Setor sucroenergético

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Biosev nega rumores de venda da Usina Continental

Bastou o anúncio da fusão das operações de etanol, açúcar e cogeração das gigantes BP e Bunge para que ressurgissem rumores da venda de usinas da Biosev no Brasil.

Após se desfazer das duas unidades no Nordeste, em 2018, a companhia controlada pela francesa Louis Dreyfus teria oferecido a interessados a Usina Continental, em Colômbia (SP).

A Biosev informa que “não há nenhuma negociação de venda de unidades em andamento ou plano para fechamento de usinas”. (O Estado de São Paulo 05/08/2019)

 

Usina Floralco é arrematada por quase R$ 54 milhões

Lances ocorreram nos três últimos minutos do leilão virtual, em propostas recebidas pela internet.

Com um lance de R$ 53.989.738,87, foi arrematada a usina Floralco (Grupo Bertolo), de Flórida Paulista.  O terceiro leilão judicial virtual foi encerrado às 15h desta segunda-feira (5), após uma disputa travada nos três últimos minutos do pregão, onde os lances foram recebidos pela internet, no portal Teza Leilões.

Às 14h57 o usuário identificado por FFPL apresentou lance de $ 53.239.738,87. Um minuto depois, às 14h58, um outro usuário apresentou lance de R$ 53.489.738,87 (R$ 250 mil a mais). Por fim, às 15h, o usuário FFPL acresceu R$ 500 mil à nova proposta e apresentou lance de 53.989,738,87, considerado a proposta final que arrematou a empresa.

A primeira tentativa de leilão teve a praça encerada em 30 de maio último, com lance mínimo de R$ 105,9 milhões, sem sucesso, época. Separadamente, para a primeira praça, a usina foi avaliada em R$ 35 milhões e as terras, em R$ 70 milhões. Uma parcela das propriedades, no entanto, possui problemas documentais.

Segundo informa o site Folha Regional, o arrematante seria uma empresa de São Carlos (SP). Ouvido pelo site, o prefeito da cidade, Wilson Fróio Junior, disse que a empresa arrematante pretende reativar as atividades da usina.

Em recuperação judicial desde 2010, a empresa teve a falência decretada pela Vara Única do Foro de Flórida Paulista em julho de 2017.

Perfil da estrutura arrematada

De acordo com a Teza Leilões, o parque industrial da Usina Floralco se encontra em estado de conservação compatível com seu tempo de paralização. A usina tem instalações destinadas a produção de açúcar, etanol e levedura, com produções aproximadas de 12.000 sacos de açúcar dia (600 tons/dia), 360 m³/dia de etanol e uma fábrica de levedura com capacidade para 20 toneladas/dia.

A capacidade de moagem é de aproximadamente 2.500.000 toneladas, com produção de açúcar de 135.000 toneladas e a produção de etanol de 115.000 m3. Segundo a empresa leiloeira, a maior moagem apresentada na unidade foi a safra 2009/10, quando foram processadas 2.462.902 toneladas de cana.

A Teza Leilões ressalta que a usina conta com duas linhas de moenda, sendo que uma está desativada, mas ainda se encontra montada em paralelo com a linha de moagem operacional. A primeira linha foi instalada na época da construção da usina, com um conjunto de moendas 30 x 54”, que operou nos primeiros anos e após a ampliação foi colocado um conjunto muito maior de moenda de tamanho 42 x 84”.

A usina conta com duas caldeiras com capacidade nominal de 80 toneladas e de 120 toneladas de vapor hora, capacidade que consideramos o suficiente para a moagem estimada da usina de 2,5 milhões de toneladas. A usina conta com um Turbo Gerador WEG de 18.750 kVA, mas a turbina da unidade não se encontra mais no local, sendo necessário a colocação de um novo para que a usina possa voltar a funcionar.

