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Rabobank desembolsa R$ 50 milhões para financiar projetos na Usina São Manoel

O Rabobank, banco especializado em soluções financeiras para o agronegócio, em parceria com o Fundo AGRI3 acaba de realizar o desembolso de R$ 50 milhões para a Usina São Manoel, a fim de financiar projetos sustentáveis. A iniciativa faz parte do programa Kickstart Food, lançado em 2017 pelo Rabobank e a ONU Meio Ambiente, no encontro do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), para promover e estimular projetos de produção sustentável de alimentos em todo o mundo.

Os projetos financiados pelo fundo devem combinar agricultura sustentável, proteção florestal ou reflorestamento com redução de emissões de CO2, e contribuir para o desenvolvimento social nas propriedades rurais e seu entorno. Segundo o gerente executivo do Rabobank Brasil, Marcelo de Castro Alves, que também é membro do time de Impact Finance na Holanda, do ponto de vista prático, trata-se de uma iniciativa diferenciada, pois atua com instrumentos de mitigação de risco e prazos que vão além dos oferecidos por bancos comerciais.

“A Usina São Manoel, por exemplo, contará com prazo de 10 anos no total e três anos de carência. Por meio do fundo AGRI3, o Rabobank tangibiliza a missão do banco de Cultivar um Mundo Melhor Juntos e reforça o compromisso de atuar ativamente no estímulo de práticas sustentáveis para toda a cadeia de valor do agronegócio”, afirma Marcelo.

Para o gerente de relacionamento sênior do Rabobank Brasil, Manoel Pereira de Queiroz, a operação é um marco para o Rabobank. “É um projeto piloto que pode ser replicado para outros clientes e que vai ao encontro dos objetivos do banco de contribuir para a segurança alimentar global, de forma cada vez mais sustentável, tanto do ponto de vista ambiental como social”, diz.

A Usina São Manoel vê no desembolso a oportunidade de ampliar a atuação sustentável por meio da criação de novos projetos e manutenção de outros que já desenvolve na região, acelerando os resultados sociais, ambientais e financeiros. Na visão da empresa, a iniciativa cria um valor em cadeia, favorecendo a região e os stakeholders da usina.

“Todos os projetos selecionados buscam um crescimento sustentável e impacto positivo para o ecossistema em que estamos inseridos, criando um futuro promissor para as próximas gerações, equilibrando os aspectos sociais, ambientais e financeiros”, afirma o presidente da Usina São Manoel, Carlos Dinucci. “O Rabobank é um parceiro importante para a Usina São Manoel, pois compartilha a mesma visão de mundo e sempre buscou entender as demandas estratégicas da companhia”, acrescenta.

Entres os principais projetos da usina estão a implementação de equipamentos de agricultura de precisão, diminuindo a emissão de CO2 e o uso de agroquímicos; expansão de formas de controle biológico de pragas; a recuperação de estradas beneficiando mais de 40 mil habitantes da região, muitos deles pequenos produtores, que utilizam essas rotas para escoamento da produção; e a recuperação de áreas florestais no entorno da produção de cana, através da plantação de espécies nativas da região, visando não apenas recuperar áreas de proteção permanente (APPs) e reserva legal, mas também criar corredores ecológicos entre as APPs. Dentro da iniciativa, consta ainda o apoio ao Doce Amanhã, projeto de economia circular mantido pela usina que oferece educação e conscientização ambiental para 400 jovens por ano.

“Esperamos que o aprendizado com a operação da Usina São Manoel nos permita financiar, nos mesmos moldes, projetos socioambientais relevantes para os nossos clientes”, afirma Manoel Pereira de Queiroz. (Rabobank 19/06/2019)

 

São Martinho firma protocolo para nova unidade de produção de etanol de milho

A São Martinho firmou protocolo de intenções com o Estado de Goiás para implantação de uma unidade produtora de etanol a partir do processamento de milho, no município de Quirinópolis.

Segundo a empresa, a nova unidade, anexa à Usina Boa Vista, terá capacidade para produção anual de até 200 mil m3 de etanol hidratado e 140 mil toneladas de DDGS (Distillers Dried Grains with Solubles). O investimento estimado é de cerca de R$ 350 milhões, contemplando instalações industriais, armazenagem e capital de giro necessário para início das operações.

