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Camil e Raízen ajustam pacto na área de açúcar

A Raízen Energia, joint-venture entre Cosan e Shell, não vai mais empacotar açúcar refinado destinado ao varejo. Transferiu essa atividade para a Camil, que é dona das marcas União e Da Barra e investiu R$ 100 milhões em uma nova fábrica em Barra Bonita, no interior de São Paulo, para receber e ensacar até 550 mil toneladas do produto ao ano.

Pelo novo acordo fechado, que não envolve venda de unidades, 100% de todo o açúcar refinado produzido pelas usinas da Raízen e destinado ao varejo será vendido à Camil nos próximos 40 anos. As empresas já tinham um acordo nessa frente, segundo o que a Raízen era responsável por ensacar 70% açúcar comercializado pela Camil com suas marcas.

"Para nós, sempre fez sentido controlar o empacotamento, como fazemos com arroz e feijão. O negócio da Raízen é moagem de cana e refino de açúcar, não vendas ao consumidor final", afirma Luciano Quartiero, presidente da Camil, que há mais de um ano já havia comentado sobre a intenção da empresa de assumir também o ensacamento do açúcar.

Os recursos para a construção da fábrica em Barra Bonita vieram do caixa da Camil, engordado após a empresa emitir R$ 1,6 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) nos últimos 24 meses. "Essas emissões, destinadas à compra de açúcar, são mais competitivas em termos de juros que recursos tradicionais, como os provenientes do BNDES. A estratégia nos permitiu ter mais dinheiro para investimentos", diz Flávio Vargas, diretor financeiro da empresa.

No novo acordo, também está prevista a destinação, pela Raízen, de um armazém que será usado pela Camil, em comodato, durante os 40 anos de fornecimento exclusivo do produto.

A unidade de ensacamento de açúcar é a 13ª fábrica da Camil no país. Foi instalada em um terreno de 67 mil metros quadrados, bem próxima ao armazém e à usina da Raízen em Barra Bonita. Toda a estrutura inclui 43 empacotadoras automáticas e 9 mil toneladas de capacidade de armazenamento. Ao lado também há um centro de distribuição que movimenta outros produtos da Camil, como arroz, feijão, pelos quais é mais conhecida a empresa de alimentos, cuja receita líquida se aproxima de R$ 5 bilhões por ano, e pescados.

Com a nova fábrica, a Camil fechou a unidade de Sertãozinho, também no interior paulista. Mas manterá a do Rio de Janeiro, onde tem capacidade de empacotar 144 mil toneladas de açúcar por ano.

As operações da Raízen de ensacamento em Barra Bonita e em Tarumã, também em São Paulo, foram fechadas. A companhia informou que conseguiu realocar parte dos funcionários demitidos no Centro de Distribuição da Camil, após negociação com a companhia de alimentos.

Em nota, a Raízen afirmou, ainda, que "agradece a todos os funcionários desligados neste momento pelo seu tempo de trabalho e dedicação" e esclareceu que, além de garantir o recebimento das verbas previstas em lei, preparou um pacote de benefícios que inclui um banco de currículo, que será compartilhado nas duas regiões, para que todos os desligados possam ter acesso a novas oportunidades.

Segundo Quartiero, da Camil, a nova fábrica da companhia garante uma capacidade de produção 25% superior à das unidades da Raízen, que eram obsoletas. A unidade também vai empacotar outros "tipos" de açúcar, cristal, de confeiteiro, em cubos, premium, demerara, orgânico, mascavo e a linha fit. A empresa também manterá as operações com açúcar cristal em Aparecida de Goiânia (GO) e no porto de Suape (PE).

Pelo acordo, a Raízen Energia, que registrou receita líquida de quase R$ 60 bilhões em 2018, fica livre para comercializar e ensacar açúcar cristal (não refinado) e outras variedades com qualquer outra companhia. (Valor Econômico 08/07/2019)

 

Açúcar: Outra vez

Projeções de excedente de oferta pressionaram os contratos de açúcar demerara na sexta-feira em Nova York.

Os contratos para março caíram 12 pontos, a 13,30 centavos de dólar a libra-peso. Relatório da Organização Internacional do Açúcar (OIA) avaliou que "o superávit exportável da Índia excede 2 milhões de toneladas, o que pode ser superado pela liberação de algumas milhões de toneladas de açúcar dos estoques".

Na semana passada, a Associação das Usinas de Açúcar Indiana (ISMA) projetou queda de 14% na produção de açúcar para a próxima safra.

Para a OIA, não está claro qual deverá ser a produção da Índia na próxima temporada.

No Brasil, o indicador do açúcar cristal Cepea/Esalq em São Paulo ficou em R$ 60,19 a saca de 50 quilos, recuo de 0,94%. (Valor Econômico 08/07/2019)

 

Etanol hidratado sobe 1,6% e anidro avança 2,48% nas usinas de São Paulo

O etanol hidratado subiu 1,6% nas usinas paulistas entre segunda-feira, 3, e esta sexta, 7. O litro semanal do combustível variou de R$ 1,6228 para R$ 1,6487, em média, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro subiu 2,48% na semana, de R$ 1,8522 para R$ 1,8982 o litro, em média. (Reuters 08/07/2019)

 

Tereos sai de lucro para prejuízo líquido consolidado de R$ 401 mi em 2018/19

A Tereos Açúcar e Energia Brasil S.A. relatou prejuízo líquido consolidado de R$ 401 milhões na safra 2018/2019, encerrada em 31 de março, segundo balanço da companhia divulgado nesta sexta-feira. Com isso, a sucroenergética reverte o lucro de R$ 33 milhões obtido em 2017/2018.

