Setor sucroenergético

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Bunge e BP anunciam criação de joint venture para negócios de açúcar e etanol no Brasil

Segundo a Bunge, acordo representa um “marco importante” no processo de otimização de portfólio da companhia.

Conforme adiantado na segunda semana de julho, a Bunge anunciou hoje (22) um acordo com a BP para constituição de uma joint venture que resultará na criação de uma líder em bioenergia. Cada empresa terá 50% de participação nos negócios de produção de açúcar e etanol da BP e da Bunge no Brasil.

A joint venture, que será chamada de BP Bunge Bioenergia, operará independentemente, com um total de 11 usinas localizadas nas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil.

A Bunge receberá pela operação o valor de US$ 775 milhões, com US$ 75 milhões oriundos da BP, sujeito a condições habituais de fechamento. Os outros US$ 700 milhões virão por meio de um empréstimo da nova empresa com bancos estrangeiros e nacionais. Segundo informações do Valor Econômico, dessa forma, a joint venture assume a dívida que a Bunge Açúcar e Bioenergia tem com sua controladora nos Estados Unidos.

A transferência da dívida deve oferencer um alívio ao balanço da companhia americana, uma vez que 17% de sua dívida de longo prazo (de US$ 4,2 bilhões no fim de 2018) está atrelada ao negócio de bioenergia no Brasil. Ao mesmo tempo, do faturamento de US$ 45 bilhões da Bunge, as usinas não representaram mais de 2%. 

“Essa dívida coloca a nova empresa com uma das situações mais saudáveis do setor. Com uma dívida que é baixa, a gente vai ter flexibilidade futura para destinar o que faremos com a geração de caixa resultante”, declarou à Reuters o executivo da Bunge, Geovane Consul, que será o diretor executivo (CEO) da BP Bunge Bioenergia.

Por sua vez, conforme números do Valor, a receita total da BP em 2018 somou US$ 303 bilhões, e nem 1% saiu das usinas no Brasil. Ainda assim, o negócio é considerado relevante, pois há tempos o setor sucroenergético não vê transações deste porte.

Além disso, a companhia, que entra no novo negócio com três usinas e o investimento de US$ 75 milhões, terá uma ampliação de sua presença no setor, que até então somava uma moagem de 10 milhões de toneladas por safra. A Bunge, por sua vez, era dona de oito usinas e, agora, será sócia de 11 unidades, com 50% de participação.

A Bunge também informa que a joint venture operará independentemente. Assim, no fechamento da operação, a empresa não mais consolidará suas operações de açúcar e bioenergia no Brasil em suas demonstrações financeiras consolidadas.

A notícia foi bem recebida pelo mercado. De acordo com a Reuters, as ações da Bunge abriram em alta de mais de 3% em Nova York após o anúncio da joint venture, antes de reduzirem ganhos para cerca de 2%, enquanto as da BP subiram 0,7% em Londres.

A nova companhia

Com 32 milhões de toneladas de capacidade de moagem combinada por ano, a joint venture terá a flexibilidade de produzir um mix de etanol e açúcar, além de gerar eletricidade renovável a partir de bagaço de cana-de-açúcar, por meio de suas unidades de cogeração, para sustentar todas as suas unidades e vender a eletricidade excedente à rede elétrica brasileira.

Segundo comunicado da Bunge, os ativos dos dois grupos são “amplamente complementares”, com unidades em cinco estados brasileiros, incluindo três na região-chave de São Paulo. "O negócio combinado se tornará o segundo maior player da indústria no Brasil, em capacidade efetiva de moagem", garante. Em capacidade instalada, porém, a companhia ficará atrás de Raízen (73 milhões de toneladas), Atvos (37 milhões de toneladas) e Biosev (33 milhões de toneladas).

Ainda de acordo com a empresa, o acordo deve dar continuidade à estratégia da Bunge de otimização de portfólio. “Essa parceria com a BP representa um marco importante no processo de otimização de portfólio da Bunge, o qual nos permitirá reduzir nossa atual exposição ao negócio de açúcar e bioenergia, fortalecer nosso balanço patrimonial e focar em nossas principais atividades”, disse o CEO global da Bunge Gregory A. Heckman. “Temos na BP um parceiro forte e comprometido, assim como flexibilidade no médio e longo prazos para monetização futura, com potencial de saída total via oferta pública inicial (IPO) ou outra rota estratégica”.