“A assinatura do protocolo não vincula a companhia à implantação do projeto, mas formaliza sua intenção em ampliar a atividade industrial no Estado de Goiás, atrelada a alguns compromissos do Estado e do município, dentre eles o incentivo fiscal para produção de etanol e derivados de milho”, diz a empresa, ressaltando que informará as condições e o cronograma do projeto, após sua aprovação pelo Conselho de Administração. (Agência Estado 19/06/2019)

 

Açúcar bruto recua na ICE e julho é negociado a 12,61 cents/libra

Os preços do açúcar caíram na ICE nesta terça-feira. O contrato julho do açúcar bruto fechou em queda de 0,05 centavo de dólar, ou 0,3%, a 12,61 centavos de dólar por libra-peso.

Os preços atingiram uma máxima de um mês e meio na sexta-feira, a 12,78 centavos, mas recuaram nas duas últimas sessões.

Ainda assim, o primeiro mês fechou acima de sua média móvel de 100 dias pela quinta sessão consecutiva.

O mercado do açúcar tem sido apoiado pelo recente tempo seco na Índia, importante produtora do adoçante, e pelas altas nos preços do milho, apesar destes terem recuado nesta terça-feira.

Ao mesmo tempo, as usinas de açúcar brasileiras observam de perto as colheitas reduzidas na safra 2019 de milho dos Estados Unidos, o que pode impulsionar os preços do cereal, elevando os custos de produção do etanol e abrindo espaço para que o biocombustível produzido no Brasil ganhe uma parcela do mercado norte-americano.

Nesse cenário, as usinas favoreceriam amplamente a produção de etanol em detrimento à de açúcar.

Alguns produtores de etanol dos EUA estão considerando adquirir milho do Brasil para garantir oferta à medida que os preços domésticos do grão avançam, disse a Associação de Combustíveis Renováveis.

Além disso, o serviço de monitoramento de safra da União Europeia, Mars, reduziu sua estimativa de produtividade de beterraba sacarina para 75,7 toneladas por hectare, ante 76,5 t/ha anteriores.

O contrato agosto do açúcar branco fechou em alta de 50 centavos de dólar, ou 0,2%, a 333,60 dólares por tonelada. (Reuters 19/06/2019)

 

ATR SP: Valor acumulado cai 1,74% em maio

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou os dados de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) referentes ao mês de maio de 2019.

Os preços do valor acumulado foram firmados em R$ 0,6313 o quilo, contra R$ 0,6423, desvalorização de 1,74%.

O valor do ATR mensal fechou em R$ 0,6195 contra R$ 0,6423 do mês de abril, desvalorização de 3,68%.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados, em maio, em R$ 68,93 a tonelada. Já a cana esteira fechou o mês em R$ 77,00 a tonelada. (UDOP 19/06/2019)

 

Guerra comercial EUA-China abre espaço para etanol brasileiro, afirma diretor-executivo da Raízen

O diretor executivo da Raízen Trading, Paulo Neves, avaliou que a guerra comercial entre Estados Unidos e China abre espaço para o etanol brasileiro no mercado oriental. Os chineses têm um mandato de chegar a uma mistura de 10% de etanol à gasolina em 2020, o que geraria uma demanda anual de 17 bilhões do biocombustível, com a necessária importação de 2,5 bilhões de litros.

Como apenas Brasil e Estados Unidos são exportadores em larga escala do etanol, os brasileiros podem ocupar o vácuo aberto com a redução na oferta dos norte-americanos. Dados apresentados por Neves apontam que os Estados Unidos exportaram 500 milhões de litros para a China na primeira metade de 2018, antes da guerra comercial com os chineses. Depois da disputa, foram 200 milhões de litros de exportação aos chineses.

