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Raízen partida: Etanol de milho divide Cosan e a Shell

A Raízen tem feito estudos para entrar na produção de etanol de milho.

O tema, no entanto, ainda causa divisões na empresa.

O investimento anima mais a uma metade, leia-se o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, do que a outra, a Shell. (Jornal Relatório Reservado 28/06/2019)

 

Petrobras vê Raízen e outras distribuidoras interessadas em refinarias

A Petrobras acredita que três tipos de empresas podem estar interessadas na compra de suas refinarias, incluindo distribuidoras de combustíveis locais, como a Raízen, disse um executivo da estatal nesta sexta-feira.

Falando em um evento no Rio de Janeiro, o diretor de Relações Institucionais da empresa, Roberto Furian Ardenghy, disse que companhias distribuidoras de combustíveis, produtoras de petróleo com operações no Brasil e empresas de trading poderiam adquirir algumas das refinarias do bloco de desinvestimento da estatal.

“Hoje, estamos vendo três segmentos que poderiam se interessar por nossas instalações. O primeiro segmento é o de distribuidoras, nossos amigos da Raízen, e outras companhias que estão aqui”, disse Ardenghy.

A Petrobras planeja vender oito de suas refinarias, em um processo que o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, já disse que pode arrecadar 15 bilhões de dólares.

Na quinta-feira, Castello Branco afirmou que uma das refinarias pode ser vendida até o final deste ano.

As possíveis compradoras que Ardenghy mencionou são as que costumam ser apontadas como interessadas por analistas.

Glencore e Vitol, ambas ativas trading de commodities, recentemente entraram no ramo de distribuição de combustíveis no Brasil, gerando especulações de que possam querer verticalizar operações.

A Raízen, segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, é uma joint venture entre Shell e Cosan. A empresa não respondeu de imediato a um pedido por comentários. (Reuters 28/06/2019)

 

KPMG se credencia como firma inspetora do RenovaBio

Em breve, a KPMG deve passar a oferecer serviços de certificação para usinas de etanol e biodiesel interessadas em participar da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Na última quinta-feira (27), a Diretoria Colegiada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou credenciamento da empresa como firma inspetora do programa.

A empresa havia dado entrada no pedido junto à ANP no final de maio.

Assim que o despacho da ANP for publicado no Diário Oficial da União, a empresa se tornará a quinta firma inspetora cadastrada do RenovaBio. A mais recente foi a Fundação Carlos Alberto Vanzolini que recebeu aval há cerca de duas semanas.

Fundada em 1987, a KPMG é mais conhecida pelos serviços de auditoria e consultoria. É uma das quatro maiores empresas do ramo no mundo com atuação em mais de 150 países e 207 mil empregados. (BiodieselBR 01/07/2019)

 

China deverá aceitar açúcar 'transgênico'

O Brasil deu um passo importante para garantir que o açúcar que será produzido da cana transgênica desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) seja exportado à China, um dos principais destinos dos embarques da commodity do país. Conforme Gustavo Leite, presidente do CTC, recentemente os chineses decidiram que não vão mais avaliar a segurança da cana transgênica em si, apenas de seu açúcar.

A medida foi comemorada pelo executivo, que lembrou que o açúcar da cana transgênica é quimicamente igual ao da convencional. "Como é a substância pura, é idêntica. Para nós, é uma vitória", disse Leite ao Valor. Se a China decidisse avaliar a biossegurança da matéria-prima, o caminho seria mais lento. "Teríamos que plantar a cana na China e esperar anos para ela crescer e eles avaliarem. Não faria sentido técnico".

Em geral, a avaliação da transgenia é realizada na planta porque é o próprio organismo vivo que é comercializado - é o caso da soja em grão. Mas o CTC argumenta que o açúcar é um caso distinto, já que se trata de um produto "tirado" da planta, que não carrega os traços da modificação genética desenvolvida.

Com o caminho escolhido pelos chineses, Leite espera que a aprovação ocorra em um prazo de um a dois anos. A China costuma demorar para avaliar os pedidos para autorização de transgênicos. Em janeiro, o país deu sinal verde à importação de variedades transgênicas de soja que estavam na fila há seis anos.

Antes de impor as salvaguardas ao açúcar brasileiro, que serão retiradas em 2020 após acordo com o Brasil para evitar a abertura de um contencioso na Organização Mundial do Comércio (OMC) -, a China era o principal destino das exportações brasileiras. Representava 8% dos embarques, garantindo receita de cerca de US$ 800 milhões. No ano passado, porém, a participação caiu pela metade. Com o acordo recente, a tendência é que as vendas ao mercado chinês voltem a aumentar.

