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Bunge e BP estão negociando criação de joint venture de açúcar e etanol no Brasil

Bunge contratou o Itaú como consultor, dizem fontes; parceria pode triplicar a capacidade de esmagamento de cana da BP.

A gigante norte-americana de agronegócios Bunge está negociando com a petrolífera britânica BP para formar uma joint venture de açúcar e etanol no Brasil, segundo pessoas a par do assunto.

De acordo com as fontes consultadas, as empresas estariam em negociação para combinar as operações no país, um dos maiores produtores de cana-de-açúcar e etanol do mundo. As pessoas pediram para não serem identificadas porque a informação é privada.

Assim, Bunge e BP estariam atualmente avaliando seus ativos de açúcar e etanol para chegar a um acordo sobre o tamanho da participação de cada empresa. A Bunge, inclusive, teria contratado o banco brasileiro Itaú Unibanco Holding SA como consultor, disseram as pessoas.

Até o momento, as companhias ainda não chegaram a uma decisão final, sendo que as negociações podem não produzir um acordo.

Porta-vozes da Bunge e da BP não quiseram comentar o assunto.

Motivações da parceria

Unir forças com a Bunge pode triplicaria a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da BP no Brasil. Além disso, a criação de uma joint venture permitiria que a Bunge, sediada nos Estados Unidos, separasse uma empresa em dificuldades – uma estratégia semelhante à adotada pela Shell e pela Cosan, que criaram a Raízen em 2010.

Nos últimos anos, as companhias de açúcar têm lutado para ganhar dinheiro, pois as safras recordes da Tailândia e da Índia pressionaram os preços da commodity e reduziram a volatilidade.

A Bunge, que vendeu seus negócios de comércio de açúcar para a trading Wilmar International, sediada em Cingapura, vinha explorando opções para seus negócios de moagem no Brasil. No ano passado, a empresa afirmou que atrasaria uma oferta pública inicial da unidade devido às condições do mercado.

A BP começou a produzir etanol no Brasil em 2008 e suas três usinas atualmente têm capacidade para moer 10 milhões de toneladas de cana por ano. A Bunge possui oito usinas com capacidade para processar 22 milhões de toneladas. (Bloomberg 11/07/2019)

 

MP do TCU rejeita renovação da Rumo

O Ministério Público do Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a rejeição da renovação antecipada da concessão ferroviária da Malha Paulista, operada pela Rumo, empresa de logística controlada pelo grupo Cosan.

O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que analisava o caso desde o fim de março, pediu a rejeição da prorrogação do contrato. Ele alega não enxergar vantagens à sociedade brasileira na renovação e diz preferir uma nova licitação da ferrovia após o término do contrato, previsto para dezembro de 2029.

A renovação por mais 30 anos da concessão, em troca de investimentos de cerca de R$ 7 bilhões, já tinha ganhado o aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da área técnica do TCU, que aprovou a medida mediante algumas alterações no termo aditivo do contrato.

Agora, com o parecer do procurador em mãos, o relator do processo, o ministro Augusto Nardes, irá elaborar seu relatório final - que não necessariamente acatará a opinião do Ministério Público - e encaminhá-lo para o plenário do tribunal.

O relatório foi considerado rigoroso, mas já era esperado pela companhia, segundo apurou o Valor. Pelo perfil de Oliveira, que já havia sido contrário ao leilão do tramo central da Ferrovia Norte-Sul, e pelo prazo de análise, de mais de três meses, o setor já previa objeções ao projeto.

Apesar do revés, a expectativa do governo federal, da companhia e do mercado é que os ministros concordem com a renovação, ainda que com algumas alterações nos termos, afirmam fontes. Após a divulgação do parecer negativo, os papéis da Rumo terminaram o pregão de ontem na B3 em alta de 1,24%.

A prorrogação do contrato da Malha Paulista é considerada estratégica pelo setor e pelo governo porque é o primeiro pedido de renovação antecipada de uma ferrovia a ser analisado pelo TCU. Há outros quatro projetos do gênero já qualificados pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que antecipariam cerca de R$ 30 bilhões de investimentos no setor, segundo o governo.