O diretor executivo da BP Alternative Energy, Dev Sanyal, também comemorou o acordo. “Biocombustíveis desempenham um papel fundamental na transição energética e o Brasil é líder no desenvolvimento desse setor em escala. Este importante passo permitirá à BP aumentar significativamente a escala, a eficiência e a flexibilidade de nosso negócio em um dos mercados de biocombustíveis que mais crescem no mundo”, afirma e complementa: “Com um compromisso conjunto com a segurança e a sustentabilidade, unir nossos ativos e experiência possibilitará melhorar o desempenho, desenvolver opções de crescimento e gerar valor real. A BP Bunge Bioenergia estará bem posicionada para apoiar a crescente demanda do Brasil por biocombustíveis e bioeletricidade de baixo carbono”.

Após a conclusão, o objetivo é que a BP Bunge Bioenergia gere “significativas sinergias operacionais e financeiras”, inclusive por meio de eficiências de escala e aplicação de melhores práticas, otimização de tecnologias e capacidades operacionais em todos os ativos do negócio.

A nova empresa deve ter sede em São Paulo. Mario Lindenhayn, da BP, será o presidente executivo e Geovane Consul, da Bunge, será o diretor executivo. A BP e a Bunge terão igual representação no Conselho de Administração. (Bunge 22/07/2019)

 

Quem pagará a conta do carro elétrico?

Os fabricantes de veículos decidiram não esperar pela infraestrutura pública de carregamento de baterias para lançar carros elétricos no Brasil. A aposta do setor é que o consumidor com alto poder aquisitivo se interessará pela novidade e se dará por satisfeito com os kits oferecidos pelas montadoras para carregar as baterias em casa. Dispensará, assim, a necessidade de postos de carregamento semelhantes aos que existem na Europa.

Para a pessoa que usa o carro em centros urbanos, basicamente para ir e voltar do trabalho e outros trajetos curtos, uma única carga, calculam os fabricantes, será suficiente para toda a semana. Em geral, a autonomia de uma bateria completa permite rodar entre 240 e 300 quilômetros. Assim, quem não percorre mais do que 50 quilômetros por dia não teria com o que se preocupar.

Se pensarmos na transformação pela qual o automóvel vai passar nos próximos anos, a eletrificação é um caminho sem volta. Trata-se do primeiro passo para uma série de avanços tecnológicos que estão a caminho, como veículos que se moverão sem motorista. Muitas certezas, mas também muitas dúvidas envolvem o carro elétrico. Depende de que país estamos falando.

O brasileiro, em geral, entusiasma-se com o tema. À pesquisa que a Nissan apresentou na semana passada durante o lançamento do Leaf, seu modelo 100% elétrico, 56% dos entrevistados responderam achar que veículos movidos a eletricidade serão uma realidade no Brasil num prazo de dez anos. Entre os que disseram que gostariam de ter um carro assim, mais de 70% apontaram a preocupação com a questão ambiental como motivo.

À primeira vista, o apelo do elétrico é, de fato, fascinante. Um vídeo exibido pela Nissan na apresentação do Leaf simula um elétrico circulando na avenida de uma grande cidade do Japão. Como esse tipo de veículo não faz nenhum ruído, outros sons começam a ser notados pelas pessoas, como pássaros cantando. Quem não gostaria de viver numa cidade assim?

O carro elétrico, no entanto, ainda provoca grandes discussões em todo o mundo. O preço, ainda elevado na comparação com outros veículos, é um dos maiores empecilhos à produção em massa. Governos de vários países da Europa e os Estados Unidos oferecem bônus ao consumidor que trocar seu carro convencional por um eletrificado. Na França, o incentivo com dinheiro público é de € 6 mil, o que equivale, mais ou menos, a 20% do valor do carro. Os valores são semelhantes na China e nos EUA.

É por causa de incentivos que na Noruega quase a metade dos carros vendidos hoje são movidos a eletricidade. Além dos descontos, o país provavelmente é o que oferece melhor infraestrutura para carregar baterias em pontos públicos.

Indústria receia que automóvel se torne 'mobilidade elitista'

Mas é interessante notar como em outras nações que também oferecem incentivos a participação do elétrico nas vendas ainda é pequena: 2,1% na França e nos Estados Unidos. Na China, onde o governo determinou a eletricidade como matriz energética veicular, modelos elétricos representam 4,4% do mercado.

No caso da Europa, o incentivo atende à ambiciosa meta de redução de quase 40% no nível de emissões de dióxido de carbono, por veículos, entre 2020 e 2030. Mas isso tem provocado discussões na indústria.