O aval de Pequim deverá dar mais vazão ao avanço do plantio de cana transgênica no Brasil, que já começou. Segundo dados do balanço financeiro do CTC na safra 2018/19, até 31 de março havia 4 mil hectares plantados no país com a planta, dez vezes mais que um ano antes, mas ainda uma gota em uma área plantada total de cerca de 10 milhões de hectares.

Segundo Leite, os produtores têm percebido vantagens financeiras na novidade. A transgenia desenvolvida inoculou o gene Bt na cana, que protege a planta da broca. A tecnologia quase zera a infestação e as perdas de produtividade causadas pelo inseto, e, com isso, os produtores também poupam gastos com agrotóxicos. Dependendo da região e do nível de manejo anterior, os ganhos giram entre R$ 1 mil a R$ 2 mil por hectare, e a produtividade da cana nas lavouras tem crescido de 5% a 15%, afirmou.

O executivo informou que mais de 100 usinas já compraram as mudas de cana transgênica e que as estão replicando em seus próprios viveiros. Por enquanto, as empresas não estão processando essa cana para produzir açúcar ou etanol. O presidente do CTC acredita que os primeiros lotes dos produtos da cana transgênica chegarão ao mercado entre dois e quatro anos.

Outro país que também está em vias de decidir sobre a importação do açúcar da cana transgênica brasileira é o Japão. Conforme Leite, tem ocorrido troca de perguntas e respostas e o processo está adiantado. "Quando você recebe a primeira leva de perguntas, já sabe se a missão vai ser grande ou pequena. Mas as perguntas foram normais", avaliou. Até o momento, EUA e Canadá já aprovaram a importação do açúcar da cana transgênica.

Paralelamente, o CTC continua desenvolvendo novas variedades. Nos próximos meses, a empresa começará a vender a segunda variedade da "cana Bt", adaptada a ambientes de produção desfavoráveis e de colheita precoce. Leite espera que, em um ano, o plantio dessas mudas já alcancem entre 4 mil e 5 mil hectares. "É uma variedade muito desejada, é a que cresce mais rápido no Brasil", disse.

No projeto de sementes, o CTC realizou testes em laboratório na safra passada e nesta começará a realizar testes em campo. "A prova de conceito foi bem sucedida. Agora tem que ver se isso acontece em campo, sob altas temperaturas, com inseto". Embora as pesquisas estejam em curso, a expectativa é começar a entregar as sementes no mercado na temporada 2021/22. (Valor Econômico 28/06/2019)

 

Etanol hidratado recua 0,40% e anidro cai 0,59% nas usinas

O etanol hidratado recuou 0,40% nas usinas paulistas entre segunda-feira e esta sexta-feira. O litro semanal do combustível variou de R$ 1,6105 para R$ 1,6040, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro caiu 0,59% na semana, de R$ 1,8386 para R$ 1,8277 o litro, em média. (Reuters 01/07/2019)

 

Decreto atualiza Comitê RenovaBio e define início de emissão de CBios

O governo federal publicou nesta sexta-feira, 28, no Diário Oficial da União (DOU), o Decreto 9.888, que atualiza regras da política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio. O documento, assinado pelo presidente em exercício, Hamilton Mourão, e pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, revoga o decreto anterior sobre o tema, o 9.308, de março de 2018.

Entre as mudanças, a principal é a definição do início da emissão dos Créditos de Descarbonização (CBios) para 24 de dezembro deste ano, dias antes do início da vigência do RenovaBio, prevista para janeiro de 2020.

Criados no RenovaBio, os títulos corresponderão a uma tonelada de gás carbônico retirada da atmosfera por um combustível renovável ou emitida pelo combustível fóssil. Produtores de bicombustíveis, como etanol, biodiesel e bioquerosene – redutores de emissões – comercializarão os CBios. Distribuidoras terão de adquiri-los para atingir metas individuais de redução, correspondentes à fatia de cada companhia no mercado de combustíveis fósseis.

O novo decreto alterou restabelece o Comitê da Política Nacional de Biocombustíveis, Comitê RenovaBio, órgão multiministerial que monitorará a adoção e o cumprimento do programa. As mudanças no Comitê RenovaBio, no entanto, foram técnicas e apenas para adaptá-lo às alterações nos nomes e funções dos ministérios ocorridas no governo do presidente Jair Bolsonaro. (Agência Estado 01/07/2019)

 

Carro a álcool completa 40 anos de história no Brasil

Lançado em julho de 1979, Fiat 147 foi o pioneiro.

