Setor sucroenergético

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Projeto de Museu do Açúcar no Engenho Central de Piracicaba é retomado

Orçamento foi aprovado e próxima fase é de captação de dinheiro com empresas privadas. Após conseguir o dinheiro, previsão é que as obras sejam feitas em três anos.

Assista ao vídeo com a participação de Advogado AUGUSTO NETO, proprietário da ALFAVACA PRODUÇÕES, contratada para a coordenação do projeto.

https://globoplay.globo.com/v/7798914/

 

JBS investe R$ 180 milhões em 3ª fábrica de biodiesel

A JBS anunciou ontem um investimento de R$ 180 milhões para a construção de uma fábrica de biodiesel em Santa Catarina. Localizada no município de Mafra, a unidade produzirá o biocombustível a partir da gordura de suínos e aves. A Seara, empresa que pertence à JBS, tem sede no oeste catarinense e é uma das principais agroindústrias processadoras de aves e suínos do país.

Atualmente, a JBS tem duas fábricas de biodiesel, localizadas em Lins (SP) e Campo Verde (MT). Essas plantas produzem biodiesel majoritariamente a partir do sebo bovino. Em nota, o presidente da JBS Biodiesel, Alexandre Pereira, afirmou que a nova unidade dobrará a capacidade de produção de biodiesel da empresa.

Segundo Pereira, a nova unidade fará com que a empresa possa produzir mais de 600 milhões de litros por ano. Em 2018, a JBS comercializou 260 milhões de litros de biodiesel. A expectativa da empresa é que a fábrica de Mafra entre em operação em 2021, gerando 100 empregos diretos.

De acordo com a JBS, a localização da unidade é estratégica. A planta ficará a 120 quilômetros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que pertence à Petrobras. É lá que o biodiesel deve ser misturado ao diesel.

Os investimentos da JBS na nova fábrica também têm como pano de fundo a implementação do RenovaBio, política de combustíveis renováveis. Pelas regras, os produtores de bioenergia (etanol e biodiesel, por exemplo) poderão emitir certificados de descarbonização (espécie de crédito de carbono) e vender no mercado. As distribuidoras de combustíveis devem ser as principais compradoras finais.

Além disso, a JBS destacou o aumento da mistura de biodiesel na composição do diesel, que passará dos atuais 10% para 15% até 2023. (Valor Econômico 31/07/2019)

 

Biomassa da cana ganha fôlego com RenovaBio

A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que entrará em vigor em janeiro, e uma portaria publicada em junho pelo Ministério de Minas e Energia, permitindo que usinas de açúcar e álcool emitam debêntures incentivadas para captar recursos para o financiamento de seus investimentos, têm o potencial de ampliar em quase 60%, até 2030, a geração elétrica obtida com a biomassa resultante da moagem da cana-de-açúcar, saindo de 21,5 mil GWh gerados em 2018 para 34 mil GWh.

A estimativa é de Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), e considera que as medidas governamentais vão destravar investimentos e proporcionar um aumento da produção de etanol dos atuais 31 bilhões de litros anuais para 49 bilhões de litros em 2030, disponibilizando mais biomassa - bagaço e palha - para a geração de energia.

O setor sucroalcooleiro soma 369 usinas, das quais 200 comercializam eletricidade no Sistema Integrado Nacional (SIN). No ano passado, 69% da geração foi comercializada no mercado livre de energia e 31% foram destinados ao ambiente regulado.

Os 21,5 mil GWh gerados pelo setor em 2018 abasteceram um consumo equivalente ao de 11,4 milhões de residências. O resultado foi obtido com o aproveitamento de apenas 15% da biomassa presente nos canaviais. Segundo cálculos da Unica, o aproveitamento pleno da biomassa teria potencial para gerar 142 mil GWh. "Essa geração não ocorre por falta de estímulos adequados", afirma.

Um problema é a falta de um modelo de contratação no mercado regulado que diferencie a biomassa, uma fonte renovável, da oferta oriunda de fontes fósseis, como carvão e gás natural, que possuem mais escala e competitividade. Outra reivindicação é a revisão da metodologia de cálculo da garantia física, que determina o volume máximo que uma geradora pode comercializar. Os limites atuais são considerados baixos e uma revisão pode elevar em 20% a geração das usinas.

Os incentivos governamentais também devem estimular os usineiros a investirem na geração de eletricidade a partir do biogás, obtido com o aproveitamento da vinhaça, resíduo da destilação da cana rico em metano.