As terras estão distribuídas em 24 imóveis, com área total de 3.028,8037 ha, destinadas ao plantio de cana, localizadas no entorno da usina. Cerca de 80% do total dessa área é de canavial. (Siga Mais 05/08/2019)

 

São Martinho inaugura era dos canaviais 4.0

A monotonia da paisagem do canavial é subitamente quebrada pela aproximação de um drone. A máquina voadora para em um ponto aparentemente aleatório da lavoura e suas garras mecânicas soltam um copo biodegradável, que cai no solo. Dele saem algumas vespas, inimigas naturais de insetos como a broca-da-cana, no exato perímetro onde a infestação havia sido identificada por satélite, acionando um alerta para uma central de operações.

"Isso aqui é o mundo das máquinas", afirma Fabio Venturelli, presidente do Grupo São Martinho, apontando para as plantações da usina de Pradópolis (SP) que tem o mesmo nome da companhia e que se tornou seu principal campo de experimentação de inovações.

Desde abril, quando começou a safra 2019/20, a Usina São Martinho, que é conhecida como a maior do mundo em atividade, e seus 135 mil hectares de canaviais passaram a operar sob a égide da indústria 4.0. Todas as máquinas e equipamentos em campo não apenas geram dados como estão agora conectadas a um sistema de troca de informações em tempo real por meio de uma rede própria de internet. Essa rede gera uma quantidade tal de dados, o Big Data, que é capaz de "ensinar" as máquinas a operar em campo - a inteligência artificial.

O monitoramento das operações em campo não é uma novidade absoluta no setor. Algumas empresas já têm salas de comando com operadores que acompanham segundo a segundo os trabalhos nas lavouras com dados transmitidos por satélite. A novidade no projeto da São Martinho é o uso da rede de internet, que permite a conexão das máquinas entre si e potencializa a velocidade e a autonomia dos equipamentos.

O projeto de automação da operações nos canaviais que servem à usina em Pradópolis começou a ganhar contornos mais firmes quando a empresa, em conversas com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), acertou a criação de uma rede de banda larga privada. Orçado em R$ 60 milhões, o projeto está sendo expandido agora para as outras três usinas do grupo e deverá ser concluído em dois anos.

Mesmo estando a cerca de 40 quilômetros de Ribeirão Preto, boa parte da área da Usina São Martinho não era coberta por sinal de internet - um problema de primeira ordem para quem quer transmitir grande quantidade de dados em tempo real. A solução, elaborada em parceria com o CPqD, foi criar uma rede própria, instalando antenas repetidoras nas seis torres de monitoramento que o grupo já tinha no meio dos canaviais. As antenas transmitem dados com base na tecnologia 4G, e em uma frequência distinta da usada em outras redes, de 250 MHz, para evitar interferência.

Essa frequência permite um grande alcance do sinal com poucas torres, segundo Luís Teixeira, gerente agrícola da Usina São Martinho e responsável pelo Centro de Operações Agrícolas (COA), divisão do grupo que interpreta e gerencia os dados. A rede permite que um aparelho transmita vídeos em tempo real e com alta qualidade para uma antena a 15 quilômetros de distância; áudios, por sua vez, podem ser transmitidos com qualidade para antenas a 40 quilômetros. Segundo Teixeira, essas velocidades dependem do relevo e outros fatores, mas a empresa já chegou a transmitir dados de telemetria, o maior volume, para uma antena a 55 quilômetros.

As mudanças também estão ocorrendo dentro de cada máquina. Em parceria com a fabricante Case IH, os equipamentos fornecidos ao grupo estão recebendo computadores de bordo que captam o sinal transmitido pelas antenas. Cada máquina recebe uma espécie de "modem", que converte o sinal das antenas para um sinal de "wifi". Apenas os equipamentos da companhia conseguem se conectar a essa rede.

Todos os detalhes da operação da máquina entram em tempo real no fluxo de informações que chega ao centro de operações, onde um grupo de funcionários monitora os dados e o andamento das atividades. Com isso, os operadores das máquinas ficam concentrados em suas atividades, sem precisar se preocupar com o monitoramento dos dados das máquinas. E dessa forma, diz Teixeira, a análise desses dados se torna mais assertiva.

