Setor sucroenergético

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Fundador da Ouro Fino investe R$ 3 milhões em startup agrícola

O empresário Norival Bonamichi, sócio-fundador da indústria veterinária Ouro Fino e da empresa de mesmo nome que atua no segmento de agrotóxicos, investiu R$ 3 milhões na startup agrícola Perfect Flight.

O aporte avaliou a startup em cerca de R$ 25 milhões. Com a compra, Bonamichi terá 12% do capital da Perfect Flight e será o presidente do conselho da companhia.

Pelos termos do acordo assinado com a startup, o fundador da Ouro Fino poderá investir outros R$ 3 milhões caso a companhia cumpra “metas pré-estabelecidas”.

Sediada em São João da Boa Vista (SP), a Perfect Flight desenvolveu um sistema que permite analisar a qualidade da aplicação de agrotóxicos pulverizados por avião.

Entre os clientes da empresa, estão grupos com a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell que lidera a produção mundial de açúcar.

Em nota, a Perfect Flight informou que o investimento de Bonamichi deve ajudar a companhia expandir sua atuação para América Latina, Estados Unidos e Europa. (Valor Econômico 15/07/2019 às 20h: 40m)

 

Prêmio VisãoAgro Centro-Sul chega à 10ª edição em 2019

Premiação tem como intuito homenagear as empresas, entidades e profissionais ligados à cadeia produtiva da cana-de-açúcar que se destacaram no último ano

A 10ª edição do Prêmio VisãoAgro Centro-Sul acontece na noite de 23 de julho, em Piracicaba/SP e reunirá cerca de 300 profissionais do agronegócio. Vertente de uma das mais tradicionais premiações do setor sucroenergético, o Prêmio VisãoAgro Centro-Sul é concedido a profissionais, empresas e entidades que fizeram a diferença e desenvolveram seus negócios com excelência e em prol do setor sucroenergético em diversas áreas do segmento, sendo que, dessa vez, cerca de 90 prêmios serão entregues.

Com desempenho agrícola considerado excelente, a BEVAP Bioenergia é uma das vencedoras deste ano, na categoria “Inovação Tecnológica Agrícola”. A usina mineira, localizada em João Pinheiro (MG), é referência no setor agrícola, com plantio e colheita 100% mecanizados com equipamentos modernos e monitorados via satélite, o que possibilita mais precisão e eficiência no processo.

Com canaviais próprios e parcerias com fornecedores de cana, a usina, que tem capacidade de moagem de 3,2 milhões de toneladas de cana por safra, deve atingir essa produção nesta temporada. “A premiação é muito importante. Com todo o nosso esforço, trabalho, comprometimento e foco em inovação e sustentabilidade. O prêmio significa que estamos no caminho certo”, afirma a empresa.

Troféu Visão Empreendedor

Para comemorar a décima edição do prêmio, o Grupo VisãoAgro lançou o Troféu Visão Empreendedor, uma homenagem para aqueles que estão empreendendo com sucesso. “O novo prêmio irá homenagear os principais empreendedores da atualidade, empresas que estão se desenvolvendo, se destacando pelo empreendedorismo. Esse é o nosso objetivo, reconhecer e incentivar aqueles que, apesar das adversidades, buscam alternativas para crescer, desenvolver com sustentabilidade e excelência”, afirma Alex Mahal, diretor da VisãoAgro, organizadora do evento.

A Quadrante Logística, transportadora que oferece soluções para todo tipo de transporte de cargas, é uma das vencedoras nesta primeira edição do prêmio. Para a empresa, com sede em Sertãozinho/SP, a homenagem significa o reconhecimento de um árduo trabalho que está desenvolvendo com projetos e processos tecnológicos inovadores para facilitar e fluir a malha rodoviária nacional no segmento sucroenergético.

“Estamos com diversos projetos em curso que, em breve, irão assumir suas funções e papel de destaque para o setor. Talvez um dos projetos mais relevantes para o segmento, foi o lançamento da plataforma que integra nossa malha rodoviária ociosa, aos principais sistemas de gestão das indústrias”, explica Gustavo Lucera, diretor comercial da Quadrante Logística.

