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Atvos, da Odebrechet, oferece “bônus sui generis” a seus executivos

Para evitar uma debandada geral na empresa após a decretação da recuperação judicial, a Atvos, braço sucroalcooleiro da Odebrecht, montou plano de retenção de seus executivos.

A proposta é um tanto sui generis para uma empresa em recuperação judicial, apesar de este tipo de ação não ser tão incomum assim. O executivo que se comprometer a ficar mais três anos na Atvos terá direito a um bônus significativo, independentemente da performance.

A tendência, ao que se apurou, é de muitos aceitarem. (O Estado de São Paulo 26/06/2019)

 

Açúcar: Entrega chegando

As cotações do açúcar demerara tombaram ontem na bolsa de Nova York diante da perspectiva de que as tradings entregarão volumes elevados da commodity no dia de expiração do contrato para julho.

Os papéis de segunda posição, que vencem em outubro, recuaram 25 pontos, a 12,32 centavos de dólar a libra-peso.

Traders disseram a agências que uma entrega alta indicaria oferta ainda excessiva sem uma demanda correspondente. A produção do Brasil, no entanto, segue menor.

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) reportou ontem que foram produzidos 6,7 milhões de toneladas até a metade de junho, quase 800 mil toneladas a menos do que um ano atrás.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal recuou 0,58%, para R$ 61,22 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 27/06/2019)

 

Açúcar recua na ICE com mercado esperando grande entrega física

Os contratos futuros do açúcar na ICE recuaram nesta quarta-feira, pressionados por expectativas de uma grande entrega física ante o contrato julho, que expira no final desta semana.

O contrato julho do açúcar bruto fechou em queda de 0,3 centavo de dólar, ou 2,4%, a 12,03 centavos de dólar por libra-peso, após tocar mínima de mais de três semanas, a 11,98 centavos.

O mercado está com seu foco voltado para o vencimento do contrato julho no final desta semana, com operadores esperando uma entrega massiva.

Uma entrega tão grande indica ofertas abundantes e demanda lenta, pressionando, assim, o mercado, segundo operadores.

“Parece que duas das maiores casas de trading do mundo estão enfrentando o que aparenta ser uma possível entrega recorde. Há potencial para volatilidade (no spread entre o primeiro e o segundo mês) neste final”, disse Thomas Kujawa, codiretor de softs da Sucden Financial.

O desconto do vencimento julho para setembro se aprofundou para até -0,32 centavo de dólar nesta quarta-feira, depois de figurar em até -0,17 centavo na terça-feira.

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil na primeira quinzena de junho esteve abaixo dos níveis vistos em igual período do ano passado, disse a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

O contrato agosto do açúcar branco recuou 4,90 dólares, ou 1,5%, para 319,20 dólares por tonelada. (Reuters 27/06/2019)

 

Produção de açúcar do centro-sul do Brasil cai 6% na 1ª quinzena de junho, diz Unica

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil somou 1,865 milhão de toneladas na primeira quinzena de junho, um recuo de 6,09% na comparação com o mesmo período do ano anterior, disse nesta quarta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A moagem de cana da região no período foi de 42,36 milhões de toneladas, queda de 0,36% na comparação anual, acrescentou a Unica, em boletim sobre a safra 2019/20.

De acordo com a associação, as usinas alocaram 35,84% da oferta de cana para produção do adoçante no período, enquanto 64,16% foram direcionados para fabricação de etanol. No mesmo período do ano anterior, a alocação para açúcar havia sido de 36,44%. (Reuters 26/06/2019)

 

Goiás pode estar prestes a se tornar polo na produção do etanol de milho

Um dos maiores produtores nacionais de etanol de cana-de-açúcar, Goiás deve se tornar também polo na produção do combustível derivado do milho. Para isto, estão previstos dois investimentos grandes no Estado: da usina São Martinho, de R$ 350 milhões em Quirinópolis, e da VMG Bioenergia e Agronegócio, de R$ 550 milhões em Jataí.

