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Polo da cana, Piracicaba está virando o 'Vale do agronegócio'

Apoiado por universidade e grandes empresas, ecossistema de inovação da cidade concentra 40% das startups agro do País.

Quando um viajante se aproxima de Piracicaba pela rodovia SP-308, é fácil entender a fama da cidade: as plantações de cana a perder de vista e o nome da estrada, Rodovia do Açúcar, explicam porque a região é um dos polos sucroalcooleiros do País. Quem se dedicar a olhar mais atentamente para a cidade vai encontrar, em meio ao verde, porém, prédios espaçosos, coloridos e com gente disposta a inovar. Hoje, Piracicaba concentra 120 das 300 startups brasileiras dedicadas ao agronegócio (ou agtechs), segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

Juntas, essas empresas estão ajudando a mudar um dos setores mais importantes da economia do País, e também exportando suas soluções. Há até quem já chame a região de “Vale do Agronegócio” ou “AgTech Valley”, em referência ao Vale do Silício californiano. Além disso, a profusão de startups que surgem no local atrai a atenção de empresas tradicionais, como a Raízen e a Coplacana, além de novatas do setor fundadas em outras regiões.

Hoje, algumas das soluções desenvolvidas em Piracicaba já podem ser consideradas triviais para os iniciados no campo. São ideias como monitoramento de plantações via satélite, uso de sensores para irrigação inteligente ou de drones para a disseminação de pesticidas. Outras, no entanto, começam a mostrar diversificação na cena de startups piracicabana, indo além do aumento da produtividade de plantações.

É o caso da @Tech, dona de uma solução que ajuda pecuaristas a identificar o melhor momento para vender seus rebanhos. A ferramenta da startup, chamada de BeefTrader, cruza dados dos animais, como peso e dieta, com informações do mercado e até da localização da fazenda. Assim, o sistema pode calcular não só o preço mais eficiente para a venda, mas também o lucro da operação.

Criada em 2015 por Tiago Zanett Albertini, doutor em Nutrição Animal, a empresa recebeu em maio um aporte da fabricante de eletrônicos Positivo. Com os recursos, começou a internacionalização, de olho em mercados como EUA, Austrália e Argentina. Antes, teve aportes da Coplacana, uma das principais cooperativas da região, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Como modelo de negócios, a @Tech cobra dos fazendeiros um valor diário para monitorar cada cabeça de gado.

Além de vender seu peixe, ou melhor, boi, a @Tech é a idealizadora do AnimalsHub, centro de inovação para startups de pecuária. Até o fim do ano, dez empresas selecionadas em um edital ocuparão o espaço de 450 m². A meta é ter startups que se dediquem à toda a cadeia da pecuária, do dia a dia na fazenda à comercialização, passando por certificações e padrões de consumo. “A pecuária está entrando em uma nova era”, diz Pedro Chamochumbi, agente de inovação do AnimalsHub. “Queremos integrar tecnologias e oferecer um combo tecnológico ideal para esse momento.”

Pioneira, universidade faz transferência de conhecimento

Antes do AnimalsHub, o primeiro escritório da @Tech ficava dentro do EsalqTec, incubadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à USP. “Tudo começou ali, com ajuda para estruturar planos de negócios e contatos”, diz Albertini, que fez mestrado, doutorado e pós-doutorado na escola.

O empreendedor Tiago Albertini, fundador da @Tech, focada em pecuária de precisão.

AgTech Garage é um dos hubs de inovação que abrigam empreendedores em Piracicaba.

O engenheiro químico José Tomé, cofundador do AgTech Garage, um dos principais hubs de inovação de Piracicaba.

Marcelo Romano Teixeira é um dos sócios da Hakkuna, que investe em insetos comestíveis.

Cristiano Fagundes é da Smartbreeder, empresa que saiu de Adamantina e migrou para Piracicaba.

Kléver Coral, superintendente da Coplacana, cooperativa que decidiu criar o Avance Hub e investir em startups.

O engenheiro Paulo Silveira, criador do Food Tech Hub.

Osmar Bambini é diretor de inovação e novos negócios da Sintecsys, focada no monitoramento de incêndios.

Vista do parque tecnológico de Piracicaba a partir da sacada do Pulse Hub.

João Castro, da AgroclimaPro, startup de agrometeorologia criada pelo Climatempo e residente do Pulse Hub.

