Setor sucroenergético

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Cargill versus agricultores do cerrado

As associações de produtores de soja do Piauí e do Maranhão estão liderando um boicote contra a Cargill. Trata-se de uma represália à decisão da trading norte-americana de investir US$ 30 milhões em um fundo antidesmatamento na região do Cerrado.

As entidades do agronegócio alegam que a “boa ação” da companhia lança sobre os produtores da região a pecha de desmatadores. Mais do que um carimbo simbólico, o rótulo pode trazer prejuízos financeiros aos agricultores, uma vez que várias tradings internacionais têm se recusado a comprar grãos produzidos em áreas devastadas.

Os produtores rurais, inclusive, acusam a Cargill de estar agindo deliberadamente com o objetivo de pressionar os preços da soja em benefício próprio. O assunto deverá chegar ao Congresso: a bancada ruralista já articula uma moção de repúdio à companhia norte-americana.

Segundo informações filtradas da própria Cargill, os norte-americanos tratam a reação dos produtores como um blefe. A empresa aposta que eles não terão fôlego suficiente para sustentar o boicote. (Jornal Relatório Reservado 08/07/2019)

 

Raízen nega ter contratado banco para avaliar refinarias da Petrobras

A Cosan negou que a Raízen tenha contratado um banco para avaliar a compra de refinarias da Petrobras, mostra fato relevante divulgado nesta sexta-feira (5).

Na última quarta-feira (3), o Estadão informou que a Raízen, joint venture dos grupos Cosan e Shell, irá contratar um banco para estudar uma possível aquisição de refinarias da Petrobras.

“As companhias esclarecem que, apesar de constantemente analisarem oportunidades de novos investimentos e manterem contato com diversos participantes do mercado, não houve contratação de qualquer instituição financeira para avaliar as refinarias da Petrobras colocadas à venda”, esclarece o comunicado.

As vendas de refinarias da Petrobras fazem parte do programa de desvestimento para diminuir as dívidas da companhia e aumentar a concorrência no setor.

No dia 28 de junho, a empresa anunciou que iria vender quatro unidades de refino: Abreu e Lima, em Pernambuco; Landulpho Alves, na Bahia; Getúlio Vargas, no Paraná; e Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. (Money Times 08/07/2019)

 

Geada afeta canaviais de Ribeirão Preto, mas reflexos só devem ser percebidos em dez dias

Frio intenso pode danificar parte nova das plantas causando a morte ou reduzindo o acúmulo de sacarose, essencial à produção de açúcar. Produtores estão apreensivos.

Pendão na cana-de-açúcar é sinal de menor produtividade da planta, diz produtor

A geada provocada pela queda da temperatura na região de Ribeirão Preto, em São Paulo, preocupa produtores de cana-de-açúcar. É que o gelo formado sobre as plantas incide diretamente na qualidade da matéria-prima e pode comprometer o acúmulo de sacarose, essencial para a produção de açúcar.

Entre a noite de sábado (6) e a madrugada de domingo (7), várias cidades registraram geada. Em Sertãozinho (SP), os termômetros chegaram a registrar 1,6°C. Apesar da preocupação, agricultores e especialistas só poderão estimar o impacto sobre a lavoura atingida em dez dias.

“É quando o estrago se estabelece definitivamente. Hoje, você tem um amarelamento, um branqueamento superficial, que dá para ver a olho nu. Esse amarelamento pode se reverter ou pode se intensificar dependendo do dano causado”, afirma o produtor Marcelo Ravagnani.

Segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), até o fim da primeira quinzena de junho, as usinas da região Centro Sul moeram 42,37 milhões de toneladas. O resultado indica uma leve queda de 3,92%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A safra 2019/2020 teve início em abril, com previsão de moagem total de 632 milhões de toneladas da matéria-prima.

Ravagnani planta 360 hectares de cana-de-açúcar em Batatais (SP). Ele acredita que o frio intenso possa ter prejudicado a plantação. Se isso se confirmar, previsões feitas por representantes do setor serão impactadas. Um sinal ruim na lavoura do produtor é a presença do pendão na planta, causado pelo estresse do frio.

