Setor sucroenergético

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Auditor cobra provisão de fundo com R$ 933 milhões em papéis da Atvos

Mesmo após a Atvos, braço de açúcar e álcool da Odebrecht, voltar à mesa com credores para renegociar uma dívida R$ 12 bilhões, que posteriormente levaria à recuperação judicial, um fundo de investimento em participações (FIP) com exposição ao grupo não detinha colchão algum para eventuais perdas.

Administrado pela Planner Corretora, o Terra Nova Bio Energia tem em sua carteira mais de R$ 933 milhões em debêntures da empresa. O valor equivale a praticamente todo o seu patrimônio líquido, de cerca de R$ 1 bilhão. No entanto, nenhuma provisão foi feita em suas demonstrações financeiras de 2018. A ausência de um colchão para perdas chamou a atenção da firma de auditoria Baker Tilly Brasil, que analisou os números do fundo.

Em carta a administradores e cotistas, datada do dia 7 de junho, a consultoria sugere o complemento de provisão da cifra total, de R$ 933,673 milhões. A Atvos entrou com pedido de recuperação judicial em 29 de maio.

Apesar de a auditoria já ter indicado a necessidade de um colchão para toda a exposição do fundo, cálculos estão sendo feitos para que o martelo seja batido. Isso porque as debêntures da Atvos têm como garantia a safra atual. Ou seja, pode ser que não seja necessário 100% de provisionamento, conforme pessoas próximas à corretora. Uma conclusão é esperada nos próximos dez dias.

Procurada, a Planner esclareceu que o vencimento antecipado da 2ª Emissão de Debêntures da Atvos foi declarado em 21 de dezembro de 2018 pela falta de pagamento de obrigação pecuniária, vencida em 15 de dezembro de 2018.

“Observamos ainda que a recuperação do crédito foi judicializada em janeiro de 2019, com o deferimento da penhora das ações dadas em garantia, bem como, da safra de cana-de-açúcar, sendo certo que o valor da venda da colheita deverá ser utilizado para pagamento do débito”, afirma e continua: “Por fim, ressaltamos que as demonstrações financeiras do FIP divulgadas recentemente referem-se ao exercício findo em 31 de dezembro de 2018. Dessa forma, a recuperação judicial citada pelo Auditor estará contemplada como fato subsequente nas demonstrações de 30 de junho, uma vez que ocorreu tão somente em 31 de maio de 2019”. (O Estado de São Paulo 21/06/2019)

 

Açúcar: Realização de lucros

Um rápido movimento de liquidação de posições no fim do pregão de sexta-feira derrubou os preços do açúcar na bolsa de Nova York.

Os lotes do açúcar demerara para outubro fecharam com recuo de 20 pontos, a 12,48 centavos de dólar a libra-peso.

Em uma semana, os papéis acumularam queda de 3,4%. O recuo do dólar ante o real ofereceu um pouco de suporte às cotações, mas não o suficiente para manter a tendência até o fim do pregão.

Com a aproximação do fechamento, os traders e fundos preferiram tentar embolsar lucros.

As cotações estão perdendo um pouco da pequena força anterior diante de previsões de chuvas para importantes áreas canavieiras na Índia.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 1,82% para R$ 61,93 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 24/06/2019)

 

Preços internacionais do açúcar não devem apresentar recuperação no curto prazo

Os preços internacionais do açúcar não devem apresentar recuperação no curto prazo, segundo analistas de instituições financeiros. As incertezas com relação à safra indiana e ao real volume de estoques de adoçante no país pesam sobre as cotações dos futuros da commodity, negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US).

Analista do banco de investimentos ING, Warren Patterson, observa que traders preferem apostar no açúcar refinado, em vez de comprar posições do açúcar bruto, que opera em queda desde junho.

“O que não ajudou neste mês é o tamanho dos estoques de açúcar na Índia, com a Indian Sugar Mills Association (Isma), associação de usinas daquele país, estimando reservas domésticas em 14,62 milhões de toneladas no início da safra 2019/20, que se inicia em outubro”, afirmou Patterson.

Em compensação, outros pares de mercado estimam que a safra indiana 2019/20 deve ser menor do que as duas últimas temporadas, em virtude do atraso na ocorrência das chuvas de monções no país.