Assim, apenas estes dois investimentos somarão quase R$ 1 bilhão. Falta ainda o governo estadual oficializar a concessão dos incentivos fiscais para as empresas.

A São Matinho S.A. assinou protocolo de intenção para construir uma nova planta ao lado da sua usina Boa Vista, em Quirinópolis, com capacidade de produção anual de até 200 milhões de litros de etanol hidratado. O investimento, de R$ 350 milhões, contempla instalações industriais, armazenagem e capital de giro.

A empresa afirma, entretanto, que a assinatura do protocolo de investimentos com o Estado não significa a confirmação do investimento. Ele apenas formaliza a intenção da São Martinho em ampliar suas atividades em Goiás, que estão atreladas a alguns compromissos do Estado e do município, como a concessão dos benefícios fiscais.

Por sua vez, a alta produção de milho em Goiás foi o que chamou atenção da VMG Bioenergia e Agronegócio para investir R$ 550 milhões em uma nova usina de etanol em Jataí. A empresa já possui uma unidade de produção de óleo de milho e de bioenergia. “Isso nos motivou a trabalhar com o etanol de milho, que vem sendo bem promissor”, diz o diretor do grupo empresarial, Emerson de Oliveira.

A VMG já produz dois tipos de etanol de milho: um para a uso de veículos automotores e outro específico para indústrias de cosméticos, farmacêuticas, bebidas finas, álcool gel, entre outros usos.

Potencial para o etanol de milho

O Brasil é o maior consumidor de etanol do mundo, depois dos Estados Unidos. A produção do combustível com o processamento do milho no Brasil é crescente e tem ganhado espaço ao lado do etanol de cana. Ambas atendem demandas de todo o País, com o volume de etanol de milho devendo ultrapassar a marca de 1 bilhão de litros nesta temporada.

Com relação à qualidade para o consumidor, não há diferença entre etanol produzido a partir de milho ou de cana-de-açúcar. As diferenças estão ligadas aos custos e ao tempo de produção, que variam em cada cultura.

“Não temos nenhuma preocupação com relação à produção de etanol a partir do milho, uma vez que deve atender as mesmas especificações do etanol de cana, seja para carburantes ou outros destinos. O que não pode haver é política de incentivo diferente em detrimento de outro”, disse o diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Antonio de Pádua Rodrigues. “Os dois vão conviver naturalmente, ajudando o Brasil a diminuir importação de gasolina”, frisou.

Por sua vez, o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Ricardo Tomczyk, diz que, com a expansão da produção do biocombustível de milho, será possível atender parte da demanda por etanol, mas não a totalidade. Ele leva em consideração as previsões que indicam uma demanda adicional de mais 20 milhões de litros nos próximos 10 anos e implica que será necessário também um crescimento do setor de cana-de-açúcar.

Assim, a produção de etanol a partir do milho é competitiva, mas não deve substituir a cana, sendo apenas mais uma opção no mercado brasileiro. Inclusive, alguns dos produtores de etanol de cana podem utilizar a mesma estrutura para produzir a partir de cana ou milho, que são as chamadas flex. Entretanto, é preciso fazer algumas adaptações.

Conforme Tomczyk, apesar das características similares e da facilidade de produção em usinas flex, a logística ainda é um gargalo para o etanol produzido no Centro-Oeste. De qualquer modo, para o produtor de grãos, o biocombustível representará uma maior diversificação de receitas, reduzindo riscos e contribuindo para a diversificação da economia do Centro-Oeste e a produção de grãos na região, superavitária na de milho. (O Hoje (GO) 27/06/2019)

 

ANP prepara resolução para melhorar qualidade da gasolina vendida no país

Proposta fixa limites de densidade e octanagem e mira importações de combustível com menor rendimento.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) prepara uma resolução para elevar a qualidade da gasolina vendida no país. O objetivo é preencher lacunas na legislação atual que permitem a importação e venda de produto de baixa qualidade.

A proposta será debatida em reunião da diretoria da agência nesta quinta (27). A resolução vai especificar limites para indicadores de densidade e octanagem que hoje não constam da regulamentação brasileira.

