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Em recuperação, Clealco prepara investimento em canaviais

Em recuperação judicial há um ano, o grupo sucroalcooleiro Clealco, que possui três usinas em São Paulo, iniciou na safra 2018/19 (encerrada em março) um processo de cortes de despesas que, se bem sucedido, dará fôlego para a retomada dos investimentos em canaviais.

A estratégia da empresa é garantir que, após o leilão judicial da usina de Queiroz, previsto para ocorrer até outubro -, possa melhorar os indicadores operacionais. Até o fim do ano, a Clealco planeja replantar 11 mil hectares de seus canaviais. Em 2019, a intenção é renovar entre 12 mil a 15 mil hectares, disse Alberto Pedrosa, CEO da empresa, ao Valor.

Com uma dívida de mais de R$ 1 bilhão sujeita ao processo de recuperação judicial, a Clealco pretende reabrir a usina de Clementina (SP) após a venda da unidade de Queiroz, a única operando atualmente. Pelo cronograma da Clealco, a usina de Penápolis será reabertra em 2021.

De acordo com Pedrosa, o investimento nos canaviais levará a empresa para o "ciclo virtuoso". O sucesso do plano representará uma virada na trajetória dos últimos dois anos, período no qual a Clealco praticamente não fez investimentos em seu canavial. A falta de recursos provocou o envelhecimento da cana no campo e, consequentemente, afetou o rendimento agrícola do grupo.

"Essa situação foi ainda prejudicada pela escassez de recursos e tratos, que também não foram feitos adequadamente, o que nos conduziu à situação de hoje, de produtividade muito baixa", admitiu Pedrosa.

Atualmente, a colheita de cana da Clealco tem registrado produtividade abaixo de 60 toneladas por hectare. A média do Centro-Sul está em 84,87 toneladas por hectare. Com os aportes, o objetivo é elevar o rendimento para algo entre 75 toneladas e 80 toneladas por hectare, nível já registrado no histórico da empresa.

Pedrosa afirma que os desembolsos ocorrerão após a Clealco ter fechado a safra passada com mais recursos no caixa. Em 2018/19, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 461 milhões, resultando em uma margem Ebitda de 59,3%, alta de 47,5 pontos ante a margem da safra anterior. O resultado inclui os impactos positivos e não recorrentes de créditos tributários. (Valor Econômico 26/07/2019)

 

RenovaBio impulsiona a posição estratégica dos biocombustíveis

O programa tem como proposta estimular os investimentos e a participação do setor na matriz energética.

O RenovaBio, Política Nacional de Biocombustíveis do governo federal criada para garantir o papel estratégico dos biocombustíveis e a segurança energética, deve impulsionar os investimentos e a participação do setor na matriz energética brasileira por meio de produtos como bioquerosene, biogás, etanol, biodiesel e cogeração de energia elétrica.

Governo e os representantes do setor esperam incentivar a expansão dos biocombustíveis, criar um cenário de previsibilidade e regularidade do abastecimento, além de regras mais claras que permitam novos investimentos por meio de um ambiente mais seguro.

O diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas Energia, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, ressalta que o RenovaBio representa um novo paradigma em relação a eficiência energética a partir da biomassa. "Já estamos vendo fusões, melhorias e novas oportunidades para o Brasil, que na produção de energia por meio da biomassa é o mais eficiente no mundo. Nos próximos 10 anos, por exemplo, vamos ver a produção de etanol dobrar e esse movimento vai favorecer todo setor na matriz energética", afirma Oliveira.

Os resultados da iniciativa surgem por meio de novos negócios como, por exemplo, a joint venture, BP Bunge Bioenergia, operação da Bunge e da Petroleira BP, anunciada no último dia 22 de julho e que vai operar com um total de onze usinas nas regiões sudeste, norte e centro-oeste do Brasil. O grupo vai operar com uma capacidade de moagem de 32 milhões de toneladas métricas por ano visando a produção de açúcar, etanol e cogeração de eletricidade por meio da biomassa, que será comercializada para a rede elétrica brasileira.

De acordo com Reginaldo Medeiros, presidente-executivo da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), atualmente as usinas não podem produzir mais por razões econômicas, no entanto a expectativa é que até agosto tudo seja definido. "A perspectiva é boa e caminha para o reconhecimento da capacidade dos geradores de energia", diz Medeiros.

O presidente executivo da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia), Newton Duarte, afirma que o RenovaBio comprova a relevância de se fomentar projetos de cogeração por meio da biomassa. "O Programa é, talvez, o maior de biocombustíveis já concebido. Sua implementação proporcionará imenso potencial de cogeração adicional em função de aproximadamente 200 milhões de toneladas adicionais de cana que serão esmagadas com os incentivos ao uso de biocombustíveis", conta Duarte. (RenonaBio 25/07/2019)

 

Açúcar bruto fecha em queda na ICE; outubro é negociado a 12 cents/libra

Os contratos futuros do açúcar bruto recuaram nesta quinta-feira, com o mercado comparando notícias de produção reduzida no Brasil com a ampla oferta global no curto prazo.

O contrato outubro do açúcar bruto fechou em queda de 0,06 centavo de dólar, ou 0,5%, a 12 centavos de dólar por libra-peso.

Os participantes do mercado continuam a compensar sinais de uma oferta abundante no curto prazo, conforme indicado pelas grandes entregas tanto do açúcar bruto quanto do branco ante contratos expirados recentemente, com sinais de uma produção futura reduzida.

No centro-sul do Brasil, a produção de açúcar caiu 19% na primeira quinzena de julho, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Além disso, cerca de 400 mil hectares foram afetados por geadas no início deste mês, o que pode impactar nas produtividades.

“Os dados da Unica foram definitivamente mais construtivos do que se esperava. Suspeito que hoje o pessoal esteja revisando para baixo suas estimativas de produção de açúcar”, disse um operador.

Preocupações contínuas a respeito do clima na Índia, importante produtora, também sustentaram o mercado.

Os preços mundiais do açúcar devem avançar até o final deste ano, com um déficit global projetado para a temporada 2019/20, mostrou pesquisa da Reuters.

O açúcar branco para outubro recuou 1,2 dólar, ou 0,4%, a 320 dólares por tonelada. (Reuters 26/07/2019)

 

Problemas climáticos nos EUA derrubam lucro da área agrícola da Basf

As vendas da divisão agrícola da gigante alemã Basf cresceram 20% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, somando 1,8 bilhão de euros.

Entretanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 36% na mesma base de comparação, para 205 milhões de euros, informou hoje a companhia.

O fraco desempenho operacional reflete os problemas climáticos na América do Norte, sobretudo nos EUA, que fizeram os produtores reduzirem o tamanho de suas lavouras, justificou a empresa.

“A diminuição das perspectivas de ganhos para os agricultores e as disputas comerciais levaram a uma menor demanda por produtos de proteção à lavoura”, acrescentou a empresa sobre a disputa comercial entre EUA e China.

“Até hoje, os conflitos entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais, particularmente a China, não diminuíram, ao contrário do que assumimos no Relatório 2018 da Basf. No geral, a incerteza continua alta.”

No primeiro semestre, as vendas da divisão agrícola cresceram 38%, na comparação anual, e chegaram a 4,45 bilhões de euros. O Ebitda teve alta de 43%, para 1,15 bilhão de euros. (Valor Econômico 25/07/2019)