“Achamos que a monção estará abaixo da média nas principais áreas de Uttar Pradesh e Maharashtra, onde estão as principais usinas do país”, observa analista de mercado de açúcar da corretora Marex Spectron, Robin Shaw.

Já o banco de investimentos Rabobank, considera que as possíveis perdas na produção indiana “parecem inconsequentes” para os preços globais. Segundo o Rabobank, o fator crítico para o direcionamento do mercado é a extensão dos subsídios do governo indiano à exportação da commodity.

Após duas colheitas robustas, que fizeram da Índia a maior produtora mundial da commodity, o país já inicia o próximo ciclo comercial com cerca de 10 milhões de toneladas disponíveis para exportação. “Se a Índia decidir subsidiar as exportações novamente, pode ser muito baixista para o açúcar e especialmente para produto refinado”, aponta o Rabobank.

Contudo, a instituição financeira pondera que se o governo local se curvar à pressão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a suspensão dos subsídios, os preços mundiais provavelmente subirão.

O banco projeta, ainda, que o fôlego nas cotações internacionais do adoçante deve vir somente no fim deste ano.

“Enquanto os estoques globais continuarem pesando no mercado por mais alguns meses, o preço deve continuar em queda, mas o mercado deve começar a voltar ao equilíbrio quando nos aproximarmos do fim de 2019”, estima o analista do mercado de açúcar do Rabobank, Charles Clack.

A perspectiva para o setor é que a safra 2019/20 registrará déficit no balanço global de oferta e demanda. (Dow Jones Newswires 24/06/2019)

 

Etanol hidratado recua 0,43% e anidro cai 1,1% nas usinas de São Paulo

O etanol hidratado recuou 0,43% nas usinas paulistas entre a segunda-feira, 17, e esta sexta-feira, 21. O litro semanal do combustível variou de R$ 1,6175 para R$ 1,6105, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro caiu 1,10% na semana, de R$ 1,8590 para R$ 1,8386 o litro, em média. (Agência Estado 24/06/2019)

 

CTC vai distribuir dividendos pela primeira vez na história

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), controlado por diversos grupos sucroalcooleiros e pela BNDESPar, registrou um forte aumento do lucro na safra 2018/19 e, pela primeira vez, pagará dividendos aos acionistas. A companhia informou nesta quarta-feira que seu lucro líquido cresceu 65% ante a safra anterior, para R$ 23,6 milhões, e que proporá o pagamento de R$ 5,4 milhões aos acionistas (R$ 6,77 por ação).

A receita líquida aumentou 29,4%, para R$ 186,7 milhões, impulsionada pelo aumento do volume de vendas e pela alta dos preços das variedades comercializadas. Houve uma expansão de 20% na área plantada com as variedades desenvolvidas pelo CTC e alta de 6% no preço médio das variedades vendidas às usinas e produtores de cana.

A expansão das vendas de variedades foi impulsionada principalmente pelas variedades de cana consideradas “premium”, que são convencionais (não transgênicas) e desenvolvidas sob medida para regiões e climas específicos. Essas variedades responderam por 17% das vendas, ante 10% na safra anterior.

No total, as variedades do CTC responderam por 28% da área de plantio da safra passada no país, com 336 mil hectares. Na temporada anterior, a participação havia sido de 25%.

Os aportes em pesquisa e desenvolvimento, que representam a maior parte dos custos da companhia, ou 80%, cresceram ante a safra anterior, mas em um ritmo menor do que a receita. O aporte total de R$ 160,1 milhões foi 31,8% maior do que no cilo 2017/18, mas representou pouco menos da metade da receita líquida, ante 62,7% no ciclo precedente. A maior parte do crescimento dos investimentos deveu-se ao projeto de sementes artificiais.

O CTC também fez investimentos em imobilizado e intangível que totalizou R$ 69,1 milhões, elevação de 19,1%. Nessa conta está incluída a construção de um laboratório em St. Louis, nos Estados Unidos, onde trabalham pesquisadores contratados do mundo todo para realizar pesquisas de edição genômica, técnica diferente da transgenia, que trabalha com os próprios genes do organismo.

Também houve um investimento adicional de R$ 16 milhões em projetos de sementes e biotecnologia em relação à safra anterior.