Se um sensor de uma colhedora identifica que ela está andando mais rápido que um ritmo "ótimo", em que o consumo de diesel e o gasto do equipamento estão em ponto de equilíbrio, a informação é recebida pelo controlador do COA, que entra em contato com o operador da máquina para ajustar a velocidade. Ou se um sensor de um caminhão registra um sobreaquecimento de uma determinada peça, o funcionário do COA conversa imediatamente com o operador e, eventualmente, ele mesmo pode desligar a máquina à distância antes dela quebrar, evitando um atraso em toda a operação em campo.

Tais ajustes em tempo real permitem uma economia valiosa de tempo. Anteriormente, conta Teixeira, a empresa captava os dados que a máquina gerava com seus sensores em pen drives e só os lia dias depois. Agora, os operadores conseguem até se antecipar a problemas. Conseguem prever, por exemplo, quando uma máquina sofrerá desgaste e qual o melhor momento para uma manutenção preventiva. Segundo o gerente, já foi possível prever com 26 horas de antecedência quanto uma máquina ia parar.

A inteligência artificial, em combinação com o uso de satélite, também pode ser usada para realizar análise de solo à distância e identificar as deficiências de cada metro quadrado. Imediatamente é desenhada uma fórmula específica de adubo para realizar a correção e, depois que a mistura e feita, a máquina que vai à lavoura realizar a fertilização é programada para realizar a aplicação na medida certa para a necessidade daquela área.

Até prevenção contra incêndio pode ser feita por inteligência artificial. A companhia está desenvolvendo um algoritmo que detecta fumaça, o que pode acionar as equipes de combate a fogo mais próximas ao local. Atualmente, as câmeras de vigilância instaladas nas torres já fazem esse monitoramento, e o cruzamento de seus dados podem gerar com precisão longitude e latitude do foco de incêndio.

"Essas inovações são um grande passo para a agricultura de precisão, porque é vinculada a um grande grau de automação", sustenta Venturelli. O próximo passo é fazer com que as máquinas no campo "conversem" diretamente com as máquinas da indústria. E já há um grande grau de integração nesse sentido.

Há um algoritmo em elaboração que aloca as colhedoras de cana conforme o ritmo da indústria. Se, por exemplo, uma esteira da usina que transporta a cana recebida sofre um problema mecânico, o que reduz o ritmo da moagem, o algoritmo pode indicar para uma frente de colheita (composta por uma colhedora e um caminhão de transporte de cana) ir a uma região mais distante, que demorará mais para colher e transportar a cana à indústria, ou para uma área onde a produtividade deve ser menor. "Assim evitamos as filas de caminhões na usina", diz o presidente do grupo.

Todo esse esforço poupa tempo e, principalmente, recursos. O objetivo é garantir que, com a plena implementação do COA na empresa, o custo de produção caia de R$ 2 a R$ 3 por tonelada de cana colhida - o que, dentro da capacidade de moagem do grupo, de 24 milhões de toneladas, representaria uma economia de até R$ 72 milhões por safra. Mas Venturelli afirma que, nestes quatro meses, está se surpreendendo com os resultados. "É um caminho que está destravando um mundo de possibilidades." (Valor Econômico 05/08/2019)

 

Atvos, da Odebrecht, propõe pagar 40% de dívidas a bancos

Parte das pendências, que chegam a R$ 11 bi, será transformada em título de empresa.

A Atvos, braço de açúcar e álcool do grupo Odebrecht, apresenta nesta terça-feira (6) seu plano de recuperação judicial aos bancos credores.

A proposta inicial da companhia é pagar apenas 40% da dívida ou cerca de R$ 5 bilhões em um prazo de 15 anos, com três anos de carência, conforme fontes a par do processo. Os R$ 6 bilhões restantes serão transformados em um título devido por uma companhia controladora da Atvos, a ser criada.