Com boa expectativa em relação a novos negócios, a empresa vislumbra um futuro melhor para o setor logístico. “Estamos extremamente otimistas com os cenários que estão sendo desenhados e construídos em nossa economia. Temos plena convicção que as decisões pontuais que estão em pauta na esfera política, farão com que nosso país tenha cada vez mais relevância no mercado internacional, e destrave investimentos até então engavetados”, ressalta o diretor.

Segundo ele, todos da Quadrante Logística estão muito engajados e aderentes aos movimentos e rumos tecnológicos que a “Industria 4.0” está tomando. “Decisões estratégicas e investimentos em tecnologia, é algo que nos faz projetarmos e acreditarmos em um futuro muito mais compartilhado e sustentável, como ocorre em outros países, como por exemplo os Estados Unidos”, conclui Lucera.

Prêmio VisãoAgro

Criado em 2003, pelo jornalista Alex Ramos, o Prêmio VisãoAgro Brasil tornou-se um dos principais eventos sociais do setor agroindustrial nacional da cana-de-açúcar, reconhecendo pessoas, empresas e instituições que vêm ajudando a estabelecer os padrões de Qualidade e Competitividade deste que é um dos principais segmentos econômicos do país.  Ao longo de suas últimas edições (às quais se somou à edição Centro-Sul, a partir de 2007, intitulado Visão Agro Centro-Sul), o evento foi prestigiado por um público qualificado, tendo homenageado cerca de mil empresas e 300 personalidades do setor sucroenergético.

Serviço:

Prêmio VisãoAgro Centro-Sul 2019

Dia: 23 de julho de 2019

Hora: 20 horas

Local: Espaço Eventos Beira Rio, rua Luiz de Queiroz, 51 - Centro, Piracicaba -SP-

Informações Imprensa:

Visão Agro

(16) 3041 - 5035 / (16) 3041-2002

 

Excesso de estoque de açúcar é desafio para usinas do país

Diante da redução do protagonismo do Brasil no comércio global de açúcar e do endividamento excessivo de alguns dos principais grupos sucroalcooleiros do país, a capacidade industrial do setor poder sofrer um "enxugamento" no médio prazo, segundo usineiros, executivos e analistas.

Embora existam oportunidades de longo prazo para os grupos em melhor situação financeira, o RenovaBio deve estimular a produção de etanol, as usinas do Centro-Sul enfrentam a concorrência do açúcar asiático e podem ter um crescimento limitado em etanol de cana devido à ascensão do etanol de milho na região Centro-Oeste.

A dificuldade atual é a sobreoferta de açúcar no mundo. Mesmo que se confirmem as estimativas de déficit na safra global 2019/20, que começa em outubro, os estoques estão mais folgados após dois ciclos que acumularam um excedente de 11 milhões de toneladas. Pelas últimas estimativas da Organização Internacional do Açúcar (OIA), os estoques finais da atual safra baterão o recorde de 94 milhões de toneladas, suficientes para seis meses de consumo.

A sobreoferta de açúcar decorre em grande parte dos subsídios indianos, que tiraram o Brasil da liderança da produção e estão sendo questionados na Organização Mundial do Comércio (OMC). Mesmo a liderança brasileira em exportações vem caindo. Pelas últimas estimativas da OIA, Índia e Tailândia representarão 28% das exportações de açúcar na temporada 2018/19, ante 31% do Brasil. Duas safras atrás, essas participações eram de 14% e 45%, respectivamente.

Não bastasse o estoque abundante, importantes grupos do setor sofrem com a estrutura da capital inadequada, em parte fruto dos agressivos investimentos feitos na década passada. Parte dessa crise também está associada ainda ao congelamento dos preços da gasolina no governo Dilma Rousseff, que prejudicou a rentabilidade do etanol.