O lançamento do primeiro carro brasileiro movido a álcool completa 40 anos. O pioneiro Fiat 147 com motor 1.3 começou a ser distribuído em julho de 1979.

Na época, apenas 16 postos ofereciam o combustível e ninguém o chamava de etanol. Os poucos carros que passavam pelos pontos de abastecimento eram os protótipos que pertenciam a autarquias e empresas estatais.

A história havia começado em novembro de 1975, quando o presidente Ernesto Geisel (1907-1996) assinou o documento que criou o Proálcool (Programa Nacional do Álcool). Era a alternativa brasileira ao petróleo, que se tornara mais caro e escasso após a crise de 1973.

As montadoras começaram a desenvolver seus protótipos, que rodavam em segredo. Porém, em setembro de 1978, a Fiat mostrou o talento dos italianos para ações de marketing. Durante a fase final de desenvolvimento, o 147 fez um rali do Chuí (RS) até Pacaraima (RR), fronteira do Brasil com a Venezuela.

A viagem de 12 dias e 6.800 quilômetros foi acompanhada ainda por duas motos Yamaha RS 125, que se perderam na história.

O abastecimento durante o percurso foi patrocinado pela Copersucar. A empresa, que era detentora de mais de 50% da produção de derivados da cana no país, criou o slogan “Carro a álcool: você ainda vai ter um”.

Relatos da viagem publicados na imprensa não mencionavam problemas para colocar o motor do Fiat em funcionamento. Contudo, é difícil acreditar que fosse fácil dar a primeira partida do dia em regiões com temperaturas baixas.

O carro já era equipado com o injetor elétrico que jogava um pouco de gasolina no carburador para ajudar a despertar a máquina.

Os postos BR com bombas de etanol foram inaugurados no início de maio de 1979. Além dos raros protótipos que apareciam para abastecer, veículos adaptados em pequenas oficinas tentavam a sorte com o novo combustível.

Havia também os curiosos, que misturavam um pouco de álcool à gasolina para ver o que acontecia.

A Fiat lançou seu 147 movido a etanol no meio desse alvoroço. Como bom brasileiro, logo ganhou um apelido: Cachacinha. Em seguida, chegaram as opções da concorrência: Volkswagen Fusca, Ford Corcel II e Chevrolet Opala.

Na época dos lançamentos, o litro do combustível derivado da cana custava a metade do preço da gasolina, que constantemente passava por períodos de vendas restritas.

A situação começou a mudar na segunda metade da década de 1980, quando 96% dos carros novos à venda no país eram movidos a álcool. As usinas tiveram problemas de crédito, desafiaram governos e a produção de combustível começou a rarear.

Enquanto faltava etanol nas bombas, o preço da gasolina se estabilizava no mundo. A década de 1990 viu a retomada do derivado de petróleo no Brasil.

O álcool só voltou a se destacar com a chegada do carro flex, em 2003. Dessa vez, o pioneirismo foi da Volkswagen, com o Gol 1.6.

O próximo capítulo dessa história será o lançamento do Toyota Corolla Hybrid Flex, que deve ocorrer entre setembro e outubro deste ano. Será o primeiro carro feito em série que poderá rodar utilizando gasolina, álcool e eletricidade. (Folha de São Paulo 01/07/2019)

 

Acordo Mercosul-UE é considerado modesto para agricultura; setor de açúcar queria mais ambição

Abertura para mercados agrícola e de veículos é menor que a sinalizada em etapas anteriores de negociação.

O acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia está sendo considerado modesto em dois setores sensíveis e importantes para o comércio bilateral: agricultura e automotivo. Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), por exemplo, o acordo comercial não foi ambicioso o suficiente, embora tenha sido o “melhor possível”.

Representantes do governo brasileiro evitaram dar detalhes sobre o assunto durante a entrevista coletiva em Bruxelas e disseram que os termos ficarão públicos no fim de semana.

O arranjo final no setor automotivo se mostrou bem menos ambicioso do que já havia sido colocado sobre a mesa. Em etapas anteriores, negociadores do governo Jair Bolsonaro (PSL) chegaram a sinalizar que poderiam abrir o mercado para veículos em 10 anos ou 12 anos, sem carência.