Esses títulos só serão pagos se o negócio passar a dar lucro. Pela proposta, os dividendos da Atvos seriam divididos 70% para os bancos e 30% para o grupo Odebrecht. Porém, se os prejuízos continuarem, os bancos não recebem nada.

Os principais credores são Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal. As conversas com as instituições financeiras ainda estão no início e esses números podem mudar conforme as negociações avançarem.

A Atvos, contudo, é obrigada pela legislação de recuperação judicial a apresentar seu plano hoje.

A recuperação judicial é uma espécie de trégua que uma companhia pode pedir à Justiça caso não tenha condições de arcar com seus compromissos. Em troca, se compromete a apresentar um plano para solucionar a situação, que deve ser aprovado pelos credores.

Os maiores bancos brasileiros também são os principais credores da holding da Odebrecht, que também está em recuperação judicial desde o início de junho. Esse processo, no entanto, é mais complexo e envolve uma dívida total de R$ 98,5 bilhões.

A holding da Odebrecht, chamada de ODB, tem prazo até o dia 26 para apresentar seu plano de recuperação. (O Estado de São Paulo 06/08/2019)

 

Atvos e Renuka finalizam plano de recuperação judicial

Duas companhias do setor sucroenergético apresentarão, nas próximas duas semanas, planos de recuperação judicial.

A Atvos, do grupo Odebrecht, revelará amanhã como pretende renegociar a dívida estimada em R$ 12 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil têm, juntos, 66%, ou R$ 7,95 bilhões do total dos débitos.

Já a Renuka do Brasil elabora uma nova proposta, a ser entregue até setembro. A anterior não foi adiante porque fracassou a venda da usina Revati, em Brejo Alegre (SP). O recurso captado seria utilizado no pagamento de credores, de acordo com plano aprovado em agosto de 2018.

“O novo plano é necessário, pois a Revati não foi vendida. Não sabemos a diferença entre os planos porque ainda estamos em negociação junto a credores”, diz Manoel Bertone, presidente da Renuka do Brasil.

Enquanto isso, a companhia segue operando apenas a usina Madhu, em Promissão (SP). (O Estado de São Paulo 05/08/2019)

 

Venda direta de etanol a posto será estudada

O governo discute um "choque de concorrência" que poderá reduzir o preço dos combustíveis no Brasil. Relatório elaborado pelo Ministério da Economia recomenda que atacadistas e usinas sejam autorizados a vender combustível diretamente aos postos. As sugestões foram enviadas à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que deverá decidir sobre elas até o início de outubro.

A venda direta de etanol, porém, não tem data para ser implantada, caso a agência decida pela adoção da medida. Ela está condicionada a uma alteração na lei do PIS-Cofins, segundo informou ao Valor o secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade, César Mattos. A operação só será autorizada depois que a cobrança do tributo tornar-se monofásica, com o recolhimento, na etapa de produção, do tributo devido em toda a cadeia.

As recomendações constam de documento da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) que analisou, sob o ponto de vista da concorrência, quatro medidas da esfera de responsabilidade da ANP discutidas no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O parecer é favorável a todas elas.

O documento do Ministério da Economia servirá de base à decisão da agência reguladora. Outras medidas destinadas a aumentar a concorrência no mercado de combustíveis estão em discussão em um grupo de trabalho ministerial.

A primeira medida recomendada é permitir que atacadistas de combustíveis concorram com distribuidoras. Hoje, eles não podem vender gasolina comum, etanol ou gás de cozinha, por exemplo, aos postos. É uma situação que existe, por exemplo, nos EUA. Lá atuam os chamados "jobbers", que podem comprar de refinarias e importadores e vender gasolina aos postos, concorrendo com as distribuidoras.

A segunda medida é a possibilidade de usinas venderem etanol diretamente a revendedores e varejistas. "A alternativa tornaria a usina rival da companhia de distribuição de combustível líquido no fornecimento de etanol aos postos de combustíveis", diz o relatório elaborado pela Sepec.