Numa recente visita ao Brasil, Carlos Tavares, presidente mundial da PSA Peugeot Citröen, queixou-se do "excesso de ingerência dos governos" na decisão sobre matrizes energéticas. Segundo ele, o elétrico não pode ser visto como solução única. Além disso, as exigências governamentais impõem aumentos de custos que podem "transformar o automóvel em uma mobilidade elitista".

No Brasil, o elétrico mais barato, o modelo Renault Zoe, custa R$ 150 mil. O Leaf sai por R$ 195 mil. Em maio, o primeiro modelo Jaguar elétrico começou a ser vendido no país por R$ 437 mil. Em geral, a indústria tem colocado vários itens de tecnologia para fazer dos elétricos um desejo de consumo que vá além de ser carregado numa tomada. O presidente da Nissan do Brasil, Marcos Silva, reconhece que a indústria está longe de desenvolver um popular elétrico. Mas, diz, vai chegar lá.

Ninguém no Brasil consegue imaginar que um governo que luta para sair do déficit fiscal poderia oferecer descontos para carro elétrico. Além disso, parte das montadoras e outros entusiastas do etanol argumentam que um país que encontrou na cana-de-açúcar uma opção de energia alternativa não precisa perder tempo num projeto elétrico.

Mas essa não é a única questão. Apesar de fascinado pela novidade, o consumidor tem várias dúvidas. Quem vai pagar a conta de energia na garagem de um edifício residencial? E se esse prédio for muito antigo? E se dezenas de donos de carros elétricos decidirem carregar as baterias na garagem do escritório? A indústria automobilística nunca foi tão questionada. (Valor Econômico 23/07/2019)

 

Açúcar bruto recua na ICE pressionado por entregas e demanda

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE voltaram a recuar nesta segunda-feira, depois de uma queda de quase 5,8% na semana passada, pressionados por grandes entregas e indicações de fraqueza de demanda na Ásia.

O contrato outubro do açúcar bruto fechou em queda de 0,03 centavo de dólar, ou 0,3%, a 11,56 centavos de dólar por libra-peso.

“Não há nada fundamentalmente altista no açúcar com as grades entregas de bruto e de branco, além da presença de açúcar da Tailândia em ambos”, disse um operador norte-americano.

A presença de açúcar tailandês, que geralmente opera com um prêmio aos futuros, foi vista como uma sugestão de demanda fraca na Ásia, segundo operadores.

O contrato de primeiro mês do açúcar cedeu quase 5,8% na semana passada, em sua pior performance semanal em um ano e meio.

O contrato se mantinha próximo de níveis tecnicamente sobrevendidos no índice de força relativa.

O açúcar branco para outubro recuou 0,6 dólar, ou 0,2%, a 315,10 dólares por tonelada.

O monitor de safra da União Europeia reduziu sua estimativa de produtividade de beterraba sacarina em 2019 para 73,9 toneladas por hectare (t/ha), ante projeção de 75,7 t/ha no mês anterior. (Reuters 23/07/2019)

 

Índia adia disputa de subsídios ao açúcar

A Índia bloqueou ontem o pedido de Brasil, Austrália e Guatemala de um painel (comitê de investigação) na Organização Mundial do Comércio (OMC) envolvendo subsídios que o país oferece a seus produtores de açúcar.

O movimento indiano é autorizado pelas regras da OMC, quando se trata da primeira reunião que examina o pedido do Brasil. O painel será agora automaticamente estabelecido na reunião de 15 de agosto do Órgão de Solução de Controvérsias.

O Brasil reclamou que o governo indiano fornece subsídio excedendo seus compromissos pelo Acordo Agrícola da OMC, garantindo subvenções proibidas à exportação. O resultado é que essa ajuda ao setor açucareiro derrubou os preços internacionais e prejudicou exportadores brasileiros.

O contencioso vai ocorrer na OMC num cenário em que o mercado global de açúcar já enfrenta enorme excesso de oferta. A Austrália observou que, como Brasil e Guatemala, está seriamente inquieta com o fato de que um grande causador dessa situação tem sido o "excesso de produção altamente subsidiada" dos indianos.

Conforme a Austrália, a produção indiana cresceu de 22 milhões de toneladas na safra 2016/17 para 34 milhões em 2017/18, resultando em um superávit de mais de 12 milhões de toneladas de açúcar.