Guilherme Raucci, um dos diretores da Agrosmart, no Pulse Hub, criado pela multinacional Raízen.

Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", a Esalq, considerada a principal universidade de ciências agrárias do Brasil e uma das principais escolas de Ciências Agrárias do Mundo.

O professor João Roberto Spotti Lopes, vice-reitor da Esalq, defende que instituição estimule o empreendedorismo entre os alunos.

O professor titular Sérgio Pascholati, presidente do Conselho da EsalqTec, incubadora de empresas da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz.

Pedro Chamochumbi é agente de inovação do AnimalsHub, o primeiro polo dedicado apenas a startups focada em pecuária no Brasil.

O empreendedor Tiago Albertini, fundador da @Tech, focada em pecuária de precisão.

AgTech Garage é um dos hubs de inovação que abrigam empreendedores em Piracicaba.

Fundada em 1901, a Esalq só não tem uma história mais antiga que a da cultura de cana na cidade, as primeiras plantações datam do século XIX. Quando a cana se desvalorizou, a escola ajudou Piracicaba a encontrar novos rumos, com pesquisas que levaram à industrialização local. Formou-se um ecossistema de grandes empresas e pesquisadores, além da Esalq, a cidade está perto de unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Outra vantagem é a localização: Piracicaba fica a menos de 200 quilômetros de outros polos agrícolas e mercados consumidores – como São Paulo, Campinas, São Carlos e Ribeirão Preto.

No mundo das startups, quando um local reúne condições ideais para a criação de um ecossistema, diz-se que ele tem boa “densidade”. No caso de Piracicaba, isso é válido há décadas. Porém, faltava incentivo à inovação. “Há cinco anos, a discussão de empreendedorismo não era tão presente”, diz o engenheiro agrônomo Guilherme Raucci, que fez mestrado na Esalq e hoje é um dos diretores da Agrosmart. Uma das startups mais conhecidas do setor, a empresa nasceu em Itajubá (MG) e exporta suas soluções para nove países, mas tem um escritório em Piracicaba.

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, fundada em 1901, é das principais escolas de ciências agrárias do mundo

Hoje, diz Raucci, o cenário é bem diferente, os alunos da Esalq vivem em contato com inovação, organizando palestras e visitando empresas. Além disso, há incentivo para a transferência de conhecimento. “Sempre tento fazer os alunos verem a chance da pesquisa virar produto ou serviço, gerando emprego e renda”, diz o professor Sérgio Pascholati, presidente do conselho da EsalqTec. Hoje, a incubadora tem 10 empresas residentes e 121 projetos em andamento. Além disso, ajuda a direcionar alunos para trabalhar nas startups da região.

É o caso da Gênica, que usa biotecnologia para ajudar no combate de pragas e doenças em grandes cultivos como soja, milho, feijão, cana-de-açúcar e algodão. Fundada por Fernando Reis, a empresa tem em sua equipe oito ex-alunos da Esalq – um terço dos 25 funcionários. Até o fim de 2020, serão mais 10 pessoas. Parte da equipe ajudará a startup a fazer uma espécie de “vacina” para a ferrugem da soja, a principal doença da agricultura brasileira.

“Estamos trabalhando em compostos que ajudem os genes da planta a se manifestar”, diz Marcos Petean, diretor executivo da Gênica. “Assim, ela pode desenvolver mecanismos bioquímicos para se defender de doenças como a ferrugem.”

Mão de obra, capital e conectividade são desafios

Mas nem tudo são flores, frutos e sementes para as startups piracicabanas. Entre os desafios citados pelos empreendedores locais, há obstáculos como a quantidade de investidores dedicados ao setor, especialmente em aportes mais robustos. A conectividade no campo, no qual está o público das empresas, é outro entrave, diz José Massad, diretor de inovação da Raízen.

Além disso, se hoje a região já gera empreendedores, ainda falta mão de obra para trabalhar nas startups. Segundo entrevistados ouvidos pelo Estado, ainda há pouca gente capaz de lidar com a cultura de constante mudança e inovação. Outros elencam ainda a “falta de maturidade” com que algumas empresas se lançam ao mercado.

