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Raízen avalia disputar refinarias da Petrobrás

Segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, joint venture entre Cosan e Shell deve contratar banco para ver se aquisição faz sentido.

A Raízen, joint venture entre os grupos Cosan e Shell, vai contratar um banco nos próximos dias banco para avaliar as refinarias que foram colocadas à venda pela Petrobrás, apurou o Estado. Segunda maior distribuidora de combustíveis do País, atrás da BR Distribuidora, que pertence à estatal brasileira, a companhia não atua em refino no mercado nacional.

A distribuidora, que pertence ao empresário Rubens Ometto Silveira Mello, é apontada como uma das potenciais interessadas em adquirir parte desses ativos da Petrobrás. A estatal anunciou, em abril, que vai se desfazer de oito unidades, reduzindo à metade sua capacidade de produção. O Citigroup foi contratado pela petroleira para vender pelo menos quatro unidades.

Raízen entrou em distribuição de combustíveis e refino na Argentina. Foto: Sérgio Castro|Estadão

Na Argentina, a Raízen atua como distribuidora de combustíveis e na área de refino desde o ano passado, com a compra dos ativos internacionais da Shell, por US$ 950 milhões. Procurada, a Raízen não comenta o assunto. A Shell decidiu vender parte da área na qual atua como única controladora. A aquisição da Raízen no país vizinho marcou o processo de internacionalização da empresa, que até então só tinha negócios no Brasil.

Na sexta-feira, a Petrobrás definiu as primeiras quatro unidades de refino que serão vendidas – Abreu e Lima, em Pernambuco; Landulpho Alves, na Bahia; Getúlio Vargas, no Paraná; e Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. Nesse pacote de ativos, também há gasodutos, oleodutos e terminais.

A venda de refinarias da Petrobrás não será feita para um único comprador. Em entrevista recente ao Estadão/Broadcast, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás, disse que não vai criar monopólios regionais. A meta é vender 100% de cada unidade de refino. Além das distribuidoras de combustíveis, o negócio também interessar a tradings que já atuam no País.

Negócio atraente

“O refino no Brasil hoje é um bom negócio, não para a Petrobrás, que tem maior retorno investindo na exploração e produção. Mas para outros refinadores, se os preços continuarem acompanhando o mercado, mesmo com uma pequena diferença, é um ótimo negócio”, disse Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

No início da semana, a Petrobrás anunciou aumento de 3,9% no preço do diesel em suas refinarias. Segundo Pires, o reajuste do preço dos derivados nas refinarias é fundamental para garantir a venda de refinarias da Petrobrás. “O grande desafio (da venda) é a segurança regulatória (ausência da interferência do governo nos preços). Nosso passado nos condena”, disse.

Na terça-feira, os sindicatos de petroleiros entraram com uma ação popular contra a privatização das refinarias. A ação questiona desde a legalidade da venda à competência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que fez um acordo com a Petrobrás para reduzir sua concentração na área de refino. (O Estado de São Paulo 03/07/2019)

 

Açúcar: Pressão do petróleo

A queda do petróleo pressionou as cotações do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes do demerara para março recuaram 20 pontos, a 13,27 centavos de dólar a libra-peso.

A desvalorização do petróleo afeta a competitividade do etanol no Brasil, que está maior até do que na safra passada.

Um repasse da queda do petróleo à gasolina reduz a atratividade do etanol e as usinas podem preferir produzir açúcar. Até agora, porém, a produção de açúcar no Centro-Sul está menor nesta safra, e algumas áreas produtoras podem passar por geadas fracas nos próximos dias.

Na Índia, as chuvas de monções chegaram às regiões produtoras após atrasos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal teve alta de 0,34%, para R$ 61,29. (Valor Econômico 03/07/2019)

 

Biocombustível é prioridade para o governo, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse hoje (1º), após participar de reunião com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o biocombustível é meta de uma política pública definida pelo governo. “Acho que está sendo muito bem conduzida e que trará bastante investimento, com expectativa de R$ 1,3 trilhão em um período de dez anos. Ou seja, será geração de empregos, movimentando a economia”.

Albuquerque informou que durante a reunião fez uma apresentação sobre atuação da pasta e reforçou que, no caso da energia, está implementando governança, estabilidade regulatória e jurídica, previsibilidade para que os investimentos possam ocorrer. “Tudo isso somado gera credibilidade e competitividade, porque teremos investimentos e certamente o beneficiado final será o consumidor”.