"O setor saiu de 200 milhões de toneladas de capacidade em 2000 para 600 milhões de toneladas, foi para áreas que não tinham a mesma eficiência das áreas originais e o custo marginal foi crescendo, acreditando-se que a receita marginal seria igualmente recompensadora. Agora, a indústria tem que tirar os players menos eficientes para voltar a crescer", afirmou o analista Thiago Duarte, do BTG Pactual, em apresentação feita em evento em São Paulo.

No setor, a perspectiva de que mais usinas vão fechar as portas foi reavivada neste ano pelos pedidos de recuperação judicial dos grupos Santa Terezinha e Atvos, braço sucroalcooleiro da Odebrecht. De acordo com levantamento da consultoria RPA, atualmente 90 unidades do setor estão submetidas a recuperação judicial. Dois anos atrás, eram 52. Também há mais unidades paradas: 101, ante 97 um ano atrás.

Para empresários e executivos ouvidos pelo Valor, mais pedidos de proteção contra credores podem surgir, sobretudo de grupos menores, dificultando a situação de quem há tempos pendurou a placa de "vende-se" à porta, mesmo sem estar protegido de credores.

A Santa Terezinha está operando em sete de suas nove unidades e ainda não apresentou seu plano de recuperação. Para um usineiro paulista, que preferiu não ser identificado, a companhia tem unidades com pouca escala e custo elevado que dificilmente atrairão um comprador. O grupo paranaense pediu proteção judicial em março.

A Atvos, que está operando em oito de nove usinas, deve apresentar um plano até o fim do mês. Conforme apurou o Valor, cogita-se manter os ativos. Um executivo de uma grande companhia, que pediu anonimato, acha difícil que a Atvos conseguir vender usinas na "última fronteira" da cana, o Centro-Oeste. Procurados, os dois grupos não quiseram comentar.

Os grupos que entraram em recuperação judicial não são os únicos em dificuldades. A Biosev, controlada pela multinacional francesa Louis Dreyfus Company (LDC), já vendeu duas usinas e mantém fechada uma das nove com que ficou. Para uma fonte que acompanha a empresa, se ela não vender nenhuma usina, terá que fechar plantas ou fazer novo aumento do capital.

Procurada, a Biosev disse que "não há nenhuma negociação de venda de unidades em andamento ou plano para fechamento de usinas" e que, "em caso de alguma alteração neste cenário, o mercado será devidamente informado".

A americana Bunge é outra que sinaliza o interesse em sair ou reduzir sua presença no setor de açúcar e etanol no Brasil. No ano passado, tentou fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3, mas acabou desistindo diante da falta de interesse. Bancos seguem buscando alternativas para a Bunge. Na semana passada, a agência Bloomberg informou sobre negociações para uma possível fusão com a área sucroalcooleira da britânica BP. Procurada, a Bunge informou não comentar rumores.

Apesar dos desafios de curto prazo, os grupos em melhor situação financeira vão poder se aproveitar de uma reversão no cenário de preços do açúcar, neste ano, a commodity subiu 10%. "Mas mesmo que suba mais, é preciso ter crédito para aproveitar, e poucas usinas têm", disse um usineiro de Ribeirão Preto. Para o diretor de agronegócios do Itaú BBA, Pedro Fernandes, há um grupo de 47 empresas que não teriam problemas de se endividar e ampliar a capacidade de moagem.

Na avaliação de Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), o momento de fechamento de usinas já terminou. "O que acontece agora é uma mudança na área agrícola. Canaviais de usinas que fecham passam a outras empresas". Quem já fechou as os portas, no entanto, dificilmente voltará a operar, avaliou. "Se 20% voltar já é muito", afirmou Pádua. (Valor Econômico 16/07/2019)

 

Sem liquidez, Coruripe busca R$ 800 mi com CRA em plataforma

Uma usina de açúcar e álcool de Alagoas, chamada Coruripe, está levantando R$ 800 milhões no mercado por meio de um certificado de recebíveis do agronegócio (CRA). A oferta foi estruturada pela XP e está sendo vendida em sua plataforma para investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras. A operação chama a atenção do mercado por duas razões. Uma delas é o fato de a Coruripe estar em uma situação financeira frágil. A captação de recursos por meio desse CRA é crucial para solucionar problemas de liquidez de curto prazo da usina. A outra questão é que a Coruripe deu como garantia para esse CRA créditos que estima ter a receber por conta de uma ação que move contra a União por perdas que teve com políticas governamentais que interferiram nos preços praticados no setor na década de 1980.