"Há um claro interesse das usinas em produzir biogás, só não o fazem por falta de capacidade de investir", afirma Newton Duarte, presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen). "O biogás tem o potencial de adicionar 1,3 GW na capacidade de geração elétrica do setor sucroalcooleiro", diz.

Um dos projetos pioneiros em biogás é da Raízen, com uma unidade que está sendo construída em Guariba (SP). "Nossa expectativa é gerar 138 mil MWh e entrar em operação antes de 2022", diz Antônio Simões, diretor executivo de energia da companhia.

A Raízen é uma das principais produtoras de bioeletricidade do país, com geração de 1 GW em biomassa. Em junho a empresa inaugurou uma unidade de energia solar fotovoltaica em Piracicaba (SP), com capacidade de 1,3 MWp. A Raízen vende 66% da energia que gera, destinando a maior parcela ao ambiente regulado. (Valor Econômico 31/07/2019)

 

Atvos, da Odebrecht, confirma prejuízo de R$ 1,5 bi na safra 2018/19

A Atvos, braço de açúcar e etanol da Odebrecht, atribuiu a diversos fatores negativos que marcaram o segmento sucroalcooleiro na safra passada (2018/19), como a volatilidade dos preços e a greve dos caminhoneiros, o prejuízo de R$ 1,467 bilhão que registrou no período. A companhia já havia publicado uma prévia dos resultados ao entrar com pedido de recuperação judicial, em 30 de maio, mas publicou hoje seus resultados consolidados no "Diário Oficial de São Paulo". No ciclo anterior, a Atvos reportou lucro líquido de R$ 494 milhões.

Segundo a companhia, a greve dos caminhoneiros, no fim de maio do ano passado, teve impacto significativo sobre as operações agroindustriais e, consequentemente, em seu fluxo de caixa.

A Atvos também menciona intempéries, como a longa seca ocorrida desde o início oficial da safra e o excesso de chuvas em seu período final, como fatores negativos para a produtividade. Ainda assim, o rendimento agrícola médio da empresa teve ligeira melhora e ficou em 132 quilos de açúcares totais recuperáveis (ATR) por hectare de cana colhida, ante 129,5 quilos de ATR por hectare no ciclo anterior.

A moagem de cana cresceu cerca de 3%, para 26,8 milhões de toneladas. Como o mix foi direcionado mais para o etanol, a produção do biocombustível cresceu 16%, para 2,08 bilhões de litros, enquanto a de açúcar caiu 53%, para 212 mil toneladas. A cogeração de energia elétrica para a rede de teve incremento de 6%, para 1,9 mil gigawatts-hora (GWh).

Nesse contexto, a receita da Atvos teve crescimento marginal em 2018/19, para R$ 4,3 bilhões. No entanto, com os impactos negativos da volatilidade dos preços e da greve dos caminhoneiros, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) societário ajustado caiu 5%, para R$ 1,5 bilhão.

A maior pressão, porém, veio dos compromissos financeiros. As despesas financeiras líquidas aumentaram 14% e alcançaram R$ 1,239 bilhão.

Os pagamentos de amortizações cresceram na safra passada e alcançaram R$ 582 milhões, alta de 17%, enquanto a captação de novos financiamentos ficou em R$ 509 milhões, recuo de 54%. A menor capacidade de se financiar foi uma das principais responsáveis pela redução da posição de caixa da Atvos no fim da safra em R$ 63 milhões, para R$ 93 milhões.

Ao longo da safra, a Atvos vinha em negociações com seus credores para reequacionar sua dívida total de R$ 10,5 bilhões, dos quais apenas uma pequena parcela vencia no curto prazo. Ante o impasse com um credor, o Lone Star, que entrou com pedido de execução, e o descumprimento de cláusulas contratuais, quase todos vencimentos foram reclassificados como de curto prazo. A alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) passou de 5,9 vezes no fim da safra 2017/18 para 6,9 vezes no fim da última temporada.

A companhia destacou que aumentou seus desembolsos com investimentos na área agrícola e industria, que antes oscilavam na casa dos R$ 500 milhões, e que na safra passada cresceram 8%, para R$ 610 milhões. A maior parte dos aportes, segundo a empresa, foi feita em renovação e expansão de canavial. Em nota, a empresa disse que a geração operacional de caixa, que alcançou R$ 1,2 bilhão, permitiu a expansão desses investimentos.

Para a safra atual, a companhia espera aumentar novamente seu processamento de cana, para 27 milhões de toneladas, o que deve representar uma ocupação de 73% da capacidade instalada.

