando excelentes resultados”, disse Rafael Abud, presidente-executivo da FS Bioenergia, empresa pioneira no setor e pertencente à brasileira Tapajós e ao norte-americano Summit Agricultural Group.

Todas as cinco unidades da FS ficarão em Mato Grosso, principal Estado de grãos do país, onde a produção de etanol avançou 275% nos últimos dez anos, devido principalmente à prática entre os agricultores de se plantar uma segunda safra, geralmente de milho, após a colheita da principal safra de verão, normalmente de soja.

A FS Bioenergia anunciou em abril suas novas usinas de etanol de milho.

Mato Grosso lidera o crescimento da produção de milho do Brasil, que deve alcançar um recorde de cerca de 100 milhões de toneladas na atual safra.

“A segunda safra com milho está consolidada. Isso abre caminho para diversos projetos no Brasil”, afirmou Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), grupo criado para representar a indústria de etanol de milho no Brasil.

Ele diz que a forte demanda recente por etanol, em parte por conta dos altos preços da gasolina, ajudou.

Essa demanda pode aumentar no próximo ano, quando o Brasil iniciará o programa RenovaBio, visando que distribuidoras de combustíveis reduzam as emissões de carbono, ampliando gradualmente a utilização de biocombustíveis.

A Inpasa, empresa que opera duas fábricas de etanol de milho no Paraguai, inaugurará em julho sua primeira unidade no Brasil.

Luís Pomata, diretor comercial da Inpasa, afirma que, além do etanol, bioprodutos como os grãos secos por destilação (DDGs, na sigla em inglês) e o óleo de milho também possuem demanda.

Mato Grosso é o maior produtor bovino do Brasil, com 14% do rebanho de 220 milhões de cabeças do país. A indústria pecuária do Estado está buscando impulsionar os lotes de confinamento, reduzindo os vastos campos de pastagem, e os DDGs são vistos como um importante ingrediente alimentar. (Reuters 20/05/2019)

 

Suedzucker espera ano complicado com preços baixos do açúcar

O presidente-executivo da Suedzucker, maior refinadora de açúcar da Europa, afirmou nesta quinta-feira que as condições comerciais devem permanecer difíceis no primeiro semestre do ano comercial de 2019/20 por causa dos baixos preços do açúcar, mas que uma melhoria pode ocorrer a partir de outubro.

A Suedzucker tem batalhado contra um colapso nos preços mundiais do adoçante, que encerraram 2018 a seus menores níveis em dez anos, pressionados pelo excesso de oferta global.

A empresa confirmou nesta quinta-feira uma queda em seu lucro operacional na temporada 2018/19, em comparação anual até fevereiro, para 27 milhões de euros (30,2 milhões de dólares), ante 445 milhões de euros registrados no ano anterior.

O setor de açúcar da companhia marcou um prejuízo operacional de 239 milhões de euros em 2019, contra um lucro operacional de 139 milhões de euros uma temporada antes.

O CEO da Suedzucker, Wolfgang Heer, disse que o grupo não espera um impulso positivo significativo para os preços do açúcar, apesar de estimativas da consultoria F.O. Licht apontarem para um mercado equilibrado em 2018/19 e um pequeno déficit no próximo ano.

“Esperamos mais uma vez, sob as atuais condições difíceis, grandes prejuízos operacionais no primeiro semestre de 2019/20”, disse Heer. “Apesar disso, esperamos um preço médio maior, mas ainda insatisfatório para o açúcar”, completou, estimando melhorias a partir de outubro, por causa das exportações diminutas e quedas nos estoques europeus do adoçante. (Reuters 20/05/2019)