Gênica, de Marcos Petean, fará ‘vacina’ para praga que ataca soja

Tecnologia pode ajudar no combate à fome

Para o presidente da ABStartups, Amure Pinho, o ecossistema de Piracicaba ainda precisa refinar a combinação de talento, mercado e capital. “Assim, será possível tirar o melhor da região para resolvermos um problema sério: aumentar a produção de alimentos”, diz, ressaltando o papel da tecnologia no processo. Segundo estimativas da ONU, o planeta terá 10 bilhões de pessoas e será um desafio botar comida na mesa de tanta gente. Hoje, alimentação já é um problema para 820 milhões em todo o mundo, segundo relatório publicado pela ONU nesta semana.

Para os especialistas, o Brasil pode liderar esse processo, e exportar não só comida, mas tecnologia. “O entrosamento entre academia e produção é muito bom em Piracicaba”, diz Bob Sainz, professor da Universidade da Califórnia em Davis. “Se a vocação para o agronegócio e as tecnologias forem bem unidas, não tenho dúvida de que o Brasil não exportará só carne e soja, mas também moléculas, algoritmos e softwares.” (O Estado de São Paulo 17/07/2019)

 

Chinesa Cofco obtém empréstimo de US$2,1 bi atrelado a sustentabilide

A estatal chinesa de commodities Cofco International disse nesta terça-feira que obteve junto a um consórcio de 20 bancos um empréstimo de 2,1 bilhões de dólares vinculado a ações de sustentabilidade.

A operação é o maior empréstimo associado a sustentabilidade já assinado junto a uma empresa de negociação de commodities, disse a chinesa em comunicado.

Se a Cofco International atingir metas, principalmente sobre a originação sustentável de soja no Brasil, ela conseguirá uma economia em margens que poderá ser reinvestida em sustentabilidade, disse a empresa.

A rival Louis Dreyfus Company, também da área de commodities, anunciou recentemente a renovação de um empréstimo de 750 milhões de dólares na América do Norte utilizando metas associadas à sua performance em sustentabilidade. (Reuters 16/07/2019)

 

Atvos utiliza drones para acompanhar até 400 hectares de canaviais por dia em MS

ANAC concedeu habilitação a dois operadores de drones da Atvos para realizarem voos com equipamentos acima do campo de visão deles.

A Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, obteve da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) a habilitação para que dois dos seus operadores de drones realizem voos na modalidade BVLOS, o que significa que os equipamentos podem voar acima do campo de visão deles.

Segundo a empresa, a autorização foi concedida a dois operadores do Polo Taquari, que engloba a usina Costa Rica e a unidade Alto Taquari, ambas em Mato Grosso do Sul. Com a permissão, eles podem operar voo acima de 400 pés de altura, o equivalente a 121 metros, sem contato visual com equipamento. Na classe anterior utilizada pela empresa, o operador precisava manter o drone em seu campo de visão.

De acordo com a empresa, apenas seis pessoas em todo o país possuem a licença para voos BLVOS. A Atvos aponta que, com mais altitude e amplitude de raio, é possível aumentar a eficiência do sistema sem reduzir eficácia. Isso significa que, em um dia, os pilotos dos drones conseguem mapear pelo menos 400 hectares de plantio de uma unidade agroindustrial. Por meio de imagens de alta definição, se identifica qualquer anomalia no canavial, com precisão de até cinco centímetros por pixel. (G1 17/07/2019)

 

Raízen fecha acordo em ação de desapropriação

A disputa judicial sobre a entrega de um terreno da Raízen, principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do país, para a Prefeitura de São José dos Campos, em São Paulo, foi encerrada com um acordo entre as partes. Esse caso ganhou visibilidade depois de o Judiciário ter permitido a ampliação do prazo que estava previsto para a desapropriação da área, que servirá para a construção de uma avenida.

Os donos dos imóveis que são considerados de utilidade pública geralmente não têm muita voz nas ações de desapropriação. Conseguem discutir o valor da indenização, mas há uma limitação para tratar sobre o motivo e o prazo para a entrega. Por isso, o caso da Raízen ganhou destaque.

A empresa havia conseguido, na Justiça, alargar o limite de 30 dias imposto pelo município. A decisão, unânime, foi proferida pela 11º Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os desembargadores consideraram o prazo "irrazoável" para a remoção de todos os equipamentos da empresa do local (processo nº 2247843- 16.2018.8.26.0000).