Combinada à produção prevista de 35,9 milhões de toneladas em 2018/19, isso deve manter a pressão baixista sobre os preços globais da commodity. A Austrália lembrou ainda que a cotação do açúcar atingiu seu menor nível em setembro de 2018, depois que a Índia anunciou subsídios equivalentes a 1 bilhão de dólares australianos (cerca de US$ 700 milhões).

Além disso, Nova Déli estabeleceu um plano de exportação de 5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2018/19, e fornece subsídios que estão vinculados ao desempenho exportador, algo que atropela também as regras da OMC.

Em sua reação, a Índia se declarou "decepcionada" com Brasil, Austrália e Guatemala e argumentou que, em consulta bilateral, deu todas as explicações sobre suas práticas e insistiu que as políticas não violam compromissos assumidos na OMC.

Em mensagem ao Brasil, a Índia sinalizou que não entende porque está sendo denunciada na OMC, já que as exportações brasileiras continuam aumentando e representam quase 42% do mercado mundial de açúcar. Dados da Organização Internacional do Açúcar (OIA), porém, mostram redução na participação brasileira no comércio global na safra 2018/19, para 31%.

Os indianos sustentaram que sua ajuda é para evitar a exploração de mais de 35 milhões de produtores vulneráveis e de baixa renda. Em Nova Déli, autoridades indianas, sem ter seus nomes citados na imprensa local, disseram que a Índia não vai mudar seus programas de subsídios. Em outras palavras, a briga na OMC vai demorar. (Valor Econômico 23/07/2019)

 

Bayer vende Dr. Scholl’s por US$ 585 milhões

A alemã Bayer fechou um acordo para a venda da marca Dr. Scholl’s, de produtos para cuidados com os pés, por US$ 585 milhões.

A compradora foi a empresa de participações Yellow Wood Partners, que terá os direitos de venda de produtos como protetores de silicone e adesivo antibolhas. A marca tem mais de cem anos e gerou receita de US$ 234 milhões em 2018, segundo a Bayer.

A venda faz parte de um plano de reestruturação de negócios anunciado pela gigante alemã em novembro de 2018. A expectativa é que a transação seja concluída no quarto trimestre deste ano. (Valor Econômico 22/07/2019 às 11h: 54m)

 

Usinas da região Norte-Nordeste recebem cotas adicionais de açúcar para os EUA

O Ministério da Agricultura publicou nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União (DOU) a Instrução Normativa nº 27, de 19 de julho de 2019, que destina aos produtores das regiões Norte e Nordeste a cota preferencial adicional de açúcar a que o Brasil tem direito ao exportar para os Estados Unidos, em um total de 23.724 toneladas.

A cota, conforme o texto, refere-se ao ano-safra 2018/2019, "já descontado o valor de polarização e convertido em toneladas curtas" e compreende o período de exportação de 1º de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019.

As usinas citadas estão nos Estados de Alagoas (17 usinas); Pernambuco (13); Paraíba (4); Rio Grande do Norte (2); Sergipe (2); Amazonas (1); Bahia (1); Maranhão (1); Pará (1) e Piauí (1). (Agência Estado 23/07/2019)

 

Usina fecha as portas e abala economia de Sud Mennucci

 Com fim das atividades previsto para 2020, 140 empregos na planta industrial e parte dos 500 do canavial.

Anunciado em maio, o encerramento das atividades da Usina Santa Adélia Pioneiros, instalada há mais de 40 anos em Sud Mennucci, interior de São Paulo, já tem impacto na economia local.

Produtora de açúcar, etanol e bioenergia, é a única grande indústria e a maior empregadora privada da cidade de 7,7 mil habitantes. Com o fechamento previsto para o fim de 2020 serão extintos 140 empregos na planta industrial e parte dos 500 do canavial.

Segundo o prefeito Julio Cesar Gomes (MDB), apesar do cronograma prever a continuidade das operações em duas safras, a produção de açúcar já foi encerrada. "Eles continuam produzindo etanol e bioenergia, mas já houve redução de mão de obra." As operações serão transferidas para a usina de Pereira Barreto, a 50 km de distância. Empresas terceirizadas que atuavam no transporte de cana foram dispensadas.

Gomes prevê impacto "monstruoso" na economia local. "Vamos ter uma perda significativa nos repasses de ICMS pelo Estado, incidente sobre a produção direta da usina, e também no ISS que as terceirizadas e oficinas pagam ao município."

O comércio também será afetado. "Mesmo que parte dos funcionários seja reaproveitada em Pereira Barreto, muitos vão passar a consumir lá. Já perdemos a oficina que fazia a manutenção da frota", diz Gomes.