Uma das críticas feitas pelo procurador é que a ANTT não considerou, em sua análise, a possibilidade de os investimentos previstos na renovação antecipada serem feitos mesmo sem a prorrogação. Ele sugere que isso seja realizado por meio de outra concessão da Rumo, a Malha Norte, que, juntamente com a Malha Paulista, forma um corredor entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos (SP).

Apesar de deixar clara sua oposição à prorrogação, Oliveira incluiu uma série de recomendações de mudanças no aditivo, caso o TCU opte pela renovação.

A expectativa é que o ministro relator do tribunal acate algumas das alterações sugeridas, o que, a princípio, não deverá representar um grande entrave, já que a maior parte delas foi considerada aceitável pelo grupo, segundo fontes de mercado.

Uma delas é a determinação de que, caso a renovação se concretize, a companhia terá que quitar suas dívidas bilionárias com o poder concedente, decorrentes, por exemplo, de multas, abrindo mão de todos processos judiciais e administrativos. O argumento é que seria incoerente estender um contrato com uma empresa que tem litígios em aberto com a União.

Outro ponto questionado é que os investimentos adicionais propostos pela empresa seriam amortizados antes dos 30 anos de prorrogação, e que, portanto, haveria um "excesso de prazo", o que poderia ser corrigido por meio de sua redução ou pelo pagamento de uma outorga adicional ao governo federal.

O procurador questionou a solução que havia sido apresentada para a questão, reservar um valor adicional de investimentos, destinados a futuras obras para mitigar conflitos urbanos nos municípios por onde passa a ferrovia. Ele afirma que esses empreendimentos não são de responsabilidade da União, e sim dos municípios ou da própria concessionária. No entanto, Oliveira já apresenta uma recomendação para o caso de essa saída ser aceita pelo tribunal: as obras deverão estar "previamente projetadas, orçadas e aprovadas, com cronograma físico financeiro de execução".

Como essa questão já havia sido levantada pela área técnica do TCU, a Rumo vinha trabalhando em um detalhamento dessas obras desde março, o que poderá elevar os investimentos em conflitos urbanos de R$ 1,3 bilhão (como calculado inicialmente) para até R$ 2 bilhões.

Procurada pela reportagem, a Rumo afirmou, em nota, que "vem cumprindo todos os requisitos legais para a renovação" e que os investimentos trarão um aumento de 150% de capacidade de transporte na via, o que "elevará a eficiência de escoamento do agronegócio brasileiro e na movimentação de cargas industriais destinadas, principalmente, ao mercado interno". (Valor Econômico 11/07/2019)

 

Açúcar: Na esteira do petróleo

As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, em paralelo à valorização do petróleo e sustentadas pela queda do dólar ante o real.

Os lotes do demerara para março subiram 13 pontos, a 13,47 centavos de dólar a libra-peso.

A valorização do fóssil torna o etanol mais competitivo no Brasil, desestimulando ainda a produção do adoçante.

Ontem, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a produção do Centro-Sul no primeiro trimestre da safra (de abril a junho) ficou 900 mil toneladas menor do que no mesmo período da safra anterior.

Além disso, os investidores ainda aguardam informações sobre os impactos das geadas nos canaviais.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal subiram 0,43% ontem, para R$ 60,23 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 11/07/2019)

 

Açúcar avança na ICE e outubro é negociado a 12,50 cents/libra

Os contratos futuros do açúcar fecharam em alta na ICE nesta quarta-feira. O açúcar bruto para outubro fechou em alta de 0,15 centavo de dólar, ou 1,2%, a 12,50 centavos de dólar por libra-peso.

A região centro-sul do Brasil produziu 2,19 milhões de toneladas de açúcar na segunda quinzena de junho, 4% a menos que em igual período do ano passado, informou a Unica.

Até esta quarta-feira, as chuvas de monções na Índia registravam níveis semanais acima da média pela primeira vez desde o início da temporada, em 1º de junho, reduzindo as preocupações com secas.

O contrato agosto do açúcar branco fechou em alta de 2,10 dólares, ou 0,7%, a 321,40 dólares por tonelada. (Reuters 11/07/2019)