Na avaliação de especialistas, entender, a ponto de tomar uma decisão de investimento, os números da Coruripe, as garantias oferecidas e a estruturação dessa oferta exige uma análise bastante sofisticada. Ainda que o produto esteja sendo oferecido ao varejo qualificado, analistas acreditam que esse seria um papel mais adequado para um gestor especializado em títulos de alto risco. "Não tenho nada contra o CRA da Coruripe, só não acho que seja um produto de plataforma", diz um gestor.

O CRA atrai o investidor pessoa física, porque conta com o incentivo fiscal. O produto surgiu para estimular o financiamento aos produtores rurais, que embalariam em um título seus recebíveis contra grandes empresas para vender a investidores no mercado. Com o passar do tempo e os ajustes de mercado, transformou-se em uma espécie de debênture que a empresa emite para uma securitizadora. O investidor corre o risco de financiamento da empresa emissora e não dos recebíveis - nesse último formato, o CRA é muito utilizado pelas grandes do setor que, por conta do incentivo fiscal, captam a custos menores.

A questão é que essas grandes que emitem CRAs têm notas "A" ou "AA" das agências de avaliação de risco, o que indica baixo risco de crédito. No caso da Coruripe, a Standard & Poor's rebaixou a nota da usina em outubro do ano passado. O rating de crédito de emissor de longo prazo na escala global passou de "B+" para "B-". O rating de crédito de emissor de longo e curto prazos da empresa na escala nacional saiu de "brAA-/brA-1+" para "brBBB-/brA-3". As notas têm perspectiva negativa.

O analista Bruno Matelli, da S&P, afirma que a Coruripe é uma empresa em situação delicada e que permanece com questões de liquidez a enfrentar no curto prazo, próximos 12 meses. A emissão do CRA, segundo ele, ajudou a empresa a enfrentar uma situação mais aguda de vencimentos entre maio e junho. Por essa razão, a nota da usina não foi rebaixada. Mas como o problema de liquidez permanece, e a emissão do CRA ainda está aberta, também não houve razão para tirar o viés negativo da nota.

"O rating de outubro refletia a quantidade de vencimentos entre maio e junho e a possibilidade de a empresa quebrar 'covenants' [compromissos financeiros]. Como ela conseguiu, com recursos desse CRA, fazer os pagamentos e também obteve perdão dos credores, não rebaixamos a nota", afirma Matelli.

A nota "B-" da Coruripe em escala global é uma antes da "CCC", que indicaria problemas na estrutura de capital da companhia.

A oferta do CRA da Coruripe tem distribuição continuada. Pode ficar aberta na plataforma da XP por até seis meses, até novembro, ou até alcançar o valor pretendido. À medida que os investidores vão comprando os papéis, os recursos vão entrando no caixa da companhia. Como o dinheiro em caixa não é carimbado, as informações que circulam são de que os recursos da captação estão sendo usados para reduzir o endividamento, inclusive pagando a emissão de outro CRA, de cerca de R$ 200 milhões, que a usina colocou no mercado no meio do ano passado.

No prospecto da operação, a Coruripe diz que os recursos seriam usados para pagar os custos da emissão e a compra de insumos agrícolas necessários à produção e industrialização de cana-de-açúcar. O CRA, por definição, só pode ser usado para financiar atividades ligadas ao agronegócio.

Endividada, Usina Coruripe foi rebaixada pela S&P em outubro, com perspectiva negativa

O Valor apurou que a tese que tem atraído investidores é a de que, uma vez que a empresa solucione a questão do endividamento, conseguirá uma elevação do rating e, dessa forma, o CRA terá seu preço valorizado no mercado secundário. O prospecto da oferta alerta que a negociação dos CRAs no mercado brasileiro é ainda restrita.