Mas isso só ocorreria se houvesse mais ambição dos europeus na área agrícola, o que não ocorreu. Em setores importantes, as cotas oferecidas pela UE ficaram abaixo do que havia sido ofertado em tempos atrás, quando a negociação quase foi fechada, mas acabou naufragando.

A cota de importação de carne bovina, por exemplo, é de 99,9 mil toneladas —abaixo dos 140 mil sinalizados anteriormente. Os europeus compensaram um pouco reduzindo a tarifa intracota. Dias antes do acordo ser anunciado, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que não aceitaria um valor superior a 100 mil toneladas em carne bovina. Na carne de frango, a cota ficou em 180 mil toneladas.

Para etanol, a cota de importação é de 450 mil toneladas para o álcool industrial, sem tarifas, e 250 mil toneladas para o combustível, com a alíquota variando em função da linha tarifária. Mais de uma década atrás, os europeus haviam sinalizado com 1 bilhão de litros.

No caso do açúcar, a cota vai ficar em 180 mil toneladas, mantendo o volume atual. Porém, haverá uma mudança na alíquota uma vez que os atuais € 98 por tonelada inviabilizam as exportações do Mercosul. Com o corte tarifário, a cota poderá enfim ser utilizada.

Segundo a Unica, o tratado poderia ter ido além por conta da demanda europeia por açúcar e pelo grande consumo de biocombustíveis no bloco, acrescentou a associação.

“Parece ser o acordo possível dada à resistência política de alguns países, mas é preciso aguardar o detalhamento. Difícil fechar um acordo desse tamanho sem avançar em diversos pontos”, diz a diretora do Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento), Sandra Ríos.

Havia uma demanda do setor privado para manter o regime de drawback, que é a restituição ao exportador dos impostos cobrados na importação de matéria-prima, mas os europeus eram contra. Informações extraoficiais são de que o regime será mantido, todavia isso ainda não foi confirmado.

De forma geral, os setores estão bastante aflitos pelos detalhes do acordo, pois consideram que houve pouca informação disponível durante a negociação. O governo alegou que precisava do sigilo para conseguir selar o tratado. Se o acordo for muito ruim, alguns setores pretendem resistir no Congresso, postergando a aprovação.

Toma lá, dá cá

De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que a União Europeia fez diversas concessões na área agrícola “em volume e em taxas”, que foram fundamentais para que o acordo com o Mercosul fosse fechado. Ela citou especificamente carne, etanol e açúcar, produtos que os europeus resistiam em ceder.

“(Temos) muitos produtos sobre a mesa que vocês verão na hora que o acordo tiver publicado. Na área agrícola, muitos produtos: de frutas a carnes. Terá um menu cheios de opções para que os produtores brasileiros acessem esse grande mercado que é a União Europeia”, afirmou em entrevista coletiva em Bruxelas, após o anúncio do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Segundo ela, em contrapartida, o Brasil cedeu no mercado de vinhos, tema sensível para seus produtores locais. A ministra disse que houve grande discussão ao redor do tema, mas o livre-comércio será estabelecido no fim. O setor foi incluído no acordo, mas ficou estabelecido um cronograma de 12 anos para que as alíquotas sejam inteiramente zeradas.

“Isso tem um tempo, não acontecerá de uma hora para a outra. Não é amanhã. Terá um tempo de maturação para que aconteça”, afirmou.

Setor automotivo

A Folha apurou com representantes do setor privado que a liberalização total do comércio de carros só deve ocorrer em 15 anos. Haverá uma carência de sete anos antes que as alíquotas de importação, hoje em 35%, comecem a cair.

Nesse período, será oferecida a ambos os lados uma cota de 50 mil veículos com taxa zero. É provável que apenas carros mais caros utilizem a cota, para que o desconto no preço provocado pela tarifa se torne compensador.

Atualmente as fábricas de veículos de luxo no Brasil têm até 80% de capacidade ociosa. Além disso, são vendidos anualmente aproximadamente 35 mil veículos de marcas como Audi, BMW e Land Rover no país, abaixo da cota proposta no acordo.

Em autopeças, a redução das tarifas de importação deve ocorrer em três tempos diferentes, dependendo do item: 10 anos, 12 anos e 15 anos.

Na avaliação de representantes das montadoras ouvidos pela reportagem que pediram anonimato, o acordo é considerado tranquilo, porque deixa a abertura de mercado para o futuro, concedendo tempo ao Brasil para colocar em prática uma agenda de competitividade. (Folha de São Paulo 01/07/2019)