O resultado inclui as sete usinas de açúcar, etanol e bioenergia do Brasil e uma unidade em Moçambique.

A companhia relatou receita consolidada de R$ 3,07 bilhões em 2018/2019, 15,9% menor em relação à da safra anterior, de R$ 3,65 bilhões. De acordo com comunicado, a redução no faturamento foi por causa de “quedas nos preços do açúcar e etanol, além da estiagem sofrida durante a safra, gerando uma queda na colheita de cana”.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado na safra 2018/2019 foi de R$ 536 milhões, baixa de 44% ante o Ebitda ajustado de R$ 952 milhões na safra 2017/2018. Os investimentos em 2018/2019 somaram R$ 741 milhões, recuo de R$ 37 milhões, ou 4,8%, sobre os R$ 778 milhões da safra anterior.

Com dívida líquida total consolidada de R$ 3 bilhões, alta de 30,4% ante os R$ 2,3 bilhões no período anterior, a relação dívida líquida versus Ebitda ajustado saltou de 2,4 vezes para 5,7 vezes no encerramento de 2018/2019. A alta, segundo comunicado da Tereos Açúcar e Energia Brasil é fruto da alta do dólar, que puxou a dívida, além do recuo do próprio Ebitda ajustado.

Operacional

A Tereos Açúcar e Energia Brasil processou 17,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2018/2019, 17,6 milhões de toneladas nas sete usinas do Brasil e o restante na usina de Moçambique. O volume representa queda de 13% sobre o total de 20,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas em 2017/2018, um recorde da companhia.

A produção de açúcar Tereos Açúcar e Energia Brasil variou de 1,6 milhão para 1,4 milhão de toneladas, queda de 12,5% entre as safras. Já a oferta de etanol avançou 4,6%, entre os períodos, de 646 milhões para 676 milhões de litros. O teor de sacarose, medido pelo açúcar total recuperável (ATR) ficou estável, em 141,4 quilos de açúcar por tonelada de cana processada, segundo a companhia. (Agência Estado 05/07/2019)

 

Empresas de biocombustível fazem fila para emitir debêntures incentivadas

A aprovação da portaria no Ministério de Minas e Energia (MME) permitindo que empresas da cadeia do biocombustível captem recursos por meio das debêntures de infraestrutura já criou uma fila de interessados nos bancos de investimento e nos escritórios de advogados. Pelo menos 10 empresas da cadeia de açúcar e etanol já estariam, inclusive, cotando esses profissionais para conduzir os trabalhos. A permissão é relevante para esse setor, que basicamente se financia no mercado de capitais via Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA).

Vantagens

A debênture de infraestrutura pode alcançar prazo mais longo do que os CRAs, que têm sido emitidos com vencimento em torno de cinco anos, além de assegurar custo de captação mais atraente pelo impacto da isenção do imposto de renda para o investidor. A expectativa do mercado é que as primeiras operações comecem a sair em cerca de dois meses.

Disparou

O volume de debêntures de infraestrutura emitidas em 2018 alcançou R$ 24 bilhões, com crescimento de mais de 150%, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). De janeiro a abril deste ano, foram colocados no mercado R$ 5,2 bilhões, montante 28% inferior ao mesmo intervalo de 2018. Nesse caso, a queda é explicada pelo boom de emissões do ano anterior. (O Estado de São Paulo 07/07/2019 às 08h: 36m)

 

MT tem a menor alíquota para comercialização de etanol, diz Sefaz, por enquanto

Percentual de 10,5% deve subir para 12,5%, ficando acima do cobrado por São Paulo.

Um levantamento feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) aponta que a alíquota de ICMS para comercialização de etanol em Mato Grosso é a menor do país. Atualmente, o percentual é de 10,5%.

De acordo com o estudo, os percentuais da alíquota nos estados que fazem divisa com Mato Grosso é o seguinte: Tocantins, 29%, Rondônia, 26%, e no Amazonas, Pará, Mato Grosso do Sul e Goiás é cobrado 25%. Entre os estados mais distantes, como Rio Grande do Sul, a alíquota é de 30%.

“Hoje, apenas São Paulo está perto de Mato Grosso, com a tarifa do ICMS que incide sobre o etanol, de 12%”, afirmou Mauro Mendes. Os dados estão contidos no projeto de revisão da carga tributária no estado apresentado pelo governo à Assembleia Legislativa (ALMT). A proposta criou polêmica em diversos setores.

No caso do etanol, o projeto prevê uma elevação de 2%, para o mercado interno. Ou seja, passará de 10,5%, para 12,5%. Nas operações interestaduais, a carga tributária deverá ficar em 6%, menor do que a aplicada atualmente.

Segundo o empresário e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz, um grupo empresarial americano, que atua no setor de combustíveis e do qual ele é sócio – teria desistido de investir em Mato Grosso com o aumento na alíquota. A informação é do portal O Livre.

Para rebater essa crítica, o governador Mauro Mendes (DEM) afirmou que a Indústria Paraguaya Alcoholes S.A (Inpasa) deve investir R$ 5 bilhões nos próximos anos em Mato Grosso.

Aumento em diversos setores

O projeto, que tem 54 artigos propõe a revisão no recolhimento de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS), nos setores da indústria, comércio, agronegócio e energia.

A expectativa, segundo o governo do estado é de que, se aprovada, a lei gere um incremento de R$ 500 milhões aos cofres públicos, a partir de 2020. (G1 07/07/2019)