Em relatório sobre o desempenho geral na safra, a Atvos destacou que emitiu 764,32 toneladas de gás carbônico equivalente durante o ano de 2018. Esse resultado foi o equivalente a 36,4 quilos de gás carbônico por tonelada de cana moída, ante 38,3 quilos de gás carbônico por tonelada de cana moída na safra anterior. (Valor Econômico 30/07/2019 às 18h: 53m)

 

Açúcar: Mais álcool

A alta do petróleo e a maior produção e consumo de etanol no Brasil deram suporte aos preços do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes do demerara para março subiram 7 pontos, a 13,12 centavos de dólar a libra-peso.

O movimento se deu na esteira do petróleo, que ajuda a sustentar as cotações do adoçante, porque o etanol (feito de cana no Brasil) concorre com a gasolina.

Assim, quando os preços do fóssil sobem, a tendência é a produção de etanol ser priorizada.

Colabora ainda o fato de os preços do etanol estarem atrativos.

"A paridade do etanol chegou a 14,24 centavos de dólar a libra-peso essa semana", disse a consultoria inglesa Marex Spectron em relatório.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal caiu 0,83%, para R$ 58,32 a saca. (Valor Econômico 31/07/2019)

 

Acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre açúcar e etanol pode sair neste ano

Encontro entre secretário americano e equipe econômica deve abordar a aquisição de etanol pelos EUA, em troca compra de trigo pelo Brasil.

A visita do secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, ao Brasil nesta semana deve acelerar as conversas sobre um incremento no comércio entre os dois países. Na quarta-feira, 31, Ross será recebido pelo presidente Jair Bolsonaro e pela equipe econômica.

Um dos assuntos na pauta, segundo fonte do governo, é o aumento, por parte dos americanos, do volume nas aquisições de açúcar e etanol brasileiros. Em troca, o Brasil incrementaria as compras de trigo. A ideia é tentar anunciar o acordo em outubro, durante o Brasil Investment Forum.

O objetivo é aprofundar a conversa de forma, primeiro, a garantir que acordos já vigentes sobre o assunto com Estados americanos, mas que não estão sendo aplicados, sejam efetivamente implementados. “Mas vamos ter conversas sobre aumento de volume e cronograma”, apontou a fonte.

Lista de propostas

Nesta terça-feira, em encontro com empresários na Câmara Americana de Comércio (Amcham), o secretário americano de comércio recebeu uma lista de propostas para melhorar a relação comercial entre os dois países. Entre elas está um acordo de livre-comércio gradual – inicialmente sem a discussão de tarifas –, um entendimento para pôr fim à dupla tributação de lucros, dividendos e royalties e um acordo de investimentos.

Os empresários, a Amcham representa cerca de 5 mil empresas, pedem proteção adicional aos fluxos de investimentos entre os dois países. Além disso, querem a participação do Brasil no programa Global Entry, que oferece facilidades para a entrada de executivos nos EUA.

Na lista estão ainda medidas de facilitação de comércio para reduzir burocracias, custos e prazos no comércio bilateral.

Há também propostas de cooperação regulatória, sobretudo em relação aos produtos com maior valor agregado; a negociação de regras comuns sobre barreiras não tarifárias; e a conversão do projeto piloto sobre análise acelerada de patentes em acordo permanente. A Amcham também pede continuidade do apoio americano à admissão do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). E uma agenda bilateral em temas como comércio, investimento, defesa, segurança, energia, agronegócio e infraestrutura.

Ressalvas

O governo brasileiro, no entanto, vê com ressalvas o pedido da Amcham para que seja tratado primeiro um acordo sobre temas menores, sem mudanças tarifárias, para que o assunto não tenha de passar pelo Mercosul.

A equipe técnica do Brasil acredita que, após fechar um acordo com a União Europeia, o bloco está preparado para uma discussão desse porte. E acredita que há um facilitador na recente aproximação entre Donald Trump e Bolsonaro e entre o chefe do Executivo brasileiro e o presidente argentino, Mauricio Macri. (O Estado de São Paulo 31/07/2019)

 

Com 56% Brasil se consolida como maior exportador mundial de soja

Com 56% Brasil se consolida como maior exportador mundial de soja

O Brasil se consolidou como maior exportador de soja em 2018, atingindo participação de 56% nas exportações globais do grão, mostra levantamento divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio. O país ampliou em 29% as vendas externas de soja em relação ao ano anterior. Já as exportações de soja dos EUA representaram 29% do total no ano passado, segundo a entidade, com embarques caindo 20% ante 2017.

O Paraguai representou 4% dos embarques da oleaginosa em 2018 (aumento de 3% nas exportações na comparação anual), enquanto o Canadá significou outros 4% (incremento de 14%).