"Não é admissível no bojo da ação de desapropriação discussão sobre o mérito da medida decidida na esfera de competência exclusiva da autoridade administrativa. Entretanto, diante da complexidade e a peculiaridade presentes, merece guarida o pedido formulado", afirmou na ocasião o relator do caso, desembargador Marcelo Theodósio.

O terreno em discussão é uma parcela da área em que está localizado o centro de distribuição da Raízen. No local funciona toda a parte de telecomunicações, de combate a incêndio e de controle de entrada e saída dos caminhões carregados com combustível. A empresa argumentou no processo que precisava de tempo para adequar a sua estrutura.

A entrega do imóvel em 30 dias, como estabeleceu a prefeitura, poderia ter impossibilitado o fornecimento de combustível para mais de cem municípios da região, incluindo São José dos Campos, segundo a empresa.

Ficou definido, então, que o prazo final seria o dia 30 de junho. Era maior do que o estabelecido pela prefeitura, mas ainda considerado insuficiente pela companhia - que ingressou com novo recurso. Em meio à tramitação do processo, no entanto, as partes chegaram a um acordo.

A Raízen permitiu o acesso imediato da prefeitura à área e em troca conseguiu mais 30 dias, além do previsto pela Justiça, para se retirar, por completo, do local. Esse período será utilizado pela empresa principalmente para a retirada do quadro de luz e da cabine de transmissão de dados que ainda existem no terreno, serviço que será executado pelas concessionárias de serviço público de energia elétrica e telefonia.

"Continuar com a briga seria ruim para todo mundo", diz o advogado Helder Moroni Câmara, do PMMF Advogados e representante da empresa no caso. "Pela decisão do tribunal, se tivéssemos entregado o imóvel, nós não teríamos mais acesso a ele. As obras que estivessem pendentes, ficariam pendentes. Mas havia chances de, com o recurso, aumentar o prazo", complementa.

O acordo foi feito de forma extrajudicial e homologado pelo juiz da 1º Vara de Fazenda Pública de São José dos Campos.

Procurada pelo Valor, a prefeitura informou, por meio de nota, que o acordo permitiu antecipar a entrada na área e que já está no local executando as obras. "Esse acordo é um passo importante para a construção da Rotatória do Gás, no Jardim Americano, na região leste de São José dos Campos", afirma no texto.

As tratativas com a empresa, segundo a prefeitura, não afetam o cronograma de entrega da obra viária, "que trará benefícios à população que circula pelo local, por onde passam dezenas de linhas de ônibus e milhares de veículos" e também "bastante usado por caminhões do transporte de carga do setor petroquímico". (Valor Econômico 17/07/2019)

 

Sucden e ED&F Man ficam com grandes entregas de açúcar branco na ICE

A Sucres et Denrees (Sucden) e a ED&F Man ficaram com as entregas de açúcar branco contra o contrato agosto expirado da ICE Futures, disseram comerciantes.

As entregas contra o contrato agosto totalizaram cerca de 14.500 lotes, ou 725.000 toneladas, disseram dois traders à Reuters.

Os dados oficiais serão divulgados na quarta-feira. Porta-vozes das tradings não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

O açúcar é avaliado em mais de 213 milhões de dólares, com base no preço da terça-feira. Operadores esperam que parte do açúcar venha da Tailândia. (Reuters 17/07/2019)

 

Contrato de açúcar branco para agosto expira com alta na ICE

O vencimento agosto do açúcar branco, que expirou na ICE nesta terça-feira (16), fechou em alta de 1 dólar, ou 0,3%, a 295 dólares por tonelada, após bater mínima contratual na segunda-feira, a 291,50 dólares.

O desconto do contrato agosto para outubro fechou a -19,30 dólares.

Operadores esperavam uma grande entrega proveniente da Ásia. Segundo informações do mercado, as entregas somaram cerca de 14,5 mil lotes. Na segunda-feira, ainda havia 16.554 contratos em aberto.

O açúcar bruto para outubro recuou 0,07 centavo de dólar, ou 0,6%, para 11,99 centavos de dólar por libra-peso, após recuar para 11,90 centavos, mínima de 31 de maio.