Para especialistas, não há impactos significativos sobre a Petrobras, que já produz gasolina com padrão de qualidade considerado satisfatório. Para importadores, porém, o processo pode resultar em aumento de até 6% no preço da gasolina importada.

A mudança mais significativa se refere à densidade da gasolina. A resolução atual que trata do assunto, editada em 2013, não estabelece limites, o que obriga fabricantes de veículos a regular motores para operar com uma faixa mais ampla de densidade.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a definição de limites de densidade pode facilitar o ajuste dos motores, melhorando o desempenho dos veículos.

O estabelecimento de limites de densidade é pleito antigo da indústria automotiva, mas dificultado pelas características do parque de refino da Petrobras, que usava diferentes tecnologias para refinar diferentes tipos de petróleo.

A avaliação do setor, porém, é que após um ciclo de investimentos nas refinarias nos últimos anos, a estatal já consegue produzir o combustível com densidade mais uniforme. “É importante que não haja grande dispersão nos limites de densidade”, diz o diretor técnico da Anfavea, Henry Joseph Junior.

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, diz que a medida reduz também a possibilidade de importação de "gasolinas leves", com menor densidade e, portanto, menor rendimento. “É bom para o consumidor, que vai ter uma garantia de uniformidade da qualidade da gasolina”, afirma.

A agência reguladora mira ainda no crescimento das importações de nafta, derivado de petróleo usado como matéria-prima para a indústria petroquímica, que pode ser misturado à gasolina e vendida nos postos. A nafta tem tratamento tributário diferente, o que gera riscos de competição desleal.

“A especificação dos parâmetros eleva nossa gasolina a padrões mais elevados e reduz a possibilidade de misturas de menor rendimento”, diz o presidente da Plural (entidade que reúne as distribuidoras de combustíveis), Leonardo Gadotti.

A resolução vai trazer também um limite para o indicador de octanagem conhecido como RON (sigla em inglês para número de octanas pesquisa), mais usado como parâmetro na especificação da gasolina vendida na Europa.

A regra atual limita apenas a octanagem do tipo MON (número de octanas motor) e de um índice chamado IAD (índice antidetonante). Resultado de uma média aritmética entre os indicadores MON e RON, este último é mais utilizado nos Estados Unidos e no México.

O limite mínimo do IAD para a gasolina comum no país é de 87, equivalente aos praticados na gasolina regular desses dois países, o que pressupõe octanagem RON a 92, na média asiática, mas abaixo dos 95 vigentes na maior parte da Europa.

A ANP não informou quais as propostas de limites para a densidade e a octanagem RON. A Anfavea diz que a padronização facilita a identificação de carros importados. Dependendo do valor escolhido, a definição de um indicador RON pode também melhorar o rendimento da gasolina brasileira, completa a entidade.

O presidente da Abicom (entidade que reúne as importadoras de combustíveis), Sergio Araújo, diz que a medida deve elevar em 6% o custo das importações, já que as empresas do segmento deverão buscar produtos com maior densidade.

Atualmente, o país importa cerca de 15% de seu consumo de gasolina A (antes da adição de etanol). Em abril, segundo a ANP, as importações representaram 19,06% da demanda interna. Em março, havia sido 13,57%. (Folha de São Paulo 27/06/2019)

 

Preço pago pela soja pode cair até 25% com fim da Lei Kandir, diz CNA

Os preços pagos aos produtores de soja de Sorriso, em Mato Grosso, e Cascavel, no Paraná, poderão cair 23% e 25,3% em um período de um ano, respectivamente, caso o Congresso decida extinguir a Lei Kandir, que desde 1996 zerou o ICMS sobre as exportações de commodities agrícolas no país. No caso da cana-de-açúcar, o trabalho aponta que os preços poderão recuar até R$ 10 por tonelada também em um ano, o que poderá provocar uma queda da margem dos produtores de 41,4%.