“Ela acionou o modo emergência. A maneira dela se perpetuar é ela se reproduzir. Então, ela solta o pendão, para de acumular sacarose, para de crescer e começa a se defender, visando a perpetuação. Isso ocasiona perda de peso e de matéria-prima para a usina”, relata.

De acordo com o engenheiro agrônomo Rodrigo Ortolan, o período seco contribuiu para a colheita, mas se a geada afetou a cana que está pronta para ser colhida, a planta entra em um rápido processo de deterioração.

O especialista explica que, em todas as culturas, a geada afeta a parte mais jovem da planta e pode causar a morte dela, dependendo da intensidade.

“Com a cana nova, ela vai matar a gema apical, que fica no começo das folhas [próximo ao chão]. Matando essa gema, a cana para de crescer e começa a necrosar. Ela vai morrer totalmente e vai renascer. Ela rebrota, mas o produtor perde todo o dinheiro investido até o momento”, diz Ortolan, ao se referir a gastos com insumos para a lavoura.

Segundo o engenheiro agrônomo, com a planta já adulta, a área mais nova do caule é considerada a mais frágil.

“É nesses tecidos mais novos que a geada vai agir, matando esses tecidos. A partir disso, a cana começa a se deteriorar e vai perdendo as boas qualidades. Vai perder açúcar, vai aumentar a fibra, pode haver entrada de bactérias e fungos que podem contaminar a usina”, explica.

Ortolan afirma que ainda é cedo para estimar prejuízos, mas diz que, se houver muitas perdas, os reflexos poderão ser percebidos nos preços.

"As usinas vão ter que modificar o programa de colheitas delas para começar a colher essas canas rapidamente, para que não tenha perda por qualidade ou venha a contaminar as suas unidades”, afirma e complementa: “Todo mundo vai querer ter a sua cana colhida para amenizar os efeitos negativos da geada e não tem como colher de todo mundo”. (G1 09/07/2019)

 

Indicador do açúcar começa julho em queda nas usinas de São Paulo

As cotações do açúcar cristal recuaram na primeira semana de julho no mercado paulista. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP, compradores continuaram presentes nas negociações, sustentando a liquidez.

Em nota, o Cepea afirma que o mercado spot ainda tem boa oferta do cristal, mas a quantidade pode diminuir, uma vez que as unidades de processamento seguem com o mix de produção maior para o etanol.

De 1º a 5 de julho, a média do Indicador Cepea/Esalq, cor Icumsa de 130 a 180, mercado paulista, foi de R$ 60,86/saca de 50 kg, recuo de 1,36% em relação à média de 24 a 28 de junho (de R$ 61,69/saca de 50 kg). (Reuters 09/07/2019)

 

Plínio Nastari fala dos possíveis impactos da geada para a safra de cana-de-açúcar

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, participou de uma reunião com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig). O encontro aconteceu na tarde da segunda-feira (8), em Uberaba (MG).

Na ocasião, Nastari também concedeu entrevista ao Portal Siamig. Ele falou sobre os possíveis impactos da geada no canavial e a safra de cana-de-açúcar de modo geral.

Já é possível falar sobre o impacto da geada do final de semana, que atingiu as lavouras de cana em algumas regiões produtoras do país, como Minas Gerais?

Estamos recém saindo do episódio de geada. A identificação do impacto na cana ainda não está quantificada, mas poderemos ter uma visão melhor disso daqui a um ou dois dias. Talvez essa onda de frio possa acarretar um amadurecimento maior do canavial, não sabemos ainda se houve morte de gema apical e se a cana que tinha brotado, a cana plantada, foi danificada. Precisamos aguardar os levantamentos.

Isso pode impactar a safra como um todo?

De regra geral, a safra começou atrasada. Porém, comparado com o ano passado, este período foi parcialmente compensado no final de maio porque, no ano passado, tivemos cinco dias e meio de interrupções em função da greve dos caminhoneiros. Além disso, o tempo seco nesses últimos 25 dias também contribuiu para diminuir o gap de moagem. No entanto, estamos verificando um menor rendimento industrial que está pesando, mas é uma safra que está com uma oferta de ATR (açúcar recuperável) ligeiramente menor do que no ano passado, compensada pelo maior volume de cana. Devido às chuvas deste ano, mais bem distribuídas, o rendimento da cana não está tão elevado, diferente do ano passado, quando o ATR foi alto por causa do período mais seco, favorecendo uma concentração maior de sacarose.