No caso do Japão, segundo o executivo, o cenário é diferente, com os Estados Unidos ocupando mercado brasileiro naquele país. “A realidade é que o etanol brasileiro (de cana), que tem 60% de redução de emissões, financia e subsidia a entrada do etanol americano (de milho e com menor redução de emissões)”, disse. (O Estado de São Paulo 17/06/2019)

 

Produção de etanol de milho pode atingir 15 bilhões de litros

Diante da expansão da produção de milho no Brasil nos últimos anos e das áreas em que a "safrinha" ainda pode se expandir, o país tem potencial para produzir 15 bilhões de litros de etanol a partir do milho, afirmou Antonio Purcino, chefe geral da Embrapa Milho e Sorgo, em debate ontem no Ethanol Summit, em São Paulo. Na safra 2018/19, a produção de etanol de milho foi de 790 mil litros.

O crescimento dessa indústria dependerá da oferta doméstica de milho, que já excede as necessidades dos setores de ração e alimentos e possibilita uma exportação de mais de 30 milhões de toneladas por ano, ressaltou Purcino.

A estimativa leva em consideração que o milho "safrinha", com a produtividade atual, pode avançar ainda por 6,5 milhões de hectares, principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Essa expansão seria factível em um cenário de preços do milho de R$ 20 por saca. Se o preço se mantiver acima desse patamar, o cultivo da "safrinha" pode avançar por 10,7 milhões de hectares, projetou. Essas áreas estariam espalhadas por Mato Grosso, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rondônia e Distrito Federal.

Ele observou que tem ocorrido uma expansão "inesperada" do milho no sul do Piauí e no sul do Maranhão, mas afirmou que os preços na região ainda são elevados, o que pressionaria o custo de produção do biocombustível.

Segundo Purcino, esse potencial de aumento da oferta de etanol de milho pode ser incentivado pelo RenovaBio - política cujas metas vão entrar em vigor no ano que vem, e pelo avanço do biocombustível em outros países. Nessa frente, a expectativa maior é com a China, que também começará no ano que vem a misturar 10% de etanol na gasolina. A partir de 2020, a China deve demandar 18 bilhões de litros de etanol por ano para atender ao mandato.

Mas apenas a existência de demanda por etanol e de oferta de milho no país não garantem decisões de investimento na indústria.

Ontem, o Grupo São Martinho anunciou que firmou um protocolo de intenção para investir R$ 350 milhões em uma usina de etanol anexa à sua unidade de cana em Quirinópolis (GO). A decisão para realizar o aporte pode vir após a empresa encontrar uma tecnologia viável e uma cadeia de fornecimento de milho na região que garanta uma produção competitiva, afirmou Fabio Venturelli, presidente da companhia, ao Valor. "Já somos os mais competitivos em cana, também temos que ser os mais competitivos em milho."

O aporte se torna mais viável com o compromisso do governo de Goiás de incluir o empreendimento no incentivo fiscal PRODUZIR, que financia parte do ICMS das empresas. "É um ponto absolutamente relevante para uma decisão de investimento", afirmou Venturelli.

Se o projeto for adiante, a São Martinho competirá por milho com a usina flex (à base de cana e de milho) da SJC Bioenergia, joint venture entre o Grupo USJ e a Cargill, também em Quirinópolis.

Atualmente, a companhia já paga um prêmio sobre o preço do milho para exportação. "Temos que pagar esse prêmio para reter a carga que passa pela região e vai para o porto", disse Maria Carolina Ometto, presidente do Grupo USJ, ao Valor, após participar do debate ontem no Ethanol Summit.

Para Henrique Ubrig, presidente do conselho da FS Bioenergia - joint venture entre o Summit Agricultural Group e a Tapajós Participações -, o "preço de equilíbrio" do milho para a indústria de etanol está entre R$ 20 e R$ 25 a saca. Preços menores não devem mais prevalecer, avaliou. Por outro lado, uma alta mais expressiva, para R$ 30 a saca, pode provocar "uma resposta na oferta" no ano seguinte, defendeu. (Valor Econômico 19/06/2019)

 

EUA planejam novas mudanças em regras para impulsionar demanda de etanol

O governo federal pode limitar isenções que ajudam pequenas refinarias a contornar exigências de mistura de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel.

O governo norte-americano planeja novas mudanças nas regras para o etanol, após o presidente Donald Trump ter ouvido de produtores de milho em Iowa que uma iniciativa recente para impulsionar a demanda pelo biocombustível ficou aquém da expectativa, disseram fontes. Nos EUA, o etanol é feito principalmente com milho.