Segundo Rinaldo Pecchio Junior, diretor financeiro e de relações com investidores do CTC, o ritmo de crescimento dos investimentos diminuiu em relação à temporada 2017/18 porque alguns projetos já estão alcançando maturidade, mas não há uma decisão de desacelerar investimentos. “É decorrente das etapas em que as pesquisas se encontram. Não é uma orientação ou uma necessidade em função do orçamento”, afirmou.

Ainda no lado dos custos, o CTC reduziu em R$ 11,6 milhões a provisão para clientes inadimplentes. Com aumento das vendas e redução dos custos, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado avançou 80%, para R$ 54,9 milhões. Assim, a margem Ebitda cresceu 8,3 pontos percentuais, para 29,4%.

No fim do ano passado, o CTC ainda recebeu em conta o aumento de capital dos acionistas, após conclusão de arbitragem como BNDESPar, que resultou na injeção de R$ 96,2 milhões em caixa. Com isso, a companhia encerrou a safra com um saldo líquido de caixa de R$ 143,3 milhões. (Valor Econômico 21/06/2019)

 

BTG reforça compra de ações após São Martinho anunciar possível investimento

O BTG Pactual reforçou nesta quarta-feira, 19, em relatório a compra de ações da São Martinho, após a companhia sucroenergética assinar protocolo de intenções para a construção de uma usina de etanol de milho anexa à usina de Quirinópolis (GO). A instituição financeira projetou preço-alvo em 12 meses de R$ 24 ou US$ 6,22 para os papéis da companhia negociados na B3.

A companhia espera investir R$ 350 milhões na usina anexa à planta processadora de cana no município goiano, valor que dependerá da aprovação de incentivos do governo local. A produção anual estimada é de 200 milhões de litros de etanol e 140 mil toneladas de DDG, farelo de milho utilizado como ração animal.

De acordo com o relatório, assinado por Thiago Duarte e Pedro Soares, o anúncio surge no momento em que investidores começaram a se perguntar o que a São Martinho faria com a geração de um fluxo de caixa livre entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões ao ano, no momento em que o ciclo de desalavancagem está quase concluído.

“Agora, parece que parte desse dinheiro extra será utilizado para o crescimento”, destacaram os analistas, citando que, mesmo assim, a empresa continuará com baixo endividamento.

O capex estimado por Duarte e Soares para a usina deve ser inferior a 0,2 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Cálculos dos analistas apontam “retornos atraentes” com um faturamento anual estimado em R$ 450 milhões, esperando que a usina estará em operação dentro de 2 a 3 anos. “Nossas pesquisas para projetos de etanol à base de milho de tamanho similar sugerem que uma margem Ebitda de 40% é altamente alcançável”. (Agência Estado 24/06/2019)

 

VMG Bioenergia assina protocolo para instalação de usina de etanol de milho em Jataí (GO)

O prefeito de Jataí, Vinícius Luz (PSDB), assinou, na terça-feira, 18, junto ao governador Ronaldo Caiado (DEM) e ao diretor da VMG Bioenergia e Agronegócio, Emerson de Oliveira, um protocolo de intenções para a instalação de uma usina de etanol de milho na cidade.

Segundo informações da prefeitura de Jataí, esse é o maior incentivo fiscal assinado pelo atual governo, compreendendo uma área de 480 mil m², às margens da BR-060. A área foi doada pela Prefeitura de Jataí à VMG Bioenergia e Agronegócios, com perspectiva de investimentos de mais de R$ 550 milhões.

Emerson de Oliveira afirmou que a alta produção de milho na região foi o que chamou atenção para a abertura do novo negócio. “Isso nos motivou a trabalhar com o etanol de milho, que vem sendo bem promissor”, garante.

Por sua vez, o prefeito reitera que, até o momento, em sua gestão, já foram investidos R$ 800 milhões, e que o governo de Goiás apoiará a implantação da empresa com incentivos fiscais. “É importante destacar o empreendedorismo do Sr. Valter Giacomini que tem acreditado no potencial do nosso município. Agradeço ao secretário de Indústria e Comércio de Góias, Wilder Morais, pelo apoio”, afirmou.