E a produção?

Estamos prevendo uma produção recorde de etanol e um consumo acelerado durante todo o ano. Mesmo com a queda da gasolina na refinaria, a competitividade do etanol tem se mantido elevada nas bombas, já que as distribuidoras não estão repassando as reduções da gasolina para o consumidor. Já o consumo de etanol está entre 38% e 42% maior que no ano passado e, para maior equilíbrio do mercado, o preço do etanol deverá subir na produção. (Siamig 10/07/2019)

 

Acordo UE-Mercosul: governo divulga tarifas e cotas de produtos agrícolas

O Ministério da Agricultura divulgou nesta segunda-feira (8) como ficarão as tarifas e cotas para produtos agrícolas brasileiros vendidos para o mercado europeu quando o acordo UE-Mercosul entrar em vigor.

“Cerca de 99% das exportações agrícolas brasileiras terão as tarifas eliminadas (zeradas) ou parcialmente reduzidas. Aproximadamente 82% dos produtos agrícolas terão acesso livre ao mercado europeu e o restante ampliará a participação por meio de cotas preferenciais fixas”, disse o ministério.

Para açúcar, a cota é de 180 mil toneladas, com tarifa intracota eliminada assim que o pacto entrar em vigor, o Paraguai tem cota específica de 10 mil toneladas com tarifa intracota zero. Já para etanol, a cota é de 450 mil toneladas de etanol industrial, com tarifa intracota zero na vigência do acordo, 200 mil toneladas de etanol para outros usos, com tarifa intracota equivalente a 1/3 da aplicada na Europa (6,4 ou 3,4 euros/hectolitro) e volume crescente em cinco anos.

Entre os demais produtos que terão acesso ampliado por meio de cotas tarifárias, o ministério destacou o já noticiado tratamento para carne bovina (99 mil toneladas peso carcaça, 55% fresca e 45% congelada), com tarifa intracota de 7,5% e volume crescente em cinco anos. Para a cota Hilton (10 mil toneladas), a tarifa intracota de 20% será zerada na entrada em vigor do pacto.

Quanto à carne de aves, a cota é de 180 mil toneladas de peso carcaça (metade com osso e metade desossada), com tarifa intracota zero e volume crescente em cinco anos. No caso da carne suína, são 25 mil toneladas, com tarifa intracota de 83 euros por tonelada e volume crescente em cinco anos.

Tarifa zero

Entre os produtos que terão tarifas totalmente eliminadas, o ministério destacou abacates (a alíquota de 4% será zerada em quatro anos), limões e limas (a alíquota de 14% será retirada em 7 anos), maçãs (a alíquota de 10% será extinta em 10 anos); melancias (a alíquota de 9% será eliminada em 7 anos); melões (alíquota de 9% será abolida em 7 anos) e uvas frescas de mesa (alíquota de 11% será zerada assim que o pacto entrar em vigor, mantido o preço de entrada).

Para o café torrado e solúvel, a atual alíquota de 9% será eliminada em quatro anos. O acordo também prevê que parte do café verde importado pela UE para café torrado (40%) e café solúvel (valor agregado entre 40% e 50%) deve vir do Brasil. Para fumo manufaturado, as alíquotas de 10% a 75% devem ser retiradas em sete anos, enquanto para fumo não manufaturado as alíquotas de 5% a 11% serão extintas em quatro anos.

Quanto a óleos vegetais, a tarifa será zerada imediatamente. O acordo também prevê que 80% dos pescados frescos e congelados (incluindo camarões, lagostas e filés de bonito congelados) terão livre comércio a partir da vigência do acordo. Já preparações de bonito e sardinha terão tarifas retiradas em dez e sete anos, respectivamente. As tarifas para tilápias congeladas e outros camarões serão zeradas em 4,7 e 10 anos, respectivamente. (Agência Estado 10/07/2019)