Entre as possíveis medidas, o governo federal poderia limitar isenções que ajudam pequenas refinarias a contornar exigências de mistura de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel, disseram as fontes, observando que ainda não há uma decisão sobre o assunto.

Segundo as fontes, o segmento reclama que a recente liberação da gasolina com uma mistura de 15% de etanol, conhecida como E15, durante todo o ano não foi suficiente para impulsionar as vendas do biocombustível. Ainda segundo essas fontes, Trump teria ficado surpreso com a frustração dos produtores e teria solicitado ao administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Andrew Wheeler, e ao Secretário de Agricultura do país, Sonny Perdue, um novo plano para o segmento.

A Associação Nacional de Produtores de Milho dos EUA afirma que as isenções a pequenas refinarias de petróleo prejudicam o desenvolvimento dos setores de etanol e biodiesel no país. A legislação atual exige que as usinas de misturem cerca de 10% de etanol de milho na gasolina que produzem, ou comprem créditos de concorrentes para cumprir as exigências de mistura.

Pequenas refinarias, com capacidade de produção inferior a 75 mil barris por dia, mesmo se pertencentes a grandes companhias, podem ser desobrigadas da exigência se provarem que a regra causa "dificuldade econômica desproporcional", segundo a EPA.

As vendas de E15 durante todo o ano foram liberadas em 31 de maio. Anteriormente, a regulamentação do país permitia durante o verão somente uma mistura de 10% de etanol na gasolina. Ambientalistas criticaram a medida por temores de que a maior queima de etanol contribua para aumentar a poluição em dias quentes. A liberação também foi criticada por refinarias de petróleo, já que a medida pode tornar seus custos mais elevados ou voláteis.

A exigência de mistura de biocombustíveis na gasolina foi criada em 2005 com o objetivo de diminuir as emissões de carbono e reduzir a dependência norte-americana do petróleo estrangeiro.

Com novas técnicas de perfuração e a alta da produção norte-americana de petróleo, o setor de energia diz que as exigências de mistura não passam de subsídio a agricultores. Atualmente, o setor de etanol consome mais de um terço da safra norte-americana de milho. (Revista Época 18/06/2019)

 

Produtores de etanol dos EUA avaliam compras de milho brasileiro, diz associação

Alguns produtores de etanol dos Estados Unidos estão considerando comprar milho do Brasil para garantir custos adequados da matéria-prima, à medida que os preços domésticos do grão avançam, disse nesta terça-feira o chefe da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) do país.

“Não ouvi que isso está acontecendo, mas ouvi algumas conversas de que há pessoas em busca disso, por conta do crescente 'spread' entre os preços do milho nos EUA e no Brasil”, disse o presidente-executivo da entidade, Geoff Cooper, em entrevista no Ethanol Summit 2019, organizado pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) em São Paulo.

“Logisticamente, talvez haja alguns lugares em que isso possa funcionar, como a Costa Oeste, por exemplo”, disse ele.

Os preços do milho nos EUA atingiram máximas de cinco anos nesta semana, incluindo um avanço de 25% desde maio, conforme a perspectiva da safra se deteriorou, por conta do clima desfavorável.

No Brasil, os preços avançam mais lentamente, e o país está colhendo sua maior safra de milho da história.

A consultoria brasileira Agroconsult citou relatos de produtores norte-americanos de etanol adquirindo milho de Brasil e Argentina.

Além dos valores, outro fator impulsionando esses negócios é a dificuldade para o transporte do milho de algumas das áreas de produção dos EUA para as instalações domésticas de etanol, devido ao fechamento de hidrovias após as chuvas, disse André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.

Cooper afirmou que os preços do etanol estão seguindo os avanços nos valores do milho, mas ponderou que “em algum momento você fica sem espaço” para novas altas.

“Se o etanol não acompanhar, isso colocará ainda mais pressão nas margens, que já estão baixas, já temos algumas usinas operando no vermelho”, disse ele.

A piora no panorama do milho reduzirá a produção, com alguma capacidade já ociosa, segundo Cooper.