Esse papel não conta com acompanhamento específico do mercado. O único relatório de análise da operação foi feito pela equipe da Eleven Financial. A recomendação da casa para seus clientes é a de não fazer o investimento. Na avaliação da Eleven, a Coruripe possui baixa probabilidade de atingir perfil adequado de liquidez e crédito no médio prazo, mesmo após concluir essa captação.

Nos cálculos dos analistas Odilon Costa, Gabriel Fusco e Diana Stuhlberger, a geração de caixa operacional da Coruripe seguirá estável ao longo das próximas duas safras. O cenário base considera que o fluxo de caixa livre será entre R$ 125 milhões e R$ 150 milhões ao ano no período. Mas eles apontam que a necessidade de recursos para renovação do canavial da usina deve consumir cerca de R$ 500 milhões ao ano até 2021.

Ainda conforme o relatório, o colchão de liquidez atual (R$ 510 milhões) e a geração orgânica de caixa são insuficientes para amortizar as obrigações da usina que vencem neste ano e no próximo. "Embora a emissão do CRA seja crucial para 'destravar' a rolagem de dívidas de curto prazo (R$ 1 bilhão), a liquidez da empresa continuará apertada nas próximas colheitas", destaca a Eleven. Parte significativa das dívidas da Coruripe vence em 2020 e 2021 (R$ 665 milhões) e 2021 e 2022 (R$ 624 milhões). A Eleven considera que outros exercícios de reperfilamento ainda serão necessários para assegurar a solvência da empresa no médio prazo.

Com relação aos covenants, a Eleven aponta que a Coruripe ainda tem outros por vencer e deverá continuar tendo de negociar "waivers" (perdões), com "disputas" de garantias com outros credores, que podem acarretar em aceleração de dívida, restrições ao financiamento ao longo das próximas safras e/ou uso indevido dos recursos oriundos do CRA. "Os recursos do CRA podem ir diretamente para serviço de dívida, o que parece estar acontecendo, em vez de alocação em atividades do agronegócio", escreve, também, a Eleven.

A dívida líquida da Coruripe é de cerca de R$ 2 bilhões e metade está atrelada ao dólar. O comportamento da moeda americana em relação ao real e a queda nos preços do açúcar levaram a empresa às dificuldades atuais, fatores que acabam sendo desafiadores para todas as empresas desse segmento. O ponto positivo da emissão do CRA é que ele pode reduzir o endividamento em dólar da usina para cerca de um terço, o que poderá ser mais favorável para as suas finanças.

Além disso, a Coruripe tem trabalhado para aumentar a participação de etanol e da cogeração em suas receitas, para diversificar seu negócio, hoje ainda mais atrelado ao açúcar. A empresa tem unidades industriais em Minas e Alagoas, em condições diferentes da maioria do setor, que tem operações no centro-sul.

Se houver excesso de demanda, o CRA poderá chegar a até R$ 960 milhões. O valor mínimo para a compra é de R$ 10 mil.

Procurados pelo Valor, XP, Coruripe e o Souza Cescon Advogados não deram entrevista, alegando período de silêncio obrigatório para as ofertas regidas pela Instrução 400 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). (Valor Econômico 16/07/2019)

 

CTC apresenta vantagens das variedades BT na 15ª edição do Insectshow

Alan Pavani apresentará diferenciais das variedades BT, com destaque para a alta performance e a máxima eficácia da CTC 9001BT.

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), empresa 100% nacional com foco em pesquisa, desenvolvimento e comercialização de variedades de cana-de-açúcar, participará do 15º seminário sobre melhores soluções para controle de pragas na cana, que acontecerá nos dias 17 e 18 de julho, no Centro de Eventos Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto, São Paulo.

Na oportunidade, diversos palestrantes estarão reunidos para discutir as melhores alternativas disponíveis aos produtores quando o assunto é controle das pragas que atingem os canaviais, como a broca da cana, o bicudo da cana e a cigarrinha, além de abordar questões como a importância de métodos para o manejo integrado e técnicas para o aumento de produtividade da cultura.