Ainda de acordo com a prefeitura, a expectativa é que sejam gerados, aproximadamente, 200 novos empregos diretos e 300 indiretos. O governo do estado, no entanto, divulgou um número superior: 1,2 mil empregos, entre diretos e indiretos.

Estiveram presentes no evento, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sebastião Modesto, o diretor de Indústria e Comércio, Jocemar Garcia, a presidente da Câmara Municipal de Jataí, vereadora Kátia Carvalho, os vereadores Pastor Luiz Carlos, Carvalhinho, Major Davi e Cida e o deputado Zé Carapô. (Jornal Opção GO 23/06/2016)

 

Cultura da cana-de-açúcar é destaque na geração de empregos em Juazeiro da Bahia

Cultura que mais contribui para as conquistas de Juazeiro - BA no segmento de geração de empregos, a cana-de-açúcar vem ampliando sua participação, ano a ano, no saldo de contratações com carteira assinada.

Se em 2018, por exemplo, o município conquistou o título de maior gerador de empregos da Bahia, com mais de 2.000 novos postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (CAGED), sistematizados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), mais da metade desses números (61% do total dos contratados) vieram dos canaviais da usina Agrovale.

No último mês de abril, o CAGED voltou a revelar o saldo de contratações com carteira assinada e o município tornou a chamar a atenção, agora como a 1ª cidade do interior do Nordeste na geração de empregos. E o setor sucroalcooleiro repetiu a performance na criação de vagas formais e geração de renda.

Com um ambiente de trabalho voltado para o apoio e o crescimento profissional do trabalhador, a Agrovale emprega atualmente 4,692 trabalhadores, distribuídos em 3.750 na produção agrícola; 493 no setor administrativo e 449 na área industrial.

Valorização

De acordo com o diretor Financeiro e TI da Agrovale, Guilherme Colaço Filho, trata-se de uma equipe focada nas práticas socioambientais para aplicação de um modelo sustentável. “Oportunizamos um emprego que valoriza as pessoas e as faz crescer profissionalmente respeitando um ao outro”, pontuou.

Segundo o cortador de cana, Marcos Antônio Bezerra, de 35 anos, que já atua na empresa há 10 safras e é um dos representantes dos trabalhadores junto ao sindicato da categoria, o ambiente na Agrovale é mesmo de crescimento e incentivo. Este pernambucano de Granito chegou à Juazeiro há 10 anos para trabalhar numa safra e aqui ficou.

Hoje, casado e pai de dois filhos, Marcos diz que gosta muito do que faz. “Trabalhamos com a proteção dos EPIs, com ferramentas adequadas, alimentação fornecida pelo restaurante da empresa e o apoio do posto de saúde com médico, enfermeiros e ambulância de plantão”, adiantou.  Morador do bairro Jardim Primavera, o filho mais novo, Marcos Vinicius, de 9 anos, estuda na Escola Mandacaru, uma das duas unidades de ensino mantidas pela empresa. A filha Izanubia Patrícia, 22 anos, concluiu o ensino médio e já trabalha por conta própria com equipamentos patrocinados pelo pai.

Outro exemplo da empresa que vem da área industrial, o ajudante, Natanael Gomes de Vasconcelos, de 21 anos, há oito meses na Agrovale, chegou na última safra com um contrato temporário e foi admitido no quadro ativo. Juazeirense, morador do Residencial Juazeiro 1, casado, Natanael, concluiu o ensino médio, diz que aprendeu muito na empresa e hoje conhece o trabalho de vários setores. “Sonho em crescer na profissão chegando a um cargo de liderança e aqui vejo possibilidades por que a Agrovale incentiva as vocações oferecendo capacitações e treinamentos para nosso desenvolvimento pessoal e profissional”, finalizou.

Referência internacional em produtividade de cana-de-açúcar em área irrigada, a Agrovale é considerada hoje a maior empresa produtora de açúcar, etanol e bioeletricidade da Bahia. Com uma área cultivada de 17 mil hectares a meta para essa safra é a produtividade média de 120 toneladas de cana por hectare e a produção de 115 mil toneladas de açúcar, 70 milhões de litros de etanol e geração de 63.000 MWh/ ano de energia elétrica gerada a partir do bagaço da cana. (Reuters 21/06/2019)