“A demanda de exportação é a mais elástica para nós, então é nesse ponto que esperamos ver as primeiras reduções em consumo e demanda por etanol”, acrescentou.

A indústria brasileira do biocombustível, amplamente baseada em cana-de-açúcar, acredita que a situação com o milho nos EUA pode expandir a demanda por seu produto.

Em sua apresentação na conferência, Cooper pediu para que o governo brasileiro deixe o sistema de cotas vencer em setembro e não o renove por um período, afirmando que seria algo justo, já que os EUA não taxam o etanol brasileiro.

O Brasil taxa o etanol norte-americano em 20% quando o volume importado excede os 150 milhões de litros por trimestre. (Reuters 19/06/2019)

 

Ásia pode representar a nova fronteira para o etanol

O potencial de exportação do etanol brasileiro foi um dos temas discutidos ontem (18) no Ethanol Summit, um dos maiores eventos mundiais sobre energias renováveis, realizado em São Paulo. Os países asiáticos foram apontados como a próxima fronteira para as vendas externas de etanol.

Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, entidade ligada à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os biocombustíveis devem ampliar a participação no setor de transportes em 19% até 2023 no mundo todo. Países em desenvolvimento, como a China e a Índia, representam grande potencial de expansão no consumo de energias renováveis.

Durante painel sobre as oportunidades internacionais para o etanol brasileiro, Marcos Jank, CEO da Aliança Agro Brasil e professor do Insper, destacou o potencial de consumo países como a China, Índia e Filipinas. Na Índia, há uma tendência natural em direcionar o excedente da cana de açúcar para a produção de etanol, de acordo com Jank. Este ano, o país deve estabelecer uma meta de presença de 7,2% de etanol na gasolina e de 10% em 2020.

Segundo Jank, a China tem um potencial de consumo de 19 bilhões de litros por ano de etanol. Ele também frisou o papel preponderante do Brasil na liderança no discurso sobre a importância dos biocombustíveis para a segurança energética e a proteção do meio ambiente nos países asiáticos.

Plinio Nastari, membro do Conselho Nacional de Política Energética, disse que a expansão do consumo de gasolina na China, que cresce a um ritmo de 6% ao ano, deve levar a uma maior demanda por etanol.

“O país produz pouco etanol e deverá necessitar importar mais para balancear a composição nas bombas de combustível nos postos”, afirmou. Ele também lembrou que o Brasil não precisa se limitar a exportar fontes de energia sustentável, mas também transferir a tecnologia dos carros flex e do modelo de programas que incentivam o uso de biocombustíveis.

O secretário de petróleo, gás natural e combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Felix Carvalho Bezer, também participou do evento. Os países asiáticos, em sua visão, poderão adotar uma nova perspectiva para o ciclo de cana de açúcar e do milho, o que poderá beneficiar o Brasil e outros países exportadores de biocombustíveis.

“Novas políticas de uso de energias renováveis deverão aumentar a demanda por esse tipo de insumo”, disse. (Globo Rural 19/06/2019)

 

Juiz protege ações de Braskem de qualquer execução

A recuperação judicial da Odebrecht, de R$ 98,5 bilhões, protegerá o grupo não apenas contra a execução de dívidas por credores como também impedirá que as companhias que foram dadas em alienações fiduciárias a bancos, a petroquímica Braskem, a de navios-sonda Ocyan e a produtora de etanol Atvos, sejam vendidas. O juiz João de Oliveira Rodrigues Filho acatou todas as solicitações feitas pelo grupo ainda no fim da noite da segunda-feira, data do pedido levado à 1ª Vara de Falências.

Como as ações dessas três controladas foram cedidas em garantia, as dívidas a que estão atreladas são consideradas extraconcursais, e, portanto, não são elegíveis para a recuperação judicial. Em tese, isso deixaria esses credores livres para executar tais ativos, ou seja, solicitar a venda dos papéis, pois a recuperação judicial leva a uma antecipação de todos os vencimentos. Mas a Odebrecht se adiantou e pediu que isso fosse evitado. O juiz garantiu o pleito por meio de uma decisão liminar.