Na oportunidade, Alan Pavani, Líder de Produto do CTC, fará a apresentação “Controle de pragas com variedades BT”, na qual comentará o impacto da broca na cultura da cana, os desafios de controle somente por meio de defensivos químicos e biológicos, e a eficácia e o alto desempenho que as variedades desenvolvidas pela companhia; como a CTC20BT e a CTC9001BT, trazem para o produtor. “A tecnologia BT possui inúmeros benefícios diretos que superam R$ 2 mil reais por hectare de margem agroindustrial, como redução do custo de controle, mais TCH (toneladas de cana por hectare), mais ATR (açúcar por tonelada de cana) e menor uso de insumos industriais. Também oferece maior rendimento de mudas e redução no uso de implementos e de mão de obra. Além disso, os avanços genéticos alcançados nos últimos anos  aliados à biotecnologia, têm gerado combinações com melhor performance e máxima eficácia, como a CTC9001BT”, adianta Pavani.

O executivo também abordará em sua palestra, que acontecerá no dia 17/7, às 9h30, o Desafio MEIOSI, ação do CTC que tem por objetivo reconhecer e difundir as melhores práticas de plantio, otimizando as atuais taxas de multiplicação alcançadas. O Desafio teve início agora no mês de julho e pretende disseminar as melhores práticas agronômicas e incentivar o uso do sistema MEIOSI.

Realizado anualmente pelo Grupo IDEA, em Ribeirão Preto (SP), o Insectshow reúne as melhores e mais recentes tecnologias de controle de pragas da cana-de-açúcar e levará ao público informações e conteúdos atualizados sobre o combate a essas invasoras. Além de uma atualização de conhecimentos, o Insectshow também é um local de valioso networking. Na edição deste ano, são esperadas mais de 700 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento. (CTC 15/07/2019)

 

São Martinho põe em consulta pública dados da Usina Iracema para Renovabio

O Grupo São Martinho comunicou há pouco que os dados da Usina Iracema foram colocadas em consulta pública para sua certificação no RenovaBio. "De acordo com o processo divulgado, a empresa usou dados primários e está certificando uma produção de 1,608 milhão de toneladas de cana-de-açúcar em uma área de 26,5 mil hectares", diz a São Martinho. "A produção obteve a nota de eficiência energética de 66,3 gCO2e/MJ, o que equivale a uma redução de 76% de emissões de gases de efeito estufa em relação à gasolina."

A consulta pública tem duração de 30 dias e detalha as informações auditadas pela Certificadora Green Domus. Finalizada essa etapa, a empresa deverá ser habilitada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para emissão dos créditos de dercarbonização (Cbios).

A consulta pública, diz a companhia, visa dar transparência à certificação e é um dos procedimentos que compõe o processo definido pela ANP na Resolução nº 758 de 2018, publicada em novembro de 2018, para a obtenção do Certificado de Produção Eficiente de Biocombustível. (Broadcast 12/07/2019)

 

ATR PR: Valor projetado sobe 0,31% em junho

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou os dados referentes ao ATR para o mês de junho da safra 2019/2020.

De acordo com os números, o ATR projetado para este mês teve valorização de 0,31%, passando de R$ 0,6121 em maio, para R$ 0,6140 em junho.

O ATR acumulado registrou desvalorização de 1,89% em relação ao mês anterior, cotado em R$ 0,6240 o quilo contra R$ 0,6358 de maio.

Os contratos do ATR mensal em junho fecharam cotados em R$ 0,6001, contra os R$ 0,6410 praticados em maio, desvalorizando 6,81% no comparativo entre os meses.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam junho em R$ 67,05 a tonelada, alta de 0,31% ante os R$ 66,84 a tonelada no mês passado.