O documento observa que a proibição à venda direta de etanol não está em lei, e sim em normativos da ANP. Segundo os técnicos, não haveria problema em controlar a qualidade do etanol, uma vez que é possível atribuir às usinas as mesmas obrigações hoje aplicadas às distribuidoras.

No entanto, seria necessário alterar a tributação do PIS-Cofins. O recolhimento em um único elo da cadeia tornaria a fiscalização mais simples para a Receita Federal, explicou Mattos.

A venda direta poderia reduzir em 47% o custo de logística do etanol no Estado de São Paulo, aponta estudo citado no relatório da Sepec. O impacto no preço final seria da ordem de 3%. No entanto, observa o relatório, o mesmo estudo aponta a necessidade de investimentos em infraestrutura de armazenagem. Dessa forma, não haveria impacto curto prazo.

A terceira medida avaliada pela Sepec é o fim da fiscalização, pela ANP, da origem do combustível adquirido por postos de bandeira. Hoje, um posto que use a marca BR, por exemplo, precisa comprar o combustível da distribuidora BR. Isso é fiscalizado pela agência reguladora.

Os técnicos avaliam que a agência deveria concentrar-se em outras atividades, como fiscalizar a qualidade dos combustíveis, em vez de monitorar o cumprimento de contratos entre privados. O documento ressalva que não se trata de proibir a exclusividade, e sim de retirar a tutela do governo sobre essa relação.

Não há diferença de conformidade nos produtos comercializados em postos com bandeira e aqueles sem bandeira, aponta o relatório da Sepec. Os desempenho é "bastante similar", afirma.

O quarto ponto é a melhora na prestação de informações aos consumidores sobre preços cobrados nos postos. Com as novas tecnologias, há condições de colher informações mais detalhadas e em tempo real. Uma possibilidade, disse o secretário, é haver aplicativos mostrando os preços cobrados nos postos próximos ao consumidor. (Valor Econômico 06/08/2019)

 

Açúcar: Aversão ao risco

Os futuros do açúcar sofreram pressão ontem na bolsa de Nova York ante as oscilações nos mercados financeiros e novas perspectivas baixistas por parte da oferta da Índia. Lotes para março caíram 17 pontos, a 12,86 centavos de dólar a libra-peso.

Com o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, uma onda de aversão ao risco fez o dólar disparar ante várias moedas, entre elas o real.

Isso costuma pressionar o açúcar, já que desestimula as exportações brasileiras.

O petróleo também teve forte baixa. No lado dos fundamentos, as chuvas acima da média na Índia em julho podem levar a revisões nas projeções para a próxima safra da Índia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou alta de 1,52%, para R$ 59,40 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/08/2019)

 

FCStone vê produção menor de açúcar no Centro-Sul

Fruto de condições climáticas mais favoráveis no início da safra, a colheita de cana da temporada atual (2019/20) no Centro-Sul deverá ser maior do que na safra passada, embora insuficiente para reverter a tendência de redução da produção de açúcar, que pode chegar ao menor volume desde a safra 2006/07.

Essa é avaliação da consultoria INTL FCStone, que atualizou suas projeções para a temporada atual. A empresa estima agora que as usinas da região produzirão 26,1 milhões de toneladas de açúcar, 6,1% abaixo da projeção anterior. Esse volume representa um decréscimo de 1,5% ante a temporada passada.

Após realizar visitas a todas as regiões produtoras do Centro-Sul, a consultoria chegou à conclusão que as altas temperaturas do início do inverno e as recentes geadas tiveram impactos limitados sobre as lavouras, considerando o impulso que as chuvas de desde meados do ano passado tiveram sobre a produtividade dos canaviais da região.

A nova estimativa da FCStone é de as usinas do Centro-Sul do país processarão 583,3 milhões de toneladas, mais de 9 milhões de toneladas acima da projeção anterior, feita em maio, e 10 milhões de toneladas acima da última temporada, a 2018/19.