Braskem, Ocyan e Atvos foram descritas na petição inicial da ODB como ativos essenciais à sobrevivência do conglomerado. A petroquímica é a mais relevante das três e respondeu por cerca de 80% da receita de todo o grupo em 2018. É a única que possui ações listadas na B3. A participação da Odebrecht, de 38% do capital total, é avaliada hoje em R$ 10,8 bilhões, a preços de bolsa.

Conforme o Valor apurou, caso os bancos credores se comprometam a não executar as ações, a Odebrecht não descartaria substituir a liminar por um acordo vigente pelo período da recuperação, até a aprovação do plano em assembleia. O pedido ao juiz foi com base no artigo 49 da Lei de Falências. Embora as ações não sejam bens físicos (como os exemplificados no texto da lei), são os únicos ativos de uma sociedade holding e, por isso, cabem na finalidade prevista na legislação.

"Sem dúvida", afirma o juiz na decisão, "a retenção das ações (...) permitirá se chegar numa solução mais sólida de soerguimento da atividade, até mesmo pela maior tranquilidade de construção de plano de recuperação (...), sem prejuízo de um ambiente de diálogo com os credores antes da AGC [assembleia geral de credores]".

Essas empresas não são importantes só para sustentação da Odebrecht durante a recuperação judicial. São os ativos que servirão como pilar da própria renegociação das dívidas, em especial a Braskem, a Atvos e mais a construtora OEC, após sua própria recuperação extrajudicial para reequilibrar débitos de R$ 12 bilhões.

Embora débitos extraconcursais fiquem de fora das recuperações judiciais, não é raro que sejam rediscutidos na negociação geral. Isso em especial quando os credores quirografários (sem nenhuma garantia) são em boa medida os mesmos, como é o caso da Odebrecht.

O grupo cedeu as três companhias durante as reestruturações financeiras que teve de fazer após a Operação-Lava Jato, a partir de 2016. No total, o grupo reorganizou R$ 27 bilhões em compromissos. A Braskem foi dada em garantia, pela primeira vez, em 2016. Depois disso, tal contrato foi aditivado duas vezes e hoje garante R$ 12,7 bilhões em créditos de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, BNDES e Santander. Ocyan atende exclusivamente ao BNDES e Atvos, a credores do Peru.

Na época desses acordos, houve críticas à opção do conglomerado. Pessoas próximas ao grupo e especialistas defendiam que a Odebrecht deveria ter pedido a recuperação judicial antes de ceder todos seus principais negócios aos bancos. O argumento é que os ativos mais valiosos foram "consumidos" sem resolver as dívidas de forma definitiva e reestruturante.

A Odebrecht buscou, até a véspera do pedido à Justiça, uma negociação privada com os bancos brasileiros. Mas, alguns atores envolvidos nas conversas passaram a defender que o ambiente judicial seria o único seguro para promover uma reorganização das finanças envolvendo as garantias já fornecidas em outras renegociações.

No fim da tarde de ontem, aconteceu a primeira audiência entre representantes da Odebrecht e dos principais bancos credores, com exceção de Itaú, e o juiz. O tema das garantias foi abordado. Inicialmente, o encontro era sobre Atvos, que está em recuperação judicial desde 29 de maio, mas o debate se ampliou.

Os credores mostraram disposição de negociar. As conversas a respeito de rever as garantias com Braskem já vinham ocorrendo antes e a ideia estava avançando, segundo diversas pessoas envolvidas no debate.

Na petição inicial, a Odebrecht relatou ao juiz a existência de um acordo com os bancos credores para ficar com R$ 500 milhões de dividendos que possam vir a ser pagos pela petroquímica, relativos a uma distribuição de R$ 2,67 bilhões já aprovada pelo conselho de administração da empresa. O pagamento ficou pendente devido a um embate com Ministério Público de Alagoas e, por isso, será reavaliado pelo conselho. A fatia da Odebrecht seria de R$ 1 bilhão, mas ela ficará só com metade, se houver ratificação pelo colegiado. Desde que assumiram as ações em garantia, há três anos, os bancos é que recebem os proventos. Neste ano, terão apenas uma parte. (Valor Econômico 19/06/2019)