Sobre o modelo de capitalização da Eletrobras, que estava previsto para ser anunciado até o final de junho, Albuquerque disse acreditar que o cronograma está sendo cumprido mesmo que com algum atraso. Ele explicou que será possível concluir o processo ainda este ano.

“Estamos cumprindo o cronograma que está sendo feito com método e vamos apresentar porque são vários atores envolvidos nisso. Temos que ver aquilo que implica em alteração de legislação se for o caso. Então é um processo bastante complexo, mas estamos cumprindo o cronograma. Um atraso de 30 dias é normal e isso pode ser revertido no futuro se esse processo for bem conduzido como está sendo”, disse.

Em março deste ano o ministro explicou que a meta do governo com a capitalização é permitir que a empresa continue investindo na expansão do setor elétrico sem a utilização de recursos da União. Com a capitalização, o Estado deve reduzir sua cota de ações aumentando, assim, a presença – e a participação nas decisões, dos investidores privados.

O ministério está delineando o modelo de ingresso de capital privado na estatal junto com o Ministério da Economia e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. (Agência Brasil 02/07/2019)

 

Com acordo EU-Mercosul, Unica acredita que valor exportado pode superar R$ 2 bi por ano

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) avalia que as quantidades estabelecidas no acordo recém anunciado entre União Europeia e Mercosul, quando plenamente atendidas, podem elevar o valor exportado para o bloco para mais de R$ 2 bilhões por ano.

Segundo a entidade, em anos anteriores, as exportações para a região totalizaram R$ 600 milhões (cálculo realizado levando em conta as mesmas condições de preço de 2018). Ainda conforme a Unica, o valor equivale a 7% do total obtido com a exportação de açúcar e etanol em 2018.

Em nota, a Unica explica que o acordo do Mercosul com a União Europeia prevê uma mudança nas cotas e tarifas de açúcar e etanol. “Fica zerado o imposto de importação sobre o volume de 180 mil toneladas de açúcar ao ano”, afirma.

Além disso, o volume de 562 milhões de litros de etanol ao ano para uso industrial entra no mercado sem tarifa e outros 250 milhões de litros recebem tarifas diferenciadas, conforme a aplicação, 0,064 euro/litro para etanol não-desnaturado (para todos os fins) e 0,03 euro/litro para etanol desnaturado (álcool com adição de substâncias para impedir o uso em bebidas, alimentos ou produtos farmacêuticos).

“Até o atual acordo, o açúcar do Brasil se enquadrava na cota CXL, de 412 mil toneladas, e na Erga Omnes, de 290 mil t, ambas com uma tarifa intra-cota de 98 euros por tonelada”, aponta a entidade. Com isso, no caso do etanol, era aplicada uma tarifa de 0,19 euro/litro para etanol não-desnaturado e de 0,10 euro/litro para etanol desnaturado. “[O valor cobrado] praticamente impedia o acesso ao mercado”, aponta.

Em nota, a Unica ainda reitera sua avaliação de que o “acordo foi uma grande conquista para o país” e parabeniza a diplomacia brasileira, destacando a atuação da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do Ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. “Trata-se de um passo importante e que pode levar a uma maior abertura comercial no futuro”, conclui. (UNICA 03/07/2019)

 

Incêndio em MS destrói 840 hectares e usina é multada em R$ 953 mil

Problema em trator teria provocado fogo, que consumiu 812 hectares de plantação e 28 hectares de reserva.

A destruição de 840 hectares de canavial e áreas de preservação ambiental e de reserva legal resultou em multa de R$ 953 mil, aplicada pela PMA (Polícia Militar Ambiental) a usina em Nova Andradina, a 300 quilômetros de Campo Grande.

Os responsáveis ainda poderão responder por incêndio culposo. Em nota, a PMA informou que recebeu denúncias de que teria ocorrido incêndio em área plantada de cana-de-açúcar em Nova Andradina.

Na segunda-feira (1º), os policiais foram ao local e, na vistoria, constataram que o incêndio começou em um trator usado na colheita da cana que teve problemas na parte elétrica, passando para canavial, reserva legal e APP (áreas de preservação permanente).

Segundo a PMA, o incêndio atingiu 812 hectares de plantação e 28 hectares de reserva e APP. A multa expedida pela polícia foi de R$ 953 mil, passível de alteração em caso de recurso.

A PMA informou que os responsáveis pela empresa podem responder por crime culposo por provocar incêndio em mata ou floresta, com pena de seis meses a um ano de detenção. (Campo Grande News 03/07/2019)