“Apesar das conversas sobre diversas questões climáticas, a quantidade de estoques globais está limitando qualquer chance de um rali decente”, disse um operador. (Reuters 17/07/2019)

 

Etanol será tema central em encontro de líderes de Brasil e Índia, diz Udop

Brasil e Índia devem assinar um memorando de entendimento a respeito de produção e comércio de etanol quando os líderes dos dois países se reunirem em Brasília no final deste ano, disse nesta terça-feira a União dos Produtores de Bioenergia (Udop).

De acordo com a Udop, a sugestão sobre uma parceria em etanol partiu do governo indiano, que possui uma meta de ampliar gradualmente a mistura de etanol em sua gasolina para até 20%.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que foi reeleito em maio, fará uma visita oficial ao presidente Jair Bolsonaro em novembro.

Bolsonaro publicou mensagens no Twitter parabenizando Modi e expressando intenções de ampliar os laços com a Índia, particularmente no comércio. Em seguida, os dois líderes se encontraram durante a cúpula do G20, realizada na cidade japonesa de Osaka no fim de junho.

“Minha reunião com o PM da Índia, @narendramodi, foi excelente. Nossos países são grandes amigos e têm grandes semelhanças. Concordamos em aprofundar nossa cooperação com uma perspectiva de longo prazo e em áreas que fomentam o desenvolvimento, como agricultura e biocombustíveis”.

A Udop afirmou, citando informações do departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, que o governo Bolsonaro pretende ajudar a Índia a ampliar a produção de etanol e abrir o mercado indiano para o biocombustível, ajudando a expandir o uso global do etanol.

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O uso do etanol em larga escala ocorre, basicamente, apenas nesses dois países, apesar dos esforços passados para que o biocombustível se tornasse uma commodity comercializada internacionalmente.

Apesar do tom positivo para a reunião de novembro, o Brasil apresentou à Organização Mundial do Comércio (OMC) um pedido de estabelecimento de um painel a respeito dos subsídios da Índia para as exportações de açúcar.

A Índia ultrapassou o Brasil e se tornou a maior produtora de açúcar do mundo, à medida que fornece ajuda aos produtores de cana e às usinas de açúcar, um estímulo que está dificultando uma possível recuperação dos preços no deprimido mercado global do adoçante.

A Índia vem fornecendo às usinas subsídios de transporte que vão de cerca de mil rúpias (14,59 dólares) por tonelada a 3 mil rúpias por tonelada, dependendo da distância aos portos. O governo também elevou a quantia que paga diretamente aos produtores de cana para 138 rúpias por tonelada, ante assistência de 55 rúpias há um ano.

Conforme informou a Reuters na segunda-feira, a Índia não possui a intenção de interromper os subsídios.

Um maior uso de cana para a produção de etanol em vez de açúcar na Índia, entretanto, poderia reduzir a oferta global do adoçante, a exemplo do que o Brasil vem fazendo pelas duas últimas temporadas, com a alocação da cana para o açúcar atingindo uma mínima recorde de 35% em 2018/19. (Reuters 17/07/2019)Reuters 17/07/2019)

 

Países-membros da Global Sugar Alliance defendem painel na OMC, diz Unica

Os países-membros da Global Sugar Alliance (Aliança Global do Açúcar), da qual o Brasil faz parte, apoiam o estabelecimento de um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) para investigar e deliberar sobre os subsídios da Índia ao açúcar.

De acordo com nota da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a ação na OMC é liderada por membros da aliança, Austrália, Brasil e Guatemala, que cobram da Índia uma prestação de contas sobre as políticas que distorcem o comércio internacional da commodity. “A situação vem ganhando proporções preocupantes desde 2018, quando Austrália e Brasil acusaram as práticas indianas”, diz a nota.

No dia 11 de julho, o Brasil apresentou ao Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) um pedido de estabelecimento de painel no âmbito do contencioso iniciado em fevereiro deste ano a respeito do regime de apoio ao setor açucareiro da Índia.

“A Índia, como todos os membros da OMC, concordou em obedecer a um conjunto de regras e compromissos internacionais que permitem o comércio mundial e proíbem subsídios injustos que distorcem o mercado”, disse o diretor-geral da Global Sugar Alliance, Greg Beashel. “É hora de a Índia se retratar”, reforçou, conforme nota da Única.

A Global Sugar Alliance reúne 85% das exportações mundiais de cana-de-açúcar. Os membros são Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Índia, Guatemala, África do Sul e Tailândia. (Agência Estado 17/07/2019)