É o que aponta um estudo inédito conduzido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que avaliou eventuais impactos para o agronegócio brasileiro diante das ameaças de governos estaduais de taxar as exportações do setor para driblar a crise fiscal. O levantamento levou em conta a cobrança de uma alíquota de 17% de ICMS, há Estados que adotam tarifas máximas de até 18%.

O Congresso discute no momento, por exemplo, uma proposta de emenda à Constituição (PEC 42/2019), encabeçada pelo senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), que põe fim à isenção de ICMS sobre os embarques de bens primários e semielaborados e prevê a cobrança do imposto sobre as exportações por meio de futura lei complementar. A proposta toma como base a dificuldade da União em ressarcir os governos estaduais nos últimos anos como compensação à renúncia causada pela Lei Kandir. “É chegada a hora de sepultarmos essa desoneração”, argumenta o senador na justificativa da PEC.

Além de Anastasia, outros 27 senadores, incluindo a ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PDT-TO), que também presidiu a CNA por oito anos, são co-autores da proposta.

“Não dá para falar que se acabar a Lei Kandir vamos voltar a ter déficit na balança comercial brasileira, mas com certeza o superávit será reduzido e deveremos ter desvalorização do real, queda de preços caírem e alta de insumos agropecuários”, diz Renato Conchon, coordenador do núcleo econômico da CNA e responsável pelo trabalho. “Os produtos brasileiros ficariam menos competitivos tanto no mercado interno quanto no externo com o fim da Lei”, acrescentou.

O estudo considera, ainda, que “as recentes (e recorrentes) iniciativas em revogar o dispositivo legal” da Lei Kandir levariam a uma “corrosão da rentabilidade, redução dos investimentos ou mesmo instabilidade jurídica (...) aos investidores”. E conclui que, com a possível extinção da lei, as vendas externas anuais de carne suína, celulose e melões frescos recuariam US$ 6,2 bilhões. (Valor Econômico 26/06/2019 às 11h: 21m)

 

Bayer criará comitê para monitorar os processos contra glifosato nos EUA

O conselho de supervisão da Bayer aprovou uma série de medidas para enfrentar a crise gerada pelas derrotas milionárias na Justiça dos Estados Unidos envolvendo o Roundup, marca comercial do herbicida glifosato, desenvolvido pela americana Monsanto.

Desde que a Bayer concluiu a compra da Monsanto, no ano passado, os processos envolvendo o herbicida passaram a ser de sua responsabilidade. Segundo nota divulgada ontem pela múlti, o conselho reconhece o efeito negativo dos processos nas cotações dos papéis da companhia na bolsa de Frankfurt e, para amenizá-lo, um novo comitê do conselho de supervisão vai monitorar intensivamente a questão, consultar o conselho de administração e fazer recomendações sobre a estratégia nos processos enfrentados.

Em agosto de 2018, quando o ex-jardineiro Dewayne Johnson ganhou um processo contra a Monsanto em San Francisco ao sustentar que tinha desenvolvido um tipo de câncer por causa do agrotóxico, começou o inferno astral da Bayer. De lá para cá, houve uma enxurrada de novas ações, e o número já supera 13 mil apenas nos Estados Unidos.

Em março, a Bayer perdeu mais um processo em San Francisco. Em ambos, a múlti foi condenada a pagar US$ 80 milhões aos reclamantes. Em maio deste ano veio a maior derrota: a múlti foi condenada a pagar US$ 2,1 bilhões a um casal da Califórnia que acusou a companhia de encobrir os riscos à saúde associados ao uso do Roundup. A múlti recorre das decisões.

De acordo com a Bayer, o novo comitê será composto igualmente por representantes de acionistas e funcionários e por oito membros do conselho de supervisão.

Outro ponto que visa a diminuir os efeitos negativos foi a contratação do advogado americano John H. Beisner, especialista em processos relacionados à responsabilidade em relação ao produto comercializado, para assessorar o conselho fiscal nos processos, incluindo táticas de julgamento e mediação, de maneira contínua. Beisner participará das reuniões do novo comitê e se reportará regularmente ao conselho de supervisão. (Valor Econômico 27/06/2019)