Ainda conforme a OMC, as exportações totais de soja em 2018 totalizaram US$ 60 bilhões. Em 2017, os embarques da oleaginosa haviam totalizado US$ 58 bilhões. A participação da oleaginosa nas exportações de produtos agrícolas aumentou de 2,6% em 2008 para 3,3% em 2018. Em média, as exportações de soja aumentaram 5,5% ao ano durante esse período de 10 anos, atingindo um pico em 2018. "As exportações de soja cresceram mais do que as exportações de produtos agrícolas em geral (3,1% ao ano), apesar de uma queda de 24% nos preços da soja desde 2008", disse a OMC.

O Brasil ampliou em 6% as exportações de produtos agrícolas em 2018 ante o ano anterior, atingindo receita de US$ 93 bilhões, e continuou ocupando o posto de terceiro maior exportador do segmento, apontou a OMC. O maior aumento foi da China, de 9% na comparação com 2017, para US$ 83 bilhões. O país asiático vem logo atrás do Brasil, no quarto lugar entre os maiores exportadores de produtos agrícolas.

De acordo com a OMC, a União Europeia continuou liderando a lista, com receita obtida com a exportação do setor de US$ 681 bilhões (+6% ante 2017), seguida pelos Estados Unidos, com US$ 172 bilhões (+1%). Entre os dez maiores exportadores de produtos agrícolas, a Austrália foi o país que registrou maior queda nos embarques de 2017 para 2018, de 10%, para US$ 38 bilhões, puxada por trigo e centeio. Com isso, o país perdeu o posto de oitavo maior exportador do segmento para a Índia e passou ao nono lugar. (Broadcast 30/07/2019)

 

Mais produtores no Brasil contestam patente de semente de soja transgênica

Mais produtores no Brasil contestam patente de semente de soja transgênica.

A empresa alemã Bayer, que completou a aquisição da norte-americana Monsanto no ano passado, sofreu um novo revés jurídico após mais agricultores terem sido admitidos no pólo ativo de uma ação que contesta a proteção de uma importante patente de semente de soja.

O TRF-1, em Brasília, autorizou produtores de outros dez Estados a se juntarem aos agricultores de Mato Grosso como parte em um processo que contesta a validade da patente Intacta RR2 PRO, da Monsanto, de acordo com decisões judiciais vistas pela Reuters.

Isso significa que a Bayer, que já havia sido obrigada a depositar royalties recebidos de produtores mato-grossenses em uma conta judicial até que o mérito da ação seja julgado, terá de fazer o mesmo com os royalties dos produtores que agora fazem parte da ação, segundo Sidney Pereira de Souza Jr, advogado que representa os produtores de soja, que citou decisões judiciais concedidas em 26 de julho e em 25 de fevereiro.

Os produtores de Mato Grosso processaram a Monsanto, agora da Bayer, no final de 2017, visando o cancelamento da patente da Intacta, que alegam não possuir quaisquer inovações tecnológicas.

A disputa legal ressalta os riscos operacionais para empresas como a Bayer no Brasil, onde companhias enfrentam a perspectiva de outros processos patentários, disse Souza.

Recentemente, produtores brasileiros de algodão pediram à Justiça a anulação da patente da Bayer para a semente Bollgard II RR Flex.

Souza disse que os produtores brasileiros estão “mais organizados” e exigentes quanto a saber se a tecnologia que estão comprado é de fato nova.

Os royalties das vendas da Intacta em Mato Grosso foram estimados em 800 milhões de reais (211 milhões de dólares) por colheita, de acordo com Souza. Quando os royalties dos produtores dos outros 10 Estados estiverem contabilizados, o montante depositado em uma conta judicial pode atingir até 2,7 bilhões de reais, disse o advogado.

A assessoria de imprensa da Bayer afirmou que a empresa não comentaria especificamente a mais recente decisão judicial, pois ainda não foi formalmente notificada.

A Intacta RR2 PRO, tolerante a herbicida e que oferece proteção contra insetos, foi a primeira biotecnologia para soja especialmente desenvolvida para o mercado brasileiro, segundo informações oficiais sobre o produto.

A assessoria disse ainda que a Bayer vem depositando os royalties pagos pelos agricultores mato-grossenses, relativos à safra 2017/18, em uma conta judicial, conforme ordenado pelo juíza do caso em julho de 2018.

Os produtores de Mato Grosso alegam que a Bayer depositou apenas cerca de 4% dos royalties que foram pagos. Souza disse que a última decisão judicial reiterou uma decisão anterior, que obrigava a firma a depositar 100% do valor. (Reuters 29/07/2019)