Os preços da cana esteira também fecharam em alta. Ela foi negociada a R$ 74,89 a tonelada contra os R$ 74,66 do mês de maio, com valorização de 0,30%. (UDOP 15/07/2019)

 

BR, Raízen e Ipiranga serão investigadas pelo Cade por cartel nos leilões dos portos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai investigar a possível prática prejudicial à livre concorrência na formação do consórcio entre Raízen, BR Distribuidora e Ipiranga para participação nos leilões dos portos. O superintendente-geral substituto do Cade, Kenys Menezes Machado, determinou na última sexta-feira, 12, a abertura de inquérito administrativo por conta da ausência de concorrência nos leilões.

As três empresas formaram o Consórcio Nordeste e arremataram juntas, no leilão realizado pelo Ministério da Infraestrutura em abril, os quatro terminais ofertados, três deles na Paraíba e um em Vitória. O investimento nas áreas é estimado em R$ 199 milhões nos próximos 25 anos e o consórcio sem comprometeu a pagar R$ 219,5 milhões de outorga à União.

Não houve competição no leilão pelo principal ativo do leilão, que era o terminal de Vitória e demanda investimento de R$ 128 milhões para ser construído. A oferta do consórcio BR, Raízen e Ipiranga foi a única apresentada na concorrência.

“Tendo em vista a ausência de concorrência ocorrida nos leilões de arrendamento de áreas portuárias destinadas à movimentação e armazenagem de granéis líquidos (combustíveis) nos portos de Cabedelo (PB) e Vitória (ES), instaure-se Procedimento Preparatório de Inquérito Administrativo para apuração de possível prática prejudicial à livre concorrência consistente na formação de consórcio entre as empresas Raízen Combustíveis S/A, Petrobras Distribuidora S/A e Ipiranga Produtos de Petróleo S/A para participação em leilões dessa natureza”, diz o despacho de Machado.

A EPBR procurou individualmente cada uma das empresas. Em consórcio, as empresas informaram neste domingo que não receberam notificação do órgão competente para poder se manifestar. Ainda em nota, disseram que prezam pela transparência e ética em todas as suas relações.

“De todo modo, o consórcio esclarece que participou do leilão do Porto de Vitória de acordo com as regras determinadas no edital público. Cabe ressaltar que, conforme legislação vigente, consórcios não estão submetidos à análise prévia de concentração de mercado pelo Cade, uma vez que o próprio processo licitatório ao qual os consórcios se submetem já está amparado por regras concorrenciais”, afirmou em nota.

Não será a primeira vez que as empresas são investigadas por sua atuação em conjunto. Em julho do ano passado, a Polícia Civil do Paraná realizou operação para prender gerentes e assessores comerciais das distribuidoras de combustíveis BR, Raízen e Ipiranga por suspeita de formarem uma quadrilha para controlar o preço final dos combustíveis nas bombas dos postos, informou a polícia paranaense.

Em abril, o Cade condenou a Ipiranga e a BR Distribuidora por induzir postos a uniformizar os preços de combustíveis nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Contagem e Betim, em Minas Gerais. O processo foi aberto em abril de 2010 para apurar uma possível formação de cartel entre 2006 e 2008. Ao concluir o procedimento, o Cade condenou as duas empresas por indução a conduta uniforme de preços, uma infração contra a ordem econômica. As duas empresas terão que pagar multas de R$ 40.693.867,35 e 64.445.861,88, respectivamente. (EPR 15/07/2019)

 

Negociação de contrato de etanol deve ser o primeiro teste de fogo do filho do presidente

Se for confirmado embaixador, Eduardo Bolsonaro – filho do presidente Jair Bolsonaro, terá como um dos primeiros testes de fogo a revisão do contrato de fornecimento do etanol americano que abastece o Nordeste.

O Brasil quer aproveitar o vencimento do contrato, em setembro, para renegociar termos e tentar abrir mercado para o açúcar brasileiro.

Uma vez embaixador, dizem nomes fortes do setor do agronegócio, Eduardo terá de aprender que, embora esteja ideologicamente alinhado à política de Donald Trump, Brasil e Estados Unidos são rivais nos negócios. Além do etanol, os países disputam os mercados globais de soja e carne. (Folha de São Paulo 15/07/2019)

 

Índia deve manter subsídios às exportações de açúcar apesar de queixa do Brasil

A Índia manterá seus subsídios à exportação de açúcar, apesar das reclamações à Organização Mundial do Comércio (OMC) de produtores rivais, como Brasil e Austrália, disseram quatro fontes diretamente envolvidas no assunto.