O prefeito e lideranças da Câmara tentaram reverter o fechamento, mas não conseguiram. "Eles apontam a crise que afeta a economia e o setor sucroalcooleiro, mas garantiram que vão transferir parte dos funcionários. Também prometeram manter trabalhadores rurais, pois o cultivo da cana será mantido. Tenho dúvida, pois aos menos três fazendas arrendadas para o plantio foram devolvidas."

Gomes busca um plano B para evitar o colapso da economia. "Conseguimos incluir Sud Mennucci na relação de Municípios de Interesse Turístico do Estado e apostamos no turismo, pois estamos na beira de um Rio Tietê totalmente limpo, com belas prainhas.

Um frigorífico que estava parado havia 15 anos está reabrindo e deve absorver 50 empregados. Também há investimentos na citricultura, o que implicará mais empregos no meio rural."

A Santa Adélia também tem usina em Jaboticabal, onde fica sua sede. O grupo atua no setor desde 1937 e foi um dos primeiros a aderir ao Proálcool nos anos 70. Em nota, informa que unificará a produção do polo noroeste em Pereira Barreto, "focada na melhoria da produtividade e eficiência operacional". Segundo a empresa, o volume de moagem na região será mantido. (O Estado de São Paulo 21/07/2019)

 

Melhoramento genético amplia fronteiras do etanol de segunda geração

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Biologia da Unicamp regula a expressão de genes.

O Brasil vai passar a produzir entre 47 bilhões e 50 bilhões de litros de etanol por safra até 2028. Um aumento de cerca de 50%, frente aos 33 bilhões produzidos atualmente. A previsão é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que credita o crescimento ao RenovaBio, política nacional de estímulo à adoção de biocombustíveis, voltada para o cumprimento dos compromissos de redução de emissão de gases de carbono no âmbito do Acordo de Paris.

Para atender a esta previsão, a evolução da política pública de estímulo aos combustíveis renováveis não deixa de ser acompanhada do desenvolvimento continuado, nas Instituições de Ciência e Tecnologia Nacionais (ICTs), de tecnologias voltadas para a melhoria genética da cana-de-açúcar. Na Unicamp, este é objeto de estudo de um grupo de pesquisa liderado pelo professor Gonçalo Pereira, do Instituto de Biologia (IB). Entre os resultados obtidos pelo grupo está um know-how sobre uma série de promotores genéticos, região do DNA que inicia a transcrição de um determinado gene para determinar precisamente como e em que área da planta, especialmente nas variedades de cana-de-açúcar, ele deve se expressar para atingir algum tipo de melhoramento genético. Segundo o docente, isso é possível porque, com a expressão correta desses genes nos locais desejados, a planta pode se fortalecer contra pragas e doenças, além de outras tantas melhorias genéticas que se desejar como o aumento de produção de açúcar.

Para entender melhor como funciona esse processo, o docente usou a metáfora de que a cana seria uma casa que tem em sua entrada um painel com vários interruptores de circuitos que acendem e desligam lâmpadas diferentes, sendo que cada interruptor aciona somente um circuito para acender ou desligar uma lâmpada. Na analogia, o gene seria esse circuito (com interruptor e lâmpada), no qual o promotor é o interruptor que aciona o circuito e a parte codante do gene, “o que realmente faz o trabalho”, a lâmpada. Para ligar ou desligar uma lâmpada (fazer o gene “funcionar”), é necessário acionar o interruptor correto do circuito que se deseja, ou seja, o promotor.

“Vamos dizer, que um desses circuitos, uma dessas lâmpadas, está no banheiro dessa casa. Quando você chega em casa querendo ir ao banheiro e está tudo escuro, você precisa ligar uma lâmpada que está no banheiro. Mas se você aciona o interruptor errado, como o da lâmpada da geladeira na cozinha, não vai adiantar para o que você quer porque você terá que usar o banheiro no escuro. Nessa analogia, o que descobrimos em nosso trabalho foi uma série de interruptores e suas conexões”, exemplifica Pereira sobre a descoberta.

Com o potencial biotecnológico em permitir a expressão de determinados genes de cana em tecidos de interesse, bem como determinar o melhor momento para que essa expressão aconteça que a BioCelere, Centro de Pesquisas em Biologia Sintética da GranBio, licenciou a tecnologia, justifica Angela Drezza, especialista em propriedade intelectual da GranBio, ao complementar que é de interesse da empresa desenvolver novas variedades de cana-de-açúcar para produção de biocombustível, em especial, o etanol de segunda geração (cuja matéria-prima é a variedade cana energia), bioquímicos e outros produtos renováveis da forma mais sustentável possível.