Nas usinas, porém, a prioridade ainda é produzir etanol, contrariando as expectativas do início da safra de que o açúcar poderia ganhar espaço no mix de produção. Diante da remuneração continuamente melhor do biocombustível ante o açúcar até o momento, a consultoria estima que, do caldo de toda a cana processada nesta safra, 34,7% irá para a produção de açúcar - abaixo dos 37,1% estimados em maio e dos 35,2% registrados na temporada passada.

A consultoria observou que a maior quantidade de cana tem se mostrado um "gargalo" para as usinas, que estão buscando aumentar a produção de etanol e não o conseguem por limitações de capacidade. Esse "excedente" tem sido direcionado para a fabricação de açúcar, mas não em volume suficiente para reverter a queda na produção do adoçante.

Dessa forma, a FCStone aumentou sua estimativa para a produção de etanol a partir da cana em 1,3 bilhão de litros ante a projeção anterior. Esse ajuste reverte o cenário de queda na produção de etanol ante a safra passada para um ligeiro aumento de 0,6, alcançando 30,4 bilhões de litros.

A consultoria também aumentou sua estimativa para a produção de etanol a partir do milho em 300 milhões de litros, para 1,1 bilhão de litros, devido ao aumento da oferta do grão. Se confirmada, será o dobro da produção da safra passada. (Valor Econômico 06/08/2019)

 

Brasil considera zerar tarifa de importação do etanol dos Estados Unidos

Autoridades brasileiras consideram ceder à demanda americana para facilitar as negociações em curso do acordo bilateral com os Estados Unidos.

O Brasil considera abrir totalmente o mercado de etanol para os Estados Unidos, enquanto a China vira as costas ao biocombustível americano em meio à guerra comercial.

As autoridades brasileiras consideram ceder à demanda americana de zerar a tarifa de importação de etanol para facilitar as negociações em curso do acordo bilateral com os EUA, disseram duas pessoas a par do assunto que pediram para não serem identificadas porque o assunto não é público. Um acordo bilateral, esperado para outubro, beneficiaria muito produtos nacionais.

A eliminação de tarifas do etanol é defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Entretanto, o Ministério da Agricultura se opõe e defende a renovação da atual cota de importação com tarifa zero.

Em agosto de 2017, o governo do Brasil aplicou uma tarifa de 20% sobre os embarques de etanol dos EUA que excedem a cota anual de 600 milhões de litros, depois que as importações americanas de etanol de milho inundaram o mercado doméstico, deteriorando os preços locais.

A liberação do mercado brasileiro seria um alívio para a indústria americana, que tem sido afetada pelo excesso de oferta e enfrenta as margens mais baixas em mais de 15 anos. Os produtores americanos expandiram a capacidade apostando na demanda da China, mas acabaram ficando sem compradores em razão da guerra comercial do presidente Donald Trump com a nação asiática.

Qualquer decisão no Brasil tem de ser tomada até o final deste mês, quando a atual cota expira. Caso contrário, a tarifa de 20% torna-se efetiva novamente para a totalidade do etanol importado.

Segundo as fontes, o governo do Brasil não permitirá que a tarifa de 20% se aplique a todo o etanol importado. Isso poderia deteriorar a relação entre os dois países em um momento em que o Brasil tenta minimizar as reclamações dos EUA sobre barreiras, disseram as pessoas.

Na pior das hipóteses, o ministério da Economia considera provisoriamente renovar a cota de 600 milhões de litros para ganhar mais tempo para negociar, disseram as fontes consultadas.

O Brasil foi o principal destino dos embarques de etanol de milho dos EUA, com importações de mais de 1,7 bilhão de litros no ano passado.

O ministério da Economia, o ministério da Agricultura e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) não responderam imediatamente o pedido de comentário feito pela Bloomberg. (Bloomberg 05/08/2019)