Contudo, o país poderá mudar a forma como auxilia sua indústria, para não infringir regras da OMC.

Os subsídios à exportação destinam-se a aumentar os embarques da Índia, tradicionalmente o segundo maior produtor de açúcar do mundo, que busca reduzir seus estoques.

Mas isso pode pressionar os preços globais da commodity, que só conseguiram um ganho de 2,1% este ano, depois de terem caído mais de 20% em 2018.

“A indústria precisa do apoio do governo para as exportações. Ela será fornecida sem violar a estrutura da OMC”, disse um alto funcionário do governo envolvido na elaboração de políticas. “Podemos precisar fazer algumas mudanças na forma como fornecemos incentivos”.

Autoridades do governo e da indústria não disseram que tipo de mudanças estão planejando fazer, embora tenham dito que estão buscando orientação de especialistas da OMC.

Anos de colheitas abundantes de cana e produção recorde de açúcar prejudicaram os preços do açúcar indiano, tornando difícil para as usinas pagar o dinheiro devido aos agricultores, que formam um influente bloco político do país.

Para reduzir esse passivo e diminuir os estoques, Nova Délhi disse em setembro que forneceria incentivos às usinas para vendas de açúcar ao exterior e estabeleceu uma meta de exportação de 5 milhões de toneladas para o ano comercial de 2018/19 que termina em 30 de setembro.

As exportações da Índia subiram para 3,3 milhões de toneladas, de 620.000 toneladas no ano anterior. Isso levou rivais a reclamarem na OMC, alegando que os incentivos violam as regras do comércio.

O governo do Brasil, líder global na exportação, disse na quinta-feira que pediu à OMC um painel para resolver a disputa sobre subsídios ao açúcar indiano. Austrália e Guatemala também apresentaram queixa na quinta-feira.

A Índia tem fornecido subsídios de transporte de 1.000 rúpias (14,59 dólares) a tonelada a 3.000 rúpias por tonelada às usinas de açúcar, dependendo da distância até os portos. O governo também aumentou a quantia que paga diretamente aos produtores de cana para 138 rúpias por tonelada, ante ajuda de 55 rúpias há um ano.

Na quarta-feira, representantes da indústria e do governo indiano discutiram como um incentivo pode ser fornecido no próximo ano de comercialização a partir de 1º de outubro, sem violar as regras da OMC.

“A política de exportação para a próxima temporada poderá ser finalizada no início do próximo mês”, disse um funcionário do setor, que participou da discussão de quarta-feira.

As usinas de açúcar estão solicitando que o governo forneça incentivos para exportar 7 milhões a 8 milhões de toneladas de açúcar na próxima temporada, acima da meta de 5 milhões de toneladas, disse Abinash Verma, diretor-geral da Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA, na sigla em inglês).

O anúncio da política de exportação ajudará as usinas a decidirem se vão produzir açúcar bruto ou branco para exportação no início da temporada, disse Prakash Naiknavare, diretor da Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar (NFCSF).

As usinas indianas tradicionalmente produzem açúcar branco para consumo local, mas fabricam açúcar bruto nos anos de superávit para ajudar as exportações.

A venda de açúcar bruto é mais fácil no mercado mundial do que o branco.

No próximo ano de comercialização, a produção de açúcar da Índia deverá cair 18% em relação ao ano anterior, depois que a seca no ano passado forçou os agricultores a reduzirem o plantio de cana e as chuvas mais fracas das monções neste ano limitaram o crescimento das safras.

A Índia pode começar a nova temporada com estoques de mais de 14,7 milhões de toneladas e poderá produzir outros 28,2 milhões de toneladas na temporada, contra uma demanda local de cerca de 26 milhões de toneladas, segundo estimativas do ISMA. (Reuters 15/07/2019)