No momento, a tecnologia está em fase de validação e não há data prevista para o início da comercialização. No entanto, Drezza adianta que já obtiveram resultados promissores nos testes para induzir a expressão dos genes em variedades da cana, otimizando o desenvolvimento com mais agilidade: “Isso é importante porque, no desenvolvimento de variedades vegetais, o tempo de cada safra é muito relevante. Assim, a expressão de determinados genes de interesse no momento mais conveniente, possibilita acelerar etapas de desenvolvimento da variedade vegetal, permitindo um ganho de competitividade para a empresa”. (Cana Online 23/07/2019)

 

Ceará ganha terceiro posto de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos

Unidade instalada em Abaiara, região do Cariri, tem capacidade de receber anualmente 30 toneladas do material e vai atender a cerca de 60 municípios.

O Estado do Ceará acaba de ganhar o terceiro posto de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas, depois de Quixeré e Ubajara. A nova unidade, que fica em Abaiara, região do Cariri, entrou em operação no último dia 23, sob a gestão da Acace (Associação do Comércio Agropecuário do Ceará), e tem capacidade para receber anualmente 30 toneladas do material. Com isso, o Sistema Campo Limpo, programa de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, amplia sua malha, acompanhando as necessidades do setor agrícola.  O posto vai atender em torno de 60 municípios do Cariri e região centro-sul do Ceará. 

“Atualmente a região do Cariri é atendida por recebimento itinerante. Mas o aumento da produção agrícola, especialmente de frutas, exigiu uma avaliação para definir o melhor modelo para a região. Com a inauguração do posto, ampliamos os dias atendidos pelo Sistema e fortalecemos os recebimentos itinerantes que, mesmo com a nova unidade, continuarão a ocorrer normalmente”, destaca Harthimes Gomes, coordenador regional de Operações do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias). O instituto é a entidade gerenciadora do Sistema Campo Limpo nas atividades de destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

A implantação da unidade de recebimento segue as normas da Lei nº 9.974/00, que disciplinou a logística reversa desse material e estabeleceu responsabilidades compartilhadas entre agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público. De acordo com a lei, cabe ao setor de comercialização indicar ao agricultor, na nota fiscal de venda, o local onde as embalagens vazias devem ser devolvidas. A lei disciplina ainda que as empresas fabricantes devem se responsabilizar pela logística reversa e destinação final ambientalmente correta.

Além da esfera estadual, outro dispositivo que auxiliou a melhoria de desempenho no Ceará foi o Termo de Compromisso firmado entre o Sistema Campo Limpo e o Governo do Estado em dezembro de 2017. Este termo é um ato previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei Federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que visa a estabelecer compromissos específicos entre os elos da cadeia, de maneira a garantir o cumprimento efetivo da responsabilidade compartilhada e logística reversa dos resíduos. Desde então, os processos têm sido conduzidos em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente do Ceará (Sema) e Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri) juntamente com as associações de distribuidores e com apoio do inpEV.” O Posto do Cariri, sem dúvida, é um dos resultados desta cooperação celebrada pelo Termo de Compromisso Estadual”, destaca Harthimes.

O posto fica localizado no Sítio Irapuá, CE 292, em Abaiara. Haverá expediente para atendimento de agricultores toda última semana de cada mês. O material recebido será encaminhado para as centrais de Mossoró (RN) ou de Petrolina (PE). De lá, será enviado para reciclagem ou incineração.

Sobre o inpEV

Há 17 anos, o inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias) atua como entidade gerenciadora do Sistema Campo Limpo nas atividades de destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas e promove ações de conscientização e educação ambiental sobre o tema, conforme previsto em legislação. É uma instituição sem fins lucrativos formada por mais de 100 empresas e nove entidades representativas da indústria do setor, distribuidores e agricultores.

Sobre o Sistema Campo Limpo

O Sistema Campo Limpo tem como base o princípio das responsabilidades compartilhadas entre todos os elos da cadeia produtiva (agricultores, fabricantes e canais de distribuição, com apoio do poder público) para realizar a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. O Brasil é referência mundial na destinação ambientalmente correta do material, encaminhando 94% de embalagens plásticas primárias para reciclagem ou incineração. (inpEV 22/07/2019)